EXERCICIO REGULAR DO DIREITO
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EXERCICIO REGULAR DO DIREITO


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EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO
Maria Rafaela Faria
Universidade do Oeste Paulista \u2013 UNOESTE. Curso de Direito, Presidente Prudente \u2013 SP. 
Direito Penal - Danielle Yurie Moura da Silva
1. Resumo
O presente artigo tem como objetivo estudar e entender o exercício regular do direito por meio de uma análise dos elementos que compõem esse conceito. Partindo dos requisitos que constituem essa excludente de ilicitude. Previsto no artigo 23 do código penal, o exercício regular do direito faz parte das possibilidades de exclusão de ilicitude. No decorrer deste artigo serão analisadas as possibilidades de aplicação desta excludente, utilizando exemplos como ferramentas de compreensão. Está presente também neste artigo uma breve explanação sobre o estrito cumprimento do dever legal.
Palavras-chave: código penal \u2013 excludente de ilicitude.
2. Introdução
	Causa de exclusão de ilicitude que consiste no exercício de uma prerrogativa conferida pelo ordenamento jurídico, caracterizado como fato típico. (CAPEZ, Fernando, 2010, p, 317) 	
O exercício regular do direito é uma excludente de ilicitude em branco, ou seja, precisa ser complementada em outra norma. Esta excludente decorre do principio constitucional da legalidade (artigo 5º, II CF) aplica-se numa situação onde o Estado não pode estar presente para evitar uma lesão a um bem jurídico, refere-se também ao direito de castigo. Observamos a definição do Professor Damásio de Jesus:
O art. 23, III, parte final, do CP determina que não há crime quando o agente pratica o fato no exercício regular de direito. A expressão direito é empregada em sentido amplo, abrangendo todas as espécies de direito subjetivo (penal ou extrapenal). Desde que a conduta se enquadre no exercício de um direito, embora típica, não apresenta o caráter de antijurídica.
	Para que o ato se encaixe no exercício regular do direito, é necessário que o agente siga rigorosamente os requisitos, passando disso há o excesso, que é punível. 
3. Requisitos
	Para que uma ação se caracterize como exercício regular do direito é necessário que cumpra alguns requisitos, sendo eles:
Indispensável: impossibilidade de recurso útil aos meios coercitivos normais 
	Proporcionalidade: a ação deve ser proporcional, caso contrario haverá o excesso punível. 
	Luiz Regis Prado menciona que o exercício regular de direito deve ser de modo \u201cregular e não abusivo, podendo ele ser de norma penal ou extrapenal\u201d. (PRADO, Luiz Regis).
4. Hipóteses 
4.1 Bem imóvel turbado/esbulhado
	Ocorre quando um terceiro se apodera ilegitimamente de coisa alheia em decorrência de violência, clandestinidade ou precariedade.
4.2 intervenção médica
	Segundo a doutrina clássica, as intervenções médicas e cirúrgicas, constituem exercício regular de direito. Damásio de Jesus diz que:
Parte da doutrina entende que nesses casos a exclusão da ilicitude ocorre por força do estado de necessidade. De observar, porém, que nem sempre se acham presentes os requisitos do fato necessário. Assim, é possível a prática de uma cirurgia sem que o paciente esteja sofrendo perigo atual ou iminente à sua vida ou integridade corporal. Além disso, só pode praticá-la a pessoa habilitada para o exercício da Medicina. O estado de necessidade apenas ocorre em casos excepcionais, quando o leigo, em face da impossibilidade absoluta de socorrer-se de um médico, realiza a intervenção para salvar a vida ou a saúde de terceiro de perigo certo e atual ou iminente. Trata-se de uma prática permitida pelo Estado e realizada de acordo com os meios e regras admitidos. Se o Estado reconhece, estimula, organiza e fiscaliza a profissão médica, como dizia Aníbal Bruno, impondo para 443 o seu exercício especiais condições de preparação técnica e a exigência da habilitação especial, tem de reconhecer como legítimos os atos que a sua prática regularmente comporta, com os riscos a ela inerentes. Executando-os, o médico exercita uma conduta legítima, que, salvo hipóteses de irregularidade dolosa ou culposa, não pode resultar em incriminação. Hoje, adotada por nós a teoria da imputação objetiva, a conduta do médico, realizando, por exemplo, uma cirurgia, é atípica. Ele se coloca em posição de \u201cgarante\u201d, de modo que somente pode ser-lhe atribuída uma afetação dos bens jurídicos do paciente em face de violação do dever de cuidado quando, efetivamente, assumiu a obrigação de tratamento.
Para melhor compreensão vamos analisar um exemplo. Imagine que uma pessoa que pertence às testemunhas de Jeová, nesta religião o procedimento de transfusão sanguínea é proibida, porem tal pessoa esta internada e a única saída é a transfusão, mesmo esse procedimento sendo vetado pela religião o médico tem a obrigação de realiza-lo, neste caso o médico não cometeu crime, pois o ato se encaixa na excludente de exercício regular do direito. 
4.2.1 Consentimento do ofendido
	Esta situação é a regra, por exemplo, em um procedimento cirúrgico ocorre uma lesão corporal, porém o paciente consentiu. Damásio de Jesus pontua que
O consentimento do ofendido pode funcionar como: a) causa excludente da tipicidade; b) causa excludente da antijuridicidade. Quando a figura típica contém o dissentimento do ofendido como elemento específico, o consenso funciona como causa de exclusão da tipicidade. Ex.: a) o crime de violação de domicílio possui a seguinte descrição: \u201cEntrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências\u201d (art. 150, caput); b) o art. 164, descrevendo um subtipo de crime de dano, tem a seguinte redação: \u201cIntroduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que do fato resulte prejuízo\u201d; c) o crime de estupro tem a seguinte descrição: \u201cConstranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso\u201d (art. 213, caput, com a redação dada pela Lei n. 12.015/2009). Nos três casos apontados, o dissenso do ofendido funciona como elementar dos tipos.
O consenso deve ser manifestado antes ou durante a prática do fato. Se posterior, não tem força de excluir o crime, podendo valer como renúncia ou perdão nos casos de ação penal privada (CP, arts. 104 e 105).
4.2.2 Estado de necessidade
	Nesta situação o ato pode ser realizado se a pessoa deixar ou não pois se caracteriza estado de necessidade.
4.3 Violência desportiva
	Todos sabem que alguns esportes podem ser violentos e produzir resultados danosos, porem desde que haja obediência irrestrita às regras do jogo, nestes casos os autores não respondem por crime, pois se enquadram no exercício regular de direito, porém como já dito acima todo excesso é punível. Damásio de Jesus explica que: 
Cuida-se, mais uma vez, de prática autorizada e fiscalizada pelo Estado, pelo que seu exercício não constitui fato ilícito. É evidente que o Estado não autoriza ferir ou matar, mas praticar o esporte de acordo com as regras determinadas, no qual normalmente pode ocorrer dano. A conduta do jogador é perfeitamente lícita, pelo que os resultados danosos que acidentalmente ocorrem também ficam acobertados pela licitude. Como dizia Magalhães Noronha, se o participante se conserva estritamente nos limites da regra do esporte, por piores que sejam as consequências (como a morte), a conduta é lícita. Se o participante não se conserva dentro das regras do jogo, responde pelo resultado lesivo (a título de dolo ou culpa). De ver, contudo, que, adotada a teoria da imputação objetiva, as afetações jurídicas no esporte, quando obedecidas as regras, são atípicas. Trata-se de um caso de \u201crisco permitido\u201d. Aplica-se o princípio de confiança, esperando cada contendor que os adversários obedeçam às regras do esporte.
	
Vamos analisar um exemplo. No filme Rocky IV (sequência de um filme clássico de lutas de boxe) o personagem Apollo que é um lutador, é morto no ringue durante uma luta contra Ivan Drago. Aplicando a este caso o direito penal brasileiro, Ivan