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Hedonismo

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Hedonismo

O Hedonismo é uma doutrina moral, que tem por base um princípio, também considerado um propósito da vida: a busca pelo prazer.


Origem

A origem do Hedonismo remonta a Grécia, tendo sido fundada por Aristipo de Cirene, filósofo que viveu na mesma época que Sócrates. A busca do prazer, princípio do Hedonismo, tinha conotação egoísta em seu sentido original, no qual foi elaborado. Basicamente, buscava-se pelo prazer momentâneo, o que acabou associando-a à ideia de decadência.



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Quadro de Botticelli da primavera. Exibindo Vênus e Flora, deusa das flores, trata-se de uma representação próxima da felicidade buscada pela doutrina hedonista.


Doutrina

Enquanto doutrina, o Hedonismo adquiriu uma conotação diferente: não mais de prazer egoísta e momentâneo, mas sim da busca pela felicidade. Neste contexto, dois pontos têm fundamental importância: o prazer e a dor.

De acordo com Aristipo, o prazer e a dor são os dois estados na qual a alma pode se encontrar. Ainda conforme o filósofo, a sensação de prazer é sempre a mesma, não dependendo de qual for usa fonte. Seguindo tal linha de raciocínio, conclui-se que, a fim de chegar à felicidade, deve-se:


  • aumentar o prazer; e
  • reduzir a dor.

Ambos os itens devem ser feitos nos limites possíveis.


Modificações de Epicuro

Epicuro de Samos, outro filósofo grego, modificou a teoria original de Aristipo, afirmando que o verdadeiro prazer não se encontra, de fato, na satisfação do corpo, e, na verdade, em estar liberto do sofrimento, da dor e da agitação.

De acordo com o mesmo, para que se possa alcançar tal estado no qual a dor já não se faz presente, é necessário que seja feita uma busca por se concentrar em necessidades como o equilíbrio e a serenidade, deixando de lado a busca por bens e prazeres físicos, tanto almejados pelos seguidores do Hedonismo tradicional.

Nesse contexto, nota-se uma diferença essencial entre as duas vertentes do Hedonismo:


  • No Hedonismo de Aristipo, o prazer é, em si, um bem. Dessa forma, pode - e deve - ser usado com intensidade; e
  • No Hedonismo modificado por Epicuro, por outro lado, o prazer é apenas um elemento na busca da verdadeira felicidade. Portanto, deve ser usado com moderação.


Ligações com a religião

Em diversas culturas, assim como, em consequência, em suas religiões, é comum considerar o prazer como sendo um “pecado”, e/ou rechaçar o mesmo. Por conta disso, o Hedonismo, doutrina que praticamente prega o prazer, é visto como uma ameaça a tais culturas, sendo amplamente criticada pelas mesmas.

A Igreja católica é um exemplo de religião que critica o Hedonismo: muitos dos valores e dogmas católicos são contrariados pelo Hedonismo, de modo que esta é condenada por boa parte dos adeptos da religião.

Outras duas religiões que se envolvem no tema são o Islamismo e o Hinduísmo. Nestas, alguns indivíduos são circuncidados, o que representa, para tais religiosos, uma purificação do corpo, e, frente a isso, a busca do prazer defendida pelo Hedonismo é malvista.



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Mais uma representação do pensamento defendido na doutrina Hedonista.


Hedonismo na idade moderna

O conceito do Hedonismo foi atualizado pelo iluminista Julien Offray de La Mettrie, e, depois, foi radicalizado por um discípulo do francês, Donatien Alphonse François de Sade, sendo transformado em amoralismo. Para tanto, houve uma mudança na “serenidade”, que é um dos princípios buscados pelo Hedonismo, para “frieza” frente a outras pessoas.

Um pouco depois, o conceito voltou a ser debatido por Jeremy Bentham e Henry Sidgwick. Sidgwick faz uma diferenciação na doutrina:


  • O Hedonismo psicológico diz respeito a uma pressuposição antropológica de que o ser humano busca, por natureza, sempre obter mais prazer e menor dor, sendo que a busca pelo prazer é sua única fonte de motivação; e
  • O Hedonismo ético se refere a uma teoria normativa, a qual decreta que os homens precisam enxergar, no prazer, representado por coisas materiais, como sendo as coisas de maior importância em sua vivência.