A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
170 pág.
Agenda 21 ok

Pré-visualização | Página 9 de 41

Atlântica.
O município abrange áreas de baixada, com predomínio de morros e áreas 
que apresentam relevos diversos e bastante acidentados. Uma das caracterís-
ticas mais significativas da região é a grande extensão geográfi ca com áreas 
preservadas.
ander
Realce
Érika Cardoso
Realce
Érika Cardoso
Realce
39
Mapa 2: Uso do solo no município de Silva Jardim e arredores
Fonte: UFF/ONU-Habitat (2010).
Seu território integra o Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar. Segundo 
dados da Lima/UFRJ, o município apresenta 42,2% de seu território cobertos 
por f lorestas – as várias montanhas de Silva Jardim são quase totalmente 
cobertas pela Mata Atlântica.
Gráfi co 1: Proporção do uso do solo 
(*) Inclui água, afl oramentos rochosos e usos não identifi cados.
Fonte: Lima/Coppe/UFRJ, com base em geoprocessamento de imagens Landsat e 
CBERS e Probio - Levantamento dos remanescentes de Mata Atlântica (2008)
Área antropizada: Área antropizada: Área que já so-Área que já so-
freu alguma intervenção humana.freu alguma intervenção humana.
39.570,4ha
42,2%
51.968,2ha
55,4%
291,6ha
0,3%
2.003,4ha
2,1%
Área antropizada
Cobertura vegetal
Outros*
Área urbana
Érika Cardoso
Realce
Érika Cardoso
Realce
40
Grande parte do município é protegida pelas Unidades de Conservação. De 
acordo com um levantamento perceptivo da população, 95% da área total 
do município se encontra dentro da Área de Proteção Ambiental da Bacia do 
Rio São João, uma Unidade de Conservação de uso sustentável. Nesta região 
existem ainda áreas pertencentes a Unidades de Conservação de proteção 
integral, como o Parque Estadual dos Três Picos, o Parque Natural Municipal 
da Biquinha “Gruta Santa Edwiges” e a Reserva Biológica de Poço das Antas. 
O crescente número de RPPNs criadas nos últimos anos faz de Silva Jardim 
o município com o maior número de Unidades de Conservação deste tipo no 
País. Segundo informações da Confederação Nacional de RPPNs, existem pou-
co mais de 20 localidades em Silva Jardim regularizadas nessa categoria: 
Fazenda Arco-Íris, Granja Redenção, Sítio Santa Fé, Sítio Cachoeira Grande, 
Reserva União, Fazenda Gaviões, Floresta Alta, Serra Grande, Rabicho da 
Serra, Cachoeirinha, Lençóis, Cisne Branco, Taquaral, Quero-Quero, Águas 
Vertentes, Boa Esperança , Fazenda Mico-Leão-Dourado, Neiva, Patrícia, 
Claudia e Alexandra; Rabicho da Serra e Fargo. Os participantes do Fórum 
da Agenda 21 identificam potencial para a criação de novas áreas de pre-
servação na região. 
Todas estas Unidades de Conservação ambiental apresentam vegetação ra-
zoavelmente preservada e estão inseridas no Mosaico Central Fluminense, 
região prioritária para a preservação da Mata Atlântica. O grupo sinalizou, 
no entanto, que apenas a Reserva Biológica de Poço das Antas e a Área de 
Proteção Ambiental da Bacia do Rio São João/ Mico-Leão-Dourado possuem 
planos de manejo. Afirmou ainda que estas informações são pouco divulgadas, 
contribuindo para a falta de conhecimento de sua aplicação e fi scalização.
Mesmo apresentando grande área de f lorestas, formações pioneiras e refúgios 
preservados, a região sofre com a degradação ambiental. Um dos principais 
motivos da falta de manutenção das fl orestas é a fragmentação das matas 
Na Reserva Biológica de Poço das Antas o mico-leão-dourado pode ser encontrado 
em seu habitat natural
Unidades de Conservação (UC) –Unidades de Conservação (UC) – 
Áreas de proteção ambiental legal-
mente instituídas pelas três esferas 
do poder público (municipal, esta-
dual e federal). Dividem-se em dois 
grupos: as de proteção integral, que 
não podem ser habitadas pelo ho-
mem, sendo admitido apenas o uso 
indireto de seus recursos naturais 
em atividades como pesquisa cientí-
fi ca e turismo ecológico; e as de uso 
sustentável, onde é permitida a pre-
sença de moradores, com o objetivo 
de compatibilizar a conservação da 
natureza com o uso sustentável dos 
recursos naturais (World Wildlife 
Fund – WWF).
Áreas de Proteção Ambienta l Á reas de Proteção Ambienta l 
(APA) –(APA) – Áreas naturais (incluindo 
recursos ambientais e águas juris-
dicionais) legalmente instituídas 
pelo poder público, com limites de-
fi nidos e características relevantes, 
com objetivos de conservação e sob 
regime especial de administração, 
às quais se aplicam garantias ade-
quadas de proteção.
ander
Sublinhado
ander
Sublinhado
ander
Sublinhado
ander
Realce
ander
Realce
ander
Realce
ander
Realce
ander
Sublinhado
ander
Sublinhado
ander
Sublinhado
ander
Realce
ander
Realce
ander
Realce
ander
Sublinhado
Érika Cardoso
Realce
41
em função do desmatamento. Nas áreas de baixada, ocorre extração ilegal de 
areia e argila, que são de boa qualidade na região. Esta atividade favorece o 
assoreamento dos rios e o aumento das áreas de deslizamento.
Mapa 3: Localização do corredor ecológico Sambê-
Santa Fé e das áreas protegidas localizadas na região
Fonte: Proposta para o Plano Diretor para o corredor ecológico Sambê-Santa Fé 
(www.cibg.rj.gov.br).
O desmatamento avança sobre trechos pequenos e médios de mata que já 
estão isolados entre si, reduzindo as chances de conectá-los a fragmentos de 
vegetação mais extensos e, portanto, ecologicamente viáveis. Mesmo estas 
áreas f lorestadas mais extensas estão sendo afetadas pelo desmatamento. 
Outro aspecto importante é que foi registrada a retirada de mata nativa no 
interior e em zonas de amortecimento das Unidades de Conservação.
Plano de Manejo –Plano de Manejo – Plano de uso 
racional do meio ambiente com 
vistas à preservação do ecossistema 
em associação com seu uso para 
outros fi ns. É o instrumento básico 
de planejamento de uma Unidade de 
Conservação.
Érika Cardoso
Realce
Érika Cardoso
Realce
42
O aumento de pastagens em áreas acidentadas, devido ao desmatamento 
ilegal realizado por fazendeiros em parte de suas propriedades, causa gran-
des problemas à região. Falta orientação aos proprietários rurais sobre meio 
ambiente e desenvolvimento sustentável, legislação, agrotóxicos e adubação, 
entre outros tópicos importantes.
Há grande engajamento da população com as questões ligadas à preservação 
ambiental. Uma das preocupações está relacionada à diminuição da qualidade 
de vida devido à destruição dos recursos naturais. Uma das razões aponta-
das é a falta de informações sobre o tema. De acordo com os integrantes do 
Fórum, não existe banco de dados que auxilie o gerenciamento dos recursos 
naturais na região.
O vandalismo e o desrespeito à natureza em Silva Jardim são agravados pela 
falta de investimentos em proteção ambiental (não existem profi ssionais 
capacitados para a fi scalização). Não há estrutura adequada para adquirir 
e atualizar os estudos existentes sobre os recursos naturais locais, suas po-
tencialidades e possíveis usos econômicos. 
A insufi ciência de inventário, mapeamento e monitoramento das Reservas 
Legais e das Áreas de Preservação Permanente, bem como a falta de conhe-
cimento, aplicação e fi scalização dos Planos de Manejo das Unidades de Con-
servação comprometem a atuação dos órgãos que fi scalizam o uso econômico 
dos recursos naturais do município.
Por outro lado, existem ações estratégicas voltadas à preservação dos recur-
sos naturais no município. As parcerias com o Ibama, o Inea, a Emater-Rio, 
o Batalhão Florestal, a Associação Mico-Leão-Dourado e a Concessionária 
Águas de Juturnaíba têm resultado no desenvolvimento de programas e pro-
jetos sustentáveis na área de meio ambiente.
Segundo relatos dos moradores, ainda existe uma grande concentração de ter-
ras improdutivas e alagadas devido ao assoreamento dos rios, canais e lagoa.
Em Silva Jardim são desenvolvidos vários programas de preservação de recursos naturais 
Plano de Manejo –Plano de Manejo