Bem de Família
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Bem de Família


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Bem de família


Introdução

Inicialmente, iremos tratar da temática do bem de de família atrelada a sua respectiva definição, suas características, contextos jurídicos, aplicabilidade e diversos fatores que fazem dessa temática tão cara para o Direito.


O que seria o bem de família?



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O imóvel é um bem de família que deve ser, ao máximo, preservado

Primeiramente, temos que o bem de família pode ser considerado a partir da ideia de proteção, pois, é considerado uma patrimônio mínimo e necessário para que se possa viver com dignidade, fazendo com que não possa ser penhorado, ou seja, quando buscamos tratar de um imóvel residencial, por exemplo, ao analisarmos que o proprietário que é o dono daquele bem possua algumas dívidas, não será possível perder aquele imóvel para que o débito seja quitado, já que o mesmo é considerado um bem necessário para que exista a subsistência.


Formas de classificação

Existem algumas formas que podemos utilizar para classificarmos o bem de família, são eles: convencional e legal.



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Bem de família precisa ser protegido ao máximo, só sendo possível sua penhora em casos de excepcionalidades

Quando analisamos a classificação convencional do bem de família, estamos nos referindo àquele bem que a família escolhe para que seja protegido. Dessa forma, irá depender de ato voluntário, ou seja, todos os envolvidos deveram comparecer em um determinado cartório de imóveis, declarando que deseja a escritura pública do mesmo, gerando a chamada inalienabilidade e impenhorabilidade. Além disso, ressalta-se a importância de que um “bem de família” existirá sobre ele uma possibilidade de penhora em casos considerados especiais, como ocorre na ausência de pagamentos de tributos.

Por outro lado, temos a classificação legal, a qual está amparada na Lei 8009/1990, determinando que o imóvel residencial que seja próprio de uma entidade familiar, assim como seus “adornos suntuosos”, são considerados impenhoráveis, não respondendo por qualquer tipo de dívida.

Esses “adornos suntuosos” são entendidos como sendo aqueles bens em que guarnecem a residência, sendo indispensáveis para a moradia, em que esses bens são considerados “de família” por lei, não ocorrendo por força das partes.

Diante disso, podemos perceber que a lei será interpretada a partir da contextualização das circunstâncias que ocorrem em cada caso, justificado pelo fato de que o juiz deverá analisar cada situação específica, sendo ele o responsável por dizer se existe a proteção de cunho jurídico, caso isso proceda, existirá uma proteção que será dedicada ao patrimônio do devedor, caso contrário, será dado o direito apresentado pelo credor de receber a quantia que foi estipulada. Logo, podemos perceber que, independente das hipóteses, os casos concretos irão ser justificados a partir do critério da ponderação de direitos.



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O Poder Judiciário é o responsável por promover a ponderação do caso concreto e prevê a penhorabilidade ou não


Situação hipotética aplicada ao bem

Se um determinado indivíduo possui uma televisão de LED, que possui um elevado custo financeiro no mercado, poderá ser autorizada a penhora do bem. Por outro lado, se o que está para ser penhorado seja algo como muletas, que seja necessária para que a pessoa que possui deficiência locomotora possa se deslocar, acarretará no entendimento de que esse seria um bem necessário à manutenção da dignidade da pessoa, contudo, não poderia ser penhorado.

Ao analisarmos a Súmula 364 que é prevista pelo Superior Tribunal de Justiça, ela afirmará que o conceito que é destinado a penhorabilidade de bem de família irá abranger também o imóvel que é pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas, de forma que exista a proteção e essa alcance todas as pessoas, mesmo que sozinhas, fazendo com que vá de encontro aos princípios constitucionais atuais.



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Súmula 364 do Superior Tribunal de Justiça que versa sobre penhora de bem de família

Outro caso interessante de ser abordado é em relação a pensão alimentícia, visto que, nela, é observável que o critério da ponderação é utilizado para que aquele que deseja receber os alimentos deve estar em uma situação de vulnerabilidade, necessitando do valor para subsistência. Porém, é necessário que se busque sempre meios alternativos para o recebimento da quantia antes que seja efetuada apenhora do “bem de família”, pois, esse deve ser excepcional.