Conflito de Normas
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Conflito de Normas


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Conflito de normas


Introdução



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Conflito de normas e seus princípios

Inicialmente, temos que as antinomias existentes, no direito, que são aparentes, caracterizam-se por ser conflitos de normas que ocorrem durante o processo de interpretação e que podem ser solucionadas de forma que a aplicação dos critérios, sejam hierárquicos, cronológicos ou até mesmo de especialidade.

Dessa forma, o Direito é considerado um sistema que é formado por normas jurídicas consideradas válidas que são vigentes em um determinado espaço de tempo e lugar. Logo, iremos chamar de uma norma jurídica aquilo em que existe o resultado cognitivo e intelectual de um indivíduo que busca entrar em contato com os textos jurídicos, fazendo com que haja, em sua mente, situações hipotéticas e condicionais que possuem sentido amplo e completo que regulam as condutas.

Com isso, todo esse trabalho fica a cargo da teoria comunicacional do Direito, fazendo com que o interpretante venha a construir um significado das normas jurídicas ao apreender os significados dos textos legais, sendo contrário a posição que foi adotado por correntes anteriores ao giro linguísticos, que foi o momento em que a filosofia considerava que o sentido de cada texto precisava se encontrar dentro dele mesmo, de maneira que haja apenas uma interpretação correta.

Seguindo essa corrente atual, Paulo de Barros Carvalho, buscou desenvolver o percursor que foi gerado de sentido dos textos jurídicos para que, a partir de uma maneira didática , fosse possível que houvesse a explicação do processo de interpretação até a formação da norma jurídica.


Como se caracterizava esse percursor?



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Hans Kelsen

Desse modo, temos que o percursor gerador de sentido visa possuir 4 (quatro) planos que são subdivididos da seguinte forma:

  1. Plano dos enunciados: nesse plano o ser cognoscente possui contato com o suporte físico dos textos jurídicos que, através da leitura, busca identificar os enunciados, sejam eles artigos, parágrafo, alíneas e etc.
  2. Plano das proposições: nesse plano, o ser considerado cognoscente visa interpretar os enunciados de modo a formar um sentido a partir da construção de proposições.
  3. Planos das normas jurídicas: nessa perspectiva, o ser cognoscente relaciona a todas as proposições e as estruturas em sua mente na forma hipotético-condicional para que, a partir disso, possa prescrever condutas, que seriam o “dever-ser”.
  4. Plano da sistematização: nesse plano, o ser cognoscente visa relacionar a referida norma jurídica atrelando a outras normas jurídicas, objetivando estabelecer determinados vínculos de subordinação e coordenação.

Diante disso, podemos observar que quando nos referimos ao plano das normas jurídicas e ao plano de sistematização, o ser considerado cognoscente pode se deparar com duas normas contraditórias, que visam aplicar, de forma objetiva, se uma viola a outra, surgindo, dessa forma, a dúvida acerca de qual norma se deve aplicar.

Partindo-se da visão de Hans Kelsen, sempre existirá antinomia quando uma determinada norma discorrer sobre determinados atos como corretos e outra norma determinar outro tipo de conduta, que sejam inconciliáveis entre si.


O que seriam, de fato, as antinomias reais?

Inicialmente, teremos que as antinomias reais seriam os conflitos existentes entre as normas que não são resolvidos através da utilização dos referidos critérios. Logo, a solução que constitui uma antinomia real é feita pelo intérprete autêntico, buscando utilizar da analogia, dos costumes e dos princípios gerais do Direito, além da doutrina. Essa perspectiva fica expressa no artigo 4 da Lei de Introdução ao Código Civil, que afirma que quando uma determinada lei for omissa, o juiz que terá que decidir o caso utilizando de analogia, de costumes e de princípios gerais do Direito.


Formas de solucionar as antinomias aparentes

Para que seja possível solucionar antinomias aparentes, basta que utilizemos alguns critérios, como seria o caso do hierárquico, em que não há o que se falar em norma jurídica inferior que seja contrária a superior.

Outro critério é o cronológico, que está fundamentado no artigo 2, parágrafo primeiro, presente na Lei de Introdução ao Código Civil, que tem por principal objetivo regular o fato de que a norma posterior revoga a anterior

Por fim, o último critério utilizado é o critério da especialidade, o qual busca prescrever que a norma especial irá prevalecer sobre uma norma considerada geral, estando presente no artigo segundo, parágrafo segundo da Lei de Introdução ao Código Civil.