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Produtos naturais bioativos

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do jaborandi, com atividade 
antiglaucoma, ambos considerados indispensáveis para o tratamento dessas 
doenças. 
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Muitas plantas são a matéria-prima para a síntese de fármacos (Foglio 
et al., 2006). Elas oferecem uma importante fonte de produtos naturais 
biologicamente ativos, muitos dos quais constituem modelos para sínte-
se de um grande número de fármacos. Pesquisadores da área de produ-
tos naturais mostraram-se impressionados pelo fato de esses produtos 
encontrados na natureza revelarem grande diversidade de estrutura e de 
propriedades físico-químicas e biológicas (Wall; Ani, 1996). Apesar do 
aumento de estudos nessa área, os dados disponíveis revelam que apenas 
15% a 17% das plantas foram estudadas quanto ao seu potencial medicinal 
(Soejarto, 1996).
Grande parte das plantas nativas brasileiras ainda não foram estudadas 
farmacologicamente, e muitas espécies são usadas empiricamente, sem 
comprovação científica quanto à eficácia e à segurança de seu emprego. Isso 
demonstra que, em um país como o Brasil, cuja biodiversidade oferece um 
vasto celeiro de moléculas a serem descobertas, existe uma enorme lacuna 
entre a oferta de plantas e as poucas pesquisas comprovadas. As plantas, 
além de seu uso terapêutico na medicina popular, têm contribuído, ao 
longo dos anos, para a obtenção de vários fármacos, que são até hoje ampla-
mente utilizados na clínica, como, por exemplo, a emetina, a vincristina, a 
colchicina e a rutina. A cada momento são relacionadas na literatura novas 
moléculas, algumas de relevante ação farmacológica, como a forscolina, o 
taxol e a artemisinina (Cechinel Filho; Yunes, 1998). 
Até meados do século XX, as plantas medicinais e seus derivados cons-
tituíam a base da terapêutica medicamentosa, quando a síntese química, 
que teve início no final do século XIX, alcançou a fase de desenvolvimento 
vertiginoso. Atualmente cerca de 50% dos medicamentos utilizados são de 
origem sintética e em torno de 30% são de origem vegetal, isolados ou pro-
duzidos por semissíntese (Calixto, 2000). 
Estudos recentes demonstram que a chamada megabiodiversida de, 
encontrada em países como a Austrália, Brasil, China, Colômbia, Equa-
dor, Índia, Indonésia, Madagascar, Malásia, México, Peru e Zaire, está 
seriamente ameaçada, o que justificaria a utilização sustentável das plantas, 
de modo a conservar e reparar áreas degradadas (Nodari; Guerra, 1999).
Recentemente, o Ministério da Saúde brasileiro divulgou uma lista de 
plantas medicinais aprovadas para uso terapêutico. Essa última atualização 
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apresenta 71 exemplares, de diversas famílias, como, por exemplo, as plan-
tas da família Plantaginaceae (Plantago major), Fabaceae (Erythrina mu-
lungu), Malvaceae (Malva sylvestris), entre outros exemplares. Todas essas 
espécies de plantas estão autorizadas para consumo pela Agência Nacional 
de vigilância Sanitária (Anvisa) (Brasil, 2010). 
Estruturas secretoras
As estruturas secretoras dos vegetais são compartimentos especiais que 
sintetizam e/ou armazenam substâncias que conferem propriedades medi-
cinais ao vegetal. Trata-se de um termo empregado para caracterizar células 
ou conjunto de células envolvidas na secreção de substâncias, como óleos 
essenciais, mucilagens, resinas, flavonoides e compostos fenólicos.
As células secretoras podem estar individualizadas, constituindo os 
idioblastos, ou ser encontradas em estruturas multicelulares de variadas 
formas, nomeadas como tricomas, emergências, cavidades ou bolsas e duc-
tos ou canais. Todos esses tipos morfológicos são designados como estrutu-
ras secretoras. 
As secreções são, de modo geral, complexas, sendo o exsudado cons-
tituído por muitos compostos químicos. Apesar de haver mistura (go-
ma-resina), há predominância de um composto ou grupo de compostos, 
sugerindo a especificidade na atividade das células secretoras.
A grande diversidade de tipos morfológicos de estruturas secretoras das 
plantas despertou, desde muito cedo, nos botânicos, um enorme interesse 
pelo seu valor adaptativo e taxonômico. A morfologia, a distribuição e 
a frequência dos tricomas glandulares e a classe química dos compostos 
secretados têm sido empregados como caracteres discriminativos em nível 
de subfamília ou em táxons inferiores à família (El Gazzar; Watson, 1970; 
Abu-Asabu; Cantino, 1987; Cantino, 1990). 
Nos animais, distingue-se os termos excreção (eliminação de resíduos 
que não participam mais do metabolismo) e secreção (produção de subs-
tâncias que podem participar de processos metabólicos). Nas plantas não 
se pode fazer essa distinção entre esses dois processos e utiliza-se o termo 
secreção em sentido amplo. 
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Para os vegetais, a secreção compreende os complexos processos de 
formação (podendo incluir a síntese) e de isolamento de substâncias espe-
cíficas, em compartimentos do protoplasto da célula secretora, e posterior 
liberação para espaços extracelulares, no interior dos órgãos ou na super-
fície externa do vegetal. Processos de reabsorção de materiais secretados 
também já foram registrados em plantas (Castro; Machado, 2006).
Vários tipos de classificação das estruturas secretoras já foram propos-
tos, tomando-se por base a posição que as estruturas ocupam no corpo 
do vegetal (Esau, 2002; Cutter, 1986), a natureza química da substância 
secretada (Lüttge, 1971) ou o trabalho celular envolvido nesse processo 
(Fahn, 1979).
Há tricomas de vários tipos morfológicos, denominados secretores ou 
glandulares (capitados e peltados) e tricomas não secretores, denominados 
tectores.
Na Figura 1.1 (A-F), por meio de micrografia eletrônica de varredura, 
verifica-se na folha de Brugmansia suaveolens (Solanaceae), popularmente 
chamada de sete-saias ou trombeteira, a presença de tricomas tectores e 
glandulares do tipo capitado e peltado. 
Na Figura 1.2, no quadro (A), observa-se em detalhe o tricoma peltado, 
na folha de Jacaranda puberula (Bignoniaceae), popularmente chamado de 
carobinha; no quadro (B), exibe-se o tricoma capitado de Tetradenia riparia 
(Lamiaceae), conhecido como pluma-de-névoa, limonete, pau-de-incenso 
ou falsa-mirra. No quadro (C), verifica-se em Plantago major (Plantagi-
naceae), chamada popularmente de tanchagem, o tricoma capitado com a 
célula apical da glândula, constituída por duas células secretoras. 
Na Figura 1.3, temos uma micrografia eletrônica de varredura de folhas 
adultas de Avicennia schaueriana (Avicenniaceae). No quadro (A), apre-
senta-se uma superfície adaxial, evidenciando glândulas de sal, e no quadro 
(B), uma superfície abaxial, com inúmeras glândulas de sal recobrindo a 
epiderme. 
Na Figura 1.4, o quadro (A) apresenta, por meio de microscopia de luz, 
a nervura central da folha de Schinus terebinthifolius (Anacardiaceae), evi-
denciando três canais secretores ao redor de feixes vasculares. O quadro (B) 
mostra o tricoma capitado e o tricoma tector do tipo estrelado na folha de 
Malva sylvestris (Malvaceae).
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Figura 1.1 – Micrografia eletrônica de varredura da folha de Brugmansia suaveolens: (A) 
Superfície adaxial evidencia a distribuição de tricomas

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