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GESTÃO E COMPETITIVIDADE
 IIsabelle Fernandes Clemente
Há um grande número de fatores que determinam o desempenho competitivo de uma empresa.
De maneira geral, podemos dividir as capacidades competitivas em três níveis, ou conjunto de fatores: de natureza sistêmica, estrutural e interna. Essa divisão foi apresentada por Coutinho e Ferraz, organizadores do estudo da competitividade da indústria brasileira, primeiramente editado em 1995 e reeditado até hoje, dada sua relevância.
Os fatores sistêmicos da competitividade são os externos ao ambiente de atuação da empresa. Eles afetam as características do ambiente competitivo e têm importância nas vantagens competitivas das empresas. Podem ser de diversas naturezas, como:
- Macroeconômicos: taxa de câmbio, oferta de crédito e taxas de juros do (s) país (es) onde a empresa atua;
- Político-Institucionais: políticas tributária e tarifária, regras que definem o uso do poder de compra do Estado;
- Regulatórios: políticas de proteção à propriedade industrial, de preservação ambiental, de defesa da concorrência e proteção ao consumidor;
- Infraestruturas: disponibilidade, qualidade e custo de energia, transportes, telecomunicações e serviços tecnológicos;
- Sociais: qualificação da mão de obra (educação profissionalizante e treinamento), políticas de educação e formação de recursos humanos, trabalhista e de seguridade social, grau de exigência dos consumidores;
- Dimensão regional: aspectos relativos à distribuição espacial da produção;
- Internacionais: tendências do comércio mundial, fluxos internacionais de capital, de investimento de risco e de tecnologia, relações com organismos multilaterais, acordos internacionais e políticas de comércio exterior.
Há de se observar, no entanto, que, no Brasil, há certo consenso sobre o chamado Custo Brasil, que significa uma desvantagem de localização, devido principalmente à excessiva carga tributária do Brasil. De forma geral, o Custo Brasil compreende muitos outros fatores que penalizam as empresas aqui instaladas, como as condições limitantes de transporte (ferrovias, rodovias e portos), a baixa qualificação da mão de obra, a instabilidade política e a escassez e alto custo do capital. Esse tema é pertinente, pois o exemplo traz a comparação com produtos chineses, e sabe-se que na China há menores custos de produção associados. Assim, dificilmente os produtos brasileiros terão muitas vantagens competitivas nesse nível de análise.
Os fatores estruturais são aqueles que, mesmo não sendo inteiramente controlados pela empresa, estão parcialmente sob a sua área de influência. A esse grupo estão relacionados:
- Características dos mercados consumidores em termos de sua distribuição geográfica e em faixas de renda; grau de sofisticação e outros requisitos impostos aos produtos; oportunidades de acesso a mercados internacionais; formas e custos de comercialização predominantes;
- Configuração da indústria em que a empresa atua, tais como grau de concentração, escalas de operação, atributos dos insumos, potencialidade de alianças com fornecedores, usuários e concorrentes, grau de verticalização e diversificação setorial e ritmo, origem e direção da evolução tecnológica do setor;
- Concorrência, com relação às regras que definem condutas e estruturas empresariais em suas relações com consumidores, meio ambiente e competidores; sistema fiscal-tributário incidente sobre as operações industriais; práticas de importação e exportação e a propriedade dos meios de produção (inclusive propriedade intelectual das criações).
Aqui, é possível que se obtenha parte das vantagens competitivas nesse nível de análise, tendo em vista que o setor calçadista é bem desenvolvido na região em questão. Os fatores internos à empresa são os que estão sob a sua esfera de decisão e através dos quais procura se distinguir de seus competidores. Incluem os estoques de recursos acumulados pela empresa, as vantagens competitivas que possuem e sua capacidade de ampliá-las. Além disso, pode-se citar também a capacitação tecnológica e produtiva; a qualidade e produtividade dos recursos humanos; o conhecimento do mercado e a capacidade de se adequar às suas especificidades; a qualidade e amplitude de serviços pós-vendas; as boas relações com usuários e fornecedores. Inclui, ainda, a competência em gestão, ou seja, a capacidade dos gestores de gerenciar de forma eficiente e eficaz todos os recursos, distinguindo-se dos concorrentes e gerando valor. Além disso, é importante destacar que uma vantagem competitiva é sempre relativa, ou seja, se a (s) empresa (s) concorrente (s) também possui (em) essa mesma vantagem, isso não será uma vantagem competitiva da nossa empresa, será uma obrigação, já que nossos concorrentes também apresentam essa característica. Portanto, para ser vantagem competitiva, é necessário que, na nossa empresa, isso seja um diferencial. Em outras palavras, algo que realça nossa oferta sobre a oferta dos nossos concorrentes.