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QUIMIOSSITEMÁTICA

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QUIMIOSSITEMÁTICA (QUIMIOTAXONOMIA)
O homem primitivo, ao procurar plantas para seu sustento, foi descobrindo espécies de ação tóxica ou medicinal, dando início a uma sistematização de classificação;
Os sistemas mais antigos de classificação baseavam-se em características morfológicas externas, como por exemplo o sistema Linneaus, que baseava-se em algumas características morfológicas utilizando como regra a teoria da imutabilidade.
Wallace e Darwin: teoria de Linnaeus abandonada, surgindo os sistemas filogenéticos, baseados na teoria da evolução.
Sistemas aceitos atualmente tem como base dados morfológicos, fitoquímicos, micromorfológicos e biologia molecular;
A classificação é feita por famílias (unidades taxonômicas que compreendem plantas que apresentam um determinado número de características em comum). As famílias são formadas por gêneros e estes por uma ou mais espécies;
Cada espécie possui centenas de características morfológicas, biológicas, químicas e genéticas, que permitem classifica-las nos diferentes táxons (unidade relacionada a um sistema de classificação, pode indicar um reino, família, espécie, etc).
No reino Phyta (Plantae), existem os táxons das algas, briótas (Conhecidas como musgos), Pteridófitas (samambaia), Gimnospérmas (Ginko biloba) e Magnoliophyta ou angiospermas (plantas com flores);
Existem cerca de 380 mil espécies de plantas, sendo que cerca de 300 a 320 mil são angiospermas.
As plantas possuem metabólitos primários e secundários, a observação da ocorrência dos mesmos, que pode ser restrita a uma determinada espécie, abriu caminho pra uma nova área: a quimiotaxonomia.
Mas a questão é: que ciência é a quimiotaxonomia? E qual o seu âmbito?
Apesar de não ser fácil delimitar e definir este área de pesquisa de forma didática, é possível dizer que, em sentido amplo (lato senso), a quimiotaxonomia é:
Uma ciência na interface da química com a biologia, inserida no contexto da sistemática vegetal que estuda a constituição/composição química à nível micro e macromolecular com a finalidade de confirmar, re-ordenar e/ou reclassificar os organismos vivos nos níveis hierárquicos definidos pelos métodos tradicionais de classificação.
Teve seus fundamentos baseados na observação de propriedades alimentares, medicinais, olfativas, etc... as plantas que apresentavam características semelhantes eram classificadas juntas.
Depois de alguns trabalhos anteriores, somente no ínicio do século XIX, De Candolle observou outra questão: que plantas diferentes nascidas em solos idênticos continham produtos diferentes enquanto que plantas análogas nascidas em solos diferentes formavam produtos análogos.
A necessidade de classificar corretamente os diversos grupos de plantas levou os taxonomistas a utilizarem parâmetros químicos para a classificação das espécies. As características químicas como a presença ou ausência de pigmentos e a ocorrência de cristais de natureza orgânica e inorgânica foram e ainda são usados como critério na identificação de várias famílias, visto que algumas plantas as apresentam e, em outras espécies, essas substâncias, são completamente ausentes .
O interesse nessa área atualmente é grande devido ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas de análise de metabólitos vegetais.
Atualmente técnicas de isolamento e identificação de metabólitos secundários passaram a ser empregadas na identificação das espécies, como marcadores fitoquímicos e fingerprints cromatográficos, principalmente nas plantas com interesse farmacêutico;
A quimiotaxonomia também é empregada para estudos evolutivos, pois a existência de um padrão comum no metabolismo secundário pode prover evidências sobre parentesco e ancestrais comuns das plantas;
Os metabólitos mais apropriados ao estudo quimiotaxonômico são alcaloides, aminoácidos não protéicos, poliacetilenos, iridóides, flavonoides e taninos hidrolisáveis, pois são de ocorrência restrita.
O conhecimento da quimiotaxonomia aliado a etnofarmacologia tem permitido a descoberta de novos fármacos de origem natural, que podem ser utilizados sem alterações, ou como modelo para síntese química.
O arsenal de plantas com atividades farmacológicas é imenso, e o conhecimento popular (etnofarmacologia) é limitado. A maioria das plantas utilizadas empiricamente já foram estudadas. Iniciar uma pesquisa com base em tentativa e erro é inviável devido aos custos envolvidos e o tempo (leva anos). Portanto a quimiotaxonomia nos dá um “norte”, pois se já existem relatos na literatura sobre uma determinada atividade biológica de um grupo de metabólitos, uma nova planta que apresente esses metabólitos tem grandes chances de apresentar também essa atividade.