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Contratos em Geral P1

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A boa fé delimita o exercício dos direitos entre as partes. O direito não é absoluto, não
pode exceder os fins e bons costumes.
Desdobramentos:
1. vedação do comportamento contraditório: ir contra algo feito antes. busca proteger a
confiança.
2. supressio: perda de um direito do titular devido uma omissão por um lapso de tempo;
3. surrecio: surgimento de um direito a outro devido uma conduta ativa;
4. tu quoque: rompimento de confiança devido a traição do que foi contratado, situação de
surpresa e desvantagem.
Interpretação dos contratos:
1. Conceito:
Toda manifestação de vontade necessita de interpretação para que se saiba o seu
significado e alcance.
2. Tipos
Existem dois tipos de interpretação:
- Declaratória: para descobrir a real intuição das partes.
- Integrativa: usada para preenchimento de lacunas, levando em consideração a função
social do contrato e a boa fé objetiva.
3. Princípios básicos:
Logo, os princípios básicos de interpretação dos contratos são:
- Busca da real intenção das partes
- Teoria da declaração: se norteia pelo texto que representou a declaração da vontade (o
contrato), mas não aniquila a vontade das partes.
- Boa fé objetiva: necessidade de invocar este princípio para eventual suspensão da
eficácia da autonomia da vontade, a fim de rejeitar cláusula abusiva;
- Conservação ou aproveitamento: se uma cláusula contratual permitir duas
interpretações diferentes, prevalecerá a que possa produzir algum efeito. Sempre que
possível, conduzir a revisão judicial dos contratos e não a resolução contratual.
- Negócios jurídicos benéficos ou gratuitos: são os que envolvem uma liberalidade:
somente um dos contratantes se obriga, enquanto o outro apenas aufere um benefício. A
doação pura constitui o melhor exemplo dessa espécie. Devem ter interpretação estrita
porque representam renúncia de direitos.
4. Regras esparsas:
- Contratos de adesão (em que não existe liberdade para uma das partes): a parte que
quiser celebrar terá que aceitar aquele contrato específico. Só aderindo, não podendo
modificar. Quando houver cláusula ambígua ou contraditória, deve-se adotar a
interpretação mais favorável ao aderente.
- O contrato de fiança se dá por escrito e não admite interpretações extensivas.
- Transação: tem interpretação restrita. É um contrato para resolver litígio, logo, o
documento que sai dele é estrito.
- Testamento: o testamento tem que refletir a vontade do testador.
5. Interpretação dos contratos no Código de Defesa do Consumidor.
O CDC tem proteção constitucional e estabelece que, nos contratos de adesão e de
consumo, estes devem ter redação clara e ter conhecimento prévio do consumidor. Bem
como que as cláusulas ambíguas devem ter interpretação mais favorável ao consumidor.
6. Outras regras:
- O contrato é um todo unitário, devendo ser lido sistematicamente como um todo.
- Nas cláusulas com duplo sentido em relação aos efeitos, deve-se levar em conta a
cláusula que surtir efeitos. Verificar o modo pelo qual vinham se executando de comum
acordo.
- Cláusulas ambíguas: deve levar em consideração os usos e costumes. Na dúvida, de
forma menos onerosa para o devedor.
- Cláusulas inexistentes nas condições gerais: quem não realizou o contrato será
favorecido no lugar de quem não redigiu o contrato.
7. Pactos sucessórios:
- Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.
- A partilha pode ser realizada desde que não prejudique os herdeiros necessários.
Classificação dos contratos – prova.
1. Efeitos:
- Unilaterais: só uma parte tem obrigação no contrato unilateral (Ex: doação). Só uma
parte terá benefícios. Gratuito.
Existe a possibilidade de um contrato unilateral oneroso, como o mútuo feneratício. Neste,
ocorre a entrega da coisa por uma parte e a outra terá a obrigação de restituir sem juros.
Só uma parte terá a obrigação de restituir, quando ocorrer a entrega da coisa.
Nos negócios jurídicos benéficos, sua interpretação deverá ser estrita.
- Bilaterais: ambos tem obrigações (Ex: compra e venda). Neste, rege o princípio do
exceptio nom adimpleti contractus: não posso exigir que um cumpra a obrigação enquanto
eu não fizer a minha. Contanto, nos contratos bilaterais, se uma parte suspeita que a
outra tem problemas econômicos e, com isso, não vá realizar o pagamento, ele pode
exigir que ela cumpra a sua obrigação primeiro.
Existem também os contratos bilaterais imperfeitos: contratos que originalmente eram
unilaterais, mas, em sua execução, viraram bilaterais: surge obrigação à outra parte.
Os contratos bilaterais são onerosos: ambas as partes terão benefícios e ônus.
- Plurilaterais: contrato com várias partes e todos terão a obrigação de atender uma
finalidade em comum (Ex: sociedade).
2. Contratos comutativos e aletórios:
- Comutativos: contrato com prestações certas e determinadas – maioria dos contratos
bilaterais.
A lesão ocorre somente em contratos comutativos. São obrigações certas e necessárias,
sem risco.
- Aleatórios: a prestação pode variar, dependendo de evento futuro ou incerto
- Aleatórios por natureza: ex: contrato de seguro – depende de um fator futuro e incerto
para mostrar o tamanho da obrigação.
- Acidentalmente aleatórios: venda de coisas futuras, expostas a risco ou não (ex: safra).
Formação dos contratos – início do contrato - prova.
1. Formação
- Partiários: elaboração por ambos os contratantes;
- Adesão: elaboração por uma das partes e a outra só aceita;
- Contratos-tipo: contratos intermediários, que trazem uma pequena margem de adesão
por aquele que não redigiu o contrato, admitindo a discussão do conteúdo.
2. Momento da execução:
- Instantânea: cumprimento logo após a formação do contrato. Ex: comprador vai ao
shopping e compra uma roupa. Logo com o pagamento, o contrato se executa.
- Execução diferida: cumprimento em um só ato, mas em um momento futuro. Se dá de
uma só vez, mas mais pra frente, ocorre um lapso temporal. Ex: compro um carro na
concessionária e preciso esperar o carro chegar, já paguei, mas o cumprimento não foi
instantâneo.
- Trato sucessivo: cumprimento no futuro, em atos restritos – execução continuada. Ex:
contrato de prestação de serviços de um ano.
3. Utilidade:
Nos contratos de execução diferida e tratos sucessivos, podem ocorrer a teoria da
imprevisão (evento imprevisível que torna a prestação muito onerosa).
A execução nos contratos de trato sucessivo é parcial, começa a fluir na data do
vencimento de cada prestação.
4. Quanto ao agente:
- Personalíssimo: só me interessa aquele contratante. Intransmissível, leva em
consideração as qualidades pessoais do contratante.
Se descobrir que celebrará o contrato com outro, na verdade, se forma outro contrato.
O contrato personalíssimo é anulável quando houver erro essencial sobre a pessoa.
- Impessoal: não me importa as características do agente, e sim o serviço. Transmissível,
podem ser cumprido independentemente de contratante, por terceiro.
- Individual: as vontades são individualmente consideradas, ainda que envolva várias
pessoas. Na compra e venda, por exemplo, pode uma pessoa contratar com outra ou com
um grupo e o contrato ser individual, uma vez que na sua constituição, a emissão de
vontade de cada uma é levada em conta na celebração. Gera obrigações somente às
pessoas participantes.
- Coletivo: acordo de vontades que vinculam pessoas que não participaram diretamente.
Acordo coletivo. Acordo que gera obrigações a todas as pessoas independentemente do
fato de terem participado ou não de uma assembleia que votou a aprovação de suas
cláusulas.
Formação dos contratos - classificação dos contratos – prova.
1. Quanto ao modo por que existem: se existem por si só ou se estão atrelados.
- Principais: existência própria, não estão derivados.

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