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legislação educacional unisanta

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Assim, para superar a 
separação creche e pré-escola se faz necessário também romper como os processos 
discriminatórios e excludentes que ocorrem via Educação Infantil. 
 
A LDB/96 proporciona base legal nesse sentido. No termo da lei, a creche e a pré-
escola passaram a fazer parte de um mesmo segmento educacional. 
 
Ambas estão subordinadas a mesma esfera, Educação; a diferenciação está 
relacionada à faixa etária das crianças e não mais sua origem social. 
 
 
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Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Entretanto, as conquistas obtidas no final da década de 90 estão constantemente 
sendo ameaçadas pelas políticas do governo federal. 
 
O momento atual conclama a uma intensa luta em defesa das conquistas obtidas até 
aqui para a Educação Infantil. 
 
O processo de construção da identidade desse segmento educacional está 
ocorrendo em condições bastante conturbadas. Mas, ao mesmo tempo, se constata o 
crescimento e fortalecimento desse campo através da Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Emenda 
Constitucional no. 14/96 e Lei no. 9424/96). 
 
Apesar do quadro político contraditório, a demanda por espaços de Educação Infantil 
tem ampliado as concepções e práticas destinadas à educação das crianças menores de 
sete anos têm afirmado a importância desse equipamento educacional em nossa 
sociedade. 
 
Dos modelos educacionais 
As tendências pedagógicas de educação para a infância têm embasado diferentes 
práticas educacionais destinadas às crianças pequenas, resultando em modelos 
educacionais. 
 
O termo modelo não se refere à ideia de modelo idealizado, mas sim, expresso nas 
práticas e discursos do cotidiano educacional. 
 
A análise dos modelos educacionais presentes na Educação Infantil ajuda a elucidar 
as práticas realizadas cotidianamente nessas instituições. 
 
As tendências pedagógicas são movimentos específicos, fundamentados numa 
determinada corrente do pensamento. Além disso, encontramos diversas categorizações 
de tendências. 
 
Os modelos educacionais ou pedagógicos referem-se a processos de mediação 
didática, aqueles expressos no saber-fazer do professor. 
 
 
 
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Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
São elementos chave para a compreensão do conhecimento prático do professor 
que se situa na interseção entre o conteúdo disciplinar, a psicologia, a arte, a história e a 
filosofia. 
 
Embora a prática seja marcada pelas especificidades das situações cotidianas, 
entendemos que o fazer docente tem uma dimensão coletiva, vivida na relação com seus 
pares. 
 
O saber fazer docente, marcado pela história social da educação para a infância, 
tem se configurado em três modelos educacionais da Educação Infantil: o Modelo para a 
Socialização, o Modelo para a Instrução e o Modelo para o Desenvolvimento Integral. 
 
O primeiro modelo é expresso em propostas que enfatizam a socialização como 
grande função, restringido o objetivo da educação ao desenvolvimento de hábitos e 
habilidades psicomotoras da criança. Predomina uma concepção de criança como adulto 
em miniatura, ser incompleto; a visão de desenvolvimento humano é restrita à dimensão 
biológica, natural. 
 
Esse modelo quando oferecido para a classe média tem um enfoque educacional 
mais espontaneísta e um sentido de preservação da “natureza ingênua” das crianças. 
 
Mas, quando a população atendida é oriunda de camadas populares, este modelo 
tem um enfoque mais disciplinador, posto que a ideia de socialização é pautada em padrões 
de comportamento e valores das classes dominantes. 
 
Sendo assim, o Modelo Educacional para a Socialização pode ser encontrado tanto 
em Jardins de Infância e Escolas Maternais destinadas à classe média, como em creches 
filantrópicas e assistenciais voltadas para as camadas populares. 
 
O segundo modelo educacional visa a “prontidão para alfabetização e o cálculo”. 
Nesse modelo, o referencial está no ensino fundamental, predominando o estilo de 
educação tradicional. 
 
 
 
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Ainda nos dias atuais, podemos observar que a prática docente, em vários níveis 
educacionais, apresenta características da chamada pedagogia tradicional, formulada a 
mais de dois séculos. 
 
A manutenção de diversos elementos da pedagogia tradicional é um fenômeno 
identificado em vários países. Esse modelo prioriza os conteúdos das disciplinas escolares, 
tratando o conhecimento como um produto pronto e passível de ser transmitido, contanto 
que aquele que irá recebê-lo disponha de condições para absorvê-lo, captá-lo. 
 
Daí resulta a programação de atividades específicas para treinar e preparar a criança 
para as “verdadeiras aprendizagens” que deverão ocorrer no ensino fundamental. 
 
Ensinar, nessa perspectiva, é ordenar e controlar as etapas de assimilação do 
conhecimento. As crianças no Modelo para a Instrução também são desconsideradas por 
serem vistas como um ser em falta, negando a possibilidade de terem um papel ativo na 
elaboração do conhecimento. 
 
A ênfase está na atividade do professor que tem o papel de controlar o processo de 
aprendizagem. Sustenta-se uma concepção de ensino como impressão de imagens 
propiciadas ora pela palavra do professor ora pela observação sensorial. 
 
Assim como o Modelo para a Socialização, o Modelo para a Instrução aparece tanto 
em instituições que atendem a crianças das classes médias como das camadas populares. 
 
Para as primeiras, a educação tem um cunho de “aceleração” da aprendizagem; para 
as outras, visa compensar suas “carências”. 
 
O terceiro modelo procura superar a limitação dos anteriores, é um modelo 
educacional que objetiva o desenvolvimento integral da criança, vista como sujeito de 
cultura, com características particulares e específicas desse período da vida humana, 
interpretadas por seu grupo social. 
 
A educação das crianças deve contemplar aspectos físicos, emocionais, afetivos, 
cognitivo-linguísticos e sociais da criança. 
 
 
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 Visar o desenvolvimento integral, considerando a cultura como elemento central na 
compreensão e ação educativa, implica em abordar as especificidades e necessidades das 
crianças e suas famílias, não como algo natural, mais sim, cultural e até certo ponto, 
ideológico. 
 
É entender que as características específicas e as necessidades, mesmo quando 
biológicas, são interpretadas segundo a ótica e valores que orientam a compreensão do 
que é o ser humano e a formas de relacionar-se no e com o mundo. 
 
 Portanto, proporcionar condições específicas para essa fase inicial da vida, visando 
o desenvolvimento integral da criança como sujeitos de cultura, é estar apostando na 
formação humana com capacidade crítica, dialógica, criadora. 
 
As práticas desenvolvidas segundo esse modelo educacional se pautam na ideia de 
afirmar a importância da Educação Infantil como direito das crianças. 
 
Direito a uma educação que vise seu desenvolvimento integral, que a reconheça 
como um ser que tem futuro, sem olvidar do presente. 
 
A análise dos Modelos Educacionais presentes na Educação Infantil visa 
proporcionar instrumental para compreender as ideias das professoras sobre seu fazer 
pedagógico no cotidiano das creches e pré-escolas. 
 
Refletir sobre como a prática docente pode contribuir para nos desfazer dos entulhos 
conformistas, ideias e práticas cristalizadas
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