Diarreia aguda
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Diarreia aguda


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Leticia Dias Dantas \u2013 MED FASEH XXIX 
Módulo: Gastroenterologia 
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INTRODUÇÃO 
Alteração do hábito intestinal por diminuição da consistência 
das fezes com aumento de frequência e volume de 
evacuações. 
FISIOLOGIA 
\u2022 O suco digestivo chega até a luz intestinal, contendo 9 
a 10L de água e cerca de 60g de sódio, sendo que a 
maior parte da água é absorvida pelo ID, enquanto 
apenas 1% pelo IG (diarreia do ID + volumosa que do 
IG). No IG, quase todo líquido é absorvido, enquanto o 
restante é eliminado com as fezes. 99% do Na também 
é absorvido, enquanto 1% é eliminado com as fezes. 
\u2022 A absorção de água e eletrólitos (entre eles, o Na) 
contribui para a manutenção do balanço do equilíbrio 
hidroeletrolítico: ID \u2192 mecanismo de gradiente 
eletromecânico de Na \u2192 mantém baixas 
concentrações desse íon no interior dos enterócitos \u2192 
elevado número de bombas de sódio nas membranas 
basolaterais das células \u2192 troca de 3 íons Na 
intracelular por 2 íons de K extracelular. 
\u2022 Há duas vias de absorção: transcelular e paracelular. 
\u2022 Na ausência de moléculas osmoticamente ativas, o 
equilíbrio dos fluídos eletrolíticos faz com que o 
conteúdo luminar tenha a mesma osmolalidade que o 
plasma (intestino proximal). No intestino distal, há troca 
de Na por Cl e bicarbonato. 
CLASSIFICAÇÃO PELA DURAÇÃO: 
\u2022 Aguda \u2192 < 14 dias \u2013 origem viral ou bacteriana. 
Geralmente benigna. 
\u2022 Persistente \u2192 Entre 14 a 30 dias \u2013 origem 
parasitária, principalmente protozoários (enfoque 
para Giárdia e Ameba). Exame de fezes 
necessário. 
\u2022 Crônica \u2192 > 30 dias \u2013 doença de Crohn, Colite, 
Síndrome do intestino irritável. São necessários 
exames mais específicos. 
CLASSIFICAÇÃO PELA LOCALIZAÇÃO: 
\u2022 Intestino Delgado: exame \u2192 endoscopia alta; 
\u2022 Intestino Grosso: exame \u2192 colonoscopia. 
COLITE PSEUDOMEMBRANOSA 
Ocorre pelo crescimento do Clostrindium difficile entre as 
bactérias oportunistas após dano a microbiota intestinal por 
antibióticos de largo espectro. O tratamento consiste na 
Vancomicina via oral (não é absorvível, o que é desejado, 
visto que o objetivo é eliminar apenas as bactérias 
presentes no intestino). 
OBS: é diferente da diarreia causada por efeito colateral de 
antibióticos, pois neste caso há presença de patógeno. 
DIARREIA PARADOXAL 
A constipação contribui para o processo de formação do 
fecaloma \u2192 O cólon absorve água no bolo fecal, 
endurecendo as fezes até que comecem a lesar a mucosa 
intestinal, inflamando e liberando muco \u2013 que será 
interpretado como diarreia pelo paciente. 
Para confirmação do diagnóstico \u2192 toque retal. 
Tratamento \u2192 prescrição do clister (solução de glicerina) 
que será introduzida pelo médico via anal. O óleo umedece 
as fezes e o paciente vai eliminá-las. Caso não dê certo, 
fazer quebra manual. 
DIARREIA SECRETÓRIA 
Patógenos induzem a mucosa a secretar mais que sua 
capacidade de reabsorção. 
Exemplo: bactéria Vibrio cholerae, agente etiológico da 
Cólera, doença caracterizada pela enorme quantidade de 
fezes de aparência aquosa \u201cágua de arroz\u201d \u2192 a 
desidratação pode levar o paciente a óbito. 
DIARREIA OSMÓTICA 
Uma refeição excessiva pode sobrecarregar a pressão 
osmótica e promover a diarreia. 
OBS: a maioria dos laxantes são osmóticos. 
OBS2: O glutamato monossódico, presente no shoyo e 
outros molhos possui efeito laxante. 
DIARREIA POR LESÃO DA MUCOSA 
Causada por bactérias enteroinvasivas que lesam a 
mucosa, estando entre elas: salmonela, 
DIARREIA FACTÍCIA/FICTÍCIA 
Diarreia induzida pelo uso de laxantes; paciente pode 
possuir Bulimia. 
DESINTERIA 
\u2022 Diarreia por lesão ao cólon distal do IG. 
\u2022 Fezes de coloração habitual com presença de 
muco, pus ou sangue de cor vermelha (se fosse 
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no ID, o sangue seria preto pois ainda não teria 
passado pelo processo de digestão), odor 
habitual e grande número de evacuações (reflexo 
defecatório \u2192 IG). 
\u2022 Paciente pode ter tenesmo \u2192 contração anal 
dolorosa, descrita como \u201cpuxo\u201d \u2013 sensação de 
que \u201cestá puxando para baixo\u201d durante a 
defecação. 
\u2022 Dor em aperto, contínua, na região hipogástrica, 
sacral ou quadrante inferior D/E; 
\u2022 Colonoscopia. 
ESTEATORREIA 
\u2022 Diarreia do intestino delgado, estímulo secretor 
\u2022 Fezes gordurosas, flutuantes, odor pútrido, 
coloração amarelada (pigmento da gordura), 
poucas evacuações por dia, porém volumosas. 
\u2022 Dor intermitente, tipo cólica na região 
periumbilical ou no quadrante inferior direito. 
Distensão abdominal por acúmulo de gases. 
\u2022 Exame \u2192 Enteroscopia alta. 
IMUNOSSUPRIMIDOS 
Portadores de HIV, pacientes em quimioterapia. 
A baixa taxa de imunidade favorece o surgimento de 
bactérias + fortes; o uso frequente de antibióticos favorece 
a resistência bacteriana; infecções oportunistas; maior 
tendência a infecções que pessoas saudáveis não 
possuem; além de que o paciente pode não ter competência 
imunológica para responder aos tratamentos habituais. 
A diarreia também ser efeito colateral de inibidores de 
protease, antivirais para o tratamento do HIV. 
OBS: pode ser a primeira manifestação do HIV. 
SURTOS 
Recomenda-se que a comunidade adquira cuidados 
sanitários redobrados pois a contaminação é fecal-oral. A 
maioria dos surtos são viróticos, as bactérias sempre 
deixam as pessoas piores e as infecções protozoários são 
menos frequentes. 
ANAMNESE 
IDENTIFICAÇÃO 
Naturalidade/Procedência \u2192 epidemiologia local. 
Profissão \u2192 exposição a tóxicos ou ingestão de alimentos 
oferecidos em ambientes comunitários. 
HMA 
1) Há quantos dias começou? 
2) Quantas vezes vai ao banheiro? 
3) Volume das fezes, presença de sangue, \u201ccatarro\u201d 
\u2192 muco ou pus, cheiro, aspecto, presença de 
dor, coloração, sintomas secundários (febre, 
cólicas, náuseas e vômitos indicam maior 
gravidade do quadro). 
HPP 
Exposições ambientais (individuo pode ter viajado para 
região com patógenos desconhecidos pelo sistema imune), 
animais de estimação, exposição a leite e maionese, 
piscinas. 
Além disso, alguns medicamentos têm a diarreia como 
efeito colateral \u2013 exemplos: Metformina (antidiabético), 
Sulfato ferroso, Ac. Clavulânico \u2192 perguntar sobre os 
medicamentos usados. 
HS 
Saneamento básico e alimentação. 
EXAME FÍSICO 
\u2022 Começar pela avaliação dos dados vitais (já começar 
a verificar desidratação por aqui). 
\u2022 Visto que a diarreia aguda tem como consequência a 
desidratação, deve-se prosseguir o exame físico com 
avaliação da hidratação do paciente. Em crianças, a 
verificação das mucosas e da pele é favorecida pela 
presença de turgor e elasticidade que vão se reduzindo 
com a velhice, para isso, avalia-se também a diurese, 
se há lágrima ou não durante o choro, presença de 
taquicardia ou hipotensão ortostática (afere-se a 
pressão com o paciente em uma posição e 
posteriormente em outra posição para verificar se há 
redução). 
\u2022 É fundamental que o profissional confira se há irritação 
peritoneal para determinar a gravidade, mesmo sem 
saber a etiologia \u2192 Lembre-se de que Apendicite 
Aguda por ter início com um quadro de diarreia. 
\u2022 Também conferir se há presença de massa, tumor. 
\u2022 Na ausculta: aumento dos ruídos hidroaéreos. 
EXAMES COMPLEMENTARES 
Devem ser solicitados em caso de: 
\u2713 Paciente hipovolêmico por diarreia aquosa e 
profusa \u2192 ureia, creatinina e potássio; 
\u2713 Desinteria \u2192 hemograma para avaliar se a 
diarreia é infecciosa, leucocitose... 
\u2713 Portadores de HIV; 
\u2713 Grávidas. 
 
\u2022 Exame de fezes: resultado negativo pode ser 
falso negativo pois trata-se de amostra, além