A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
3-DOENÇAS INFECCIOSAS dos ANFÍBIOS

Pré-visualização | Página 1 de 2

1 
DOENÇAS INFECCIOSAS dos ANFÍBIOS 
 
Prof. Dr. Celso Martins Pinto 
 
IRIDOVIROSE 
 
• Agente: Iridovírus 
• Sinais clínicos: 
 petéquias e eritema leves 
 lesões vesiculares 
 equimoses 
 hemorragias cutâneas 
 necrose ulcerativa da pele 
 lesões hemorrágicas podem se extender à musculatura esquelética e órgãos internos 
 (principalmente aparelho gastrointestinal e rins) 
 girinos apresentam distensão e não conseguem nadar 
 óbito em ~ 1 semana 
 
 
 
hidroceloma (acúmulo de líquidos na cavidade celomática) 
 edema subcutâneo  devido à degeneração cutânea e capilar falência hepática e renal 
• Diagnóstico: 
 eritrócitos podem apresentar inclusões virais 
 corpúsculos de inclusão basofílicos em diversos tecidos, 
 especialmente nas células glandulares do estômago 
• Tratamento: 
 não existe de forma eficaz 
 infecção de rápida progressão 
 
 
Vesícula e edema em Bufo regularis 
 
HERPESVIROSE ASSOCIADA ao TUMOR de LUCKE 
 
• Virose que induz o desenvolvimento espontâneo do adenocarcinoma renal na rã leopardo-do-norte 
(Rana pipiens) – E.U.A. e Canadá 
• Raramente relatado em outras espécies 
• Adultos = reservatórios para ovos e larvas 
• Ocorre mais na primavera (América do Norte) 
• Prevalência pode alcançar 100% 
 2 
• Ocorre ciclicamente de acordo com mudanças de temperatura ambiente, com reprodução viral 
(e,portanto, desenvolvimento de inclusões virais) durante o inverno (fase álgida) e crescimento do 
tumor durante o verão (fase quente) 
• Pode ser observado carcinoma renal e, em 6% dos casos, observou-se metástases nos pulmões, 
fígado e outros 
• Outras espécies hospedeiras: infecção experimental 
 
 
 
• Tratamento: 
 - Não existe nenhum tratamento conhecido 
 - Aciclovir VO ou tópico  ajuda a limitar a disseminação do vírus em situações de 
 laboratório 
 
 
 
BACTERIOSES 
 
• Exame necroscópico é fundamental inclusive para o isolamento bacteriano 
• Pode se comparar as espécies isoladas da necropsia com outras de animais doentes e sadios para 
se definir os patógenos responsáveis 
• Deve-se considerar outras causas possiveis, como infecção primária por iridovírus, clamídias, 
fungos e outros, imunossupressão devido a condições ambientais inadequadas, superpopulação, 
desnutrição, intoxicação crônica e outros fatores estressantes 
 
• Todo diagnóstico de enfermidade bacteriana requer uma revisão completa das medidas 
ambientais: 
 - temperatura 
 - teor de amoníaco 
 - pH do substrato 
 - cloro 
 - sal 
 - inseticidas 
 - nicotina 
 - agressão dos companheiros de recinto 
• recinto deve ser esvaziado 
• objetos devem ser colocados antes da reintrodução de seus habitantes 
 
• Bactérias Gram-negativas 
 - responsáveis pela maior parte das infecções 
 Aeromonas hydrophila 
 causa a “síndrome das patas vermelhas” 
 Flavobacterium spp. 
 Pseudomonas spp. 
 3 
 Citrobacter spp. 
 Alcaligenes spp. 
 Enterobacter spp. 
 - causam focos infecciosos diversos 
 
 
 
• Bactérias Gram-positivas 
 - raramente associadas a enfermidades em anfíbios 
 - são consideradas agentes etiológicos quando isoladas do sangue, líquido celomático ou de 
 amostras frescas de necropsia de órgãos obtidas assepticamente 
 - anaeróbios devem ser pesquisados 
 
• Chlamydia spp. 
 - foram descritas em populações de anuros em cativeiro e vida livre 
 - C. pneumoniae encontrada em Mixophyes iteratus na Austrália  mesma cepa encontrada em 
 coalas 
- diagnóstico quase sempre estabelecido na necropsia a partir de inclusões intracitoplasmáticas no 
baço e outros órgãos 
 - diagnóstico antemortem é difícil 
 - doxiciclina ou oxitetraciclina  eficazes se administradas no início da doença e com o 
 controle de outras infecções. 
 
• Micobacterium spp. 
 - diversas espécies já foram isoladas de anfíbios com evidente potencial zoonótico 
 - comum nos anfíbios devido em parte a ubiqüidade dessas bactérias no meio ambiente 
 - geralmente se apresenta como uma enfermidade granulomatosa, com os granulomas 
disseminados na pele, coração, fígado, baço, rins e trato gastrointestinal 
 - PE  VO ou PC (lesões cutâneas) 
 - diagnóstico: 
 necroscópico  formações granulomatosas encontradas devem ser avaliadas pela 
coloração de Ziehl-Nielsen e cultura 
 laboratorial  lesões cutâneas devem ter material colhido para biópsia e exame direto 
 
 - tratamento: 
 • recomenda-se a eutanásia  prognóstico mau 
 • contactantes  quarentena por, no mínimo, 180 dias 
 • manejo sanitário do recinto e materiais 
 
 
Granuloma no fígado de Bufo regularis (sapo pantera) 
 
 4 
• Septicemia 
 - Sinais clínicos: 
eritema cutâneo  pescoço, ventre, coxas, membranas digitais (“síndrome das patas 
vermelhas” ou septicemia dérmica bacteriana) 
 mudança da coloração 
 vesículas hemorrágicas (qualquer parte do corpo, inclusive olhos e área periorbitária) 
 ulcerações 
 hidroceloma 
 edema subcutâneo 
 letargia, anorexia 
 óbito súbito 
 convulsões, hemoptise, prolapso gástrico ou intestinal  sinais terminais 
 
 
 
 - diagnóstico: 
 isolamento bacteriano  sangue, líquido celomático, líquido subcutâneo ou material fresco 
de necropsia 
 leucocitose ou leucopenia 
 morfologia dos leucócitos  pode indicar atividade fagocitária 
 
 
mudança de coloração em Agalychnis sp. 
 
 
Mudança de coloração da pele (despigmentação) infra-orbitária em Bombina bombina 
 
 
 5 
- tratamento: 
 banho com solução de ringer  para estabilizar o equilíbrio eletrolítico 
 (6,6 g de NaCl + 0,15 g de KCl + 0,15 g de CaCl2 + 0,2 g de NaHCO3 diluidos em 1 litro de 
água destilada) ou solução salina a 0,6% (6 g de NaCl diluidos em 1 litro de água destilada) 
 Amicacina + metronidazol ou piperacilina (contra anaeróbios)  inicialmente de eleição 
 oxitetraciclina ou doxiciclina  não recomendadas inicialmente, pois muitas bactérias G- são 
resistentes e podem causar efeitos adversos quando associadas à amicacina ou 
enrofloxacina 
 oxigênio suplementar  para os mais debilitados 
 aquáticos  mantidos em água superficial, podendo receber tratamento com banhos 
(ciprofloxacina) 
 antibioticoterapia  determinada pela resposta do paciente e depois pelo antibiograma 
 
 
MICOSES 
 
• Chitridiomicose 
 - agente: Batrachochytrium dendrobatidis 
 causa dermatite fatal em anuros 
 tem sido vinculado com declínios populacionais 
 único chitridiomiceto conhecido que infecta vertebrados 
 alimenta-se de queratina e cresce em meios aquáticos 
 
 - sinais clínicos: 
 evolução e disseminação rápida 
 óbito súbito é frequente 
 pele com coloração alterada (marrom claro) 
 descamação cutânea atípica 
 girinos com deformidades nas extremidades 
 eritema, petéquias, equimoses  sugerem infecção bacteriana 2ª 
 
- Diagnóstico: 
 - isolamento a partir de raspados cutâneos 
 - biópsia das lesões cutâneas 
 
- Tratamento: 
 - doentes devem ser mantidos em solução de ringer 
 - banhos com itraconazol (0,01% em solução salina a 0,6% durante 5 minutos a cada 5 
dias) 
 girinos podem não suportar este procedimento 
 - elevar a temperatura a 37ºC durante 4 a 16 horas 
 aplicável em espécies que toleram o calor 
 esporos dos chitrídeos são eliminados pela dessecação 
 desinfecção do recinto pelo calor  60ºC por 5 minutos 
 desinfecção química: etanol 70%,hipoclorito de sódio 2% 
 
• Saprolenhíase 
 - denominação comum para micoses cutâneas causadas por fungos aquáticos 
 - mais comum em anfíbios aquáticos mantidos em T < 20ºC ou terrestres mantidos em excesso de 
umidade 
 
 - Sinais clínicos: 
 tufos de “algodão” brancos ou cinza recobrindo a pele 
 anfíbios mantidos na terra com camada grossa de limo branco ou cinza na pele 
 abaixo dos