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Mediação e arbitragem - 2ª unidade

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(art. 33, §1º), e é um prazo decadencial. Para saber se é decadencial ou prescricional, deve-se verificar qual a natureza da pretensão, se condenatória, o prazo é prescricional. Se constitutiva (negativa ou positiva), é decadencial. Se declaratória, não há prazo. Prazo decadencial não se interrompe nem se suspende. 
Isso não significa que prazo decadencial não se prorroga, por exemplo, quando vence em dia de domingo, ou dia sem expediente forense, estende-se para o próximo dia útil. 
Legitimidade e interesse são os mesmos da arbitragem. 
A competência é do poder judiciário, dependendo do interessado (ex. poder federal para empresa pública, caixa, etc.). 
Hipóteses de cabimento (art. 32 e 33): A enumeração é taxativa, só cabendo ação anulatória por uma dessas hipóteses previstas em lei, somente com uma exceção, que são as normas de ordem pública (discussão doutrinária). 
Art. 32. É nula a sentença arbitral se: 
I - for nula a convenção de arbitragem; se a arbitragem se legitima e se valida pelo fato das partes terem convencionado a sua realização, se a convenção arbitral for nula, nula será a arbitragem. Não é somente a anulação da sentença arbitral, mas de todo o processo. Se os árbitros decidirem pela validade da convenção arbitral, prevalece temporalmente até o fim do processo arbitral e depois entrar com ação anulatória. 
II - emanou de quem não podia ser árbitro; impedimento, suspensão e incapacidade do árbitro. Outro elemento legitimador da arbitragem são a capacidade, a independência e a imparcialidade do árbitro. A lei determina que haverá a aplicação ao árbitro das hipóteses de impedimento e suspeição que são aplicadas aos juízes, conforme o CPC. Também servirá de base o código de ética da instituição, se houver, e as diretrizes da IBA, se for convencionado. 
Se, no curso do processo arbitral, o árbitro se tornou incapaz, não precisa de uma interdição judicial para que seja afastado do caso, porque muitas vezes a família opta por não proceder com a interdição. Nem todos tem legitimidade para pleitear a interdição, e a parte arbitral não tem. Também a parte tem o ônus probatório de provar a incapacidade, mesmo não tendo havido a interdição. Deve-se aproveitar os atos praticados pelo árbitro até o momento em que ele se tornou incapaz. 
III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; falta de relatório, fundamentação ou dispositivo. A falta de relatório não é igual a relatório conciso. 
IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; excesso aos limites da convenção arbitral. O árbitro tem o poder apenas na exata medida e somente dentro dos limites que as partes fixaram, e o que ele decidir excedendo esses limites, será nulo. Ex. extensão errônea a terceiros. 
VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva; prevaricação é deixar de praticar um ato que está obrigado de ofício. Concussão é pedir vantagens indevidas para praticar um ato de sua obrigação. O árbitro, um particular, para fins penais, é equiparado ao funcionário público (art. 17). A prática do crime presume-se o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 
Por lei, o prazo é contado do recebimento da sentença arbitral, e se tiver embargos arbitrais, do recebimento da nova decisão. Mas, se passados 180 dias, por exemplo, para Gabriel, e descobre-se uma corrupção, o prazo deve começar a ser contado novamente a partir dessa data. 
VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, desta Lei; e Excesso de prazo. A sentença arbitral será proferida em 6 meses, a partir da investidura dos árbitros. Isso, na prática, não existe, e os regulamentos trazem o prazo maior. 
VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei. Violação aos princípios do contraditório, igualdade das partes, imparcialidade e independência do árbitro ou livre convencimento motivado. 
Além dessas hipóteses, também é possível a anulação da sentença arbitral em razão da violação à ordem pública. 
EXECUÇÃO DA SENTENÇA ARBITRAL:
1. Efeitos da sentença arbitral:
- Coisa julgada material
- Formação de executivo judicial
2. Competência para a execução da sentença arbitral:
- Monopólio do poder executivo pelo Estado: o árbitro tem poder para tutela provisória, de conhecimento, mas não tem poder para a tutela executiva. É necessário, portanto, do poder judiciário. 
Essa afirmação tem sido mitigada para entender-se que quando a execução se faz sem atos de violência é possível que ela se opere independentemente do poder judiciário. 
Ex. sentença arbitral que determina que se faça um registro em uma matrícula. Tem-se entendido no TJSP que é possível enviar um ofício pelo tribunal arbitral para que o registro seja efetuado. 
3. Regime jurídico da execução da sentença arbitral:
3.1. Sentença arbitral nacional/doméstica: 
Critério para definição da nacionalidade: Sede da arbitragem: não será o local da assinatura, e sim a sede do processo arbitral, porque ela foi escolhida pelas partes ou escolhida pelos árbitros com aceitação das partes. 
Se uma arbitragem tem sede no Brasil, essa sentença arbitral será brasileira. Ex. partes estrangeiras, árbitros estrangeiros, direito estrangeiro, contrato firmado no exterior, idioma estrangeiro, câmara de arbitragem estrangeira, se a sede da arbitragem for no Brasil, a sentença arbitral será brasileira.
Competência: a competência para execução da sentença arbitral é do juiz de primeiro grau, podendo ser da justiça federal – não se aplica a sociedade de economia mista ou estadual. É possível ainda que a competência seja da justiça do trabalho.
Procedimento: será o mesmo procedimento do cumprimento da sentença judiciária, apenas com uma diferença, pois no procedimento judicial é apenas uma fase do processo. Na execução da arbitragem, é um novo processo, então o executado deverá ser citado pessoalmente, e não apenas intimado. 
Impugnação do devedor: a impugnação do devedor terá restrição de conteúdo, pois já houve uma fase de conhecimento, tendo coisa julgada. Ex. excesso de execução – o valor é maior do que disposto na seentenca. Dentre as matérias do CPC, existem matérias tipicamente processuais, e por isso caberá ao juiz da execução, mas há matérias que cabem à impugnação que são tipicamente de conhecimento de mérito (ex. prescrição). No entanto, a cláusula compromissória poderá reger a prescrição, e por isso, para Gabriel, essa seria uma questão para nova arbitragem. Se for uma matéria processual, poderá ser no judiciário. 
A impugnação não tem efeito suspensivo, então a execução continuará. Se ele alegar o fumus bonis iuris e o periculum in mora, poderá ter efeito suspensivo. Poderá ter em curso uma ação anulatória.Suspende a execução? Depende, pois poderá pedir uma tutela de urgência.
Invalidação da sentença arbitral: o pedido de anulação deve se dar dentro de 90 dias. Se a impugnação for apresentada dentro desses 90 dias, não precisa da ação anulatória autônoma, podendo pedir a anulação dentro da impugnação, por uma questão de celeridade. 
3.2. Sentença arbitral estrangeira: 
3.2.1. Reconhecimento de sentença estrangeira: 
Função: integração ao ordenamento jurídico brasileiro. Para que a sentença ingresse na ordem jurídica brasileira é preciso do devido processo legal, o ato de autorização se faz por meio de um procedimento chamado de reconhecimento de sentença estrangeira ou homologação de sentença estrangeira (“exequatur”). 
O reconhecimento da sentença estrangeira se opera no plano da eficácia, pois autoriza que o ato proveniente de outro Estado produza efeitos no Brasil. 
Competência originária: STJ (CF, art. 105, I, “i”). 
Impossibilidade de revisão do mérito: o STJ não pode alterar o mérito, é apenas um juízo de autorização para a eficácia no Brasil. 
Legislação aplicável: aplica-se a Lei de arbitragem, alinhado à Convenção de Nova York, o CPC e o Regimento Interno do STJ. 
Isonomia das sentenças judiciais:

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