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Princípio do Juízo Natural

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Princípio do juízo natural


Introdução

Inicialmente, iremos estudar sobre o que seria o princípio do juízo natural, assim como iremos abordar sobre qual a sua relação com o Código de Processo Penal, sua implicação jurídica e o entendimento que o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça dará a esse respectivo princípio.


O que seria o princípio do juízo natural?



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A constituição Federal de 1988, visa iluminar todos os códigos do ordenamento jurídico, assim como todos os princípios

Primeiramente, temos que o princípio do Juiz natural é considerado como sendo uma garantia de caráter extremamente relevante, que está prevista dentro do artigo 5º, incisos XXXVII, em que se afirma que “não haverá juízo ou tribunal de exceção” e LIII, que trabalha em cima do fato de que “ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”, todos esses presentes dentro da Constituição Federal.

Dessa forma, acaba se tratando de um pressuposto que tem por finalidade garantir a independência e a imparcialidade do órgão julgado, evitando que o Magistrado seja “escolhido” para julgar determinado processo ou afastado do julgamento de um feito.


O que essa garantia visa proibir?

Temos que essa garantia proíbe qualquer tipo de criação de tribunais que sejam extraordinários, ou seja, aqueles que são considerados de exceção, além da transferência do processo para outro juízo.

Diante disso, institui, ainda, a exigência de que a competência do juízo seja de forma prévia, sendo que se trata de uma garantia vinculada ao próprio devido processo legal, justificado pela legitimidade do processo, o qual pressupõe que um terceiro imparcial examine as provas, em que o princípio do Juiz natural fará alusão ao respeito do juízo adequado para que se possa apreciar determinado processo.


De qual forma esse princípio se apresenta dentro da história e da Constituição brasileira?

É possível inferirmos que, em razão de sua importância histórica, no Brasil, todas as Constituições, com exceção da de 1937, previam o princípio do Juiz natural, em que a aplicação do princípio do Juiz natural abrange inúmeras situações do processo penal.

É sabido, por exemplo, a hipótese em que, no plenário do júri, todos os jurados acabavam por considerarem que o crime praticado não foi um crime de caráter doloso, que atentava contra a vida, pois, desclassificam, por exemplo, de tentativa de homicídio para lesão corporal.



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Código de Processo Penal guia as relações processuais e reafirma o princípio do juízo natural

Logo, o juízo inicialmente competente deixa de ser o conselho de sentença, que, ao fazer a devida desclassificação, acaba por reconhecer a sua incompetência, passando o julgamento para o Juiz togado, como está explícito no artigo 492, parágrafo 1º, do Código de Processo Penal. Já quando tratamos dentro do plano ideal, o princípio do Juiz natural seria uma garantia de inafastabilidade, visto que existe uma previsão constitucional que dita todo o devido processo legal.

com isso, temos que o princípio do Juiz natural não deveria ser considerado limitado pelas normas infraconstitucionais, que seriam aquelas que dispõem sobre a conexão e continência, não possuindo um amparo constitucional.


Como o Supremo Tribunal Federal trata a questão do juiz natural?



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Supremo Tribunal Federal já possui entendimento do que seria o juízo natural através de uma súmula

Temos uma súmula de nº 704 do Supremo Tribunal Federal que prioriza uma norma infraconstitucional em detrimento da Constituição Federal, pois a mesma dispõe, de forma explícita, que não se viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo legal uma atração por continência ou conexão do processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados.

Dessa forma, não deveria ser admitido, por violação ao princípio do Juiz natural, o entendimento que tem se crescido dentro na jurisprudência, inclusive no Superior Tribunal de Justiça, que trata sobre a competência territorial para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, em que se desconsidera o artigo 70 do Código de Processo Penal apenas para que se possa criar uma facilidade inconstitucional em prol da acusação, pois, temos sempre que a competência, por si só, seria sempre uma garantia do acusado, e não uma escolha que poderia precluir ou, pior ainda, ser utilizada para beneficiar a acusação.