Roteiro 04 - Teoria Geral da Norma Penal
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NOME DO ALUNO Rúbia Masiero Rodriguez 
05/09/2019 ESTUDO DIRIGIDO 
DIREITO 
PENAL 
1 
 
TEORIA GERAL DA NORMA PENAL: 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
1 CONCEITO E CONTEÚDO DA NORMA PENAL 
\u201c*...+ é a única fonte formal direta do Direito Penal [...] Segundo Salles Junior, a Lei Penal tem 
as seguintes características: é imperativa, geral, impessoal e exclusiva, regulando apenas fatos 
futuros. Imperativa: porque a violação do preceito primário acarreta a pena. A sua observação é 
imposta a todos, e seu não cumprimento acarreta a pena; Geral: porque está destinada a todos, 
mesmo os inimputáveis, que são sujeitos à medida de segurança; Impessoal: porque não se refere a 
pessoas determinadas; Exclusiva: porque somente ela pode definir crimes e cominar (impor) 
sanções; Aplica-se somente a fatos futuros não alcançando os fatos passados, a não ser que seja 
aplicada em benefício do agente.\u201d1 
\u201cA discussão a respeito do conteúdo da norma, especificamente se esta representa um 
conteúdo valorativo ou imperativo, é clássica no Direito. Entretanto, em termos penais, ela assume 
tintas muito particulares. É que a teoria da norma desenvolvida por Binding2 levou a tal volume de 
 
1 PIMENTEL, A.P.R., Direito Penal I. Palmas, Tocantins: UNITINS, 2006. Fundação Universidade do Tocantins, 
2006. 
2
 \u201cAnalisando os tipos penais incriminadores previstos na Parte Especial do Código Penal, podemos perceber que 
o nosso legislador utiliza um meio peculiar para fazer chegar até nós a proibição de determinadas condutas. Pela 
leitura do art. 121, caput, do CP, podemos verificar que o legislador descreveu uma conduta que, se praticada, 
nos levará a uma condenação correspondente à pena prevista para aquela infração penal. A redação do 
mencionado art. 121 é a seguinte: Matar alguém \u2013 Pena: reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos. Conforme 
consequências na esfera dogmática que a discussão sobre o conteúdo da norma termina 
necessariamente afetando a forma de estruturação da dogmática jurídica [...] A discussão básica e 
clássica que se instaurou foi entre duas perspectivas: a compreensão das normas como expressões 
de valores socialmente relevantes e a concepção da norma como diretiva de condutas. Fala-se, pois, 
em norma de valoração e norma de determinação.\u201d3 
\u201ca. Exclusividade: uma vez que somente ela define infrações e comina penas, a lei penal é 
exclusiva; b. Imperatividade: a lei penal é autoritária, assim, determina a sanção àquele que 
descumpre seu mandamento. Tudo aquilo que não é proibido pela lei penal é permitido e, portanto, 
pode ser praticado. O caráter de obrigatoriedade da lei penal é dirigido a todos os membros da 
sociedade, mesmo as de caráter não incriminador, como as permissivas, embora estas se dirijam mais 
especificamente aos órgãos do Poder Público; c. Generalidade: a lei penal tem eficácia erga omnes, 
ou seja, se dirige para todas as pessoas. Todos os cidadãos são destinatários do conteúdo do preceito 
primário, enquanto que o preceito secundário se dirige aos encarregados de sua aplicação; d. 
Abstrata e impessoal: a lei penal é abstrata e impessoal porque destina-se a fatos futuros, além do 
que não endereça seu mandamento proibitivo a um individuo, mas a todos os membros da 
sociedade. Dirige-se a fatos futuros, uma vez que \u201cnão há crime sem lei anterior que o defina\u201d (arts. 
5º, XXXIX, da República da Constituição, e o 1º do CP).\u201d4 
 
preleciona Luiz Regis Prado: \u201ca norma jurídico-penal tem a natureza imperativa e endereça-se a todos os 
cidadãos genericamente considerados, através de mandados (imperativo positivo) ou proibições (imperativo 
negativo) implícita e previamente formulados, visto que a lei penal modernamente não contém ordem direta 
(v.g., não deixar de; não matar; não ofender a integridade corporal), mas sim vedação indireta, na qual se 
descreve o comportamento humano pressuposto da consequência jurídica.\u201d Essa técnica de redação fez com que 
Binding chegasse à conclusão de que o criminoso, na verdade, quando praticava a conduta descrita no núcleo do 
tipo (que é o seu verbo), não infringia a lei \u2013 pois que o seu comportamento se amoldava perfeitamente ao tipo 
penal incriminador -, mas sim a norma penal que se encontrava contida na lei e que dizia \u201cnão matarás\u201d, como 
citado no exemplo do art. 121 do Código Penal.\u201d \u2013 GREGO, Rogério. Curso de Direito Penal: Parte Especial. \u2013 6ª 
Ed. Rio de Janeiro. Impetus. 2009. P. 66 
3 BUSATO, Paulo César. Direito Penal: Parte Geral \u2013 4ª ed., rev., atual. e ampl. São Paulo: Atlas. 2018. 
4 PEREIRA, Gisele Mendes. Direito Penal I \u2013 1ª Ed. Caxias do Sul: EDUCS. 2012. P. 19 
2 FUNÇÃO DA LEI PENAL 
\u201cProteção do bem jurídico: teoria da proteção do bem jurídico (crime é uma lesão ao BJ). 
Assegurar a vigência da norma (Jakobs): teoria da proteção das normas (crime é uma lesão à VN). 
Também evita a vingança privada e garante os direitos fundamentais\u201d5 
\u201c[...] é a proteção dos bens jurídicos eleitos pelo legislador como indispensáveis à vida em 
sociedade. O bem é tudo aquilo que é necessário para prover as necessidades dos seres humanos e 
quando é protegido pelo Direito passa para a categoria de bem jurídico\u201d6 
\u201cA finalidade do direito penal é precipuamente preventiva. O legislador, quando estabelece 
previamente uma pena para aqueles que realizam conduta lesiva a algum bem ou interesse jurídico, 
visa inibir aqueles comportamentos indesejados, atuando a lei penal, portanto, como fator de 
prevenção à prática de ilícitos penais e, portanto, de defesa dos bens jurídicos mais relevantes. É a 
chamada prevenção geral. A própria aplicação da pena após a condenação, além do caráter 
retributivo, tem também um aspecto preventivo, no sentido de serem evitadas novas práticas ilícitas 
por parte daquele que se encontra na prisão. É o que se denomina prevenção especial. Além disso, 
considerando que as penas visam igualmente reeducar o infrator, sua aplicação tem também o 
escopo de evitar a reincidência. Ressalta-se ainda, o caráter preventivo em relação ao corpo social, 
pois, se o Estado toma para si o direito de punir e desempenha tal atividade de modo satisfatório, 
evitam-se sentimentos de revolta e indignação na população em face da prática de ilícitos penais 
graves, que poderiam estimular a vingança privada.\u201d7 
3 DISTINÇÃO ENTRE LEI PENAL E NORMA PENAL 
\u201cNorma é o mandamento de uma conduta normal, advindo do sentido de justiça que possui 
determinado segmento social. Lei, por sua vez, é a regra escrita elaborada pelo legislador, possuindo 
o objetivo de positivar condutas consideradas nocivas à sociedade.\u201d8 
 
5 AZEVEDO, Marcelo André de. Direito Penal. Esmeg \u2013 Escola Superior da Magistratura do Estado de Goiás. 
Disponível em < http://www.esmeg.org.br/pdfMural/parte_geral_-_principios_e_aplicacao_da_lei_penal.pdf>, 
acesso em 02-09-2019 
6 PEREIRA, Gisele Mendes. Direito Penal I \u2013 1ª Ed. Caxias do Sul: EDUCS. 2012. P. 16 
7 GONÇALVES, Victor Eduardo Rios. Curso de Direito Penal: parte geral \u2013 1ª Ed. São Paulo: Saraiva. 2015. P. 36 
8 AZEVEDO, Marcelo André de. Direito Penal para os concursos de técnico e analista. JusPODIVM. Disponível em 
< https://www.editorajuspodivm.com.br/cdn/arquivos/1618-leia-algumas-paginas.pdf>, acesso em 01-09-2019 
\u201cA norma penal significa o comportamento baseado no bom senso comum da sociedade, 
naquilo que é aceito pela coletividade. É a noção de justiça presente em todos. Não é regra escrita, 
mas é entendida como normal e, dessa forma, aceita por todos como proibida [...] Já