Tecido Epitelial - Capítulo 4 - Junqueira
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Tecido Epitelial - Capítulo 4 - Junqueira


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... Introdução 1 Tecidos do organismo 
Os tecidos são constituídos por células e por matriz 
extracelular (MEC). A MEC é composta por muitos tipos 
de moléculas, algumas das quais são altamente organizadas, 
formando estruturas complexas como as fibrilas de colá-
geno e membranas basais. Antigamente, as principais fim-
ções atribuídas à matriz extracelular eram fornecer apoio 
mecânico para as células e ser um meio para transportar 
nutrientes às células e levar de volta catabólitos e produ-
tos de secreção; além disso, consideravam-se as células e a 
MEC como unidades independentes. Os grandes progres-
sos da pesquisa biomédica mostraram que as células pro-
duzem a MEC, controlam sua composição e são ao mesmo 
tempo influenciadas e controladas por moléculas da matriz. 
Há, portanto, uma intensa interação entre células e MEC. 
Muitas moléculas da matriz são reconhecidas e se ligam a 
receptores encontrados na superfície de células. A maioria 
desses receptores são moléculas que cruzam a membrana 
da célula e que se conectam a moléculas encontradas no 
citoplasma. Assim, pode-se considerar que células e matriz 
extracelular são componentes do corpo que têm continui-
dade fisica, que funcionam conjuntamente e respondem de 
modo coordenado às exigências do organismo. 
\u2022 Tecidos básicos do organismo 1 
Características e organização 
Apesar da sua grande complexidade, o organismo 
humano é constituído por apenas quatro tipos básicos 
de tecidos: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. Essa 
classificação leva em contra principalmente critérios da 
estrutura, das funções e da origem embriológica desses 
tecidos. O tecido epitelial é formado por células que reves-
tem superfícies e que secretam moléculas, tendo pouca 
MEC. O tecido conjuntivo é caracterizado por uma grande 
quantidade de matriz extracelular que é produzida por suas 
próprias células; o tecido muscular é formado de células 
alongadas dotadas da capacidade de encurtar seu compri-
mento, isto é, de contração; o tecido nervoso se compõe 
de células com longos prolongamentos emitidos pelo corpo 
celular que têm as funções especializadas de receber, gerar e 
transmitir impulsos nervosos. As características principais 
dos tecidos são mostradas na Tabela 4.1. 
Cada um dos tecidos é formado por vários tipos de célu-
las características daquele tecido e por arranjos caracterís-
ticos da matriz extracelular. Essas associações entre células 
e MEC são, geralmente, muito peculiares e facilitam que os 
estudantes reconheçam os muitos subtipos de tecidos. 
Histologia Básica 
Os tecidos não existem no organismo como componen -
tes isolados, mas associados uns aos outros, formando os 
diferentes órgãos do corpo. Os órgãos são formados por 
uma associação muito precisa de vários tecidos. Essa asso-
ciação de tecidos resulta no funcionamento adequado de 
cada órgão, dos sistemas formados por vários órgãos e do 
organismo como um todo. O sistema nervoso é uma exce-
ção, pois é constituído quase somente por tecido nervoso. 
Também têm grande importância funcional as células livres 
nos fluidos do corpo, tais como o sangue e a linfa. 
A maioria dos órgãos é constituída de dois componen-
tes: o parênquima, composto pelas células responsáveis 
pelas funções típicas do órgão, e o estroma, que é o tecido 
de sustentação representado quase sempre pelo tecido con -
juntivo. 
.... Principais funções do tecido epitelial 
As principais funções dos epitélios são revestimento e 
secreção. Revestimento de superfícies internas ou exter-
nas de órgãos ou do corpo como um todo (p. ex., na pele) 
é uma função extremamente relevante dos epitélios. Essa 
função está quase sempre associada a outras importantes 
atividades dos epitélios de revestimento, tais como pro-
teção, absorção de íons e de moléculas (p. ex., nos rins e 
intestinos), percepção de estímulos (p. ex., o neuroepitélio 
olfatório e o gustativo). Uma vez que as células epiteliais 
revestem todas as superfícies externas e internas, tudo o 
que entra ou deixa o corpo deve atravessar um folheto epi· 
telial. Além do revestimento, outra importante atividade do 
tecido epitelial é a secreção, seja por células de epitélios de 
revestimento seja por células epiteliais que se reúnem para 
constituir estruturas especializadas em secreção que são as 
glândulas. Algumas células epiteliais, como as células mio-
epiteliais, são capazes de contração. 
.... Principais características 
das células epiteliais 
Os epitélios são constituídos por células poliédricas, isto 
é, células que têm muitas faces. Essas células são justapos-
tas, e, entre elas, há pouca substância extracelular. As célu-
las epiteliais geralmente aderem firmemente umas às outras 
por meio de junções intercelulares. Essa característica torna 
possível que essas células se organizem como folhetos que 
revestem a superfície externa e as cavidades do corpo ou 
que se organizem em unidades secretoras. 
Tabela 4.1 \u2022 Caractemtlcas prlndpals dos quatro tipos báslms de tecidos. 
Teddo Células Matriz extracelular Funções principais 
Nervoso Com longos prolongamentos Multo pouca Transmissão de impulsos nervosos 
Epitelial Poliédricas justapostas Pequena quantidade Revestimento da superffcie ou de cavidades do corpo e secreção 
Muscular Alongadas contráteís Quantidade moderada Movimento 
Conjuntivo Válios tipos, fixas e migratórias Abundante Apoio e proteção 
4 1 Tecido Epitelial 
A forma das células epiteliais varia muito, desde células 
colunares altas até células pavimentosas - achatadas como 
ladrilhos-, com todas as formas intermediárias entre essas 
duas. A sua forma poliédrica deve-se ao fato de as células 
serem justapostas formando folhetos ou aglomerados tridi-
mensionais. Um fenômeno semelhante seria observado se 
balões de borracha inflados fossem comprimidos em um 
espaço limitado. 
O núcleo dos vários tipos de células epiteliais tem forma 
característica, variando de esférico até alongado ou elíp-
tico. A forma dos núcleos geralmente acompanha a forma 
das células; assim, células cuboides costumam ter núcleos 
esféricos e células pavimentosas têm núcleos achatados. 
Nos núcleos alongados, o maior eixo do núcleo é sempre 
paralelo ao eixo principal da célula. Como geralmente não 
se podem distinguir os limites entre as células epiteliais por 
meio de microscopia de luz, a forma dos seus núcleos dá, 
indiretamente, uma ideia bastante precisa sobre a forma 
das células. A forma e a posição dos núcleos também são de 
grande utilidade para se determinar se as células epiteliais 
estão organizadas em camada única ou em várias camadas. 
Praticamente todos os epitélios estão apoiados sobre 
tecido conjuntivo. No caso dos epitélios que revestem as 
cavidades de órgãos ocos (principalmente no aparelho 
digestivo, respiratório e urinário), esta camada de tecido 
conjuntivo recebe o nome de lâmina própria. A porção da 
célula epitelial voltada para o tecido conjuntivo é denomi-
nada porção basal ou polo basal, enquanto a extremidade 
oposta, geralmente voltada para uma cavidade ou espaço, 
é denominada porção apical ou polo apical; a superficie 
desta última região é chamada superfície livre. As super-
fícies de células epiteliais que confrontam células adjacen-
tes são denominadas superfícies laterais. Essas superficies 
normalmente se continuam com a superfície que forma 
a base das células, sendo então denominadas superfícies 
basolaterais. 
A 
\u2022 lâminas basais e membranas basais 
Entre as células epiteliais e o tecido conjuntivo subja-
cente há uma delgada lâmina de moléculas chamada lâmina 
basal. Esta estrutura só é visível ao microscópio eletrônico, 
aparecendo como uma camada elétron-densa que mede 20 
a 100 nm de espessura, formada por uma delicada rede de 
delgadas fibrilas (lâmina densa). As lâminas basais podem 
ainda apresentar camadas elétron-lucentes em um ou em