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Guia Completo da Cor

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cor são reconhecidos
em tod o o mundo. C onselhos superficiais
sobre a psicologia da co r, enco ntrado s até em
·olhetos dos fabricant es de tinta e em livro s de
parte Dl. defin ições
decoração de interiores, tendem a derivar das tradi ções
juda ica, islâmi ca, hin du , tao ísta, budista, cristã ou popular,
entre muitas outras.
Que muita s cores sejam tratadas de mod o similar por
diferentes cultu ras antigas pode sugerir que ten ham algum nível
de significado int rínseco ou coletivo . Se assim for, esses
sign ificados poderiam ser prove nientes de fenômenos natura is.
O vermelho é uma cor aceita para o sol, que dá a vida, mas
tam bém pode tirá- la, e é, com certeza, a cor do sangue. N a
natureza, o vermelho muitas vezes significa per igo. Assim, talvez
não haja necess idade da semiótica para explicar o porquê de esta
cor pod er tornar as pesso as ansiosas, apaixonadas o u raivosas.
Diz-se que o azul - a cor do céu e do mar, vastas exte nsões que
dão um senso de liberd ade e perspectiva - acalma as pessoas.
Entretanto, tamb ém se diz que é um a cor "fria" e soli t ária, A
experiência "mais azul" deve ser sentar-se em um pequeno harco
longe, no mar, conte mplando o céu. Liberd ade e calma, ou fria
solidão? Tudo de pende.
Uma objeção à idéia de efeitos de co r fixos é que não bá
cores fixas. •\Iesmo entre pessoas sem qualquer forma de
daltoni smo, a percepção da cor é altamente subjetiva. O que eu
digo que é ama relo, voc ê pode dizer que é lamn ja. Onde é qu e o
amarelo termina e o laranja começa ?j ohn G age, em Cor r
sigllificado:arte, ciência f simbolismo (U niversidade da
Ca lifórnia, 1999), nota que, já na Idade M édia, idiom as co mo o
francês ant igo tinham palavr as que poderiam sign ificar tant o
azul co mo amarelo, ou vermelho ou verde - nuanças que, tanto
cient ífica com o psicologicamente, agora só podemos conside rar
o po stos irreconciliáveis .
N om ear cores é uma form a de manipular seu impacto
psico lógico. Os fabricantes de tinta sabem que o título de suas
amostras pode afetar as vendas nomínimo tanto quanto seus
pigm en tos. Fazem investimentos co nsiderá veis para criar nomes
evoca tivos para di ferentes cores de tinta , que podem até ser
registrados como mar cas. Enquanto as frases de propaganda
podem ser devoradas a signifi cados un iversais da cor,
aparentemente não fará qualquer mal ajudar nossas respostas
com alguma s dicas lingüíst icas.
Acima:A cor de uma paisagem nos
dá informações práticas. mas
tamb ém desencadeia respostas
emocionais. Aqui, azuis enevoados
falam de vastas distâncias e de
anoitecer iminente; embora a foto
possa ter sido tirada em um clima
Quente. dá um arrepio na espinha.
Àesquerda: Overde vívido
naturalm ente evocasaúde e
vitalidade. Mesmo assim, se for
associadoa, digamos. carne
humana, adquire implicaçõesbem
diferentes e associações muito
menos saudáveis.
ASSOCIAÇÕES TRADICIONAIS DA COR
PARTE 01 . OEFINIÇÕES
CAPÍTULO 2
A TEORIA DA COR
Para usar a cor eficazmente, precisamos compreender o que é
e como funciona. Depois de desenvolver a lei da gravitação uni-
versal, Isaac Newton (1642-1727) se interessou por teorias da luz
e da cor. Naquela época, muitas pessoas acreditavam que a cor
era uma mistura de luz e escuridão. Um cientista postulou que a
escala de cores ia de um vermelho vivo, que propunha ser luz
pura, ao azul e depois ao preto (escuridão) . Newton conjeturou
que isso devia estar errado, pois uma página branca escrita em
preto não parecia colorida quando era vista à distância.Ao con-
trário, o preto e o branco se misturavam e pareciam cinza.
Durante a segunda metade do século XVII. muitos cien-
tistas faziam experiências com prismas.A opinião geral era de que
o prisma "coloria" a luz, o que explicava o arco-íris que se via
quando a luz era projetada através dele, sobre uma superfícíe.Em
1665, Newton realizou seus próprios experimentos, refratando luz
através do prisma sobre uma superficie muito mais afastada. Os
resultados confirmaram que, em lugar de colorir a luz, o prisma a
estava dividindo nas cores do arco-íris: vermelho, laranja, amare-
lo, verde, azul, índigo e violeta. Em 1666, Newton criou um gráfi-
co circular com as sete cores distribuidas na circunferência.Como
>
ferramenta para compreender e selecionar uma cor, a circunfe-
rência cromática permanece essencialmente a mesma até hoje.
Newton presumiu que a luz era feita de partículas, ou
"corpúsculos". Enquanto isso, entretanto, o físico holandês
Christiaan Huygens (1629-1695) estava desenvolvendo a idéia
de que a luz existe em ondas. A teoria de Newton explicava a
reflexão e refração da luz e o aparecimento da sombra, mas a
teoria das ondas explicava porque as bordas da sombra não
eram definidas.
Em 1864, o fisico escocês [ames Clerk Maxwell (1831
1879) sugeriu que a luz era de natureza eletromagnética, pro-
pagando-se como uma onda, da fonte ao receptor. No final do
século, depois que Heinrich Hertz (1857-1894) descobriu as
ondas de rádio e Wilhelm Rbntgen (1845-1923) descobriu os
raios X, o pensamento científico sobre a luz foi revolucionado.
A luz visível está em um espectro que também inclui ondas de
rádio (comprimento de ondas mais longo) e os raios X (com-
primento de ondas mais curto) , com as cores do espectro apa-
recendo na ordem de comprimento de onda decrescente"
Albert Einstein (1879-1955) sugeriria mais tarde que
a iuz poderia consistir de partículas, afinal de co ntas, na reali-
dade criando um quebra-cabeça para os fisicos, que ainda têm
de resolvê-lo.
22 parte Dl .def in içõ es
TEORIA TRICROMÁnCA O prisma provou que a cor é um fenômeno real e ao mesmo tempo
confirmou a sua subjetividade.Como disse Newton,"Os raios,expressados adequadamente,não são
coloridos".A questão de como a luz criava a impressão de cor na mente ainda estava sem resposta.
No início do século XIX, o físico inglês Thomas
Young (1773- 1829) postulou que o olho devia
conter receptores feitos de partículas que
"oscilavam" com determinados com primentos de
ondas de luz. Um infinito número de partíc ulas
seria necessário para cobrir totalmente o
espectro, mas isto era claramente impossível, por
isso os receptores deviam, ao contrário, ser
sensíveis a apenas um número limitado de cores.
Toda s as outras cores que "vemos" seria m, então,
criada s pelas combinações daquelas. A teo ria
tricrom ática de Young inicialmente identificou as
três cores como vermelho, amarelo e azul, mas ele
Abaixo: Dentro da retina, um arranjo
complexo de células es pecializadas
processaasinformaçõesdos
folorrece ptores lbastonetes e conesl.
Note o número reLativamente pequeno
deconesazuis: o sinal que vem deles é.
de alguma forma, es timuLado para
exercer um papel aproximadamente
igual na visãoda COf, maso mecanismo
exato é desconhecido.
córnea ---- ----1-
cristalino -;'-_ _
pupila \-_ -,_ _
humor aquoso -',,--_
iris =-..:~,--_.___
À direita: A luz entra no olho através
da pupila e é focadapela Lente na
retina, onde estimula os bastonetes
e os cones. A informação sobre o que
estamos vendo é tran smitida ao
cérebro por me io do nervo óptico. humor vítreo
_ + -r_ fóvea
retina
nervo óptico
24
c:!--+---;----;-----;~- célu las hor izontais
:!-+:!-7~;":;-- células bipola res
c"~H--+~~-+-- células amácrinas
...,,:- células ganglionares
parte OI.definições
mais tarde mud ou o amarelo para verd e. A teori a foi
além, desenvolvida pelo cientista alemão Herm ann von
H elmhol rz (1821- 1894), o pioneiro da fisiologia senso rial.
Nos anos 1960, os cientistas confirmaram a existência dos
receptores que Young e Von Helmholtz tinham descrito. Esses
"cones" (à esquerda) são divididos em três tipos sensíveis a
comprimentos de onda específicos que correspondem a vermelho
(570 nan ômetros), verde (535nm) e azul (425 nm).
A combinação das três cores primárias