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SPIN-OFF-DA PRATICA E O CONTRADITORIO A RE-ORDEM MUNDIAL-fotmato editado

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¹ Pós-graduado em Gestão em Administração Pública pela UFF e graduando em Defesa e Gestão Estratégica 
Internacional pela UFRJ. e-mail: lled20@hotmail.com 
² Doutor em Economia e Mestre em Economia e Indústria e da Tecnologia pela UFRJ; Graduado em Economia e 
Ciência Política pela Universidad de Buenos Aires. Atualmente professor adjunto do Instituto de Relações 
Internacionais e Defesa da UFRJ. e-mail:ecres70@gmail.com 
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DA PRÁTICA E O CONTRADITÓRIO À “RE-ORDEM” MUNDIAL 
Marcos Vinicius Romão da Silva Xavier (UFRJ)¹ 
 
Eduardo Alberto Crespo (UFRJ)² 
 
RESUMO 
O presente trabalho buscou sintetizar as ideias aplicadas pela República Popular da China em 
três tempos. Por meio de pesquisa bibliográfica exploratória, foi possível reunir informações 
que sintetizam o Plano de Desenvolvimento Nacional Chinês, permitindo entender em como a 
China conseguiu promover seu desenvolvimento político e econômico, tornando-se um player 
estratégico de grande relevância para a política internacional. Em um primeiro momento, 
buscou-se entender a estratégia empregada por Mao Tsé-Tung quando da aplicação das 
ideologias entoadas pela Perspectiva Cósmica e sobre a Prática e o Contraditório. Já em um 
segundo momento, buscou-se legitimar a correlação entre as práticas de Mao em continuação 
ao plano de ascensão chinesa empregada por Deng Xiaoping. No último tópico, atentou-se ao 
projeto de “Re-ordem” Mundial imprimido pela nova Política Nacional Chinesa, legitimando 
uma posição geopolítica condizente com a necessidade de mudanças no sistema empregado 
pela atual Ordem Mundial. As nuances dos ideais de Mao em conjunto com as mudanças 
econômico-políticas empregadas por Deng, permitiram entender a sinergia da transição da 
China Comunista para a República Popular da China com características de um capitalismo a 
moda chinesa. Mais que isso, permitiu enxergar a real politick por detrás do discurso de 
algumas nações ditas como desenvolvidas. 
 
Palavras-chave: A Prática e o Contraditório, Perspectiva Cósmica, Poder Revisionista, “Re-
ordem” Mundial. 
 
1. INTRODUÇÃO 
Entender a máxima do social-capitalismo chinês nos levou a buscar os fundamentos que 
deram origem ao desenvolvimento da República Popular da China (R.P.C.). Neste contexto, 
para que fosse possível entender sua ascensão, analisou-se as transformações econômico-
políticas das eras de Mao Tsé-Tung e Deng Xiaoping de forma a buscar congruências. Mas, o 
que estes dois têm em comum que os conectam entre si?; quais foram suas reais contribuições 
 
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para o desenvolvimento do povo chinês?; e como os chineses enxergam a real politik por 
detrás do discurso? Foram essas dúvidas que remeteram a uma análise sintetizada das ideias 
aplicadas pela R.P.C., basicamente pelas figuras de Mao e Deng. 
Ao trazer a máxima do capitalismo de Jackson e Sorensen (2013) na visão de Immanuel 
Wallerstein, quando em tratamento pelos estudos envoltos em Relações Internacionais (RI), 
bem como tal visão é discorrida por Mao nas palavras de Zizek (2008), permitiu entender o 
triunfo ideológico do capitalismo na máxima do liberalismo, globalização e no discurso da 
democracia empregado pelo ocidente, trazendo à tona ideias de Mao sobre a Perspectiva 
Cósmica, bem como a Prática e o Contraditório, com a necessidade de suplantar um plano 
geopolítico que remetesse ao fortalecimento do nacional. 
Em outra perspectiva, ao apresentar em Vogel (2008) a opinião de Deng Xiaoping, foi 
possível entender a forma de seu discurso político, elencando nos transcritos de Lyrio (2010) 
os princípios embrionários de uma nova China que diante do projeto nacionalista embrionário 
de Mao, ganhou corpulência sobre a premissa do que viria a ser o capitalismo à moda chinesa. 
Como último ponto da ascensão chinesa, atentou-se como desfecho a similitude da 
busca pela “Re-ordem” Mundial vislumbrada por Xing (2016). Foi nesse projeto que se 
vislumbrou o papel central da China na reafirmação das nações em desenvolvimento, 
legitimado pelo discurso do nacional, que trouxe o embate entre o ocidente e o oriente que 
vislumbramos na contemporaneidade. 
O resultado alcançado foi a real aproximação da perspectiva imprimida pelo 
pensamento chinês, descaracterizando a ideia de que o oriente partilha ideologias errôneas e 
que nada tem a acrescentar ao ocidente, tendo por legitimar a prática geopolítica empregada 
pelo soft power chinês, frente as novas demandas de um mundo em constante transformação. 
Este artigo buscou gerar um spin-off do projeto monográfico que será apresentado à 
banca do curso de Defesa e Gestão Estratégica Internacional (DGEI), do Instituto de Relações 
Internacionais e Defesa (IRID) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Enfatiza-
se que o presente artigo propôs apresentar premissas do sucesso da Política Externa Chinesa, 
não buscando exaltar fatos negativos da R.P.C., mas sim trazer para o centro da discussão a 
legitimidade da ascensão chinesa com a necessidade de uma nova perspectiva, frente aos 
problemas que ainda persistem nos países em desenvolvimento, sintetizando para o fácil 
entendimento os pontos mais relevantes que marcaram positivamente sua ascensão. Também 
não teve como premissa discorrer a densa historicidade de um povo milenar, mas 
complementar os estudos por aqueles que se interessam pela sinologia e a gama de práticas 
epistemológicas que o orientalismo oferece, em contraste com as teorias eurocêntricas. 
 
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2. A ESTRATÉGIA DA PRÁTICA E O CONTRADITÓRIO DE MAO TSÉ-TUNG 
Ao vislumbrar o terceiro grande debate1 dentro dos estudos envoltos em Relações 
Internacionais (RI), Jackson e Sorensen (2013) evidenciaram em Wallerstein2 que o 
“capitalismo é uma hierarquia com base na exploração dos pobres pelos ricos e permanecerá 
dessa forma, a não ser que seja substituído” (JACKSON; SORENSEN, 2013, p. 87). Foi essa 
premissa na qual Mao Tsé-Tung legitimou a causa da luta chinesa, emergindo uma política 
que interpretasse com pragmatismo o ambiente hostil em que a China se encontrava à época. 
Ao interpretar suas intenções, Zizek (2008) percebeu em como Mao enxergava a 
política à sua volta. Para ele “O sinal mais confiável do triunfo ideológico do capitalismo é o 
virtual desaparecimento da própria palavra nas últimas duas ou três décadas: dos anos 1980 
em diante” (ZIZEK, 2008, p. 11). Esta virtual sensação se traduziu na ótica de Mao na 
verdadeira batalha contra o capitalismo, na qual deveria ser travada pela via político-
econômica. Zizek (2008) encontrou fundamentos peculiares que incutiram um pensamento 
estratégico, o qual se propagou no longo prazo. Segundo Zizek (2008) a Perspectiva Cósmica 
de Mao reverberou a ideia de que o ser humano não é o único ser vivo a evoluir no universo. 
Zizek (2008) percebeu que ao rejeitar por livre arbítrio a ameaça da bomba atômica, Mao não 
estaria minimizando o alcance do perigo, pois mesmo tendo consciência de que uma guerra 
nuclear poderia extinguir a raça humana, tal ato dificilmente significaria alguma coisa para o 
universo como um todo (ZIZEK, 2008, p. 17). Foi esse fundamento que legitimou o descarte 
da Teoria Humanística em troca de objetivos político-econômicos, levando Mao a instituir a 
maior fome generalizada da história da humanidade3 com o projeto de exportação de 
commodities para a Rússia em prol de equipamentos bélicos (ZIZEK, 2008, p. 18). 
Apesar da total consciência de suas atitudes ao considerar que “talvez metade da China 
tenha que morrer” (ZIZEK, 2008, p. 18), Mao não era contra seu povo, mas a favor de que 
este constituísse meios de dissuasão contra as famigeradas guerras de ocupação de seu 
território. Essa atitude que representou para Zizek (2008) o aspecto mais radical de Mao,
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