CADERNO PROVA 1 - IED PROCESSUAL - DIANA PEREZ
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CADERNO PROVA 1 - IED PROCESSUAL - DIANA PEREZ


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Leonardo David - IED Processual \u2013 Diana Perez \u2013 T4AA \u2013 2019.2 
 
PRIMEIRA UNIDADE 
AULA \u2013 07 DE AGOSTO 
CONCEITOS BÁSICOS 
1. Necessidade 
A necessidade traduz-se como um estado de carência, como uma falta de alguma 
coisa. Ele representa a ruptura do equilíbrio humano. Nesta senda, se o homem estivesse 
em estado de total equilíbrio, não haveria nenhuma necessidade. Contudo, o homem é 
dependente, ele tem necessidade e ele depende de determinados elementos para a sua 
sobrevivência e para o seu aprimoramento. 
2. Bens 
Esses elementos que o homem necessita para a sua sobrevivência e para o seu 
aprimoramento são os BENS. Isto é, bem é aquele elemento capaz de satisfazer as 
necessidades do homem. Esses bens podem ser de diversas ordens, como, por exemplo, 
bens materiais, imateriais, móveis, imóveis, etc. 
3. Utilidade 
No aspecto, a capacidade ou aptidão de um bem em satisfazer alguma necessidade 
é que se chama de UTILIDADE. 
E como se sabe se um homem tem ou não utilidade? Chega-se a essa conclusão 
fazendo um juízo de valoração, podendo chegar a duas conclusões possíveis: é capaz de 
satisfazer ou não é capaz de satisfazer a necessidade do homem. 
4. Interesse 
Quando se conclui na utilidade do bem para satisfação da necessidade, surge a 
ideia de INTERESSE. Este, por sua vez, seria o vínculo que une, de um lado, o homem e 
as suas necessidades e, de outro, o bem e a sua utilidade. Seria, pois, a posição favorável 
de um bem em satisfazer as necessidades do homem. 
Esse interesse pode ser de diversas ordens. Pode, por exemplo, se dividir em 
interesse imediato ou interesse mediato. O primeiro trata-se de quando o bem é capaz de 
satisfazer diretamente, de forma imediata, a uma necessidade. Por exemplo: quando se 
está com sede, bebe água e mata a sede. Por outro lado, o interesse é mediato quando ele 
Leonardo David - IED Processual \u2013 Diana Perez \u2013 T4AA \u2013 2019.2 
 
é capaz de satisfazer apenas indiretamente a uma necessidade. Por exemplo: quando se 
está com sede, não tem água, mas tem dinheiro para comprar água. 
Outra classificação é a que divide o interesse em individual e coletivo. Diz-se 
interesse individual quando o bem é capaz de satisfazer a necessidade de um indivíduo 
isoladamente. Por exemplo: o copo de água mata a sede de um indivíduo. Diz-se interesse 
coletivo quando o bem é capaz de satisfazer as necessidades de uma coletividade. Por 
exemplo: construção de uma barragem. 
OBS: O nosso processo foi concebido para atender apenas interesses individuais. 
Contudo, com o passar dos anos, tem havido uma preocupação maior com a preocupação 
de interesses coletivos, como, por exemplo, proteger os interesses dos consumidores, dos 
idosos, etc. Então, foram criados instrumentos para a proteção desses interesses coletivos, 
como, por exemplo, ação civil pública, mandado de segurança coletivo, etc. 
O problema é que de um lado tem-se o homem com as suas infinitas necessidades. 
De outro, surgem os bens que, via de regra, são limitados. Então, diante desse quadro, é 
normal surgirem conflitos de interesses. Esses conflitos de interesses podem ser de duas 
ordens: os conflitos subjetivos e os intersubjetivos. 
Conflito subjetivo: ocorre quando são vários interesses e apenas um indivíduo. Ou 
seja, quando há apenas um indivíduo, diz-se que esse conflito é subjetivo. Aqui fica no 
campo do subjetivismo, não é relevante para o direito. Por exemplo: alguém precisa 
comprar um sapato e esse sujeito vai comprar um sapato na loja, mas fica indeciso de 
qual comprar. Este é um conflito subjetivo, não interessa ao direito. 
Conflito intersubjetivo: ocorre quando envolve mais de um sujeito. 
5. Pretensão 
Dessa ideia de conflito de interesses, emerge a noção de PRETENSÃO. Quando 
há um conflito de interesse intersubjetivo, a vontade será de que um interesse prevaleça 
sobre o outro. Nesse sentido, a pretensão é a exigência de subordinação do interesse de 
outrem ao seu próprio interesse. Isto é, quer-se fazer que o seu interesse prevaleça sobre 
outra pessoa. 
6. Resistência 
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Nessa linha, por vezes, a parte oferece RESISTÊNCIA à pretensão. Assim, 
resistência é o ato contrário à pretensão. 
A resistência lato sensu engloba a resistência em sentido estrito e a 
INSATISFAÇÃO. 
7. Lide 
 Diante disso, surge um conceito relevante para o direito processual: a lide. Nesse 
sentido, se há um conflito de interesses, se há uma pretensão que é resistida, alguém irá 
precisar resolver isso, isto é, é preciso que esse conflito seja levado a juízo. Nesta senda, 
esse conflito de interesses que é levado a juízo é chamado de lide. Em outras palavras, 
lide é um conflito intersubjetivo de interesses, qualificado por uma PRETENSÃO 
JURÍDICA, resistida ou insatisfeita, deduzida em juízo. 
 OBS: pretensão resistida x pretensão insatisfeita 
Na pretensão resistida, discute-se a titularidade do bem. Discute-se quem é o 
titular do bem. Por exemplo: sujeito A diz que o celular é seu e o sujeito B nega, afirmando 
que é seu. Assim, é necessário ir à juízo para o juiz dizer quem é o titular daquele bem. 
Por outro lado, na pretensão insatisfeita, a titularidade é certa, o que se discute é a 
fruição do bem. Por exemplo: sujeito A emprestou 100 mil reais ao sujeito B. Este, por 
sua vez, diz que não vai pagar. Ou seja, não se está discutindo quem é o titular dos 100 
mil reais, mas o sujeito B está negando a pagar. Neste caso, o magistrado não vai precisar 
dizer quem é o titular do bem, pois isto já é pressuposto. Ele vai precisar se valer de meios 
para retirar do patrimônio do sujeito B esse valor e passar ao patrimônio do sujeito A. 
Neste caso, o magistrado se vale de técnicas executivas, ao passo de que quando 
a pretensão é resistida, o magistrado se vale de técnicas cognitivas. 
 Essas lides precisam ser solucionadas. Nesta senda, haverá a COMPOSIÇÃO DA 
LIDE, no sentido de resolução, de que seja sanada a lide. Existem várias formas de se 
compor uma lide. A principal delas é a jurisdição, embora ela não seja a única. 
8. Jurisdição 
É a forma estatal de resolver os conflitos. 
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Contudo, existem situações que são levadas ao judiciário, mas que não são 
situações conflituosas, ou seja, não são lides. Por exemplo: divórcio consensual, onde os 
interesses são convergentes. 
 Nesses casos, que são chamados de jurisdição voluntária, para uma corrente 
existe jurisdição, pois a lide, embora importante, não é um elemento essencial para a 
jurisdição. Para outra corrente, neste caso não haveria jurisdição, pois entende-se que a 
lide é um elemento essencial da jurisdição. Ou seja, só há jurisdição se houver lide. Então 
essa situação relatada seria resolvida em âmbito administrativo. 
 Todavia, a jurisdição, em regra, ela é inerte. Ou seja, ela precisa ser provocada. 
Por exemplo: para que se discuta a titularidade do celular, é necessário que a parte vá a 
juízo para que o juiz determine a titularidade daquele bem. O juiz não fará isso de ofício. 
Essa provocação se dá pelo exercício do direito de AÇÃO. 
9. Ação 
A ação é o direito apto de provocar a jurisdição. Esse exercício do direito de ação 
e o exercício da atividade jurisdicional vai se instrumentalizar através de um PROCESSO. 
10. Processo 
É o instrumento para o exercício do direito de ação e da atividade jurisdicional. 
Processo, aqui, como uma atividade abstrata. Por exemplo: duas pessoas estão discutindo 
a titularidade de um bem. Ingressa-se, assim, uma ação perante o judiciário. Assim, um 
sujeito vira autor e o outro ré, instaurando-se uma relação jurídica processual.