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Quinto Constitucional

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Quinto constitucional


Introdução

Inicialmente, iremos estudar sobre o que seria o quinto constitucional, além de avaliarmos de qual forma ele ocorre e de que maneira ocorreu sua gênese na Constituição.


O que seria o quinto constitucional?



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a Constituição rege todas as relações que asseguram o direito ao quinto constitucional

Podemos inferir que o quinto constitucional é configurado como sendo o mecanismo que busca conferir vinte por cento dos assentos existentes nos tribunais aos advogados e promotores.

Por conseguinte, teremos que uma de cada cinco vagas nas Cortes de Justiça deve ser reservada para profissionais que não se submetem a concurso público de provas e títulos; a Ordem dos Advogados ou o Ministério Público, livremente, formam uma lista sêxtupla, remete para os tribunais e estes selecionam três, encaminhando para o Executivo que nomeia um desses nomes.

Logo, tais indicações são suficientes para o advogado ou o promotor deixar suas atividades e iniciar nova carreira, não na condição de juízes de primeiro grau, início da carreira, mas já como desembargador ou ministro, degrau mais alto da magistratura.


Qual foi a gênese da aplicação do quinto constitucional?



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Configuração do quinto constitucional

Temos que o quinto constitucional foi fruto de uma ideia corporativista do governo Getúlio Vargas, sendo, pela primeira vez, inserido dentro da Constituição Federal de 1934, parágrafo 6º, artigo 104, o qual afirmava que dentro da composição dos tribunais superiores, estarão sempre reservados os lugares que são correspondentes a um quinto do número total, para que sejam preenchidos por advogados, ou membros do Ministério Público, que possuam notório merecimento e reputação ilibada, escolhidos de lista tríplice.


Qual a contribuição da Constituição de 1937 para essa temática?

Iremos analisar que a Constituição de 1937 repete o dispositivo, artigo 105; já a de 1946 alterou para exigir prática forense por no mínimo de dez anos, além de um rodízio entre advogados e representantes do Ministério Público, sendo que esses não estavam inseridos nas Constituições anteriores.

Por conseguinte, a Carta de 1967 trouxe novidade, consistente na escolha de advogado no exercício da profissão, em que a de 1969 manteve o mesmo teor do dispositivo de 1967, em seu inciso IV, artigo 144. Contudo, temos que a atual Constituição determinou a escolha em sêxtupla, artigo 94 e 104, e não mais em lista tríplice, como era anteriormente.

Dessa forma, verificaremos que a substancial modificação aconteceu com a Constituição de 1946, a qual buscou inserir o concurso público como elemento necessário para ingresso na “magistratura vitalícia”, a de 1967 acrescentou o concurso de títulos, além das provas e na Constituição Cidadã consta como requisito novo um mínimo de três anos na atividade jurídica, como disposto no inciso I, artigo 93.


Quais são os principais argumentos para justificar o quinto constitucional?

Verificamos que os principais argumentos para que se possa justificar o quinto constitucional seriam a cidadania, a democracia no Judiciário, a oxigenação dos tribunais ou a pluralidade de experiência vivida por advogados e membros do Ministério Público, porém, esses não se sustentam.

Com isso, temos que o recrutamento dos advogados não é democrático, visto que é submetido ao desejo de grupo, passando por um restrito número de membros dos tribunais, onde o conhecimento pessoal e a amizade prevalecem, porque não se tem critérios para a escolha deste ou daquele, como ocorre na promoção dos juízes, quando se exige produtividade, presteza, frequência e aproveitamento em cursos. Ainda temos que os representantes da OAB e do Ministério Público não passam pela observância desses critérios, sendo que o coroamento de interferências indevidas na magistratura acontece com a prevalência da vontade pessoal e política do Chefe do Executivo que nomeia.

Logo, o fato de os advogados já terem tido atuação no juízo de primeira instância não os tornam capacitados para desenvolverem a atividade em melhores condições que os juízes, pois estes sim praticaram a advocacia e colheram experiência de anos nas comarcas por onde passaram.

Dessa forma, o quinto não trouxe uma democratização, nem transparência, nem mesmo contribuiu para que houvesse um aperfeiçoamento ou uma determinada agilidade do sistema; pelo contrário, os desembargadores e ministros, originados do quinto, passarão a julgar recursos sem nunca terem colhido provas, nem presidido a uma audiência ou formado, como julgador, um processo; e mais, os contatos com a comunidade aconteceram sob outro ângulo.

Por fim, temos que o advogado e o membro do Ministério Público se sujeitam à busca de votos entre conselheiros ou integrantes da classe à qual pertence, além da procura de apoio junto a membros alheios à sua classe, e ainda no Executivo, sendo que acabam por levarem um grande prejuízo aos juízes que serão necessariamente preteridos na promoção para o topo da carreira, porque há nomeação de estranhos à magistratura, que não se submeteram a concurso, nem exercitaram a arte de julgar nas comarcas do interior, em que se acumula significativa experiência de vida.