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Mediação e arbitragem - 2ª unidade

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indenização, e na fase postulatória diz que será em relação à cláusula X e Y. 
A quantidade de rodadas dependerá do procedimento instituído pelas partes, podendo ter duas rodadas (alegações iniciais, respostas), mas também poderá ter réplicas e tréplicas. É uma liberalidade das partes. 
É possível, ainda, adotar um sistema de alegações simultâneas, no qual requerido e requerente apresentam, ao mesmo tempo, alegações iniciais, respostas, réplicas, tréplicas, etc. É uma preferencia dos árbitros europeus. 
Se o requerido tiver se recusado a participar da arbitragem, ou falhar em apresentar sua resposta é possível que os árbitros decretem a revelia e apliquem os seus efeitos. 
Com relação às estratégias para a fase postulatória, é preciso ter cuidado para apresentar todas as “cartas”. A proposta deve ser um jogo. 
Existe uma subfase de produção de documentos, que é muito comum nas arbitragens internacionais. É possível ter uma subfase intermediária de produção de documentos, uma parte diz a outra que quer que apresente os seguintes documentos, tendo acesso e analisando os documentos, para poder preparar a réplica ou tréplica. 
Ela costuma ser muito mais profunda, ampla, do que no processo judiciário. No CPC, as hipóteses em que uma parte é obrigada a apresentar documentos são extremamente restritas. Na commom law, esse poder é amplo. NA arbitragem internacional é um meio do caminho, mais amplo que o que acontece no CPC, mas menos do que ocorre no Discovery, nos EUA. 
É uma instrução intermediária dentro de uma fase postulatória, apesar de ter uma fase instrutória. 
Fase de saneamento? Não há fase de saneamento na arbitragem.
Fase instrutória: 
A produção de provas pode ser feita espontaneamente pela parte, a requerimento da outra, ou de ofício pelos árbitros. Em regra, os regulamentos não tem um detalhamento de produção de provas, assim como não há na lei de arbitragem. Há uma incompletude das normas legais e dos regulamentos de instituições arbitrais. 
Há, ainda, um conflito cultural entre os advogados de diversos países diferentes. Ex. testemunha dê o depoimento escrito, e na audiência somente poderá falar sobre o que está escrito. 
E por isso, muitas vezes é difícil estabelecer regras acerca da produção das partes, e cabe às partes regular, e se não houver acordo, aos árbitros. 
Quando os árbitros são chamados a estabelecer essas regras, normalmente eles se valem da soft law, e o mais comum é utilizar a IBA Rules on the Taking of Evidence in International Arbitration. Há duas limitações: (i) se alguma das regras da IBA forem incompatível com a lex arbitri; (ii) se as partes tiverem assim convencionado. O arbitro tem que respeitar o que foi fixado previamente pelas partes. 
Existem, ainda, as regras de Praga, que são recentes e foram criadas para ser mais semelhante à civil law. 
- Método de produção das principais espécies de prova: 
a) Documentos: 
Podem ser apresentados pelas partes como também pode ser requerida a exibição de documentos pela parte contrária e terceiros. 
Para isso, usa-se uma tabela chamada de Redfern Schedule, criada por Allan Redfer, usada para facilitar a postulação, a resposta e a decisão para produção de prova. Pode-se pedir um documento específico ou uma categoria de documentos (ex. todas as notas fiscais relativas ao contrato), devendo colocar a relevância do documento e a materialidade das provas. Na mesma tabela, haverá a resposta da outra parte (alegando que não há materialidade do documento ou que não há relevância), a réplica e a decisão. 
O Discovery e o E-Discovery são formas de requerimento de documentos pela parte contrária extremamente amplas, sem as restrições da regra da IBA e sem as restrições das regras do processo judicial pátrio. É muito comum nos Estados Unidos. É fornecido todos os documentos. Os clientes brasileiros, no entanto, não estão preparados para essa obrigatoriedade. O E-Discovery são os documentos eletrônicos. 
b) Depoimento pessoal:
No judiciário, a funcao é a obtenção de uma confissão. Só quem deve inquirir é o próprio juiz ou o advogado da parte contrário, e o advogado da parte não deve fazer perguntas. 
Na arbitragem é mais liberado, podendo ter a inquirição pelo advogado da própria parte. No CPC, temos a pena de confesso, ou seja, a ausência ao depoimento pessoal significa confissão. Na arbitragem, diz que a ausência da parte no depoimento sem justa causa será considerada pelos árbitros no momento de proferir a sentença, mas não necessariamente como uma confissão. 
O árbitro não tem poder de execução, então se uma testemunha não aparece, ele deve fazer uma carta arbitral e por meio dela solicitar a condução coercitiva (art. 22, §2º). O arbitro pode pleitear que a testemunha seja levada a sua presença. 
A inquirição das testemunhas pode ser feita pelos árbitros, diretamente pelos advogados ou com intermédio dos árbitros. É proibido procedimentos fustigatórios, ou seja, aquelas atitudes que o advogado intimide a testemunha, pressionando-a.
Existem várias técnicas de inquirição de testemunhas: (i) a inquirição aberta é aquela em que a testemunha é arrolada, comparece ao tribunal e é ouvida sobre tudo; (ii) a inquirição fechada é muito utilizada em arbitragem internacional. Antes da audiência, a testemunha prepara um depoimento escrito, apresentado com antecedência com relação à audiência. E deve ter auxilio do advogado, e se ela escreve de modo aberto, ela será perguntada de forma aberta. E na audiência há um procedimento que vai afinalando: primeiro, existe um interrogatório, dando a palavra ao advogado que levou a testemunha, geralmente é curto, e deve estar restrito ao que está no depoimento escrito; após, o interrogatório é feito pela parte contrária (cross examination), e o advogado fará perguntas somente sobre o que está no depoimento escrito, e se a testemunha falar mais do que está escrito, poderá o advogado também perguntar sobre coisas a mais; depois, devolve a palavra para o advogado que levou a testemunha, que falará apenas sobre o que foi respondido no cross examination; em seguida, o advogado da parte contrária vai fazer perguntas somente sobre o que foi respondido na fase anterior. 
c) Perícia:
Muitas arbitragens há o perito apontado pelo tribunal, mas há muitos casos nos quais o tribunal arbitral não indica o perito, e cada parte nomeia o seu. E esse perito tem o dever de fidúcia ao tribunal arbitral, tendo o dever de falar a verdade, sendo um auxiliar do tribunal arbitral. Portanto, a nomeação do perito pode ser pelos árbitros ou apenas pelas partes. 
A apresentação dos laudos pelos peritos apontados pelas partes e na audiência pode ser feita a inquirição do perito nomeado pelos árbitros e assistentes, e é muito comum que não só os peritos sejam ouvidos, mas também os pareceristas jurídicos, passando por cross examination na audiência. 
Tem sido cada vez mais comum o procedimento hot tubbing, ou seja, uma inquirição simultânea de todos os peritos. Pode assumir várias formas: todos os peritos são colocados na audiência, e cada um fala em frente ao tribunal arbitral, ou que os peritos se reúnam entre si previamente à audiência e que tentem responder unanimemente várias perguntas colocadas pelo tribunal arbitral, restringindo o objeto da controvérsia.
- Audiência:
Os árbitros marcam uma conferência telefônica para organizar a audiência, discutindo entre todas as partes o procedimento da audiência. 
Os árbitros são os destinatários da prova, e a audiência serve para trazer provas aos árbitros, para convencê-los. Os árbitros podem interferir na audiência, e os advogados devem ter a postura de colaboração com o tribunal arbitral. 
Muitas vezes as audiências têm as apresentações iniciais, na qual se faz uma apresentação do seu caso, e tem a possibilidade de resumir aquilo que acha-se razoável. É possível que haja as apresentações finais orais, ou por escrito. 
4) Fase decisória:
Objetiva a prolação da sentença arbitral. 
É possível

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