Desenvolvimento humano
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Desenvolvimento humano


DisciplinaPsicologia do Desenvolvimento III120 materiais732 seguidores
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Sumário
11. Questões básicas sobre o desenvolvimento	\ufffd
42. Capacidades do recém-nascido	\ufffd
63. Desenvolvimento cognitivo na Infância	\ufffd
94. Desenvolvimento social na Infância	\ufffd
125. Desenvolvimento do Adolescente	\ufffd
146. O desenvolvimento como um processo vitalício	\ufffd
14Referências Bibliográficas	\ufffd
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DESENVOLVIMENTO HUMANO
1. Questões básicas sobre o desenvolvimento
 
	De todos os mamíferos, os seres humanos são os mais imaturos ao nascer talvez porque, dentre todas as espécies, o ser humano é o que tem o sistema nervoso mais complexo. Quanto mais complexo o sistema nervoso de um organismo, maior o tempo necessário para alcançar a maturidade. 
	Os psicólogos desenvolvimentais descrevem e analisam as regularidades do desenvolvimento humano durante todo o período de vida. Eles estudam o desenvolvimento: 
físico: mudanças na altura e peso, aquisição de habilidades motoras, etc. 
perceptivo: mudanças na visão e na audição, etc. 
cognitivo: mudanças nos processos de pensamento, memória e capacidades para a linguagem, etc. 
social e da personalidade: alterações no autoconceito, identidade de gênero e relacionamentos interpessoais, etc. 
	Focalizam-se sobre dois aspectos do desenvolvimento: 
	- o que tornam todos os membros da espécie similares
	- o que nos individualiza e nos torna diferentes uns dos outros
	Estudam a taxa média ou típica do desenvolvimento a fim de determinar o desenvolvimento individual de uma criança e para planejar programas educacionais. 
 
1.1. Interação entre natureza e criação
O filósofo britânico John Locke, no século XVII, acreditava que a mente de um bebê recém-nascido era uma \u201cpedra lisa\u201d (tábula rasa). O que é escrito nesta pedra é o que o bebê experiencia. 
	
Com o advento da teoria da evolução, de Charles Darwin (1859), que salienta a base biológica do desenvolvimento humano, a perspectiva hereditária voltou a ficar em voga. 
	
Com o apogeu do behaviorismo no século XX, a posição ambientalista novamente ganhou proeminência. 
	
Atualmente, a maioria dos psicólogos concordam não apenas que tanto a natureza quanto a criação (ambiente) exercem papéis importantes, mas que interagem continuamente para orientar o desenvolvimento. 
	
No momento da concepção, um número impressionante de características pessoais já são determinadas pela estrutura genética do óvulo fertilizado.
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Os determinantes genéticos são expressados no desenvolvimento, através do processo de maturação. Maturação são seqüências determinadas de forma inata, de crescimento e mudança, que são relativamente independentes dos eventos ambientais. Contudo, um ambiente que seja decididamente atípico ou inadequado afetará de alguma forma os processos maturacionais. A desnutrição materna, tabagismo e consumo de álcool e drogas estão entre os fatores ambientais que podem afetar a maturação normal do feto. 
	
O desenvolvimento motor após o nascimento ilustra a interação entre genética e o ambiente. Há um quadro inato de maturação que determina a ordem dos comportamentos motores (sentar sozinho, engatinhar, ficar de pé sem auxílio são exemplos de avanços importantes na mobilidade de um bebê), mas nem todas as crianças passam pela seqüência no mesmo ritmo, daí a importância na aprendizagem e experiência para guiar este ritmo. 
	
Em um estudo, um grupo de bebês que recebeu prática para dar passadas (reflexo de passadas) por alguns minutos, várias vezes ao dia, durante os primeiros dois meses de vida, começou a caminhar 5 a 7 semanas antes de bebês que não tiveram esta prática (Zelazo, Zelazo & Kolb,1972). 
1.2. Estágios do desenvolvimento e períodos delicados
	Ao explicarem as seqüências desenvolvimentais, vários psicólogos, tais como Piaget, Kohlberg, Freud e Erikson, acreditam que existem etapas separadas e qualitativamente distintas ou estágios do desenvolvimento. O conceito de estágio implica que: 
os comportamentos em um determinado estágio são organizados em torno de um tema dominante;
os comportamentos em um estágio são qualitativamente diferentes dos comportamentos que aparecem em estágios anteriores ou posteriores; 
todas as crianças passam pelos mesmos estágios na mesma ordem (não pode passar para um estágio mais adiantado sem passar primeiro por um estágio anterior) e
os fatores ambientais podem acelerar ou retardar o desenvolvimento, mas a ordem dos estágios é invariável. 
	Crítica a teoria dos estágios: uma criança pode, na verdade, possuir a capacidade exigida, mas falhar na tarefa porque faltam-lhe outras habilidades que esta requer. Como resultado, as capacidades das crianças têm sido freqüentemente subestimadas pelos teóricos dos estágios. 
	Períodos críticos: são períodos cruciais na vida de uma pessoa, durante os quais eventos específicos devem ocorrer para que o desenvolvimento prossiga normalmente.
Exs: 1) o período de 6 a 7 semanas após a concepção é crítico para o desenvolvimento normal dos órgãos sexuais do feto; 2) o período dos sete primeiros anos de vida é crítico para o desenvolvimento da visão. Por não haver consistentemente dados que ilustrem períodos críticos psicológicos, referimo-nos, então, aos períodos delicados ou ótimos. Períodos delicados seriam aqueles no qual um comportamento poderia se desenvolver em seu potencial pleno, p. ex., o primeiro ano de vida é delicado para a formação de um íntimo apego aos pais, os anos de pré-escola para um desenvolvimento intelectual e aquisição de linguagem. 
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2. Capacidades do recém-nascido
	Infância deriva-se da palavra latina que significa \u201csem linguagem\u201d. Antigamente, os pais freqüentemente ouviam dizer que seu filho era essencialmente cego ao nascer, não tinha paladar, olfato e não sentia dor. Os bebês podem até ser fisicamente fracos e indefesos ao nascerem, mas entram no mundo com todos os sistemas sensoriais funcionado e bem preparados para aprenderem sobre seu novo ambiente. 
	O método básico para o estudo do sensório e capacidades cognitivas do bebê é a introdução de alguma mudança no ambiente do bebê (um ou dois estímulos ao mesmo tempo) e a observação de seus efeitos sobre suas respostas. E outro método usado depende dos processos de habituação e desabituação. 
2.1. Audição 
Os recém-nascidos assustam-se com um ruído alto. Eles voltam suas cabeças na direção de um som. Aos 6 meses, os bebês mostram um aumento acentuado em sua responsividade aos sons acompanhados por aspectos visuais interessantes. Podem distinguir sons da voz humana de outras espécies de sons. Podem distinguir várias características críticas da fala humana, como por exemplo, diferenciar os sons de \u201cp\u201d e \u201cb\u201d, o que parece que os bebês nascem com mecanismos de percepção já adequados às propriedades da fala humana, que os ajudarão em seu domínio da linguagem (Eimas, 1975). 
2.2. Visão
Os bebês são muito míopes de modo que vêem melhor a curtas distâncias. As capacidades visuais dos bebês melhoram aos 7 ou 8 meses. Apesar da imaturidade visual, os recém-nascidos passam muito tempo olhando ativamente à sua volta e sentem-se atraídos por áreas de alto contraste visual, tais como as bordas de um objeto, objetos preto e branco ou com cores primárias brilhantes, padrões complexos, linhas curvilíneas, rostos (principalmente o contorno externo). Aos 2 meses de idade, é possível dizer que os bebês estão mantendo contato visual pois, nesta fase eles focalizam sua atenção no interior do rosto (olhos, nariz e boca). 
São apresentados pares de estímulos aos bebês nos experimentos sobre visão em recém-nascidos. Se eles observam consistentemente por maior tempo um estímulo, em vez de outro, o investigador pode inferir que os bebês distinguem a diferença entre os estímulos e preferem um ao outro. 
2.3. Paladar e Olfato
Os bebês preferem acima de tudo líquidos doces àqueles salgados, amargos, azedos ou insossos. Também podem