Rotura Uterina
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Rotura Uterina


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Rotura uterina

Rotura ou ruptura uterina trata-se da ruptura completa ou parcial da parede uterina que, apesar de rara, acontece com maior frequência nas últimas semanas de gestação ou durante o trabalho de parto. A rotura é uma das principais causas de hemorragia materna obstétrica, aumentando taxas de mortalidade materna e fetal, e sendo necessário, em alguns casos, a remoção total ou parcial do útero afetado (processo cirúrgico denominado histerectomia puerperal).


Sintomas e causas

É possível que a rotura não apresente sintomas visíveis, mas normalmente ela é acompanhada de fortes dores abdominais constantes, hemorragia vaginal, diminuição na frequência cardíaca do feto, diminuição anormal no volume de sangue da mãe (hipovolemia) e alterações nas contrações uterinas. Se o feto e a placenta forem expelidos para a cavidade abdominal ocorre a hipóxia (diminuição nas taxas de oxigênio no sangue) seguida do óbito caso não haja ação médica de imediato.



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Feto parcialmente expelido para a cavidade abdominal

A rotura costuma ocorrer com maior frequência em mulheres que já realizaram partos por cesariana ou outros procedimentos cirúrgicos no útero (miomectomia por exemplo), geralmente ao longo de cicatrizes deixadas pela cirurgia que diminuem a resistência da parede uterina. Dentre outros principais fatores de risco e causas estão também: gestações múltiplas; quantidade de líquido amniótico acima do normal (polidrâmnio); anomalias fetais; indução do parto; manobras para alterar a posição do feto dentro do útero (versão fetal); erro médico e/ou negligência; além de diversas complicações gerais durante o parto.



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Algumas formas de como a ruptura pode se apresentar

Sendo diagnosticada a rotura o tratamento deve ser imediato por meio de uma cirurgia de laparotomia, a fim de estancar o sangramento, seguida imediatamente do parto por cesárea e dos procedimentos necessários de acordo com a gravidade do caso (se necessário a remoção do útero ou uma laqueadura). Se a rotura provocar o aparecimento de hematomas é necessária a drenagem para hematomas de ligamento largo, enquanto que para hematomas retroperitoneais a melhor conduta seria não operar a princípio. No caso de hemorragias graves, pode ser necessário suporte vital e transfusões de sangue para a paciente.


A influência de cesárias

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) a taxa ideal de cesáreas seria entre 10% e 15% de todos os partos realizados, porém de todos os nascimentos atualmente em média 18,6% ocorrem por cesariana no mundo todo, sendo os países da América Latina e Caribe os que mais recorrem ao procedimento em uma taxa de 40,5% de todos os partos. Em destaque temos o Brasil, onde nos últimos anos mais da metade dos nascimentos foram realizados por meio de cesarianas, uma das taxas mais altas do mundo.



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Porcentagem de cesáreas entre 2010 e 2016 no Brasil

O excesso e aumento constante do número de cesárias sem indicação médica é uma das principais preocupações da OMS uma vez que, apesar de ser uma intervenção efetiva para salvar as vidas tanto de mães quanto de bebês, o procedimento pode deixar sequelas significativas como o aumento na probabilidade de ruptura uterina como já dito, além de poder causar complicações durante o procedimento ou no período de recuperação da paciente, podendo até mesmo levar à morte da paciente.

Não existem evidências atualmente de que realizar cesáreas em mulheres que não necessitem da cirurgia traga algum tipo de benefício, seja a curto ou longo prazo, e com esse fato em mente, a OMS lançou uma série de propostas com o intuito de diminuir o número de procedimentos do tipo em países com taxas acima de 15%, que incluem dentre outras sugestões, a exigência de uma segunda opinião para a indicação de cesariana e programas de conscientização para mulheres acerca dos possíveis riscos do procedimento.