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ASPECTOS GERAIS DA PISCICULTURA

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1- Estudantes de Pós – Graduação em Zootecnia UFLA 
2- Professora do DZO - UFLA 
 
 
 
 
ASPECTOS GERAIS DA PISCICULTURA 
 
 
Jodnes Sobreira Vieira1 
Juliana Sampaio Guedes Gomiero1 
Marli Arena Dionízio1 
Priscila Vieira Rosa Logato2 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 A piscicultura é um tipo de exploração animal que vem se tornando 
cada vez mais importante como fonte de proteína para o consumo humano, 
principalmente pela redução dos estoques pesqueiros que, em 1991 
(produção de 16.574.497 ton.) aumentou sua produção em 8,3% em relação 
a 1990 e 100% nos últimos 8 anos; 
 Outros fatores que estão favorecendo o desenvolvimento atual da 
piscicultura são as modificações drásticas do hábitat, como poluição, 
desmatamento e represamentos, a mudança do hábito alimentar das pessoas, 
o aparecimento de novos produtos mais práticos para o consumo e a 
utilização para lazer e esporte. 
 
 
 
 
 
 6 
2 CLASSIFICAÇÃO DA CRIAÇÃO QUANTO A SUA 
FINALIDADE 
 
þþ
 Cria ou produção de alevinos 
• Exploração em que peixes são passados a terceiros para serem recriados 
ou usados em povoamentos e repovoamentos de águas públicas ou 
particulares. 
• É considerada a fase mais lucrativa; entretanto, exige demanda favorável 
por alevinos na região, maior dedicação por parte do produtor, maior 
ocupação de mão-de-obra especializada e instalações de equipamentos mais 
complexos. 
 
þþ
 
Recria, engorda ou produção de pescado 
•
 Explora-se a capacidade de ganho de peso e crescimento dos animais, 
englobando a fase de alevinagem até o abate. 
• Menos lucrativa que a anterior; entretanto, caracteriza-se por exigir menor 
dedicação do piscicultor, necessitar de menor ocupação de mão-de-obra, 
sendo essa menos qualificada, necessitar de instalações e equipamentos 
menos complexos, podendo ser realizada em represas rurais, arrozais 
inundados, represas ou viveiros com ou sem integração com outras 
explorações agropecuárias e por ser dependente da oferta de alevinos, 
demanda e preço de pescado na região. 
 
þþ Exploração mista de cria e recria 
• Produz alevinos para uso próprio ou para terceiros. 
 
 
 7 
þþ Outros tipos de exploração: 
• Para fins de lazer (povoamento de represa e pesque-pague). 
• Para fins sanitários (controlar a proliferação de insetos ou animais vetores 
de doenças). 
 
 
3 CLASSIFICAÇÃO DA PISCICULTURA QUANTO AO 
SISTEMA DE CRIAÇÃO 
 
 O peixe, ao contrário dos outros animais terrestres, pode ser criado 
de várias maneiras diferentes, dependendo das condições da propriedade, 
tipo de alimento, espécie considerada e aceitação de mercado. É possível 
dividir, didaticamente, o sistema de criação em Extensivo, Semi-extensivo e 
Intensivo. 
 
þþ
 Piscicultura extensiva 
• Exploração em que o homem interfere o mínimo possível nos fatores de 
produtividade (apenas realiza o povoamento inicial do corpo d'água). 
• Caracteriza-se pela impossibilidade de esvaziamento total do criadouro, 
impossibilidade de despesca, ausência de controle da reprodução dos 
animais estocados, presença de peixes e aves predadoras, ausência de 
práticas de adubação, calagem e alimentação, alimentação apenas da 
produtividade natural e pela produtividade baixa, dificilmente ultrapassa 
400 kg/ha/ano. 
 
 
 
 8 
þþ Piscicultura semi-intensiva 
• Sistema de exploração em que o homem interfere em alguns fatores de 
produtividade, caracteriza-se pela possibilidade de esvaziamento total do 
criadouro, possibilidade de despesca, controle da reprodução dos animais 
estocados, ausência ou controle da predação, presença de prática de 
adubação, calagem e, opcionalmente, uma alimentação artificial à base de 
subprodutos regionais, manutenção de uma densidade populacional correta 
durante o período de cultivo, produtividade que pode chegar a 10 
ton./ha/ano, sistema racional e econômico de produção recomendado para 
criação de peixes tropicais e por abranger ainda consorciações com suínos, 
aves, arroz, etc. 
 
þþ
 Piscicultura intensiva 
•
 Sistema de exploração em que os fatores de produção são controlados pelo 
homem, caracteriza-se por apresentar densidade populacional elevada de 
peixes por volume d'água, alimentação artificial exclusivamente à base de 
rações balanceadas,pela necessidade de alto fluxo de água ou uma 
recirculação forçada por causa da alta densidade populacional, pela 
produtividade elevada, podendo ultrapassar 90 kg/m3/ano, pelo sistema 
racional de custo elevado, com mão-de-obra especializada e alto nível de 
mecanização. 
 
 
 
 
 
 9 
4 QUANTIDADE DE ÁGUA NECESSÁRIA DE ACORDO 
COM O SISTEMA DE PRODUÇÃO 
 
 A quantidade mínima de água que se deve dispor depende de vários 
fatores, tendo, no mínimo, de ser suficiente para repor as perdas por 
evaporação e por infiltração e, satisfazer, em parte, as necessidades de 
oxigênio dos peixes. 
 
þþ Semi-intensivo 
- a renovação de água pode variar de 5 a 30% por dia; 
- a vazão pode variar de 10 a 50 l/s/ha, estimada no período seco; 
- o nível de oxigenação deve ser maior ou igual a 5 mg/l; 
- a estocagem pode ser de 1 kg de peixe/ m2. Quantidades maiores podem 
causar problemas na produção e saúde dos peixes. 
 
þþ
 Intensivo 
- renovação de água varia entre 100 a 200% por dia (Ex.: truta); 
- vazão de 200 a 500 l/s/ha; 
- nível de oxigênio entre 5 e 10 mg/l (dependendo da espécie); 
- uma densidade de 50 a 600/m3 é permitida (Ex: tilápias em gaiola 
podem produzir de 50 a 300 kg/m3/safra). 
 
 
5 LIMNOLOGIA 
 
A água é, entre todos os fatores, aquele que mais intervém na cultura 
do peixe, a qual pode ser considerada como a parte final das múltiplas 
 10 
transformações que se processam nesse meio, e cujo meio é objeto de uma 
ciência denominada Limnologia. 
No estudo de Limnologia, incluem-se características físicas, 
químicas e biológicas. 
 
 
5.1 Características físicas 
• Temperatura 
A temperatura interfere diretamente na solubilidade de gases, velocidade 
de reações químicas, circulação de água, metabolismo dos peixes, etc. A 
faixa ideal das espécies tropicais está entre 20 a 30oC, sendo o nível ótimo 
para a maioria entre 25 e 28ºC. 
Temperaturas inferiores a 20ºC normalmente afetam o metabolismo dos 
peixes tropicais, acarretando diminuição de apetite e das taxas de 
crescimento. A temperatura letal muito variável entre espécies, sendo de 5ºC 
para as carpas, 10ºC para as tilápias e 15ºC para tambaqui e pacu. 
O controle de temperatura pode ser feitos por meios artificiais com o uso 
de aquecedores, mas é inviável economicamente. A temperatura que 
convém considerar não é a da água de alimentação do tanque, mas sim a 
água dos tanques onde os peixes vivem. Por isso, ao se construir um tanque, 
deve-se escolher um local bem exposto ao sol e ao vento, onde possa tirar o 
maior rendimento do dois. 
 
•
 Transparência 
A tranparência está relacionada com o material em suspensão, tanto mineral 
como orgânico.Quanto mais plâncton, menor a transparência. 
 11 
O disco de Secchi é o equipamento usado para medir esse 
parâmetro.Uma transparência ideal da água de um tanque medida pelo disco 
de secchi está em torno de 30 e 40 cm, indicando uma boa produção 
biológica nos viveiros. A figura abaixo ilustra a medição da transparência 
através do uso do disco de Secchi. 
As águas de cor esverdeada ou azulada são geralmente boas. As 
amareladas ou acastanhadas, provenientes de pântanos ou charnecas, são 
ácidas e impróprias para culturas de peixes. 
 
 
Figura 1- Ilustração da utilização do disco de Secchi. 
 
5.2 Características químicas 
Toda água na natureza deriva da precipitação atmosférica, produto 
da condensação

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