A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
4 pág.
Imunodeficiência primária

Pré-visualização | Página 1 de 2

B i a n c a L o u v a i n I m u n o l o g i a C l í n i c a | 1 
 
.................. imunodeficiencia primaria .................. 
É uma desordem do sistema imune caracterizada pela incapacidade de se estabelecer uma imunidade efetiva 
e uma resposta contra os imunógenos. Estas doenças são amplamente classificadas em dois grupos: 
Imunodeficiências congênitas/primárias – são defeitos genéticos que resultam no aumento da 
susceptibilidade à infecção, que frequentemente se manifesta na infância e início da adolescência; 
Imunodeficiências adquiridas/secundárias – não são doenças hereditárias, mas ocorrem como 
consequência de um evento secundário. Ex: HIV, desnutrição e câncer. 
EPIDEMIOLOGIA: A imunidade inata é a primeira linha de defesa contra organismos infecciosos. Dois importantes 
componentes da imunidade inata são os fagócitos e o sistema complemento. Dessa forma, a principal 
consequência da imunodeficiência é o aumento da susceptibilidade à infecção. 
 Deficiência predominantemente de anticorpos (58%); 
 Deficiências combinadas (T + B) associadas a outros defeitos (18%); 
 Defeitos númericos e funcionais dos fagócitos (17%); 
 Deficiências combinadas celulares e humorais (T + B) (5%); 
 Deficiências do sistema complemento (2%). 
De forma geral, o defeito pode se localizar no número de células, nas 
moléculas de superfície ou na sinalização intracelular. 
PADRÕES DE INFECÇÃO TÍPICOS DE IMUNODEFICIÊNCIAS: 
 Imunodeficiência de linfócitos B e anticorpos – infecções por 
microrganismos piogênicos; 
 Imunodeficiência de linfócitos T – infecções por fungos, 
protozoários, bactérias intracelulares e vírus; 
 Imunodeficiência de fagócitos – infecções cutâneas profundas, abscessos e dermatites. 
ETIOLOGIA: Como dito, a anormalidade etiológica pode estar em componentes do sistema imune inato, em 
diferentes estágios de desenvolvimento dos linfócitos ou nas respostas dos linfócitos maduros aos estímulos 
antigênicos. 
............. MATURAÇÃO DOS LINFÓCITOS .............
Os linfócitos são células capazes de reconhecer e distinguir, de modo específico, diversos determinantes 
antigênicos através da especificidade e memória. 
Células tronco pluripotentes da medula óssea dão origem às células progenitoras mieloides e linfoides. 
Os progenitores linfoides, por sua vez, dão origem aos linfócitos T, B e células NK: 
 As células que vão se diferenciar em 
linfócitos T, que deixam a medula óssea e 
migram para o timo, onde ocorre todo o 
processo de seleção e maturação. Apenas os 
linfócitos T maduros deixam o timo e caem na 
circulação; 
 As células, que vão se diferenciar em 
linfócitos B, permanecem na medula óssea e, 
ao final de sua maturação, deixam a medula e 
entram na circulação, migrando para os 
órgãos linfoides secundários. As células que 
vão se diferenciar em linfócitos B 
permanecem na medula óssea durante sua 
maturação e os linfócitos B maduros. 
 
 
B i a n c a L o u v a i n I m u n o l o g i a C l í n i c a | 2 
 
............. ATIVAÇÃO DOS LINFÓCITOS B .............
Os linfócitos B são responsáveis pela imunidade humoral que se caracteriza pela produção e liberação de 
anticorpos capazes de neutralizar, ou até mesmo destruir, os antígenos (Ag) contra os quais foram gerados. 
Para isso, os linfócitos B devem ser ativados, o que acarreta um processo de proliferação e diferenciação, que 
culmina na geração de plasmócitos com produção de imunoglobulinas com alta afinidade. 
Para ativação, é preciso que o BCR (receptor de linfócito B que se liga a uma imunoglobulina) ligue-se a um 
epítopo antigênico, o que desencadeia uma sequência de eventos intracelulares. Além do reconhecimento do 
antígeno, a ativação dos linfócitos B depende também de um segundo sinal ativador já que sua primeira 
ligação é fraca. 
Então o primeiro sinal que o linfócito B recebe para sua ativação (engajamento do BCR) ativa o linfócito B, 
contudo, é um sinal muito fraco, que vai ativar a célula, mas só irá produzir IgM e, provavelmente, de maneira 
temporária. 
Os linfócitos B funcionam também como células apresentadoras de antígeno e, 
após interiorizarem e processarem o Ag ligado ao receptor de superfície (BCR). 
Os peptídeos gerados pelo processamento são expressos na membrana dos 
linfócitos B ligados às moléculas de MHC classe II, para apresentação aos LTCD4+ 
(auxiliares). Essa interação entre o linfócito B e T será fundamental para que o 
linfócito B se ative em sua forma completa ao iniciar uma cadeia de eventos que 
levam os linfócitos T auxiliares à expansão clonal e produção de citocinas que 
estimulam a proliferação e diferenciação dos linfócitos B que vão produzir IgG ao 
induzir a troca de classe da imunoglobulina, formando células de memória. 
Existe um par de moléculas fundamental para interação entre o linfócito T e B. 
 CD40 – presente no linfócito B; 
 CD40 ligante – presente no linfócito T. 
Resumindo, os linfócitos T expressam na sua superfície moléculas CD40L, que 
interagem com seu ligante, CD40, presente na superfície de linfócitos B. Ocorrendo 
essa interação, na presença de algumas citocinas produzidas pelo linfócito T, 
teremos a ativação completa do linfócito B. 
VACINA CONJUGADA: A vacina conjugada tem como objetivo potencializar as células B ao forçar uma interação 
entre linfócito B e T. 
............. SÍNDROME DA HIPER-IgM .............
É uma doença rara ligada ao X (deficiência de anticorpos) associada a uma troca defeituosa nas células B 
para os isotipos IgG e IgA. Portanto, a produção destes anticorpos fica reduzida e a principal imunoglobulina 
detectada no sangue é IgM. 
Ocorre, pois as formas mutantes do CD40 ligantes produzidas nestes 
pacientes não se ligam ao CD40 ou nem executam a transdução de sinais 
através do CD40 e, portanto, não estimulam as células B a trocar de 
isotipo. 
 Defeitos na produção de anticorpos, troca de isotipo, maturação da 
afinidade e na geração de células B de memória, além de uma 
imunidade mediada por células deficientes. 
Essas pessoas estão mais suscetíveis a síndromes celulares já que o par 
CD40 + CD40 ligante é fundamental para que o macrófago exerça suas 
funções microbicidas ao entrar em contato com o linfócito T. 
COMO OCORRE? Os linfócitos Th1 produzem interferon-gama 
(principalmente) que se ligam nos receptores existentes nos macrófagos e 
potencializa os mecanismos microbicida do macrófago. O macrófago 
também uma célula APC e pode interagir com os linfócitos T e aumentar 
a atividade microbicida da mesma forma. Ou seja, uma deficiência nessa 
ligação também irá induzir uma deficiência na imunidade contra 
patógenos intracelulares. 
 
 
 
B i a n c a L o u v a i n I m u n o l o g i a C l í n i c a | 3 
 
............. DEFICIÊNCIA RELACIONADA AOS LINFÓCITOS T .............
Mutações em genes envolvidos em diferentes etapas do desenvolvimento de linfócitos podem causar SCID 
chamadas de imunodeficiências combinadas graves. A SCID é o resultado de problemas no desenvolvimento 
dos linfócitos T com ou sem defeitos na maturação de células B. Quando não há bloqueio no desenvolvimento 
das células B, o defeito de imunidade humoral deve-se à ausência de células T auxiliares. 
São síndromes que afetam o desenvolvimento precoce do linfócito por ter deficiência de ADA, PNP e RAG. 
SÍNDROME DIGEORGE (APLASIA TÍMICA): Ocorre por falha completa ou parcial do desenvolvimento do primórdio do 
timo pode causar a falha na maturação das células T. 
 Diminuição de células T, células B normais ou diminuídas e Ig sérica reduzida. 
DEFEITO NA CADEIA GAMA COMUM (GC): A cadeia gama comum é uma proteína que faz parte dos receptores de várias 
citocinas (IL-2, IL-4, IL-7, IL-9, IL-15, IL-21).