Redação Publicitária - Aula 03
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Redação Publicitária - Aula 03


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CCDD \u2013 Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
 
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Redação Publicitária 
Profa. Ana Heck 
Aula 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CCDD \u2013 Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Olá, caro aluno! 
Está na hora de explorarmos um tipo diferente de roteiro: de aventura! 
Liberte seu espírito aventureiro, deixe a preguiça de lado e esteja 
preparado para muitas emoções. Este itinerário propõe a prática de cinco 
atividades em lugares diferentes. Clique nos pontos para conhecê-las: 
1. Para começar, vamos nos aventurar em um passeio de mountain bike, 
uma viagem para conhecer as trilhas do esquema aristotélico. Nessa 
aventura, vamos buscar entender qual o melhor caminho para construir 
um texto persuasivo. Prepare os músculos e os pulmões! 
2. A segunda atividade será um voo livre de parapente no qual você vai 
aprender como utilizar as correntes de ar para executar acrobacias através 
da estrutura circular presente nos textos. 
3. A terceira proposta também envolve alturas: um rapel sobre o vale do texto 
apolíneo por meio do qual vamos aprender a controlar os cabos da 
vertente racional dos escritos. 
4. Ainda nas alturas, o quarto esporte proposto é o bungee jumping, um salto 
pelos textos dionisíacos, voltados à emoção. 
5. A última atividade é aquática: rafting pelas águas da unidade de 
campanha. Essa atividade vai permitir que você entenda as corredeiras 
que formam os rios das campanhas e como fazer todas as peças 
combinarem para que o seu bote não vire. 
Tome fôlego, prepare o coração, a aventura já vai começar! 
Mas, não se assuste, não precisa ser um atleta, basta dizer tchau para 
a preguiça e o sedentarismo, só assim vamos conseguir nos divertir e 
aproveitar dias intensos! 
Iniciemos com a videoaula disponível no material on-line! 
 
 
 
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CONTEXTUALIZANDO 
O sucesso de um texto depende de algumas estruturas necessárias 
para que um texto seja persuasivo. Para criar qualquer tipo de texto é preciso 
dominar, além da Língua Portuguesa, algumas técnicas de escrita. Por isso, 
nesta rota você vai ver uma série de teorias e estruturas que te ajudarão a 
redigir textos para publicidade. 
A partir disso, escrever fica mais fácil e a qualidade do texto é maior. 
Todos os textos magníficos que você vê nas pelas publicitárias em diferentes 
mídias foram planejados e pensados por meio dessas técnicas; por isso, 
muitos deles são persuasivos o suficiente para marcar sua memória. Fique 
atento a todas estas dicas para fazer textos de sucesso. 
Vamos à contextualização dos assuntos desta aula! A videoaula 
correspondente se encontra no material on-line! 
 
 
 
PESQUISE 
 
 
 
Mountain Bike nas trilhas do esquema aristotélico 
Você está prestes a iniciar uma trilha pelo caminho da persuasão 
através do Esquema Aristotélico. Prepare sua bike e vista seu capacete! 
Como vimos na rota anterior, a Publicidade é um discurso persuasivo. 
Por meio do texto, redatores utilizam palavras para fazer a mediação entre 
marcas e pessoas. Desta forma, o discurso é a forma instrumental construído 
com palavras e imagens através das quais a mensagem deve cumprir seu 
 
 
 
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papel persuasivo. Seu objetivo não é apenas informar, mas informar e 
persuadir (persuadir a uma ação, ainda que num futuro impreciso). 
Para fazer isso a publicidade emprega de forma explícita e sistemática 
procedimentos retóricos. Mas, para falar de persuasão retórica, é necessário 
voltar um pouco no tempo... para quatro séculos antes de Cristo! Foi nesta 
época que Aristóteles escreveu os três volumes do livro \u201cA arte retórica\u201d. 
Mas, afinal, você sabe o que é retórica? 
re·tó·ri·ca |rèt| 
(latim rhetorica, -ae, do grego rhetoriké) 
 
substantivo feminino 
1. Arte de bem falar. 
2. Conjunto de regras relativas à eloquência. 
3. Livro que contém essas regras. 
4. Estilo empolado e guindado (chama-se também: flores de retórica). 
5. [Informal] Mulher que tem pretensões a bem-falante e sentenciosa. 
 
"retórica", in: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008 -
2013, https://www.priberam.pt/DLPO/ret%C3%B3rica [consultado em 19-05-2016]. 
\u201cA arte de bem falar\u201d, a preocupação retórica teve berço na Grécia 
Antiga, de onde surgiram vários estudos de linguagem, o domínio da 
expressão verbal. O início da democracia exigia dos representantes a 
perspicácia de manejar bem as palavras para expor ideias, a habilidade de 
escrever discursos capazes de excitar e persuadir multidões. Foram criadas 
disciplinas para ensinar retórica. 
O exercício do poder, via palavra, era ao mesmo tempo uma ciência e 
uma arte, louvado como instância de extrema sabedoria; portanto não 
causa estranheza que surgissem aí as primeiras sistematizações e 
 
 
 
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reflexões acerca da linguagem. Os pensadores gregos de Sócrates a 
Platão escreveram sobre o assunto, porém, é com Aristóteles que o 
discurso será dissecado em sua estrutura e funcionamento (CITELLI, 
2001, p. 7). 
Com aponta Citelli, foi Aristóteles quem definiu uma estrutura para 
alcançar a persuasão através de um discurso, um conjunto de normas que 
ajuda, até os dias de hoje, redatores a construir textos sedutores com bons 
argumentos. Por isso, o chamamos de \u201cEsquema Aristotélico\u201d. 
Ainda de acordo com CITELLI (2001, p. 10) \u201ca Retórica parece ser 
capaz de, por assim dizer, no concernente a uma dada questão, descobrir o 
que é próprio para persuadir\u201d: 
\uf0a2 A retórica não é a persuasão; 
\uf0a2 A retórica pode revelar como se faz persuasão; 
\uf0a2 A retórica é analítica (visa descobrir o que é próprio para persuadir); 
\uf0a2 A retórica é uma espécie de código dos códigos, está acima do 
compromisso estritamente persuasivo (ela não aplica suas regras a um 
gênero próprio e determinado), pois abarca todas as formas 
discursivas. 
Assim, ela não atua de modo ético, revelando verdades com relação 
ao mérito do que é dito \u2013 ou anunciado \u2013 mas de modo com que se busque a 
eficiência com relação àquilo que se diz, a melhor forma de argumentar. 
A proposta da Arte Retórica de Aristóteles inclui quatro fases em um 
discurso: Exórdio, Narração, Provas e Peroração. Imagine que as etapas 
são como diferentes trechos que você tem que percorrer em uma trilha de 
mountain bike, cada uma com seus desafios e particularidades. 
 
 
 
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Exórdio 
O exórdio é a introdução. Assim, \u201ccomeça-se por exprimir logo de 
entrada o que se pretende dizer\u201d (ARISTÓTELES, 1967, p. 248). Deve conter 
uma indicação sobre o assunto que será tratado na peça e iniciar com um 
elogio ou uma censura, um conselho que \u201cnos induz a fazer uma coisa ou dela 
nos afastar\u201d (ARISTÓTELES, 1967, p. 249). 
Fazer uma coisa ou dela nos afastar? Mas a Publicidade não quer 
sempre que você se \u201caproxime\u201d da marca? Compre o produto \u201cX\u201d ou contrate 
o produto \u201cY\u201d? Na maioria dos casos sim, mas temos um exemplo do 
aconselhamento para se afastar de algo: 
Você já deve ter visto uma daquelas propagandas de concessionárias 
em que o narrador grita: \u201cNão compre carro hoje!\u201d. Nem sempre vamos 
sugerir ao target que faça algo \u2013 pensar, lembrar, comprar, acreditar: 
você pode aconselhar alguém a deixar de fazer algo. Como, em outro 
exemplo, recomendar as pessoas a não deixar água parada para não 
criar um ambiente propício à proliferação do mosquito da dengue. 
Logo, enquanto introdução,