A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
290 pág.
Questão social e servico social

Pré-visualização | Página 49 de 50

se tenha 
uma renda adequada e um trabalho não vulnerável. 
Agora, sob o ponto de vista protecionista, tendo como base a visão daqueles 
que estão no poder e que efetivam as políticas públicas e sociais no Brasil, a 
miséria foi combatida no país, a desigualdade social diminuiu significativamente, 
a qualidade de vida das pessoas melhorou, e muito, os investimentos na área 
social estão garantindo todos os direitos sociais à população vulnerável no país. A 
democracia e a cidadania estão sendo efetivadas de fato no Brasil, a partir de todo 
esforço do Estado por meio das políticas públicas e sociais, onde a inclusão social 
de milhões de brasileiros está sendo efetivada e garantida pelo Estado Democrático 
de Direito conforme a Constituição Federal.
Bem, temos que analisar esses dois pontos de vista, pois ambos são, em 
parte, coerentes e, em parte, duvidosos!
A desigualdade social no Brasil, realmente é um fato antigo, histórico, 
enraizado que abrange a economia e a má distribuição de renda, desde o surgimento 
do sistema capitalista e seu desenvolvimento que continua avançando por meio do 
processo de exploração e dominação em todos os sentidos, não somente do ponto 
de vista econômico, mas político, social, cultural, ideológico, ambiental.
A libertação da polêmica envolvida na dicotomia entre crescimento 
e desenvolvimento de forma alguma apaga ou negligencia qualquer 
preocupação social do analista; ao contrário, contribui para explicitar, 
de forma cabal, que desenvolvimento e distribuição são processos 
diferenciados, não necessariamente coincidentes e que só coexistem 
se cumpridas algumas pré-condições de natureza extremamente 
complexa: institucionais, políticas e culturais. Assim, pode-se ter 
desenvolvimento com ou sem melhoria da distribuição de renda, com 
ou sem melhoria dos indicadores sociais, não havendo nenhuma “lei”, 
natural ou social, que obrigue um ou outro caminho em termos de 
economia. A distribuição pode ocorrer, mas não decorre da lógica do 
crescimento [...]. (FONSECA, 2004, p. 3).
Assim, analisando a discussão sobre a distribuição de renda, ela pode ou 
não ocorrer, mas realmente não irá depender do desenvolvimento econômico 
como alguns acreditam, pois seguindo a lógica do capitalismo, se instaura um 
modelo de vida e mundo não para o ser humano, mas essencialmente utilizando o 
homem como meio, a favor do capital, do lucro, do sistema, embora obscuramente 
se enfatize o contrário.
Segundo Oliveira (2006, p. 2) 
Durante muito tempo, o pensamento dominante foi que desenvolvimento 
e crescimento econômico seriam a mesma coisa: bastava que uma 
comunidade produzisse riqueza, medida pelo Produto Interno Bruto 
(PIB), para ser considerada desenvolvida. Acreditava-se também que o 
crescimento econômico “transbordaria” dos ricos para os pobres e que, 
171
TÓPICO 1 | POSSIBILIDADES E ALTERNATIVAS DE REVERSÃO DO AGRAVAMENTO 
DAS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL
por isso, bastaria atrair e incentivar empresas – de preferência grandes 
– para desenvolver uma região. Os empregos seriam automaticamente 
criados, a arrecadação de impostos aumentaria, e todos ganhariam com 
isso. Os fatos e as pesquisas mostraram que o mundo real não é bem 
assim.
Nessa lógica ideológica do capitalismo e do Estado que é mínimo, mas se 
diz “máximo”, a miséria não desaparece, constatamos que ela apenas diminuiu 
e a pobreza, na realidade, também não desaparece, mas aumentou de forma 
diferenciada, sendo aliviada, camuflada e metamorfoseada.
FIGURA 25 – SITUAÇÃO DA POBREZA E DA FALTA DE MORADIA NA CIDADE
FONTE: Disponível em: <http://www.google.de/imgres>. Acesso em: 17 mar. 2015.
Na realidade, há um aumento da pobreza, pois surgem outras formas de 
pobreza, além daquela em que as pessoas não possuem o básico para sobreviver, 
enfim, surgem novas configurações das expressões da questão social no Brasil, 
novos excluídos, seja na área rural ou urbana, campo ou cidade.
Num cenário de crescente pobreza, absoluta e relativa, cujo avanço da 
ofensiva neoliberal imprime um papel para o Estado, mínimo para o 
social e máximo para o capital (nos termos de NETTO, 1999), as agências 
multilaterais se consagraram como as mais apropriadas para promover 
ações e políticas de alívio à pobreza, ou seja: ajuda internacional 
mediante transferência de capitais e tecnologias. É diante desse contexto 
que o Banco Mundial vem assumindo a expressão do multilateralismo 
e se tornando o principal promotor das políticas de combate à pobreza, 
sobretudo nos países da periferia. (SIQUEIRA, 2012, p. 355).
Podemos compreender que, do ponto de vista normativo, existe a pobreza 
absoluta e a pobreza relativa, analisando essa visão normativa a pobreza absoluta 
é aquela em que as necessidades básicas de subsistência não são supridas, assim 
as pessoas carecem de materiais básicos para a sobrevivência, como por exemplo: 
falta de comida, de moradia, de vestuário, entre outros aspectos mínimos que 
possam garantir a vida. 
Refletindo sobre a desigualdade social e a má distribuição de renda 
no país, até há pouco tempo, a pobreza era entendida em termos de 
rendimento ou de falta deste. Ser pobre significava que não se dispunha 
de meios econômicos para pagar uma dieta alimentar ou uma habitação 
adequada. (FREITAS, 2010, p. 7). 
172
UNIDADE 3 | REDISCUTINDO AS QUESTÕES SOCIAIS E SUAS EXPRESSÕES 
 NA CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA ORDEM SOCIETÁRIA
Verifica-se a pobreza absoluta no contexto das condições sociais de vida 
das pessoas e das famílias no Brasil, onde os mesmos carecem de requisitos básicos 
a sobrevivência digna, como exemplo, podemos observar a figura a seguir, que 
demonstra essa realidade, aqui no caso da falta de moradia digna.
FIGURA 26 – UM DOS EXEMPLOS DE POBREZA ABSOLUTA
FONTE: Disponível em: <http://www.google.de/imgres>. Acesso em: 17 mar. 2015.
 
Podemos verificar que esta família carece de um dos requisitos básicos 
para a existência humana, no caso, a falta de abrigo, um abrigo com qualidade e 
dignidade, uma moradia, uma casa, um lar.
Freitas (2010, p. 7) descreve bem a caracterização da pobreza absoluta:
A concepção de pobreza absoluta entende a natureza da pobreza como 
associada a não satisfação de um conjunto de necessidades básicas 
e, portanto, na ideia base de subsistência. Estas necessidades são 
identificadas através de processos próprios, podendo estar relacionados 
com o contexto social. Para se viver numa situação de pobreza absoluta, 
diz-se que os indivíduos carecem de requisitos fundamentais para a 
existência humana: comida suficiente, abrigo e roupa. Um indivíduo 
que se encontre abaixo deste padrão universal é considerado vítima de 
pobreza absoluta.
Compreendendo a pobreza absoluta, iremos identificar melhor a concepção 
de pobreza relativa, como não sendo aquela extrema, mas sendo aquela que pode 
ser relacionada ou comparada com o padrão de vida das demais pessoas numa 
determinada sociedade. Na pobreza relativa existem necessidades, porém não 
básicas para a sobrevivência, sendo assim não comprometem a vida das pessoas, 
como no caso ocorrem nas situações de risco social que caracterizam a pobreza 
absoluta. 
Assim, podemos enfatizar que na pobreza relativa, as pessoas estão em 
situação de vulnerabilidade social, porém não de risco, mas na pobreza absoluta o 
quadro é mais agravante, assim as pessoas se encontram em situação de risco social, 
situações ou condições que comprometem os meios mínimos de sobrevivência, de 
subsistência biológica para viver. 
173
TÓPICO 1 | POSSIBILIDADES E ALTERNATIVAS DE REVERSÃO DO AGRAVAMENTO 
DAS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL
Enquanto a concepção absoluta de pobreza considera primordial a 
incapacidade de subsistência biológica das necessidades, na concepção 
de pobreza relativa é o contexto social que determina as necessidades 
a satisfazer. Na pobreza absoluta trata-se