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Sociologia do crime e da violência ad 2

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É de fundamental importância saber distinguir “violência de gênero” e “violência doméstica”, a primeira caracteriza-se como um tipo de violência física ou psicológica contra qualquer pessoa ou grupo com base em sua sexualidade ou gênero. Na maioria das vezes, as vítimas são do sexo feminino, mas também incluem-se nesta categoria os homens, os travestis e os transexuais; pois quando fala-se em violência de gênero, erroneamente, grande parte das pessoas pensa que tais questões restringem-se às mulheres, o que é um grave equívoco.
O conceito de violência de gênero é muito amplo e não se limita somente ao gênero feminino, pela razão de que homens ou meninos possam também ser vítimas de violência sexual, o que se configuraria em uma violência de gênero.
Quanto à violência doméstica, esta trata da violência conjugal (na qual a esmagadora maioria das vítimas também são mulheres), sendo as agressões praticadas por seus maridos, companheiros, ex- maridos ou ex- companheiros. A violência sofrida pela vítima pode ser de ordem física, psicológica, moral, patrimonial e/ou sexual. Este tipo de conflito (chamado de “violência familiar” no sentido mais amplo) também pode acontecer na relação entre membros da família como pais e filhos, na relação de maus tratos contra idosos, dentre outros. Cabe enfatizar que, infelizmente, muitas destas violências podem deixar traumas psicológicos nas crianças que convivem com essas agressões em suas casas mesmo que indiretamente.
A violência doméstica configura-se como forma de poder ou dominação sobre o outro, também pode ocorrer tanto nas relações heterossexuais, como nas relações homoafetivas. Convém mencionar que o crime de Feminicídio (conforme lei criada em 2015) é caracterizado pela violência doméstica, em que tenha como motivação a opressão e o menosprezo da condição de mulher.
Quando uma mulher resolve ir à delegacia fazer uma denúncia, na maioria dos casos, está enfrentando vários obstáculos pessoais e sociais devido o grande preconceito que existe em nossa sociedade, que lamentavelmente é ainda muito machista. O ideal seria que mulheres tivessem um tratamento digno e que não fossem julgadas pelo profissional de segurança que as atendessem. Assim, é crucial a capacitação de profissionais a fim de que estejam bem preparados para saber lidar com as vítimas desse tipo de violência.
O Brasil é um país democrático de direito, porém, desigual quanto ao acesso à Justiça, ainda mais tratando-se de pessoas oriundas de classes sociais menos favorecidas, pertencentes às minorias (indígenas, deficientes, negros, comunidade LGBTQI, mulheres, entre outros), acarretando com que não tenham um tratamento justo nos tribunais e repartições públicas.
Somente com movimentos populares e organizações da sociedade civil as minorias conseguirão ser ouvidas. Tomemos como exemplo o movimento feminista que se deu no início na década de 1960, tal agrupamento buscava justiça e um melhor acolhimento nos casos de violência. Logo na década de 1980, algumas militantes feministas criaram o “SOS Mulher” e após, foram criadas as Delegacias de Defesa da Mulher que na época, atuavam segundo as leis penais (o que não incluía a violência contra a mulher, família ou gênero), as quais mais tarde, também passaram a cuidar dos crimes contra crianças e idosos. No momento em que foram criadas esperava-se dessas Delegacias um papel de coibir e punir as práticas violentas sofridas pelas mulheres, tais como lesões corporais, tentativas de homicídio e assassinatos, em sua maioria cometidos por seus companheiros e maridos.
Pensando em uma maior agilidade e efetiva justiça foram criados os Juizados Especiais Criminais (JECRIMS) com objetivo de acelerar os processos, que em sua maioria eram de menor poder ofensivo. Algumas mudanças ocorreram nas Delegacias de Mulheres, onde o boletim de ocorrência foi substituído pelo “termo circunstanciado” o qual relata os fatos e estabelece data e hora para os indivíduos comparecerem ao tribunal. Com isso, obteve-se grande sucesso na rapidez em que os casos eram julgados, sendo a maioria processos de mulheres que sofreram lesões ou ameaças de companheiros ou maridos no ambiente doméstico. 
Mas toda mudança esbarra em pontos polêmicos que acabam dificultando o andamento do processo como por exemplo, os casos de lesão corporal leve culposa e de ameaça, em que se faz necessária a representação das vítimas, no entanto, muitas dessas não o fazem por medo.
	Outro ponto que teve um desempenho abaixo da expectativa foi a capacitação dos Juízes dos juizados especiais. Por não estarem preparados para lidar de maneira pontual, em especial, com a violência contra a mulher com o tratamento diferenciado almejado pelos movimentos feministas. De tal modo, com o objetivo de corrigir esta situação, foi então criada a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio com o intuito de diferenciar os crimes penais dos crimes praticados contra as mulheres, dar maior amparo e trazer justiça.

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