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Mediação e arbitragem - 2ª unidade

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a convenção de nova York estabelece uma isonomia entre as sentenças judiciais estrangeiras e as sentenças arbitrais estrangeiras, não podendo exigir para a execução da sentença arbitral mais do que exige para a sentença judicial estrangeira. Adota, ainda, a ideia da norma mais liberal, listando uma série de situações em que leve uma sentença arbitral a não ser reconhecida, e o ordenamento interno também lista, então deve-se usar a norma mais liberal para o reconhecimento da sentença. 
Hipóteses de denegação: instrução do pedido. 
a. Falta da sentença original ou cópia autenticada, com tradução juramentada (CNY, art. IV, 1, a; RISTJ, art. 216-C);
b. Falta da convenção de arbitragem original ou cópia autenticada, com tradução juramentada (CNY, art. IV, 1, b, RISTJ; art. 216-C). Como a arbitragem se legitima pelo consenso, precisa acostar a convenção de arbitragem. É uma pequena diferença da sentença judicial estrangeira. 
Hipótese de denegação: mérito da sentença.
a. Ofensa à soberania brasileira (SISTJ, art. 216-F);
b. Ofensa à ordem pública brasileira (CNY, art. V, 2, b; RISTJ, art. 216-F);
c. Ofensa à dignidade da pessoa humana (RISTJ, art. 216-F). 
Hipóteses de denegação: arbitralidade. Questões relativas à arbitragem em si. 
a. Falta de arbitrabilidade segundo a lei brasileira (CNY, art. V, 2, a; RISTJ, art. 216-C); ex. na Itália, basta que os direitos sejam patrimoniais, e não precisa ser disponível e não é possível homologar a arbitragem no Brasil. Se em um país permitir a investigação de paternidade pela arbitragem não pode ser homologado no Brasil.
b. Se as partes da convenção de arbitragem estavam, conforme a lei, de modo incapacitadas (CNY, art. V, 1, a). Geralmente, é se houve algum tipo de incapacidade no sentido jurídico. 
Hipóteses de denegação: convenção de arbitragem. 
a. Se a convenção de arbitragem não é válida segundo a lei escolhida pelas partes, ou, em sua falta, a do país onde a sentença foi proferida (CNY, art. V, 1, a; RISTJ, art. 216-D, III). As partes podem escolher a lei para reger a lei de arbitragem, se não tiverem escolhido, aplica-se a lei da sede da arbitragem. Os árbitros podem decidir que certa questão está sujeita a uma convenção de arbitragem válida, mas o STJ pode rever essa matéria, se houver alegação. Se concluir que é nula, ele denega a homologação no Brasil. Mas isso não invalida a sentença arbitral, apenas impede a produção dos efeitos no Brasil. 
b. Se a sentença se refere a uma divergência que não está prevista ou não se enquadra na convenção de arbitragem (CNY, art. V, 1, c). 
c. Se a sentença contém decisões sobre matérias que extrapolam a convenção de arbitragem, permitida a separação das matérias alcançadas pela convenção (CNY, art. V, 1, c). Só tira o excesso. 
Hipóteses denegação: processo e procedimento arbitrais. 
a. Se a parte vencida não recebeu notificação apropriada acerda da designação do árbitro ou do processo arbitral, ou lhe foi impossível, por outras razoes, apresentar seus argumentos (CNY, art. V, 1, b). Falta de citação (notificação inicial) ou não ter a condições financeiras de se defender. 
b. Se a composição da autoridade arbitral ou o procedimento arbitral não se deu conforme o cacordado pelas partes, ou, na falta de tal acordo, a lei do país em que a arbitragem ocorreu (CNY, art. V, 1, d). Se o tribunal arbitral não foi feito corretamente.
Hipóteses de denegação: validade e eficácia da sentença.
a. Se a sentença arbitral não transitou em jugado (RISTJ, art. 216-D, III). Se não transitou em julgado não pode ser executada. 
b. Se a sentença ainda não se tornou obrigatória para as partes (CNY, art. V, 1, e).
c. Se a sentença foi anulada ou suspensa por autoridade competente do país em que, ou conforme a lei do qual, foi proferida (CNY, art. V, 1, e). Se uma sentença foi anulada no judiciário mexicano, pode executar no Brasil? Se a lei do país onde for executada a sentença for mais benéfica do que a lei de nova York, aplica-se a mais liberal, e no Brasil não tem essa disposição. Então é possível. Mas, para Gabriel, essa não seria o entendimento do STJ. 
3.2.2. Execução de sentença estrangeira:
- Competência: sempre da Justiça Federal
- Procedimento: é o mesmo das execuções em geral, apenas com a necessidade de citação, pois a execução não é uma fase de um processo. 
MEDIAÇÃO
I. Noções introdutórias:
1. Definição:
a) Legal: art. 1º, p.u. da Lei de Mediação: “Considera-se mediação a atividade técnica exercida por terceiro imparcial sem poder decisória, que, escolhido ou aceito pelas partes, as auxilia e estimula a identificar ou desenvolver soluções consensuais para a controvérsia”. 
b) Doutrinária: A mediação de conflitos pode ser definida como um processo em que um terceiro imparcial e independente coordena reuniões separadas ou conjuntas... VER SLIDE
A diferença entre a conciliação e a mediação é o papel do terceiro que está auxiliando as partes na conciliação. Na conciliação, o conciliar sugere solução e as partes aceitam ou não. Já na mediação, as partes conflitantes sugerem as soluções e o mediador facilita o diálogo e organiza as sugestões apresentadas. OUVIR 24 MIN
Um é um método autocompositivo e a arbitragem é um método heterocompositivo. 
A legislação em vigor no Brasil são: (i) Lei de Mediação; (ii) CPC; (iii) CC; (iv) United Nations Convention on Internacional Settlement Agreements Resulting form Mediation (Cerimônia de Assinatura: 07 de Agosto de 2019, Singapura – ainda não foi assinada). 
- Cláusula de Mediação: 
São elementos necessários: (i) sujeitos; (ii) objeto; e (iii) forma – não necessariamente a forma escrita. 
São elementos facultativos: (i) prazo mínimo e máximo da mediação; (ii) local da primeira reunião – marco inicial da mediação; (iii) critérios de escolha do mediador; (iv) penalidade em caso de não comparecimento à primeira reunião; (v) todos os outros da cláusula compromissória (EX. sede, honorários, idioma). 
São requisitos de validade: (i) sujeitos – não há limitação, podendo ser partes incapazes devidamente assistidas; (ii) objeto – direitos disponíveis ou indisponíveis que admitem transação: a lei se equivocou quando utilizou a expressão indisponíveis que admitem transação. Existem os direitos plenamente disponíveis e os parcialmente disponíveis, então o que a lei quis dizer são os direitos parcialmente disponíveis que permitem transação. Ex. direito de alimentos não é possível de cessão, e somente responde a afirmativamente uma das perguntas, mas não são indisponíveis, somente parcialmente disponíveis. 
Hipótese de supletividade em caso de omissão das partes: (i) Substituição dos elementos pela indicação de regulamento (§1º do art. 22), assim como tem regulamento de arbitragem, as boas câmaras tem regulamento de mediação; (ii) se a cláusula não trouxer o prazo mínimo e máximo, o prazo mínimo será de 10 dias e o máximo será de 3 meses (inciso I do §2º do art. 22). 
II. Princípios da Mediação:
1. Imparcialidade e independência do mediador: são os mesmos parâmetros da imparcialidade e independência do árbitro, e deve ser qualificado pela CNJ, com curso de extensão. Algumas câmaras disponibilizam listas de indicação de mediadores, e para isso tem outros cursos além do obrigatório. 
2. Isonomia entre as partes: as partes e o próprio mediador tem que estar em uma relação horizontal, não havendo hierarquia. É obrigatória a representação por advogados (art. 10, p.u.)No procedimento de mediação extrajudicial, se uma das partes esteja representada por advogado e outra não, é preciso esperar para que todas tenham advogado. O papel do advogado é muito mais para instruir o cliente sobre o acordo, procedimento, ajudar o mediador em continuar com a mediação e chegar a um consenso, etc. 
3. Oralidade: o procedimento, via de regra, ocorre oralmente. 
4. Informalidade: não tem rito especifico, não tendo necessidade de forma escrita. Será pela conveniência do mediador.
5. Autonomia privada;

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