Mérito Administrativo
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Mérito Administrativo


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Mérito administrativo


Introdução



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Principais dúvidas sobre os méritos administrativos

Inicialmente, iremos estudar sobre o que seria o mérito administrativo entrelaçando o mesmo com os poderes administrativos e observando suas implicações jurídicas.


Análise inicial

Primeiramente, temos que antes de iniciarmos o estudo sobre essa temática, é necessário apresentar algumas considerações.

Dessa forma, para que haja o desempenho da atividade administrativa, são conferidas à Administração Pública determinadas prerrogativas consideradas indispensáveis à melhor satisfação do interesse público. Por outro lado, temos que a lei impõe ao administrador certos deveres que são considerados específicos para a boa e regular execução da sua função, sendo o que a doutrina costuma chamar de poder-dever da Administração.


O que são os poderes administrativos?

Por conseguinte, os poderes administrativos, portanto, podem ser entendidos como sendo instrumentos que são colocados à disposição dos agentes públicos para que, atuando em nome do Estado, alcancem a finalidade pública.

Dentre esses poderes, dois deles estão diretamente relacionados com o mérito administrativo, que seriam o poder vinculado e o poder discricionário.

Temos que o poder vinculado não permite qualquer análise subjetiva, sendo mínima ou inexistente a liberdade de atuação da autoridade pública, já que todos os elementos formadores do ato administrativo apresentam-se vinculados à lei, que apresenta um único caminho a ser trilhado pelo administrador. Por outro lado, observamos que o poder discricionário, por sua vez, confere à Administração razoável liberdade de atuação, possibilitando a valoração do motivo e a escolha do objeto dentro dos limites legais, fazendo com que frisemos que afirmação de que o judiciário não pode controlar o mérito administrativo deve ser vista com certa cautela.


Como alguns autores enxergam essa situação?

Podemos observar que existem lições que alguns doutrinadores destacam, como é o caso de Diogo de Figueiredo Moreira Neto, em sua obra Curso de Direito Administrativo, o qual afirma que o mérito do ato administrativo, ou mérito administrativo é considerado um conteúdo das considerações discricionárias da Administração quanto à oportunidade e conveniência de praticá-lo, ou seja, é considerado como sendo o resultado do exercício da discricionariedade.

Diante disso, temos que a definição acima significa que se trata de um poder conferido pela lei ao agente público para que ele decida sobre a oportunidade e conveniência de praticar um ato discricionário, sendo que existe uma valoração dos motivos, além de escolher o objeto (conteúdo) deste ato, sempre dentro dos limites da lei, ressaltando-se que somente existe mérito administrativo nos atos discricionários.

Contudo, seguindo a parte majoritária da doutrina, verificaremos que os atos administrativos possuem cinco elementos distintos, que seria a competência, finalidade, forma, motivo e objeto, em que todos esses estão previstos no artigo 2º da lei que regula a Ação Popular, lei 4.717/1965.



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Definição de Ação Popular


Do que tratam esses elementos?

Iremos inferir que os três primeiros elementos estarão sempre vinculados, independentemente da natureza do ato; já os dois últimos (motivo e objeto) estes sim formam o núcleo do mérito administrativo, permitindo que o administrador opte por um dos caminhos que mais atenda o interesse coletivo.

Com isso, os atos discricionários poderão sofrer um certo controle judicial de legalidade apenas quanto aos elementos competência, finalidade e forma, dada a vinculação à lei, diferentemente dos atos vinculados, em que os cinco elementos encontram-se amarrados pelo legislador.

Dessa forma, temos que a Administração pública, quando está no exercício da sua autotutela, pode não só anular seus atos, mais também revogá-los por motivo de conveniência e oportunidade, implicando no fato de que pode ser extraído principalmente dos verbetes das súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal, bem como do artigo 53 da lei 9.784/99, os quais regulam o processo administrativo na esfera federal, com redação semelhante à súmula 473, em que está explícito e afirmando que a administração pública pode determinar a nulidade dos seus próprios atos. Já na Súmula 473 ela aponta para o fato de poder anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revoga-los, por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.