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Guia Completo da Cor

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Para nao arriscar um efe ito imprevis íve l. somos muitas vezes
tentados a evitar totalmente a cor. Vestimo-nos de preto para tra-
balhar para evitar enviar mensagens indesejadas Pintamos nossas
casas com cores neutras antes de vendê-las para não espantar com-
pradores em potencial. Na arquitetura. também. uma tendência
"cromatofoba" está aparente em nossos escritórios. escolas e shop-
pmg centcrs Como o padrão bege do computador. os edifícios
contemporâneos sào. muitas vezes. impressionantemente sombnos
Trabalhar com a cor pode ser extremamente difícil - mais
do que experimentar formas Contudo. nào e tào perigoso como
se imagina. E verdade que descrever alguma coisa como colorida
e. na melhor das hipóteses. um elogio ambiquo Mas muita gente
abraça calorosamente novos e excitantes usos da cor Quando a
Apple lançou um computador azul. as vendas foram mais rápidas
do que de q ualq ue r outro.
A d isposição de usar a co r requer a habilidade de criá-la e
controlá-la. A história da arte e do design está inext ricave lme nte
ligada à tecnolog ia da produção do p igmento, e nossas expectati-
vas de cor ainda sao influenciadas pelas limitações té cn icas que
perseguiram nossos antepassados. No inicio do século XXI. o apa-
re cimento da reprografia digital provocou uma revolução na cor.
Nossas crianças crescem com cor em suas vidas onde, antigamen-
te. as coisas eram preto-e-branco. e suas experiências. por sua vez.
influenciarão o futuro da cor no design
Hoje o desenhista grafíco. com computadores poderosos e
impressão colorida barata. tem. mais do que nunca. ne ce ssidade
de princípios que controlem o uso da cor. Depois de ex ibir mais
de 250 exemplares de cor em tudo. de edifícios a sites na internet,
demonstramos de que mane ira ela pode ser manipulada em so ft-
wares como o Photoshop p ara obter resul tados profissiona is com
o menor número de p assos possíve l. Com este pacote co mpleto
de insp iração e informação, você deve se e quipar para apli car a
co r co m segurança .
7
,."
DEFINIÇOE5
PARTE m, DEFINIÇÕES
CAPITULO UM
o CONTEXTO DA COR
As associações de cor diferem entre culturas e indiví-
duos.Veja a cor azul, por exemplo. Você poderia ter três pes-
soas sentadas juntas na mesma sal a e para cada uma delas o
azul poderia significar algo profundamente diferente. Um pilo-
to ocidental poderia associar o azul com as cores da força aé rea.
Para ele, as conotações poderiam evocar velocidade e poder
extremos. Um sikh poderia usar um turbante azul para indicar
que é um nihang, seguindo uma doutrina bem diferente do códi-
go militar do piloto . Os heróis de um guitarrista de blues certa-
mente tiveram vídas bem diferentes da modelar vida dos sikh.
Uma cor, ou uma composição de cores, pode signifi-
car algo completamente diferente para cada pessoa que olha
para ela. Por isso poderiamos dizer que a cor não é simples-
mente formada no olho. Para le itura suple mentar sobre este
assunto, não há melhor fonte que o trabalho do filósofo francês
Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). Ele advogava uma dinâmi-
ca vendo-vísto em que ver é um fenõmeno duplo: um encontro
com o mundo e um encontro com si mesmo.
f Il.dlf i iç6u
- cado que lhe emprestamos.
O mundo ao nosso redor está cheio de cor; entretan-
to, toda ela está em nossa cabeça. Experimentamos a cor por
meio de apenas um sentido: a vísão. Algo que esteja molhado
pode ser vísto, ouvído (pense numa torneira gotejando) e sen-
ido; mas uma coisa amarela só se pode ver que é amarela.Você
não pode ouvír ou cheirar o amarelo; você não o pode tocar ou
provar. Isto sugere que a cor não é uma coisa fixada a um obje-
' 0 ou superfície, mas um evento desencadeado somente no
servador.
O ato de ver alguma coisa vem antes do processo de
a ela. Alguns não podem ver cores, e outros as vêem de
iferente da maioria (ver pp. 28-29 para mais detalhes
ciéncie e percepção da cor). mas geralmente nossos
nam da mesma maneira, e o mesmo estimulo pro-
.....l.leSma resposta no sistema vísual de todos. O que acon-
so é outra questão. Uma vez que nossos olhos
A COR NA VIDA MODERNA A vida urbana é muitas vezes retratada como cinzenta oumonocrômica.
Na maioria das cidades isso é falso. Muitas edificaçôes têm màdeíra pintada, tijolos vermelhos ou
amarelos,mosaicos ou painéis coloridos,de vidro ou plástico. As coisas da rua,as placas das lojas e os
tapumes são coloridos para chamar a atenção,e os veículos passando entre eles brilham em um
espectro de sombras. Se você topar com um pedaço de concreto sem nenhuma interferência, esteja
certo de que alguém vai grafitá-lo com cores do arco-íris.
Não é co incidência qu e o uso mais forte da cor é enco ntrado
com freqüência onde algué m está tentando lhe vende r algu ma
coisa . Se pensarmos em um a ma rca famosa, é provável que
automaticamente se pense na cor ou co res que a identi ficam.
Alguns argumentariam que a co r é O mais importante
estratagema de reconheci mento de marca, e certamente é
difícil pensar em uma marca qu e não te nha uma co r ou
combinação de cores assoc iada a ela. A Coca-Cola é vermelha,
a Pepsi é azul, e - qualquer que seja sua preferência - esta é a
primeira razão pela qu al você nunca vai pegar a garrafa er rada .
Tal uso da cor é parcialmente "vazio": um matiz é
escolhido em detrimento de outro mera mente para diferenciar
uma marca, não para fazer quaisquer associações literais ou
simbólicas. Na lei, as cores não são, em si, sujeitas a proteção de
marcas registradas ou copyrigbt. Uma empresa só pode atua r para
impedir outras de usarem sua "próp ria" cor - como a Pepsi fez
com o azul - se tiver ocorr ido imitação deliberada. Escolher uma
cor que não tem co nexão intrínseca co m o produto torna mais
difícil, para a concorrê ncia, rejeitar a acusação de imitação,
alegando coincidência.
Os anunciantes, entreta nto, mui tas vezes usam a cor
deliberadamente, para ir ao encontro do desejo inconsciente do
consumidor. A em presa de celulares O range apropriou uma cor
tanto no nome como no matiz, para criar uma das novas marcas de
maior sucesso dos anos 1990. Co m seu slogoll "O futuro é
brilhante. O futu ro é O range" a empresa esperava deixar clara
uma mensagem de otim ismo e progresso.
Associações deliberadas de cores não estão confinadas ao
co mércio; nós as usamos na vida diária. Associar um concei to a
uma cor o ajuda a levar por toda parte todos os significados que
queremos que contenha. Falamos a respeito do mercado "negro",
dos "blues", do poder "grny" [uma organização que prom ove o
bem-estar dos cidadãos da terceira idade], do "pinl:money". Os
jornalistas, que devem ser claros e conc isos, têm uma
predisposição muito especia l para criar tais termos.
Acima: Ografite podeser destrutivo.
mas também pode ser interpretado como
resposta positiva à seLva de concreto.
Suascores e padrõespelo menos tentam
comunicar e atrair, ao contrárioda
arquitetura urbana despersonalizada
em que é pintado.
Àesquerda : As corescorporativas
representam um tipode comunicaçãomais
insidioso. Cuidadosamenteescolhidas, podem
ajudar a passaruma mensagem que, de outra"
maneira, seria dificiL de expressar >e taLvez
parecer menoscríveL - apenas com palavras.
12 parte Ol.de liniçõu
Acima e à esquerda:
Tradicionalmente,as coresque
vocêvesteou mostra indicam sua
LeaLdade. Asbandeiras ainda são
conhecidas noscircuLos militares
como"cores", Hoje. Papai Noel
vesteas coresda Coca -Cola e o
significadonão é perdido, mesmo
entre aquelesque sabem muito
pouco sobre o sentidodo NataL.
Mas Papai Noel nem sempre esteve
tão alinhadocoma Coca, como
mostra a imagem à esquerda.
Impondoum esquemade cor
distintivo,a Coca-Cola seapropriou
de um íconesecuLar, transferindo
suasassociaçõesa uma marca de
produto.
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I
Escritores como Naomi Klein em seu best-seller Sem
logo: a tirania das marcas