Prévia do material em texto
12/09/2018 Engenharia Química Transferência de Massa Prof.: Felipe Oliveira Coeficientes de difusão Coeficiente de autodifusão binária para gases Pela primeira Lei de Fick tem-se que o coeficiente de difusão corresponde ao inverso da resistência a ser vencida pelo soluto é governada pela interação soluto-meio. Com base na teoria cinética dos gases é expresso por: O coeficiente de difusão é definido como a mobilidade do soluto no meio e é governada pela interação soluto-meio. Coeficiente de autodifusão binária para gases Coeficiente de autodifusão binária para gases DAA* - Coeficiente de difusão de uma mistura de moléculas similares. Ex: A e seu isótopo A* A equação representa a dependência da difusividade com as propriedades do gás. O efeito da energia cinética corresponde a RT, quanto mais agitado, melhor é a mobilidade do soluto. Obs.: Energia Cinética (1 mol de moléculas) = 3/2nRT (Teoria Cinética dos Gases) Essa mobilidade é dificultada pelo tamanho das moléculas (d e M). Coeficiente de autodifusão binária para gases (par apolar A/B) Se A e B não são similares: E dAB corresponde a média entre os diâmetros de A e B. Substituindo: N0 = 6,023 x 10 23 moléculas/gmol R = 8,3144x107 g.cm2/gmol.s2.K Coeficiente de autodifusão binária para gases (par apolar A/B) dAB - média entre os diâmetros de A e B. N0 = 6,023 x 10 23 moléculas/gmol , R = 8,3144x107 g.cm2/gmol.s2.K Usando as unidade atm e Å: Influencias do meio: T e P. Características das espécies A e B: MA e MB e dAB 𝐷𝐴𝐵 = 1,053 𝑥 10 −3 𝑇3/2 𝑃 𝑑𝐴𝐵 2 1 𝑀𝐴 + 1 𝑀𝐵 1/2 𝐷𝐴𝐵 = 1,066 𝑥 10 −13 𝑇3/2 𝑃 𝑑𝐴𝐵 2 1 𝑀𝐴 + 1 𝑀𝐵 1/2 CORRELAÇÃO PARA ESTIMATIVA DO COEFICIENTE DE DIFUSÃO PARA GASES APOLARES A) Equação de Chapman-EnsKog (para gases apolares ) DAB = coeficiente de difusão da espécie A na espécie B em cm 2/s. MA e MB = massas moleculares das substâncias gasosas A e B. P = pressão total em atm. σi = diâmetro de colisão (Å) (i = A ou B). σAB = Distância limite (Å). D = integral de colisão – expressa a dependência da colisão com a temperatura CORRELAÇÃO PARA ESTIMATIVA DO COEFICIENTE DE DIFUSÃO PARA GASES APOLARES B) Equação de WILKE e LEE Wilke e Lee propuseram a seguinte expressão para gases apolares com pelo menos uma das espécies com massa molar superior a 45 g/gmol. DAB = CORRELAÇÃO PARA ESTIMATIVA DO COEFICIENTE DE DIFUSÃO PARA GASES APOLARES CORRELAÇÃO PARA ESTIMATIVA DO COEFICIENTE DE DIFUSÃO PARA GASES APOLARES Definições: σAB = É uma distância limite de colisão entre as moléculas A e B, ou seja, quando uma molécula B em movimento vindo ao encontro de uma molécula A parada, a molécula B chegará a uma distância limite σAB, na qual é repelida pela primeira, conforme figura abaixo. Colisão entre duas moléculas considerando a atração e repulsão entre elas. σi (para i = A ou B) - É um diâmetro característico da espécie química “i” e diferente do seu diâmetro molecular ou atômico. É definido como sendo o diâmetro de colisão. AB = Este parâmetro representa a energia máxima de atração entre duas moléculas. AB = Este parâmetro é conhecido como integral de colisão e está associado à energia máxima de atração entre as moléculas A e B e é função da temperatura. Este parâmetro expressa a dependência do diâmetro de colisão com temperatura, da qual é inversamente proporcional. Coeficiente de autodifusão binária para gases (gases polares) Para uma mistura de gases que contenham componentes polares ou pelo menos um dos componentes polar. A equação será a mesma, porém é necessário adicionar o fator polaridade na integral de colisão e energia de colisão. Brokaw (1969) sugeriu a seguinte correlação na integral de colisão (D). Coeficiente de autodifusão binária para gases (gases polares) Temos: Considerando a correlação na integral de colisão (D) proposta por Brokaw : Coeficiente de autodifusão binária para gases (gases polares) Diametro de colisão de Brokaw: ESTIMATIVA DO DAB A PARTIR DE UM DAB CONHECIDO EM OUTRA TEMPERATURA E PRESSÃO Estimativa do DAB a partir de um DAB conhecido em outra temperatura e pressão DAB conhecidos – tabela 1.1 Cremasco COEFICIENTE DE DIFUSÃO DE UM SOLUTO EM UMA MISTURA ESTAGNADA DE MULTICOMPONENTES A difusão de uma determinada espécie química “A” através de um meio constituído por outra (espécie B) ou pela mesma espécie química, compondo um sistema binário. Uma espécie pode difundir em um meio composto de “n espécies químicas”, caracterizando a difusão de “A” numa mistura gasosa. Neste caso utiliza-se, com boa aproximação, a relação proposta por Wilke (1950) para um meio estagnado. • Sendo: D1,M = Coeficiente de difusão do componente 1 na mistura gasosa (cm2/s) • D1,i = Coeficiente de difusão do componente 1 através do componente i da mistura gasosa (cm2/s). Difusão em líquidos Coeficiente de difusão em líquidos Menor que o coeficiente de difusão em gases e depende fortemente do grau de idealidade da solução. Importante: certas moléculas difundem como moléculas, enquanto outras, designadas como iônicas eletrolíticas, difundem como íons em solução. Coeficiente de difusão em líquidos Mecanismo de difusão em meio liquido é COMPLEXA. Várias teorias - teoria hidrodinâmica, teoria do salto energético, modelos da mecânica estatística e termodinâmica de processos irreversíveis. Dificuldade maior – definição das estruturas moleculares das espécies (soluto e solvente) grande relação com as forças intermoleculares na difusão Coeficiente de difusão em líquidos Teorias tentam explicar a difusão de solutos não-eletrolíticos: teoria de Eyring e teoria Heterodinâmica (para soluções de baixa concentração). Coeficiente de difusão em líquidos Difusão de um soluto não-eletrolítico em soluções líquidas diluídas Um soluto não-eletrolítico é aquele que em contato com uma solução líquida, não se decompõe em íons. Por exemplo: dissolução de gases ou a difusão de hidrocarbonetos em soluções líquidas diluídas. Quanto à característica de uma solução diluída, ela se refere à quase ausência de soluto no meio onde acontece a difusão, em que CA ou XA 0. Coeficiente de difusão em líquidos Equação de Stokes-Einstein Descreve a difusão de partículas coloidais ou moléculas grandes arredondadas através de um solvente (comporta-se como contínuo relativo às espécies de difusão) . Para solução liquida diluída. Dificuldade maior definição do raio aproximação com volume molar do soluto: 𝑟𝐴 ∝ 𝑉𝐴 1/3 . Coeficiente de difusão em líquidos Difusão de um soluto não-eletrolítico em soluções líquidas diluídas • Scheibel (1954) usou correlação com volume molar (VA e VB) na temperatura normal de ebulição: • Porém, tem-se as seguintes exceções (A: soluto e B: solvente): 1. Para o benzeno como solvente e se VA < 2 VB → K = 18,9 x 10 -8; 2. Para outros solventes orgânicos e se VA < 2,5 VB → K = 17,5 x 10 -8; 3. Para água como solvente e se VA < VB(água) → K = 2,52 x 10 -7. Coeficiente de difusão em líquidos Difusão deum soluto não-eletrolítico em soluções líquidas diluídas Wilke e Chang (1955) propuseram a seguinte correlação para não eletrólitos uma solução diluída infinitamente, propõe parâmetro de associação, ΦB, obtendo : – Correlações usuais quando os solutos são gases dissolvidos ou quando se trabalha com soluções aquosas. Coeficiente de difusão em líquidos Difusão de um soluto não-eletrolítico em soluções líquidas diluídas Embora a equação de Wilke-Chang não seja recomendada quando a água é o soluto, o coeficiente de difusão pode ser estimados com uma boa precisão quando água é o solvente (desvios em torno de 11%). Para solventes orgânicos o desvio é em torno de 27%. Desvios de até 200% são possíveis quando água é usada como soluto. Coeficiente de difusão em líquidos Difusão de um soluto não-eletrolítico em soluções líquidas diluídas Os volumes moleculares para pontos de ebulição normal de alguns compostos – tabelados de acordo com a contribuição de cada átomo. Ou então os volumes atômicos de cada elemento presente estão tabelados por fórmula molecular Quando certas estruturas estão envolvidas, correções devem ser feitas considerando configurações específicas de anéis. Coeficiente de difusão em líquidos Difusão de um soluto não-eletrolítico em soluções líquidas diluídas Equação de Hayduk e Minhas (1974) - mais simples, avalia o coeficiente de difusão com diluição infinita para não eletrólitos em água : Coeficiente de difusão em líquidos Difusão de um soluto não-eletrolítico em soluções líquidas diluídas Outros autores propuseram correlações: Reddy e Doraiswamy, 1967 – inadequada para maioria. Lusis e Ratcliff, 1968 – indicada pra solventes orgânicos e inadequada para água como soluto. Hayduk e Minhas, 1982 – indicada para parafinas normais. Siddiqi e Lucas, 1986 – indicada para solventes orgânicos. Sridhar e Potter, 1977 - indicada para gases dissolvidos em solventes orgânicos de alta viscosidade. Uemesis e Danner, 1981 - indicada para par de soluto/solvente orgânico. Hayduk e Minhas, 1982 – duas, uma indicada para solventes polares e outra para solventes apolares. Outros ... Coeficiente de difusão em líquidos Difusão de um soluto não-eletrolítico em soluções líquidas concentradas – solução não ideal a) Correlação de Wilke (1949) . D°AB = molécula A difunde no meio B, em solução diluída. D°BA = molécula B difunde no meio A, em solução diluída. D*AB = molécula A difunde no meio B, em solução concentrada. Coeficiente de difusão em líquidos Difusão de um soluto não-eletrolítico em soluções líquidas concentradas b) Correlação de Leffer e Cullinan (1970) – considera a influencia da viscosidade . D°AB = molécula A difunde no meio B, em solução diluída. D°BA = molécula B difunde no meio A, em solução diluída. D*AB = molécula A difunde no meio B, em solução concentrada. Coeficiente de difusão em líquidos Difusão de um soluto eletrolítico em soluções líquidas diluídas Para soluções eletrolíticas diluídas, o coeficiente de difusão é dado pela equação de Nernst- Haskell : Coeficiente de difusão em sólidos Difusividade em sólidos <<<< difusividade em líquidos Difusividade nos sólidos varia com a temperatura varia com as diferentes características dos sólidos Características dos sólidos: cristalinos porosos membranas Coeficiente de difusão em sólidos Arranjos nas estruturas cristalina: cúbica, CCC, CFC. . Movimento do soluto Ocupar vazios - falhas na estrutura cristalina. Ocupar interstícios entre os átomos da matriz cristalina. Coeficiente de difusão em sólidos “De uma perspectiva atômica, a difusão é a migração em etapas dos átomos de um sítio para outro do retículo cristalino ou o transporte de matéria no estado sólido por movimento atômico, induzido por agitação térmica.” Os átomos em materiais sólidos estão em movimento constante, mudando as suas posições. Para um átomo fazer esse tipo de movimento, duas condições devem ser atendidas: (1) deve existir um sítio adjacente vazio e (2) o átomo deve possuir energia suficiente para quebrar as ligações atômicas que o une aos seus átomos vizinhos e então causar alguma distorção na rede cristalina durante o deslocamento. Essa energia é de natureza vibracional. Coeficiente de difusão em sólidos Movimento atômico devido à energia vibracional dos átomos. Teoria do salto energético ou teoria de Eyring. A energia de vibração do átomo deve ser alta o suficiente para vencer a barreira energética Q, determinada pela energia de ativação. Coeficiente de difusão em sólidos Q varia com tamanho do átomo e ligações entre átomos. D : coeficiente de difusão sem que houvesse necessidade de salto energético - depende só da interação soluto-átomo da matriz. Coeficiente de difusão em sólidos Foram propostos vários modelos diferentes para este movimento atômico; porém duas são dominantes para a difusão em metais: (1) Mecanismo de difusão de átomos substitucional, por lacunas ou ocupação de vazios envolve o deslocamento de um átomo de uma posição normal da rede para um sítio vago do retículo, ou lacuna adjacente, exige a existência de lacunas. Coeficiente de difusão em sólidos Energia de ativação associada aos movimentos atômicos, num metal. (a) Difusão do átomo de Cobre A da posição (1) da estrutura cristalina do cobre para a posição (2) (lacuna), desde que seja fornecida energia de ativação suficiente, conforme se indica em (b). Coeficiente de difusão em sólidos (2) Mecanismo intersticial se dá pelo movimento através dos interstícios. Nas redes cristalinas, ocorre difusão intersticial quando os átomos se movem de um interstício para outro vizinho, sem provocarem deslocamentos permanentes dos átomos da rede cristalina da matriz não exige lacunas. O átomo que movimenta é bem menor que os átomos da matriz. Coeficiente de difusão em sólidos Os círculos maiores representam átomos de uma rede cristalina CFC. Os círculos escuros mais pequenos são átomos intersticiais que ocupam os interstícios. Os átomos intersticiais podem mover-se para os interstícios adjacentes que estão vazios. Há uma energia de ativação associada á difusão intersticial. Coeficiente de difusão em sólidos Cementação - difusão de carbono na peça de aço para aumentar a resistência ao desgaste. Necessário para algumas peças em aço que rodam ou escorregam, tais como rodas dentadas e veios, que devem ter uma camada superficial dura. Coeficiente de difusão em sólidos Um par de difusão cobre-níquel antes de ser submetido a um tratamento térmico a temperatura elevada. Um par de difusão cobre-níquel após ser submetido a um tratamento térmico a temperatura elevada, mostrando a zona de difusão com formação de liga. Coeficiente de difusão em sólidos O soluto, gás ou líquido, difunde por uma matriz cuja configuração geométrica é determinante para o fenômeno difusivo. Reações catalíticas difusão intrapartícula no catalisador Purificação de gases com sólidos porosos - seletivos Coeficiente de difusão em sólidos Regimes de difusão em sólidos porosos a) Difusão de Fick ou ordinária b) Difusão de Knudsen c) Difusão configuracionalCoeficiente de difusão em sólidos (A) Difusão ordinária Poros maiores que o livre caminho livre médio entre as moléculas difundentes. Def = coeficiente efetivo aparece em razão da natureza tortuosa do sólido poroso. Coeficiente de difusão em sólidos (A) Difusão ordinária Coeficiente de difusão em sólidos (B) Difusão de Knudsen Poros estreitos da ordem de do difundente, ocorre colisões com as paredes dos poros. Colisões com as paredes dos microporos são mais frequentes do que as colisões entre moléculas. Coeficiente de difusão em sólidos (B) Difusão de Knudsen Coeficiente de difusão em sólidos (B) Difusão de Knudsen Quando a tortuosidade do poro é considerada, efetuar a correção: Devido a estrutura do sólido poroso, um soluto gasoso, ao se difundir, pode deparar com vários tamanhos de poros, ocorrendo a difusão ordinária e a de Knudsen, então: Coeficiente de difusão em sólidos (C) Difusão configuracional Ocorre em matrizes porosas (zeólitas). Macro e microporos da mesma ordem de grandeza que o difundente. Arranjo tipo colméia peneira molecular. A difusão ocorre devido a saltos energéticos do solutos pelos microporos. Coeficiente de difusão em sólidos (C) Difusão configuracional D A zeo : coeficiente de difusão de A na zeólita. DO : mobilidade do soluto nos macroporos da zeólitas – sem salto energético. Q: energia de ativação difusional (cal/mol) R: 1,987 cal/mol K Coeficiente de difusão em sólidos (C) Difusão configuracional Coeficiente de difusão em sólidos Difusão em membranas Ex.: Osmose inversa, Ultrafiltração, Diálise, revaporação, Perpetração. Materiais inorgânicos – cerâmicos, filtrações (processos semelhantes aos sólidos porosos) Materiais orgânicos – poliméricos – fenômeno da difusão depende da interação soluto-polímero A difusão do soluto em polímeros ocorre por um processo de estado ativado, via saltos energéticos, ocupando vazios na estrutura polimérica. Coeficiente de difusão em sólidos Difusão em membranas A difusão ocorre por um processo de estado ativado, via saltos energéticos, ocupando vazios na estrutura polimérica. Na região amorfa há movimento de segmentos poliméricos, provocando deslocamento de espaços vazios. O movimento do penetrante depende da: Concentração Mudança de forma Interação difundente-polímero Temperatura Coeficiente de difusão em sólidos Difusão em membranas Coeficiente de difusão em sólidos Difusão em membranas PROCESSO FORÇA MOTRIZ MECANISMO DE AÇÃO MATERIAL RETIDO APLICAÇÕES Microfiltração (MF) Gradiente de pressão 0.1 – 1 bar Exclusão Material em suspensão 0.1 – 10 μm - Clarificação de vinho e cerveja - Esterilização bacteriana - Concentração de células Ultrafiltração (UF) Gradiente de pressão 0.5 – 5 bar Exclusão Coloides, macromoléculas PM > 5000 - Fraccionamento e concentração de proteínas - Recuperação de pigmentos - Recuperação de óleos Nanofiltração (NF) Gradiente de pressão 1.5 – 40 bar Exclusão /Difusão Moléculas de peso molecular médio 500 < PM < 2000 - Purificação de proteínas - Separação de compostos orgânicos e sais divalentes Osmose Inversa (OI) Gradiente de pressão 20 – 100 bar Difusão Todo material solúvel ou em suspensão - Dessalinação de águas - Concentração de sumos - Desmineralização da água Diálise (D) Gradiente de concentração Difusão Moléculas de PM > 5000 - Hemodiálise-Rim artificial - Separação de sais Permeação de gases (PG) Gradiente de pressão e concentração Solubilidade / Difusão Gases menos permeável - Recuperação de H2 - Separação CO2/CH4 - Fracionamento do ar Pervaporação (PV) Gradiente de concentração Solubilidade / Difusão Líquidos menos permeáveis - Desidratação de alcoóis - Remoção compostos voláteis - Separação misturas azeotrópicas