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Imunodeficiencia secundária

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B i a n c a L o u v a i n I m u n o l o g i a C l í n i c a | 1 
 
................... imunodeficiencia secundaria ................... 
As imunodeficiências congênitas ou primárias são defeitos genéticos que resultam no aumento da 
susceptibilidade à infecção, que frequentemente se manifesta na infância e início da adolescência, mas às 
vezes é clinicamente detectada mais tarde na vida. As imunodeficiências adquiridas, ou secundárias, não são 
doenças hereditárias, mas ocorrem como uma consequência de um evento e adquirida ao longo da vida. 
Sendo assim, é uma desordem do sistema imune caracterizada pela incapacidade de se estabelecer uma 
imunidade efetiva contra patógenos e tumores, gerando um quadro de infecções de repetição, infecções 
oportunistas, reativação de infecções e neoplasias. 
Algumas causas da imunodeficiência adquirida/secundária: 
 Deficiência nutricional (carência de Zn, B12, Biotina); 
 Pós-infecções virais (HIV, sarampo); 
 Infecção crônica; 
 Pós-transfusão e transfusões múltiplas; 
 Abuso de drogas e alcoolismo materno; 
 Terapia imunossupressora e radioativa; 
 Esplenectomia; 
 Câncer; 
 Doença renal crônica. 
............. SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (AIDS) .............
 A mais conhecida imunodeficiência secundária é a AIDS, causada pela infecção com HIV e caracteriza-se por 
uma profunda imunossupressão acompanhada por infecções oportunistas e tumores malignos e degeneração 
do sistema nervoso central. 
O HIV infecta, principalmente, três tipos de célula: 
 Linfócitos TCD4+ (principal célula afetada); 
 Macrófagos; 
 Células dendríticas. 
O vírus precisa, necessariamente, de uma célula que expresse TCD4+ na sua superfície para então se ligar e 
penetrar na célula. Os macrófagos e as células dendríticas dos seres humanos expressam TCD4 em sua 
superfície e, por isso, são alvos da infecção pelo HIV. 
EPIDEMIOLOGIA: Há cerca de 38 milhões de pessoas infectadas pelo HIV, desse número 90% são adultos e 10% 
crianças. Há novas infecções anuais em mais ou menos 2 milhões de indivíduos e 1 milhão de óbito por HIV 
ao longo de um ano. Os números de óbito foram caindo com o passar dos anos devido a terapia antiretrovirais, 
que teve seu "boom" no ano de 1993 quando surgiu o AZT – primeiro fármaco para tratamento antiretroviral. 
Desde então é possível observar evoluções no tratamento e terapia anti-HIV. 
META 90-90-90: A OMS preconiza como um parâmetro mundial que 90% das pessoas vivendo com HIV tenham 
sido diagnosticadas, posteriormente, 90% das pessoas diagnosticadas entrem no tratamento antiretroviral e 
que 90% das pessoas em tratamento tenham sua carga viral suprimida, ou seja, não ser detectado no sangue. 
A baixa taxa de sensibilidade dos testes fazia ser necessário 40 cópias de vírus HIV/mL para um possível 
diagnóstico. Hoje já é possível falar em menos de 20 cópias de vírus HIV/mL devido a uma maior sensibilidade 
dos exames. 
O Brasil apenas não conseguiu, ainda, alcançar os 90% de pessoas aderirem o tratamento. Mas porque 
algumas pessoas não aceitam o tratamento? Isso ocorre devido ao preconceito de uma pessoa ser portadora 
do vírus HIV, além da quantidade de remédios – o que não ocorre mais hoje em dia (coquetel). 
A contaminação de feto em mães HIV+ também diminuiu pelo bom prognóstico oferecido pelo tratamento. 
 
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............. ESTRUTURA DO HIV .............
Os vírus têm apenas um ácido nucleico, que pode ser o DNA ou RNA. 
No caso do vírus HIV, ele tem apenas o RNA protegido por uma 
cápsula de proteínas chamada de capsídeo (todo vírus tem uma 
cápsula envolvendo seu ácido nucleico). O HIV, além do capsídeo, 
tem uma membrana composta por uma bicamada de fosfolipídeos 
derivada da célula que ele já infectou (hospedeiro) que o envolve e é 
chamada de envelope viral. 
Inserido nesse envelope viral o HIV tem duas proteínas 
fundamentais para o processo de infecção: 
 GP41 (porção inferior); 
 GP120 (porção superior). 
Estas são proteínas únicas que tem algo semelhante a dois domínios. 
O genoma do HIV é compacto, mas tem três grupos de genes que codificam proteínas associadas: 
 Complexo gag – genes que codificam proteínas do capsídeo (núcleo), sendo a principal P24; 
 Complexo pol – o nome "pol" vem de polimerase que, no caso do HIV, é a transcriptase reversa. Ou seja, 
o complexo pol codifica as enzimas transcriptase reversa, integrase e protease, que são necessárias para 
a replicação viral; 
 Complexo env – genes associados ao envelope viral que codificam as glicoproteínas GP41 e GP120. 
 
Antigamente só se conhecia o HIV-1 e HIV-2, hoje já se sabe que o HIV é um vírus muito mutante. 
Ao longo dos anos, com o acúmulo de mutações, há novas "espécies" do vírus por diversas modificações 
acumuladas em seu genoma (quasiespécies). Podendo ter tipos, subtipos e sub-subtipos de HIV. 
No Brasil o que predomina é o HIV-1 e o grupo N. 
............. CICLO VIRAL DO HIV .............
COMO OCORRE O PROCESSO DE INFECÇÃO? 
De forma resumina, a infecção das células pelo HIV inicia-se quando a glicoproteína do envelope gp120 do 
vírus liga-se a duas proteínas da célula hospedeira, ao CD4 e um correceptor que é um membro da família de 
receptores de quimiocinas. 
1. A proteína GP120 presente no envelope do HIV é o ligante do TCD4 e, então, primeiramente ocorre a 
ligação do GP120 em uma célula que expresse em sua superfície TCD4. 
2. Essa ligação expõe o domínio abaixo da GP120, ou seja, ela expõe GP41 através do rearranjo proteico. 
3. Com a exposição do GP41, o vírus precisa 
de um segundo receptor para penetrar na 
célula, chamado de correceptor, que é um 
receptor de quimiocinas. Há dois 
importantes receptores de quimiocinas 
para penetração do HIV na célula: CCR5 
(expresso nos macrófagos e algumas 
células de T de memória) e CXCR4 
(expresso nas linhagens de células T). Na 
ausência do co-receptor a infecção não 
ocorre. 
4. Após se ligar a membrana, o HIV injeta 
seu material genético composto por RNA 
e que deve ser convertido em DNA na célula através da transcriptase reversa e que, posteriormente, irá 
se integrar ao DNA celular hospedeiro e ficará lá por anos acumulando material genético. 
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CURIOSIDADE: paciente em Berlim que era portador do vírus HIV e, devido a infecção, teve um linfoma. Após um 
transplante de medula óssea ele se curou, pois recebeu uma medula óssea mutante para CCR5 e o vírus não 
conseguia infectar mais as células sanguíneas. 
RESUMO DO CICLO VIRAL DO HIV 
 
Durante o período que o HIV está integrado ao genoma, ele produz um estado de latência. Em termos clínicos, 
é possível observar um paciente magro e completamente assintomático. Em uma média de 10-12 anos a 
pessoa terá uma grande quantidade de material genético viral acumulado e que pode ser utilizado para 
montar novas partículas virais que irão infectar novas células. 
O quadro de replicação viral ocorre com a ativação da célula TCD4 durantes infecções comuns 
(resfriado, gripe) que produzem citocinas responsáveis por essa reativação da transcrição viral 
do HIV. 
............. TRANSPORTE DO HIV PELA MUCOSA .............
Inicialmente a penetração na célula pelo vírus não ocorre pelo linfócito TCD4 já 
que, em um caso de transmissão sexual, por exemplo, ele penetra pela mucosa 
do pênis, ânus ou vagina e a mucosa é extremamente pobre em linfócitos T e 
rica em célula dendrítica. Ou seja, inicialmente a infecção ocorre através da 
célula dendrítica. Após infectar a célula dendrítica, ela irá para a circulação 
linfática e chegar ao linfonodo mais próximo. No linfonodo