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DisciplinaAdm do Relacionamento com O Cliente70 materiais197 seguidores
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Unidade II
5 DIREITO CIVIL E CONTRATOS
5.1 DIREITO CIVIL
O Direito privado e, no caso, o Direito Civil, regula relações entre particulares, predominando o 
interesse da ordem privada, portanto de coordenação, uma vez que não emana do Estado, mas sim da 
autonomia da vontade das partes, embora o Estado eventualmente intervenha nessas relações jurídicas 
privadas, a fim de manter o seu equilíbrio.
O Código Civil de 2002 está fundamentado nos princípios da operabilidade (estabelecer soluções 
normativas de modo a facilitar sua interpretação e aplicação pelo operador do Direito), socialidade 
(predomínio do social sobre o individual, superando o caráter individualista da Lei vigente) e da ética 
(participação dos valores éticos no ordenamento jurídico, sem abandono das conquistas da técnica 
jurídica).
5.1.1 Da validade dos negócios jurídicos
5.1.1.1 Conceitos e requisitos
a) Fato, ato e negócio jurídico:
O fato jurídico é todo acontecimento da vida relevante para o Direito, mesmo que seja fato ilícito, são os 
acontecimentos em razão dos quais nascem, se modificam, subsistem e se extinguem as relações jurídicas.
Podem ser classificados em fato natural, quando decorrente fenômeno natural, sem 
intervenção da vontade humana, produzindo efeito jurídico, podendo ser: fato jurídico stricto 
sensu ordinário \u2013 nascimento, maioridade, morte, decurso do tempo, abandono do álveo pelo rio, 
aluvião e avulsão \u2013, e fato jurídico stricto sensu extraordinário \u2013 caso fortuito e de força maior 
(tempestade, raio, terremoto).
Pode também ser fato humano, quando depende da vontade humana, abrangendo tanto atos lícitos 
como ilícitos, podendo ser voluntário (perdão, negócio jurídico) ou involuntário (ilícito civil).
O ato jurídico visa \u201cadquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir Direitos, é um ato de 
vontade, ao contrário do fato jurídico que é resultante de forças naturais.
O negócio jurídico decorre da manifestação da vontade, sendo necessário, também, que esteja de 
acordo com a ordem jurídico\u2011positiva, para produzir efeitos jurídicos.
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INSTITUIÇÕES DE DIREITO
 Observação
Fato>ato>negócio.
b) Elementos essenciais do negócio jurídico \u2013 \u201cagente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não 
defesa em lei\u201d (art. 104 do Código Civil):
\u2022 agente capaz é a pessoa dotada de consciência e vontade reconhecida pela Lei como apta a 
exercer todos os atos da vida civil. Poderá ocorrer a representação dos incapazes (CC, arts. 115 
a 120), de forma convencional (mandato \u2013 art. 120), legal (a própria Lei confere poderes para 
administrar bens de outrem como os pais, tutores, curadores), ou judicial quando nomeados 
pelo juiz, para certo cargo no foro ou processo (síndico inventariante). Ainda em relação ao 
elemento subjetivo, será imprescindível o livre consentimento, pois sem o concurso da vontade 
o ato não se configura, podendo ser expresso ou tácito;
\u2022 objeto lícito, devendo estar de acordo com o ordenamento jurídico pátrio, ser física e 
juridicamente possível de ser realizado, ser determinado, isto é, especificado, ou, ao menos, 
determinável quando de sua consumação;
\u2022 forma prescrita ou não defesa em Lei, pois a forma é o meio de revelação da vontade. Será 
livre, não dependendo de forma especial, salvo quando a Lei expressamente a exigir (CC, art. 
107), como a escritura pública à validade dos negócios jurídicos que visem à Constituição, 
transferência, modificação ou renúncia de Direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 
vezes o maior salário mínimo vigente no país (CC, art. 108).
O Direito brasileiro prevê inúmeras classificações para os negócios jurídicos, tais como: gratuitos, 
quando as partes obtêm enriquecimento patrimonial sem contraprestação (ex.: doações), ou onerosos, 
se ambos os contratantes auferem vantagens às quais corresponde uma contraprestação (ex.: compra e 
venda, locação); solenes, se obedecerem à forma prescrita em Lei para se aperfeiçoar (ex.: testamento), 
ou não solenes quando não exigem forma legal para sua efetivação (ex.: compra e venda de bem móvel); 
patrimoniais, quando versam sobre questões suscetíveis de aferição econômica; extrapatrimoniais, se 
atinentes aos Direitos personalíssimos e direito de família; unilaterais, se a declaração da vontade emana 
de uma ou mais pessoas, desde que na mesma direção, colimando um mesmo objetivo (ex.: testamento); 
bilaterais, quando a declaração de vontade se faz mediante concurso de duas ou mais pessoas, porém 
em sentido oposto, como nos contratos em geral; inter vivos, se acarretam consequências jurídicas em 
vida dos interessados (ex.: compra e venda, doação); causa mortis, regulam relações de Direito após a 
morte do sujeito (ex.: testamento); principais, quando existem por si mesmos, independentemente de 
outro (ex.: locação); ou acessórios, se sua existência subordina\u2011se à dos principais (ex.: fiança).
Há também uma série de regras a ser observada por ocasião da interpretação dos negócios jurídicos, 
tais como: o artigo 112 do Código Civil estabelece que nas declarações de vontade atender\u2011se\u2011á mais à 
sua intenção que ao sentido literal da linguagem; o silencia importa anuência, quando as circunstâncias 
ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa (CC, art. 111); os 
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contratos em geral devem ser interpretados segundo a boa\u2011fé e os usos e lugar de sua celebração (CC, 
art. 113). Ex.: nos contratos de adesão resolve\u2011se a dívida a favor do aderente; os negócios jurídicos 
benéficos e a renúncia interpretam\u2011se estritamente (CC, art. 114); o contrato deve ser interpretado de 
maneira menos onerosa para o devedor.
c) Modalidades:
As modalidades dos atos jurídicos são elementos acidentais do negócio jurídico, uma vez que o ato 
negocial se perfaz sem eles. Podem ou não ser inseridos no negócio jurídico.
A condição (CC, arts. 121 a 130) subordina o efeito do ato jurídico ao implemento de um evento 
futuro e incerto. Antes de realizada a condição, o ato é ineficaz e nenhum efeito produz.
As condições podem ser positivas, se o evento futuro e incerto consistir num fato afirmativo (ex.: se eu 
me casar); ou negativa, se importar numa abstenção (ex.: se eu não me casar); podem ainda ser suspensivas, 
se as partes protelam temporariamente a eficácia do ato até a realização do acontecimento futuro e incerto, 
deixando em suspenso a existência do Direito criado pelo ato; ou resolutivas, se as condições que tenham 
por fim extinguir, depois do acontecimento futuro e incerto, o Direito criado pelo ato. Enquanto a condição 
resolutiva não se verificar, vigorará o ato jurídico, podendo o seu titular exercer desde o momento deste o 
Direito por ele estabelecido (ex.: constituo uma renda em teu favor, enquanto estudares).
Termo é cláusula contratual que subordina a eficácia do negócio a evento futuro e certo, não 
se confundindo com prazo que é o espaço de tempo intercorrente entre a declaração de vontade e 
o advento do termo. Pode ser certo, quando se reporta uma data do calendário ou quando fixado 
tendo por base o decurso de certo lapso de tempo (ex.: de hoje a um ano, quando tal pessoa atingir a 
maioridade), ou incerto quando se refere a acontecimento futuro, mas que não se verificará em data 
indeterminada (ex.: o óbito de determinada pessoa). Termo inicial (dies a quo): suspende o exercício do 
Direito. Não impede a aquisição