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e perceber o mundo da mesma forma que ela o vê.
Se tratando de TEA o que diz estudos mais recentes:
Atualmente acredita-se que o mecanismo genético mais provável para o autismo seria o de genes de efeitos possivelmente leves interagindo entre si para produzir fenótipo (Folsteine Rosen-Sheidley 2001). Nesse modelo, combinações de vários genes, provenientes dos pais, são transmitidos aos filhos.
2.1. Como Chegar ao Diagnostico do Autismo?
Primeiramente é importante destacar que não existe nenhum exame de sangue, imagem ou atividade cerebral, cientificamente comprovado que detecte o TEA. Dessa forma, o diagnóstico é essencialmente clínico, feito por meio do contato com o paciente e sua família: a partir de relatos dos pais ou responsáveis, o profissional reúne informações que auxiliam na compreensão da história do desenvolvimento e na descrição dos sintomas observados.
É importante salientar, quem são os profissionais que estão aptos para realizar o diagnóstico. Segundo as leis brasileiras que regem a atuação profissional, o diagnóstico nosológico do TEA pode ser feito por profissionais da saúde graduados em diferentes áreas, como medicina, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional (Brasil, Lei n° 12.842, de 10 de julho de 2013). Apesar dessa atuação ser permitida a todos os profissionais da área da saúde, ressalta-se a importância da formação especializada na avaliação do TEA. Por se tratar de um transtorno do neurodesenvolvimento, os profissionais que atuam nessa área devem ter conhecimento acerca do desenvolvimento típico e atípico, de funções cognitivas, epidemiologia e nosologia. Destaca-se também que o sucesso da avaliação diagnóstica depende do trabalho multidisciplinar dos profissionais.
Um fator importante é a idade para o diagnóstico do TEA, pois existe uma variação no início da manifestação dos sintomas, em casos de uma investigação precoce, os sinais do transtorno podem ser notados antes dos 24 meses de idade, já no caso de crianças com perfil de regressão no desenvolvimento, observa-se uma progressão normal nos dois primeiros anos de vida e uma perda das habilidades cognitivas nos anos seguintes. Em alguns casos de TEA os sintomas se manifestam tardiamente, pois as características são mais brandas, nesse padrão está associado ao autismo de alto funcionamento.
2.2. Critérios usados para Diagnóstico
Como o diagnóstico do TEA é clínico, ele é baseado na observação das características comportamentais do paciente. Ressalta-se que essa observação deve se fundamentar em parâmetros cientificamente aceitos. Atualmente, os profissionais têm à disposição dois guias da prática clínica: Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à saúde (CID), e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos mentais 5° edição (DSM-5), da American Psychiatric Association.
O CID é o sistema oficial de codificação das doenças utilizadas no Brasil, os profissionais devem usar a nomenclatura e os códigos propostos nesse manual, principalmente nos relatórios entregues para a família ou outros profissionais.
2.3. Passo a passo para a avaliação
A avaliação do TEA segue as etapas tradicionais da avaliação neuropsicológica: entrevista clínica, avaliação do paciente e entrevista com outros informantes (por exemplo, a escola). Na entrevista o profissional levanta as informações com a ajuda da anamnese, escalas de análise funcional do comportamento. Na anamnese é uma etapa crucial e muito importante da avaliação e é por meio dela que são levantadas as principais hipóteses diagnósticas do paciente, geralmente ela inicia-se com uma entrevista descontraída onde os pais ou familiares relatam suas principais queixas e como é a vida da criança. Quais são essas perguntas usadas para a avaliação e investigação? 
Motivo da avaliação
Descrição do problema
Principais queixas
Histórico do desenvolvimento
Gestação/ Pré-natal/complicações na gestação
Parto/nascimento/primeiros meses de vida/linguagem
Desenvolvimento motor fino e grosso
Histórico médico
Alteração do sono
Dorme sozinho
Alteração do habito alimentar
Horários de refeições
Histórico de doenças/medicamentos/tratamentos
Desenvolvimento social
Nos primeiros 6 meses de vida
Olha e interagia coma face da mãe
Nos primeiros 24 anos de vida
Aponta para pedir alguma coisa
Habilidades sociais
Durante a pré-escola
Histórico escolar
Quando iniciou na escola
Quando foi alfabetizado
Tem rotina de estudo
Histórico familiar
História médica, psicológica e psiquiatra
Nível escolar dos pais e social
Perfil atual
Temperamento
Nível de independência na vida
Sintomas psiquiátricos 
Interesses restritivos
Comportamentos repetitivos 
Tiques
Hiper ou hiporreatividade sensorial
Nível de compreensão e expressão da linguagem.
Claro, que ainda existem outros passos que não foram citados, porém esses são os principais.
A partir do diagnóstico, deve-se buscar otimizar capacidades ao invés da cura dos comprometimentos, que são natos. Para isso é importante precisar o QI executivo, o QI verbal, realizar testes neuro-psicológicos (cognição, memória, atenção, planejamento, execução, etc.), descobrir suas dificuldades na escola, no mundo social e na comunicação, assim como as dificuldades familiares para lidar com a situação.
Uma curiosidade muito importante nos primeiros anos de vida do TEA é a regressão do desenvolvimento da criança, certas habilidades que ela havia aprendido, suas conquistas diárias como, por exemplo, da alimentação, interação com a família ou pessoas fora do ciclo familiar, suas brincadeiras e seus gostos e gestos, estudos epidemiológicos mostram que esse fenômeno é observado em aproximadamente 27% dos casos do transtorno. Comumente, a regressão começa entre 15 e 24 meses de vida, após um desenvolvimento típico. Normalmente, o diagnóstico do TEA é feito em idade pré-escolar, aproximadamente aos 5 anos de idade, neste período, os sintomas são mais específicos, além disso, existe uma maior gama de instrumentos diagnósticos para essa idade. Quanto maior a gravidade dos sintomas, mais precocemente o diagnóstico é feito. No caso de crianças sem deficiência intelectual. O diagnóstico do TEA acaba podendo ser feito mais tardiamente, aproximadamente aos 7 anos de idade. 
2.4. O impacto da Revelação do Diagnóstico de Autismo para as Famílias
O presente estudo foi feito desenvolvido em um Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil de um município do interior Paraibano que é referência à assistência a criança com transtorno autista. Ocorreu uma coleta de dados em julho e agosto de 2013 e foi composta por 10 famílias pesquisadas e nesta pesquisa esses familiares relatam como foi passado esse diagnóstico para eles:
[...] Me espantei na hora porque não entendia o que era autismo. No começo foi muito difícil porque pensei que fosse algo muito grave. Não perguntei mais nada [...] fiquei perdida e ele disse só que tinha que tratar, mas não disse como.
A avó foi que percebeu primeiro. Ele era muito agitado. Ela dizia assim: “Esse menino tem problema” [...] só que eu não aceitava. Demoraram a diagnosticar e isso me fazia ter esperança que ele não tinha nada.
Eu tinha medo dela ser rejeitada pelas pessoas. Eu não sabia como ia ser. Na época eu não aceitei por muitas coisas, mas pensava muito na questão do preconceito das pessoas e da família do meu marido.
[...] O médico disse assim “Essa criança tem autismo” e não explicou muito.
[...] O médico simplesmente disse para mim assim “ Mãe seu filho não tem traços de autista não, ele é autista”. Não me preparou e foi muito direto.
[...] O médico virou e disse na lata de uma vez “ Essa criança é autista”. Só isso. Não conversou. Apenas me encaminhou para procurar tratamento para ela. Não tive como perguntar mais nada porque ele foi logo me encaminhando para outro setor.
Ela passa o dia todo comigo. Eu cuido dela dia e noite. O pai ajuda quando chega de noite do trabalho, mas quem cuida mesmo sou eu porque ele passa o dia todo fora e eu é que fico em casa cuidando

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