A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
9 pág.
Contratos em Geral P1

Pré-visualização | Página 1 de 3

CONTRATOS EM GERAL P1
Teoria geral dos contratos
Introdução
1. Importância:
- Circulação de riquezas;
- Fonte de obrigações: a lei é fonte mediata (diz que o contrato gera obrigações) e o
contrato é a fonte direta.
2. Conceito:
- Negócio jurídico;
- Duas ou mais partes (bilateral ou plurilateral);
- Mediante autonomia da vontade (as partes são livres para expressar suas vontades).
3. Direito romano e idade média:
- Contrahere (contrato) a fim de estabelecer relações duradouras;
- Acordo de vontades com respeito à forma (solenidade);
- Na idade média, surge o princípio da consensualidade (as partes são livres quanto à
forma de contratar, o mero acordo gera contrato).
4. Idade média e contemporânea:
- Universalização (estado, enciclopédia, códigos – deixar tudo consensado para facilitar
celebração de contratos);
- CC Napoleônico: nação individualista e patrimonialista do direito civil;
- CC Alemão – BGB: surgimento da declaração de vontade destinada a produzir efeitos
jurídicos;
- Igualdade formal: partes iguais e livres perante a lei;
- Liberdade: autonomia de vontade – podem celebrar contrato com qualquer conteúdo;
- Força obrigatória dos contratos (pacta sunt servanda): se celebrou contrato, deve
cumpri-lo;
- Não intervencionismo: estado mínimo na relação contratual.
5. Dirigismo contratual: estado começa a dirigir os contratos.
- Igualdade formal: lei diz que são iguais;
- Igualdade material: há desigualdade econômica;
- Questão social e reivindicações trabalhistas;
- Direito do trabalho: limita a liberdade de contratar: torna especial alguns contratos para
respeitar normas a fim de beneficiar o trabalhador;
- Intervencionismo: ex – salário mínimo;
- CF/88: princípio da dignidade humana;
- CC/2002: função social do contrato e boa fé objetiva;
- Princípios do CC: eticidade, socialidade (social>individual) e operabilidade;
- Microsistemas (leis especiais): ECA, CDC, Estatutos (PCD, idoso, igualdade racial).
Visão estrutural do contrato:
1. Natureza jurídica:
- Fato jurídico decorrente da ação humana. O contrato é um negócio jurídico
decorrente da ação lícita.
- Ato humano que tem repercussão jurídica em que as partes escolhem os efeitos do
ato.
- O contrato é um negócio jurídico com:
- Acordo de vontades;
- Produção de efeitos jurídicos;
- Com efeitos de adquirir, resguardar, transferir, modificar, conservar e extinguir
direitos.
2. Plano de existência:
- O negócio jurídico, para existir, tem que ter os 4 elementos:
- Manifestação de vontade (autonomia da vontade): pessoas livres para expressar a
vontade;
- Agente (emissor da vontade): pode ser pessoa física ou jurídica;
- Objeto (dar, fazer ou não fazer): obrigação do contrato;
- Forma (modo de exteriorização da vontade): oral, escrito ou por gesto.
3. Plano de validade:
- Para que a existência do contrato seja válida:
- A manifestação da vontade tem que ser livre e de boa fé , se a manifestação não for
livre, há vício de consentimento – erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo;
- O agente tem que ser capaz e legítimo (não estar impedido);
- Objeto tem que ser lícito, determinado ou determinável (ex de obj. Determinável:
safra);
- A forma será prescrita (em lei) ou não defesa em lei (não proibida).
4. Plano de eficácia:
- Para ser eficaz, o contrato deve ter um termo ou uma condição.
- Termo inicial: data em que vai começar a fazer efeitos.
- Termo final: data em que o contrato vai parar de fazer efeitos.
- Condição é um evento futuro e incerto.
- Condição suspensiva: o contrato fica suspenso até que a condição ocorra.
 - Condição resolutiva: o contrato cessa os efeitos assim que a condição ocorrer.
- Modo/encargo (ônus imposto em negócio jurídico gratuito): ex: doação com encargo.
5. Forma de contrato:
- Em regra, a forma é livre (princípio do consensualismo);
- Quando a forma for da substância do negócio, deve ser respeitado, sob pena de
nulidade. A formalidade deve ser respeitada. (ex: escritura pública em imóveis de >30
s.m.);
6. Prova do contrato:
- A forma é usada para efeitos de prova.
- Por questão de prova, é recomendável o contrato ser escrito.
Princípios dos contratos: prova.
Para maior integração (preenchimento de lacunas), os princípios servem como modo de
interpretação das funções normativas.
1. Dignidade da pessoa humana: princípio constitucional, caracterizando direitos
fundamentais.
2. Autonomia da vontade:
A autonomia da vontade é a manifestação de vontade das partes. São dotadas de
liberdade de inciativa e de contratar. São lives, porém, devem respeitar a função social do
contrato, sob pena de invalidez.
3. Supremacia da ordem pública:
A supremacia da ordem pública versa que nenhum contrato pode contrariar a ordem
pública, não podendo afrontar os interesses coletivos.
Sendo assim, o Estado limita a liberdade contratual, intervindo nestes.
4. Consensualismo:
Nesta, o acordo de vontade gera os efeitos previstos na relação contratual. Há respeito a
palavra dada e existe confiança recíproca.
Em regra, a lei pode determinar formalidades em que as partes devem seguir, mesmo
havendo consensualismo.
Os contratos consensuais são aqueles que são formados perante um acordo.
São diferentes dos contratos reais, em que o nascimento se dá com a entrega da coisa.
5. Relatividade subjetiva dos efeitos do contrato:
Via de regra, os efeitos do contrato só abrangem as partes contratantes, e não as alheias
a ele.
Exceções: estipulação em favor de terceiro – um terceiro será beneficiado, mesmo não
sendo parte do contrato (ex: seguro de vida);
Contrato com pessoa a declarar: uma pessoa é nomeada a figurar no contrato, não
participando anteriormente.
Se houver ofensa a ordem pública, um terceiro (MP) vai entrar para declarar a nulidade do
contrato abusivo.
6. Força obrigatória:
Este princípio, a fim de trazer maior segurança jurídica, rege o respeito a palavra dada,
em que o contrato é lei entre as partes. Sendo cumprido integravelmente e
imutavelmente.
Se uma das partes se tornar inadimplente, a outra pode agir, pleiteando perdas e danos
ou buscando tutela específica para que obrigue a parte a cumprir, sob pena de multa.
7. Revisão dos contratos/Princípio da onerosidade excessiva:
As modificações superveniente s que ocorreram, por fato extraordinário e imprevisível, por
se tornarem excessivamente onerosa para uma das partes, podem ensejar na revisão ou
na resolução do contrato.
8. Princípios sociais dos contratos:
O contrato deverá ter cláusulas gerais, ser economicamente útil e socialmente valioso
para as partes.
9. Função social do contrato:
O contrato deve obedecer a função social, limitando a autonomia das vontades se estas
ferirem o respeito ao bem comum, afim de evitar lesão ou estado de perigo.
Lesão: prejuízo, desproporção entre as partes ou abuso da inexperiência de uma.
Estado de perigo: coloca uma das partes em situação de perigo, devido a uma situação
excessivamente onerosa.
10. Boa fé subjetiva:
Situação psicológica dos contratantes. Existe uma diferença de tratamento nas situações
de boa e má-fé. Na boa fé, a parte não tem ciência do potencial vício do contrato. A ordem
jurídica protege o possuidor de boa fé.
11. Boa fé objetiva:
Trata-se de eticidade, lealdade e respeito. São deveres anexos/de proteção. A boa fé
objetiva deve existir não somente na conclusão e execução do contrato, mas também no
pré contrato e no pós contrato.
Além de preencher todas as lacunas com esse princípio, também tem a função de criar
deveres anexos:
- Lealdade/confiança: transparência condizente com o declarado no contrato;
- Assistência: cooperação das partes para o contrato gerar os efeitos;
- Informação: às coisas fundamentais para celebrar. A omissão tanto dolosa quanto não
dolosa leva à indenização por perdas e danos.
- Sigilo dos dados das partes.
-

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.