QVT 1
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QUALIDADE DE VIDA, SEGURANÇA E 
SAÚDE NO TRABALHO
CAPÍTULO 1 - EXISTE UMA RELAÇÃO ENTRE 
AS TEORIAS ADMINISTRATIVAS E A 
QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO?
Catia Roberta Guillardi / Rafaela Carvalho de Oliveira
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Introdução
Com o passar do tempo, o jeito de administrar uma organização passou por mudanças significativas. Estudiosos
passaram a buscar maneiras mais eficazes e eficientes de se alcançar os resultados organizacionais.
Nesse contexto, teorias foram criadas e adotadas por diversas empresas, as quais são substituídas assim que os
gestores percebem a necessidade de novas metodologias para gerenciarem seus negócios. Na sua trajetória
profissional, você já acompanhou mudanças do modelo de gestão? Percebeu essas mudanças como necessárias?
Sentiu necessidade de adaptação a elas? Essas mudanças influenciaram sua qualidade de vida? Esse é um retrato
da aplicabilidade da evolução das teorias administrativas.
A organização precisa acompanhar a evolução, ou seja, precisa reconhecer a necessidade de mudar para algo
melhor e todos os recursos podem sofrer adaptações. Se pensarmos nas pessoas como recursos humanos,
podemos afirmar que elas sentem muito essas mudanças, pois atuam diretamente com os demais recursos
organizacionais.
Por isso, neste capítulo, você perceberá como a evolução das teorias administrativas colaborou para que as
organizações reconheçam a importância de programas de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) como parte
estratégica, não apenas na busca por melhor desempenho de seus trabalhadores, mas também na satisfação e no
bem-estar deles. Acompanhe nos tópicos a seguir como isso ocorre.
Bons estudos!
1.1 As teorias administrativas que envolvem a qualidade 
de vida no trabalho
Você já parou para pensar que os programas de qualidade de vida de hoje tiveram sua origem em um passado
distante? É isso mesmo! Desde os tempos passados, existia a preocupação com a satisfação e a qualidade de vida
do trabalhador. E qual a razão dessa preocupação? A lucratividade organizacional, obtida por meio do melhor
desempenho dos trabalhadores em busca dos objetivos das organizações, ou seja, de seus resultados.
Assim, a QVT surgiu em consequência de teorias administrativas estudadas no passado e que evoluíram com o
passar dos anos em modernos modelos de Administração. Conheça neste tópico os fundamentos traçados pelas
principais teorias da Administração que foram precursoras no estudo da QVT. Acompanhe!
1.1.1 Evolução das teorias administrativas
A Administração não possui o mesmo formato desde sempre: existe uma evolução das teorias administrativas.
De acordo com a cronologia, a Escola da Administração Científica iniciada por Taylor, aproximadamente em
1903, é a precursora em termos de Administração.
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Essa escola tinha preocupação com a execução das tarefas e a produtividade, mantinha seu foco em eliminar o
desperdício e as perdas geradas pelas indústrias, concentrando seus estudos em como aumentar a produtividade
com a aplicação de métodos e técnicas da engenharia industrial (CHIAVENATO, 2014). Taylor identificou
dificuldades apresentadas pelas empresas, as quais ele chamou de \u201cos três males das indústrias\u201d, que são
(CHIAVENATO, 2014; SILVA, 2014):
\u2022 a sistemática;vadiagem
\u2022 o fato de as e o necessário para sua realização não serem conhecidos pela rotinas de trabalho tempo 
gerência;
\u2022 a em relação às formas de realização de trabalho.ausência de uniformidade
Taylor também definiu quatro princípios básicos para a Administração Científica que são, segundo Silva (2015,
p. 114, grifos nossos), os seguintes:
\u2022 Desenvolver uma ciência para cada elemento do trabalho: [trazendo cientificidade e
diminuição do empirismo no processo];
\u2022 Selecionar cientificamente, treinar e desenvolver o trabalhador: [busca evitar que o
trabalhador escolha sem critério o trabalho que será realizado];
\u2022 Cooperar com os trabalhadores para garantir que os passos científicos sejam seguidos
: [busca garantir a aplicação dos princípios científicos];
\u2022 Assumir todo o planejamento e a organização, deixando os trabalhadores só
executarem suas tarefas: [traz a divisão do trabalho dos operários com base na
especialização de cada um].
Frente às mudanças propostas com a Administração Científica, foi necessário tentar substituir métodos
empíricos e rudimentares por métodos científicos, aos quais foi dado o nome de Organização Racional do
Trabalho (ORT) e possui os seguintes aspectos, segundo Chiavenato (2014, p. 6):
1. Análise do trabalho e do estudo dos tempos e movimentos.
2. Estudo da fadiga humana.
3. Divisão do trabalho e especialização do operário.
4. Desenho de cargos e de tarefas.
5. Incentivos salariais e prêmios de produção.
6. Conceito de homo economicus.
7. Condições ambientais de trabalho, como iluminação, conforto etc.
8. Padronização de métodos e de máquinas.
9. Supervisão funcional.
VOCÊ O CONHECE?
Frederick Winslow Taylor nasceu na Pensilvânia, em 1856. Quando trabalhava como torneiro,
observava o trabalho realizado pelos colegas e como a empresa era administrada. Assim,
percebeu a baixa produtividade atrelada à má administração. Em 1878, passou a trabalhar em
uma usina siderúrgica, passando de operário a engenheiro-chefe. Devido à sua posição,
retomou os estudos no período da noite na faculdade, formando-se depois em mestre em
Engenharia (MAXIMIANO, 2017).
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Para Taylor, a implantação da Administração Científica tinha que ser \u201cgradual e obedecer a um programa em
termos de prazo, para evitar alterações bruscas que causassem descontentamento nos empregados e prejuízos
aos patrões\u201d (SILVA, 2015, p. 113). Isso demonstra um início da preocupação com a reação dos empregados, ou
seja, é possível começar a perceber uma faísca com relação à QV: já existe a preocupação com os incentivos
salariais, as condições de trabalho e o estudo da fadiga. De maneira rudimentar e superficial, foi o início de algo
que envolvia a satisfação do trabalhador no ambiente organizacional.
Perceba que \u201cTaylor considerava o operário irresponsável, vadio e negligente, mas assim mesmo criou um
sistema educativo baseado na intensificação do ritmo de trabalho, em busca da eficiência organizacional\u201d (SILVA,
2015, p. 113). Ou seja, podemos entender que mesmo o foco principal estando na produção, existe uma
preocupação com a forma como o trabalhador é percebido.
É importante ressaltar que, baseada nos princípios de Taylor, surgiu a teoria de Henry Ford, trazendo
características como: produção em massa, intercambialidade de peças e linha de montagem. O modelo
administrativo proposto por ele se caracteriza em três princípios:
\u2022 produtividade (máxima produção);
\u2022 intensificação (mais velocidade do capital de giro);
\u2022 economicidade (redução dos volumes de estoques).
Ford se concentrou na divisão, repetição e continuidade do trabalho. Desse estudo, surgiram os princípios da
produção em massa, que são peças padronizadas e trabalhador especializado (MAXIMIANO, 2017). Seus
princípios permitiram mudanças na metodologia de trabalho, por exemplo: em vez de o operário ir buscar a
tarefa, é ela quem vai até ele, com esteiras de trabalho móveis. Isso mudou a forma de ver o trabalho nas fábricas
e, pincipalmente, o resultado, o que levou a uma revolução de todo o sistema produtivo na área automotiva, com
mais automatização e redução do tempo de produção. Atualmente, as indústrias automotivas ainda utilizam seus
princípios.
Posteriormente, surgiu a Teoria da Burocracia, de Max Weber, em 1909. Para Lacombe (2009, p. 111), a
burocracia de Weber representa um \u201cgrupamento social em que rege o princípio da competência definida
mediante regras impessoais, normas, regulamentos; da documentação; da hierarquia funcional [...] e da
subordinação do exercício dos cargos a normas abstratas\u201d. Em resumo, a burocracia está pautada na
racionalidade e na busca da adequação dos meios