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Lugar do Crime

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Lugar do crime


Introdução

Inicialmente, iremos estudar sobre o que seria o lugar do crime, além disso iremos verificar quais são as teorias existentes e qual a relação do Código Penal com o Código de Processo Penal nessa questão.


Teoria aplicada pelo Código Penal para o lugar do crime



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O Código Penal trata das ações que deverão ser punidas quando infringirem a lei penal

Primeiramente, temos que o artigo 6º, do CP, considera praticado o crime no momento que ocorre a ação, ou da omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.

Contudo, quando observamos o artigo 70, do CPP, iremos observar que a competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.

Dessa forma, conseguimos observar a aparente antinomia na área penal, em tema de lugar do crime, sendo que o CP diz que deve se considerar, como local onde praticada a infração penal, o lugar onde tenha o agente praticado o determinado crime, assim como onde o resultado se produziu (consumação) ou deveria ter se produzido (tentativa), enquanto que o CPP, por outro lado, diz que o local do crime será o da consumação, ou então, do último ato praticado quando se tratar de crime tentado.


Teoria da atividade ou da Ação

É considerada aquela que versa que o lugar do crime é aquele em que foi praticada a conduta (ação ou omissão.


Teoria do Resultado ou do Evento

Temos que para essa teoria não importa o local da prática da conduta, mas sim, o lugar onde se produziu ou deveria ter se produzido o resultado do crime (adotada pelo CPP).


Teoria da Ubiquidade ou Mista

Essa é considerada a fusão das duas anteriores, sendo que o lugar do crime é tanto aquele em que se produziu (ou deveria ter se produzido) o resultado, bem como onde foi praticada a ação ou omissão.


Qual a outra teoria que o Código Penal trabalha?

Quando analisamos o artigo 6º, do CP, depreende-se que foi adotada a Teoria da Ubiquidade pelo nosso diploma penal.

Dessa forma, podemos atentar para o fato de que essa teoria, trazida pelo CP, somente se aplica aos chamados crimes à distância, ou seja, seriam aqueles em que a conduta criminosa é praticada em um país, e o resultado vêm a ser produzido em outro.

A partir disso, temos que a regra do artigo 6º, do CP, aplica-se a situações em que a prática do crime começa em um país e termina em outro, ressaltando-se que a ação criminosa pode começar no Brasil e terminar em outro; ou começar em outro país e terminar no Brasil.


Como o CPP trata a Teoria do Resultado?

Quando verificamos o artigo 70, do CPP, conforme visto, traz notadamente em seu bojo a Teoria do Resultado e, tal opção, em nada conflita com o CP, visto que o critério do CP é apenas residual, somente para os crimes à distância, nos demais, a regra geral é a de que o local do crime será onde ocorreu o resultado, ou onde deveria ter ocorrido.


Regras excepcionais em relação ao artigo 70 do CPP



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Código de Processo Penal trata das regulações existentes dentro do processo

Primeiramente, teremos o crime de homicídio, que pode ser doloso ou culposo: em que pese ser a regra geral o lugar do crime onde a vítima faleceu, tem-se que, nos crimes plurilocais (conduta em uma comarca e resultado na outra), o entendimento pacífico de nossa jurisprudência é o de que o juízo natural para analisar o caso será o local onde o crime de homicídio exteriorizou seus efeitos, vale dizer, onde provocou impacto na sociedade.

Já de acordo com a Lei 11.101, denominada de Lei de Falências, só existirá interesse do examinador quando forem praticados crimes falimentares em diversas comarcas e, então, o juízo natural será o do local onde o juiz cível decretar a falência ou homologar o plano de recuperação judicial ou extrajudicial, pouco importando onde tenham sido praticados os crimes – daí chamar-se de juízo universal, detentor da vis atractiva.

Por conseguinte, temos que o estelionato quando ocorre mediante emissão de cheque sem suficiente provisão de fundos: só há interesse nas provas quando o cheque é emitido em uma cidade e sacado em outra, sendo assim, o lugar do crime será o do local do banco sacado.

Além disso, temos o crime formal, em que são compreendidos como sendo aqueles em que não se faz necessária a ocorrência de um resultado naturalístico para sua consumação, bastando a conduta do agente, pois, se ocorrer o resultado, tem-se o exaurimento do crime, mero indiferente penal.

Por fim, podemos inferir, em síntese, que se pode comparar entre os institutos analisados o fato de que a diferença é sutil e daí derivam inúmeras situações, tanto para o profissional do Direito como para os aprendizes que serão sabatinados e exigidos nas provas, sendo que servirá como norte de direção de estudos a diferença do crime à distância para a regra comum, fazendo-se um grande avanço no entendimento da questão.