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Vírus do Papiloma Humano (hpv)

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VÍRUS DO PAPILOMA HUMANO (HPV)

O primeiro cientista a enunciar o conceito de vírus foi o botânico holandês Martinus Beijerinck, após experimentos nos quais demonstrou que o agente que causava a doença do mosaico do tabaco não podia ser cultivado em meio nutriente, como as bactérias. Essa hipótese foi confirmada pelo americano Wendel Stanley em 1935, quando este cristalizou a partícula que hoje é conhecida como o Vírus do Mosaico do Tabaco (TMV, tobacco mosaic vírus).

Os vírus são partículas infecciosas compostas por material genético (ácido nucleico), o vírion, circundado por um envelope proteico, denominado capsídeo e, em alguns casos, um envelope membranoso. Não são considerados células e não são capazes de se replicarem sozinhos: eles necessitam do maquinário bioquímico de uma célula hospedeira na qual inserem seu vírion, processo esse denominado de infecção.

Os genomas virais podem ser de DNA de fita dupla, fita simples, RNA de fita dupla ou fita simples. O formato do capsídeo varia dependendo do tipo de vírus, podendo ter a forma de um bastão, poliedro ou formatos mais complexos. As subunidades proteicas que compõem o capsídeo são chamadas de capsômeros.

Alguns vírus possuem outras estruturas adicionais que auxiliam na infecção da célula hospedeira. Um exemplo é o envelope membranoso (vindo da membrana citoplasmática do hospedeiro) que circunda alguns tipos, como o vírus Influenza.



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Estrutura dos vírus.


HPV

Os HPVs (família Papillomaviridae, gênero Papilomavírus), são vírus não envelopados, com formato icosaédrico, com capsídeo formado por 72 capsômeros e genoma composto de DNA de fita dupla circular, constituído de 6.800 a 8.400 pares de base. Esse genoma codifica pelo menos seis genes que se expressam de forma precoce e dois que se expressam de forma tardia (E – early* e L – *late, respectivamente).

Esses vírus apresentam tropismo por células epiteliais, ou seja, provoca infecções na pele e nas mucosas, podendo causar alterações celulares, que foram estudadas pela primeira vez em 1956, pelos citologistas Koss e Meisels.



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Genoma do HPV tipo 16: descrição da função dos genes.

Existem mais de 150 tipos de HPV, sendo 40 capazes de infectar o trato genital, dentre os quais 12 são considerados de alto risco e oncogênicos (tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59).

Quando a sequência de nucleotídeos dos genes L1, E6 e E7 for diferente em mais de 10% dos tipos já conhecidos, pode-se considerar o vírus portador como um novo tipo de HPV. Já os subtipos diferem entre si de 2 a 10% nessas regiões.

Os vírus estão envolvidos em cerca de 15 a 20% dos cânceres humanos. Uma vez que o sistema imunológico reconhece as proteínas virais como estranhas, ele pode atuar na defesa contra vírus causadores de câncer e contra células cancerígenas infectadas com vírus.

O potencial carcinogênico do HPV está relacionado às proteínas codificadas pelos genes E6 e E7, que são capazes de promover a degradação das proteínas p53 e pRb, respectivamente. A p53 e pRb são proteínas relacionadas ao controle do ciclo celular, contribuindo, assim, para a supressão da formação de tumores.

Os vírus HPV tipo 16 e 18 são responsáveis pela maioria (cerca de 70%) dos casos de câncer de colo de útero no mundo, assim como até 90% dos casos de câncer de ânus, até 60% dos casos de câncer de vagina e até 50% dos casos de câncer vulvar.

Em 2006 houve a liberação de uma vacina contra o HPV para a prevenção do câncer de colo de útero e outros cânceres que podem afetar homens e mulheres sexualmente ativos. Existem dois tipos de vacinas registradas contra o HPV: a vacina quadrivalente recombinante, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, e a vacina bivalente, que confere proteção contra os tipos 16 e 18. Vale ressaltar que os HPV tipos 6 e 11 são relacionados ao aparecimento de verrugas genitais em homens e mulheres. A vacina quadrivalente é indicada para ambos os sexos com idades entre 9 e 26 anos, enquanto a bivalente é indicada para mulheres a partir dos 9 anos.