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Mediação e arbitragem - 2ª unidade

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para prestar o serviço. 
Há, ainda, o método de indicação pelo poder judiciário, que ocorre por meio do art. 7º, mas só cabe nas situações extremas, por demorar muito. 
3. Arbitragem multiparte (art. 13, §4º): 
É a arbitragem que envolve litisconsórcio. Imagine-se que há uma cláusula que prevê indicação pelas partes dos árbitros, e há várias partes no polo ativo reunidas, e elas não chegam a um acordo. 
- Caso Paranapanema: as partes tinham interesses distintos no mesmo polo, não havendo como chegar a um acordo. Tinham direito de regresso um contra o outro, e não conseguiram chegar a um consenso, pois se escolhe árbitros que se entende que se assemelham com sua pretensão, ainda que eles sejam independentes e imparciais.
O presidente, diante da situação, poderia nomear um árbitro em sue lugar e aceitar a indicação pela outra parte; ou nomear em seu lugar e nomear pela outra parte também, recusando o da outra. Ele escolheu por nomear um árbitro e aceitar a nomeação da outra parte, e a sentença arbitral foi anulada, fundamentando na ausência de isonomia/paridade de armas: ele deveria rejeitar a escolha da outra parte e escolher pelas duas. 
4. Resolução de impasses (art. 13, §4º): a resolução de impasses cabe à câmara arbitral, se previsto no regulamento, senão no limite vai para o judiciário. Se não estiver disposto no regulamento e a câmara se recusar a resolver o impasse, ou se for arbitragem ad hoc, vai ao judiciário. 
5. Direito de escusa (art. 16): o árbitro tem o direito de escusa, pois ninguém é obrigado a contratar. O árbitro celebra um contrato de prestação de serviços, com as partes e com a instituição arbitral. 
IV. QUALIFICAÇÃO DO ÁRBITRO:
Em primeiro lugar, o árbitro deve ser capaz, não podendo entregar a arbitragem a um menor ou interdito. 
O árbitro deve ter a confiança das partes. Se há um tribunal arbitral composto por árbitros escolhidos por cada uma das partes, porque tem que ter a confiança da outra parte que não o nomeou? Aqui, quando se fala em confiança, está falando do cumprimento dos seus deveres, dentro dos quais ressalta-se o dever de independência, imparcialidade e competência técnica para o caso.
É possível a previsão de qualificação adicional na cláusula arbitral, mas deve-se atentar às cláusulas compromissórias patológicas. 
V. DEVERES DO ÁRBITRO:
1.	Imparcialidade (art. 13, § 6º): o árbitro deve manter-se equidistante das partes, não devendo favorecer nenhuma delas, não tendo qualquer tipo de relação jurídica, econômica ou social que o torne minimamente dependente de uma das partes.
2.	Independência (art. 13, § 6º): o árbitro deve manter-se equidistante das partes, não devendo favorecer nenhuma delas, não tendo qualquer tipo de relação jurídica, econômica ou social que o torne minimamente dependente de uma das partes.
3.	Habilidade (competência) (art. 13, § 6º): é um dever de habilidade técnica, expertise, tendo conhecimento para julgar aquela matéria. 
Ex. não pode nomear um médico para julgar um contrato de compra e venda de empresas. 
4.	Diligência (art. 13, § 6º): o árbitro deve ser eficiente. 
5.	Discrição (art. 13, § 6º): mesmo que o processo arbitral não seja sigiloso, o árbitro não pode comentá-lo. 
6. 	Revelação (art. 14, § 1º): o árbitro tem que informar todos os fatos que, aos olhos das partes (teoricamente), possam comprometer a sua independência ou imparcialidade. 
VI. IMPARCIALIDADE DO ÁRBITRO: 
 
1. Imparcialidade na LA: 
- Imparcialidade legal mínima: a lei de arbitragem traz uma imparcialidade legal mínima, que são normas de ordem pública. Para Gabriel, as partes não podem afastar as normas legais mínimas de imparcialidade. 
A equiparação do árbitro ao juiz estatal (art. 14) é uma norma de imparcialidade legal mínima – aplicam-se aos árbitros conflitos e suspeições do juiz estatal previstos no CPC, e é uma das raras hipóteses da aplicação do CPC à arbitragem; o árbitro, no entanto, não possui as garantias constitucionais da magistratura, como inamovibilidade, irredutibilidade dos vencimentos, vitaliciedade. Essas garantias são atribuídas aos togados como uma forma de garantir sua independência e imparcialidade, mas isso não se aplica aos árbitros. Por isso, costuma-se ter no regulamento das instituições a previsão de normas que torna mais restrito o regime jurídico da independência e imparcialidade para o árbitro do que é para o juiz estatal. 
Ex. o CPC de 73, a amizade intima de advogado e juiz não era causa de impedimento/suspeição, o que hoje não ocorre, mas no regulamento da FIESP já existia. 
- Arguição de impedimento ou suspeição: normas procedimentais para arguição do impedimento e suspeição, previstas na lei. A parte deve arguir o conflito de interesses do árbitro na primeira oportunidade para falar nos autos (arts. 15 e 20). Se for acolhido pelo árbitro ele é substituído (arts. 15, p.u., 16 e 20, §1º), se não for acolhido segue o processo e depois pode ser visto pelo judiciário (arts. 20, §2º, 32, II, e 33). 
Os regulamentos costumam prever normas adicionais, e as instituições arbitrais tem editado código de ética para os árbitros, que também estabelece as situações. 
- Imparcialidade na soft law: 
A comunidade arbitral percebeu que conflito de interesse era um tema sensível, e que as legislações nacionais não tratavam de uma boa forma. Perceberam também que precisávamos de um parâmetro internacional, que não ficasse sujeita às peculiaridades locais de cada país. Além disso, a independência e imparcialidade são muito importantes, devendo ter normas rigorosas, claras e objetivas para definir se há conflito de interesse.
Por isso, a IBA criou as Diretrizes da IBA relativas a Conflitos de Interesses em Arbitragem Internacional. A IBA criou quatro listas, e listou situações que costumam ocorrer no dia a dia. 
Na lista verde, não há dever de revelação, e se uma das partes se sentir prejudicada, não pode recusar o árbitro.
Por exemplo, se é uma questão sobre uma matéria jurídica, fundada na extensão da boa-fé, e o árbitro já escreveu, em teoria (abstratamente), sobre a matéria jurídica discutida, isso é lista verde. Se o árbitro e o advogado da parte são membros da mesma instituição acadêmica. 
Na lista laranja, há o dever de revelação, se a parte que poderia se sentir prejudicada aceita, o árbitro é nomeado e a arbitragem segue. Se a parte que poderia sentir-se prejudicada recusar o árbitro, será feita uma investigação para ver se aquele fato realmente compromete a independência ou imparcialidade do árbitro.
Ex. o advogado da parte contrária nomeou um árbitro, e a outra parte sabe que esse advogado tinha trabalhado no mesmo escritório de advocacia que o árbitro. É um caso de lista laranja, então a parte prejudicada impugnou, e foi mandado um questionário a esse árbitro, e diante do resultado a CCI resolveu mantê-lo. 
Na lista vermelha renunciável, são situações mais graves, mas que ainda assim podem ser superados. Há o dever de revelação. Se a parte impugnar o árbitro, ele será imediatamente substituído, mas se aceitar, o árbitro continua. O silêncio implica aceitação.
Na lista vermelha irrenunciável, são situações extremas, e mesmo que a parte queira, o árbitro é afastado.
*Se a arbitragem for ad hoc, na lista vermelha irrenunciável, e houver a sentença arbitral mesmo assim, essa sentença será nula. 
A imparcialidade legal é mínima, equiparando o árbitro ao juiz de direito estatal, não podendo diminuir aquilo. A autonomia privada é limitada, podendo adicionar regras, mas não diminuir as regras do CPC. 
VII. RESPONSABILIDADE DO ÁRBITRO: 
O árbitro tem uma responsabilidade civil, mas não é uma responsabilidade civil objetiva, mas subjetiva. Ou seja, se causar danos ele deve indenizar, mas é preciso que seja demonstrada a culpa ou dolo do árbitro. 
A responsabilidade penal do árbitro é equiparada ao funcionário público (art. 17).
PROCEDIMENTO ARBITRAL:
I. ESTABELECIMENTO DAS NORMAS DO PROCEDIMENTO ARBITRAL:
1. Inexistência de procedimento

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