Células da Glia
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Células da Glia


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Células da Glia

O sistema nervoso central (SNC) é constituído por neurônios e por células das glias. Os neurônios são responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos. Geralmente, os neurônios contém dendritos, que recebem esses sinais, e axônios que enviam sinais para outros neurônios ou tecidos. As células da glia, também conhecidas pelos termos: nevróglia, neuróglia, gliócitos ou glia são células não neurais do sistema nervoso central. As células da Glia foram identificadas por um grupo de neurocientistas em meados do século XIX. Dentre os principais pesquisadores destacam-se nomes como: Rudolf Virchow, Santiago Ramón y Cajal e Pío del Río-Hortega. Uma célula da Glia fornece suporte ao sistema nervoso central. Ao contrário dos neurônicos, essas células não são capazes de conduzir impulsos elétricos, deste modo, sua função associa-se ao suporte, nutrição e isolamento dos neurônios. As glias também estão encarregadas pela formação de novos neurônios, a neurogênese. Existem vários tipos de células da glia, cada qual apresenta funções específicas para o bom funcionamento do sistema nervoso.

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Células da glia

Os tipos de células da Glia

Células da glia são os tipos celulares mais abundantes no sistema nervoso central humano - aproximadamente 10 vezes mais frequentes que os neurônios, todavia não há absoluta certeza acerca destes valores. Podem ser divididas em: microglias, astrócitos, oligodendrócitos, células ependimárias, células de Schwann e células satélites.

As microglias são componentes do sistema imunológico no tecido cerebral, sua função principal é auxiliar em processos de remoção de células mortas e outros detritos. Esse tipo de célula é ativada quando existe alguma lesão ou infecção.

Os astrócitos possuem formato de estrela e são responsáveis pelo controle do ambiente de trabalho de um neurônio. Os astrócitos são divididos em duas categorias: protoplasmático ou fibroso. Estes são semelhantes em funções, mas diferem em morfologia e distribuição. Os astrócitos protoplasmáticos são altamente ramificados e curtos, geralmente localizados na massa cinzenta. Já os astrócitos fibrosos são longos, finos e menos ramificados e são mais comumente encontrados na massa branca. Essas estruturas controlam os níveis de neurotransmissores ao redor das sinapses para que a sinapse possa estar pronta para reagir ao próximo sinal que pode chegar, além disso ajudam a controlar as concentrações de íons importantes.

Os oligodendrócitos produzem uma substância camada gordurosa conhecida por bainha de mielina. Esse composto reveste e isola o axônio, fazendo como que os mecanismos de condução elétrica fiquem mais eficientes.

As células ependimárias produzem o líquido cefalorraquidiano, localizado na parte interior dos ventrículos do cérebro e no espaço subaracnóideo que envolve o cérebro e a medula espinhal.

As células de Schwann são responsáveis pela formação das bainhas de mielina que envolvem os axônios no sistema nervoso periférico.

As células satélites cercam os neurônios na região dos gânglios sensitivos, simpáticos e parassimpáticos e ajudam a regular o ambiente químico ao redor.

A figura abaixo ilustra a forma dos diferentes tipos de células da glia presentes no SNC.

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Principais tipos de células da glia que compõem o sistema nervoso central

Relação das glias com doenças

Estudos recentes mostram que as células da glia são importantes por desempenharem um papel fundamental no desenvolvimento e funcionamento do cérebro. É válido ressaltar que demonstrou-se que a disfunção das células gliais propicia o surgimento de vários distúrbios neurológicos, dentre os quais destacam-se doenças como o autismo e a esquizofrenia. Outro exemplo é a esclerose múltipla que é ocasionada pela perda da bainha de mielina ao redor dos neurônios. Sabe-se que as células gliais têm a capacidade de se reproduzir, entretanto quando o controle dessa função é perdido, resultam tumores cerebrais primários. Há evidências relevantes sobre o possível papel das células da glia satélites no desenvolvimento da dor crônica. Deste modo, compreender o funcionamento das células da glia em condições fisiológicas normais, pode promover caminhos com grande potencial de revolucionar a forma como pensamos sobre a função e a disfunção do sistema nervoso, bem como auxiliar o desenvolvimento de novas terapias para tratamento destas doenças.