A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
290 pág.
Questão social e servico social

Pré-visualização | Página 9 de 50

que foi se consolidando com o crescimento do capitalismo, 
sendo considerada mais tarde como classe social burguesa. 
A Europa passava por imensas transformações, a começar pela Revolução 
Francesa, e depois pela Revolução Industrial, que mudaram o curso da história, 
principalmente para o absolutismo e poderio da Igreja, visto que os princípios 
iluministas se proliferavam pela luta da razão e do progresso contra a superstição 
e a teologia, bem como com o fim do feudalismo. 
A Revolução Francesa, ao romper com um sistema político de privilégios 
e protagonizar a instauração de uma sociedade de indivíduos, assume, 
desde o século XVIII, com a Declaração dos Direitos do Homem e do 
Cidadão, a tarefa de encaminhamento de uma política social, que foi 
tornando a caridade e a assistência clerical cada vez mais aleatória. A 
esta época, o frágil equilíbrio necessário para tornar a solidariedade 
eficaz, entre a riqueza e a pobreza, entre a generosidade e o sofrimento, 
se torna a cada dia mais difícil e ilusório (IVO, 2012, p. 72). 
FIGURA 5 – IMAGEM DA REVOLUÇÃO FRANCESA
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=SOCIAL>. Acesso 
em: 6 jan. 2015.
UNI
No século XVIII ocorreram duas grandes revoluções na Europa, a Revolução 
Francesa e a Revolução Industrial. Influenciadas pelos princípios iluministas 
e da substituição das ferramentas pelas máquinas, ajudaram a consolidar a globalização do 
capitalismo, bem como as teorias econômicas liberalistas (RAMALHO, 2012).
TÓPICO 2 | SURGIMENTO DA QUESTÃO SOCIAL E SEU CONTEXTO HISTÓRICO
23
Segundo Carlebach (1996, p. 405), “A Revolução Francesa visava reestruturar 
toda a sociedade, em todos os níveis, no espírito das novas noções de igualdade 
social defendidas pelo Iluminismo”. 
A Revolução Industrial teve início na Inglaterra, emergindo 
aproximadamente em 1775 e se espalhando por toda a Europa. Concomitantemente 
com o crescimento econômico, crescia também um número exorbitante de homens, 
mulheres e crianças em situações desumanas e degradantes. 
Era um retrocesso social, tendo em vista as condições desumanas a que os 
trabalhadores eram submetidos em toda a Europa, assim foi se caracterizando o 
Estado Liberal com intervenção mínima do poder político e estatal na sociedade 
da época. 
Desenvolviam-se as teorias econômicas liberalistas que ajudaram a 
consolidar o progresso capitalista e, consequentemente, fizeram emergir os 
problemas sociais (atualmente designados como expressões da questão social) 
oriundos destas profundas transformações, tais como pauperismo, carências, 
mendicância, desvios de conduta, desemprego, péssimas condições de trabalho, 
entre outras consequentes manifestações. 
FIGURA 6 – TRABALHADORES DAS INDÚSTRIAS INGLESAS
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/
search?q=revolução+industrial&biw>. Acesso em: 5 jan. 2015.
UNI
A REVOLUÇÃO FRANCESA (chamada de Revolução Gloriosa) se caracterizou 
como um movimento social revolucionário de caráter liberal e burguês a favor do liberalismo, 
nacionalismo e socialismo, provocando a derrubada da monarquia absoluta.
UNIDADE 1 | A GÊNESE DA ASSISTÊNCIA E DA QUESTÃO SOCIAL
24
Em 1848, na Europa, ocorreram diversas revoluções, manifestações 
populares, revoltas diversas em vários países. Vários movimentos de trabalhadores 
começaram a eclodir, pois começaram a negar a manutenção do poder burguês, 
a criticar a crise econômica, a exigir melhores condições sociais, econômicas e 
políticas a favor da democracia e cidadania. 
Originalmente, o termo “primavera dos povos” está associado às 
revoluções ocorridas na Europa central e oriental em 1848. A grande 
onda de reivindicações iniciada nesse ano, que tinha em sua agenda 
política a extensão do direito de voto e a ampliação de direitos das 
minorias nacionais, foi uma resposta à política continental de restauração 
que conduziu as decisões internas dos Estados europeus após a derrota 
napoleônica. Incapazes de absorver as mudanças propostas pelo 
ideário liberal/burguês e mesmo de processar a incorporação dos novos 
grupos sociais surgidos das transformações sociais da industrialização 
crescente, os Estados monárquicos europeus viram eclodir diversas 
revoluções (PARADA, 2011).
Esse conjunto de revoluções foi chamado de Primavera dos Povos, tinha 
caráter liberal, democrático, nacionalista e, apesar de sua breve duração, recebe 
importância significativa no estudo da questão social, por ter sido a primeira 
revolução do proletariado.
 
Na França, com intuito de apaziguar o contexto de revoltas, o governo 
francês procura remediar como podia. Referindo-se aos debates de 1848, 
Rosanvallon (1998, p. 120) descreve:
Em 26 de fevereiro de 1848, um cartaz com um novo decreto foi exposto 
nos muros da capital: “O governo provisório da República Francesa se 
compromete a prover a existência do trabalhador pelo trabalho, que 
será garantido a todos os cidadãos” [...] Reunindo inicialmente alguns 
milhares de homens, chegavam a quase 100.000 beneficiados [...] A 
experiência foi um insucesso monstruoso, [...].
Protestos e reivindicações emergiram na França e se proliferaram por toda 
a Europa. Resultado consequente da transformação de uma sociedade agrária para 
uma industrial, fez emergir um contingente de operários sem garantias de trabalho 
e direitos sociais, bem como milhares de desempregados em situação de miséria.
Com o desenvolvimento ocorre a passagem da manufatura para 
mecanização, criação de duas novas classes sociais antagônicas: burguesia e 
proletariado, ou empresários e trabalhadores. Surgem as primeiras manifestações 
UNI
Interessante ressaltar que as revoluções estão associadas ao termo radicalismo, 
as mudanças radicais fundamentais geralmente estão interligadas com o sistema social e suas 
conjunturas, sistemas de poder da política, da economia.
TÓPICO 2 | SURGIMENTO DA QUESTÃO SOCIAL E SEU CONTEXTO HISTÓRICO
25
de revolta na Europa, dando origem aos sindicatos a partir de 1833. Começa-se a 
produção de consumo.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL se caracterizou como um processo histórico 
de transformação econômica e social, através do qual um novo modo de produção 
capitalista passa a dominar a sociedade: produção em escala para o mercado 
mundial, uso intensivo de máquinas, concentração de operários – trabalhadores – 
e a divisão social do trabalho. 
FIGURA 7 – CONFIGURAÇÕES DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=revolução+industrial 
&biw=1366&bih~>. Acesso em: 5 jan. 2015.
Surge então efetivamente o capitalismo, um novo sistema econômico e 
social de mercado, um tipo de economia e de sociedade que se caracteriza pela 
propriedade privada (individual ou coletiva) dos meios de produção, trabalho 
assalariado e acumulação de capital (riqueza), se baseando no controle, previsão 
e exploração de oportunidades de mercado para efeito do lucro, bem como de 
recursos técnicos e naturais disponíveis.
UNI
Podemos analisar o capitalismo sob duas perspectivas, uma sob a análise do 
perspectivismo liberal e a outra sob a análise do perspectivismo marxista, duas 
concepções totalmente distintas referentes à concepção do capital, do sistema de produção e 
reprodução capitalista, da sociedade e de suas manifestações presenciais e futuras.
UNIDADE 1 | A GÊNESE DA ASSISTÊNCIA E DA QUESTÃO SOCIAL
26
Para os liberais da época, a propriedade privada assegurava a melhor 
distribuição possível dos recursos. Assim, o mercado assegurava uma satisfação 
em função de sua dotação e criação de bens e serviços, e a distribuição dos recursos 
podia resultar pelo simples jogo do mercado, que, por si só, beneficiava a todos e 
sem interferência do Estado na economia, mas com uma intervenção flexível ou 
mínima através de suas políticas de bem-estar. 
O lucro é justificado no capitalismo pela