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Direito Civil – II – B Obrigações Turma 2º semestre de 2019 Prof. Lucas Alexandre Barquette lucas.barquette@prof.una.br 2019-2 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Importância do Direito das Obrigações O direito das obrigações exerce GRANDE INFLUÊNCIA NA VIDA ECONÔMICA, em razão, principalmente, da notável frequência das relações jurídicas obrigacionais no moderno mundo consumerista. Intervém ele na vida econômica, não só na produção, envolvendo aquisição de matéria- prima e harmonização da relação capital-trabalho, mas também nas relações de consumo, sob diversas modalidades (permuta, compra e venda, locação, arrendamento, alienação fiduciária etc.) e na distribuição e circulação dos bens (contratos de transporte, armazenagem, revenda, consignação etc.). 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Na fase da Antigüidade, o direito romano não conheceu o termo obrigação. Esse período pode ser dividido em quatro momentos: 1 - nexum, 2 - contractus, 3 - pactum e 4 - as Constituições Imperiais SÍNTESE HISTÓRICA 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO 1- O Nexum foi a primeira idéia de vínculo entre dois sujeitos. Por esta ligação contratual, caso o devedor não cumprisse o convencionado, ele era convertido em escravo ou respondia pela dívida com o seu próprio corpo. 2- Já os contractus surgiram com um teor de rigidez na sua estrutura. Tal acordo preocupava- se apenas com os contratos reais ou formais, nos quais, em caso de inadimplemento, o credor poderia se utilizar da actio (forma de preservação do direito utilizada pelos credores). 3- O pactum era o acordo em que as partes não poderiam responsabilizar o devedor em caso de descumprimento do acordado. Tinham mero valor moral e não possuíam caráter obrigatório. O pacto era desprovido da actio. 4- Por fim, com as constituições imperiais, o formalismo dos contractus foi atenuado, criando-se, assim, uma teoria sobre contratos inominados e para os pactos mais simples. SÍNTESE HISTÓRICA 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Na Idade Média, entre os Séculos V e XV, a teoria das obrigações, originária da Europa, derivava dos costumes germânicos. A responsabilidade pelo descumprimento confundia-se com a vingança privada e com a responsabilidade penal. No Renascimento, a relação obrigacional passava a ser caracterizada por dar maior valor às palavras previstas nos contratos. No Século XIX, surgiu a regra da força obrigatória dos contratos, através do Código Napoleônico, em que se procurou dar mais valor à autonomia da vontade. SÍNTESE HISTÓRICA 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO O Código Civil brasileiro de 1916 recebeu forte influência da legislação francesa, inspirado no liberalismo, valorizando o indivíduo, a liberdade e a propriedade. A base contratual que se pautou o diploma civil de 1916 observou características individualistas, observando apenas uma igualdade formal, fazendo lei entre as partes (pacta sunt servanda). Com o CC ficou assegurada a imutabilidade contratual e os contraentes celebravam livremente um acordo que deveria ser absolutamente respeitado. Já no CC2002 veio regular as relações contratuais onde havia os desequilíbrios, cláusulas abusivas e má-fé. SÍNTESE HISTÓRICA 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO ÂMBITO DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES O direito pode ser dividido em dois grandes ramos: o dos direitos NÃO PATRIMONIAIS, concernentes à pessoa humana, como os direitos da personalidade e os de família, e dos DIREITOS PATRIMONIAIS, que, por sua vez, se dividem em reais e obrigacionais. Os Reais integram o direito das coisas. Os obrigacionais, pessoais ou de crédito compõem o direito das obrigações, que será objeto de nosso estudo. Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais Ramos do Direito Direitos não patrimoniais (concernentes à pessoa humana: direitos da personalidade, direitos de família) Direitos patrimoniais Obrigacionais ou pessoais (compõem o direito das obrigações) Reais (integram o direito das coisas) Direito pessoal: consiste num vínculo jurídico pelo qual o sujeito ativo pode exigir do sujeito passivo determinada prestação. Constitui uma relação de pessoa a pessoa e tem como elementos o sujeito ativo, o sujeito passivo e a prestação. Direito real: pode ser definido como o poder jurídico, direto e imediato, do titular sobre a coisa, com exclusividade e contra todos. Tem como elementos essenciais: o sujeito ativo, a coisa e a relação ou poder do sujeito ativo sobre a coisa, chamado domínio. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais Os direitos obrigacionais (jus ad rem) diferem, em linhas gerais, dos reais (ius in re): a) quanto ao objeto, porque exigem o cumprimento de determinada prestação, ao passo que os direitos reais incidem sobre uma coisa; b) quanto ao sujeito, porque o sujeito passivo é determinado ou determinável, enquanto nos direitos reais é indeterminado (são todas as pessoas do universo, que devem abster-se de molestar o titular); c) quanto à duração, porque são transitórios e se extinguem pelo cumprimento ou por outros meios, enquanto os direitos reais são perpétuos, não se extinguindo pelo não uso, e sim nos casos expressos em lei (desapropriação, usucapião em favor de terceiro etc.); 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais d) quanto à formação, pois podem resultar da vontade das partes, sendo ilimitado o número de contratos inominados (numerus apertus), ao passo que os direitos reais só podem ser criados pela lei, sendo seu número limitado e regulado por esta (numerus clausus); e) quanto ao exercício, porque exigem uma figura intermediária, que é o devedor, enquanto os direitos reais são exercidos diretamente sobre a coisa, sem necessidade da existência de um sujeito passivo; e f) quanto à ação, que é dirigida somente contra quem figura na relação jurídica como sujeito passivo (ação pessoal), ao passo que a ação real pode ser exercida contra quem quer que detenha a coisa. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais Em verdade, a despeito das diferenças apontadas, são muitos os pontos de contato entre os direitos obrigacionais e os direitos reais, que se entrelaçam. Algumas vezes a obrigação tem por escopo justamente adquirir a propriedade ou outro direito real, como sucede na compra e venda. Em outras, os direitos reais atuam como acessórios dos direitos obrigacionais, visando conferir segurança a estes (caso das garantias reais de penhor e hipoteca, p. ex). 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Pode-se dizer que o direito das obrigações consiste num complexo de normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial, as quais têm por objeto prestações de um sujeito em proveito de outro. Nesse ramo do direito o vínculo jurídico se estabelece entre credor e devedor onde o primeiro tem o poder de exigir do outro uma prestação ao passo que o segundo tem o dever jurídico de cumprir a prestação. O vínculo a que se infere é entre credor e devedor, sendo, portanto, de caráter pessoal (direito pessoal), excluindo dessa órbita de direito os vínculos entre o sujeito e a coisa (direitos reais). 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Para César Fiúza a palavra obrigação pode ser tomada em duas acepções: Latu sensu: qualquer dever jurídico. Ex: dever de fidelidade no casamento, dever de respeito mútuo, dever de obediência dos filhos. Stricto sensu: dever jurídico patrimonial que são aqueles que podem ser traduzidos em valores econômicos.Ex: pagar um empréstimo, entregar a coisa num contrato de compra e venda. No Direito das obrigações interessa os deveres jurídicos patrimoniais. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES “Relação jurídica transitória, de cunho pecuniário, unindo duas (ou mais) pessoas, devendo uma (o devedor) realizar uma prestação à outra (o credor).” (VENOSA, 2006, p. 5) “Relação jurídica, de caráter transitório, estabelecida entre devedor e credor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica, positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio.” (Washington de Barros Monteiro) 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Obrigação é uma relação jurídica de caráter patrimonial, pessoal e transitória, pessoal e patrimonial onde o devedor tem o deve de cumprir uma prestação de dar, fazer ou não fazer, sob pena de responsabilidade patrimonial. É chamada por alguns autores (ex. Maria Helena Diniz) como relação creditícia. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Disciplina as RELAÇÕES JURÍDICAS DE NATUREZA PESSOAL, visto que seu conteúdo é a prestação patrimonial, ou seja, a ação ou omissão do devedor tendo em vista o interesse do credor, o qual, por sua vez, tem o direito de exigir o seu cumprimento, podendo, para tanto, movimentar a máquina judiciária, se necessário. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Na verdade, as obrigações se caracterizam, não tanto como um dever do obrigado, mas como um direito do credor. A PRINCIPAL FINALIDADE do direito das obrigações consiste exatamente em fornecer meios ao credor para exigir do devedor o cumprimento da prestação. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO ELEMENTOS ESSENCIAIS DAS OBRIGAÇÕES Modernamente, consideram-se três os seus elementos essenciais: Os sujeitos (elemento subjetivo); O objeto (elemento objetivo ou material); O vínculo jurídico ou conteúdo da relação (elemento imaterial). 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO ELEMENTOS ESSENCIAIS DAS OBRIGAÇÕES Sujeitos da relação obrigacional O elemento subjetivo da obrigação ostenta a peculiaridade de ser duplo: sujeito ativo (credor) e sujeito passivo (devedor). Os sujeitos da obrigação, tanto o ativo como o passivo, podem ser pessoa natural ou jurídica, de qualquer natureza, bem como as sociedades de fato. Devem ser, contudo, determinados ou, ao menos, determináveis. Só não podem ser absolutamente indetermináveis. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO ELEMENTOS ESSENCIAIS DAS OBRIGAÇÕES Algumas vezes o sujeito da obrigação, ativo ou passivo, não é desde logo determinado. No entanto, a fonte da obrigação deve fornecer os elementos ou dados necessários para a sua determinação. Assim, por exemplo, no contrato de doação, o donatário pode não ser desde logo determinado, mas deverá ser determinável no momento de seu cumprimento (quando se oferece, p. ex., um troféu ao vencedor de um concurso ou ao melhor aluno de uma classe). 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO ELEMENTOS ESSENCIAIS DAS OBRIGAÇÕES Outros Exemplos: (Ex: título ao portador; quem estiver portando o título é quem se beneficiará da prestação. Promessa de Recompensa: divulga no jornal quem achar o cachorro de estimação receberá recompensa em dinheiro; quem cumprir a prestação será recompensado). Se não estiver individualizado quando do adimplemento da obrigação poderá o devedor exonerar-se dela por meio da consignação em pagamento. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Sujeito Ativo (credor) É chamado na relação obrigacional de CREDOR. É aquele que tem interesse pelo cumprimento da obrigação. Ele quem receberá a prestação devida tendo direito, por conseguinte, de cobrá-la caso não haja o cumprimento. Pode ser único ou coletivo tendo direito respectivamente a toda prestação ou à quota parte dela. Poder ser qualquer pessoa, maior ou menor, capaz ou incapaz, tem qualidade para figurar no polo ativo da relação obrigacional, inexistindo, de um modo geral, restrição a esse respeito. Se não for capaz, será representada ou assistida por seu representante legal, dependendo ainda, em alguns casos, de autorização judicial. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Sujeito Ativo (credor) Também as pessoas jurídicas, de qualquer natureza, de direito público ou privado, de fins econômicos ou não, de existência legal ou de fato, podem legitimamente figurar como sujeito ativo de um direito obrigacional. Pode a obrigação também existir em favor de pessoas ou entidades futuras ou, ainda, não existentes, como nascituros e pessoas jurídicas em formação. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Sujeito Passivo (devedor) O devedor é o sujeito passivo da relação obrigacional, a pessoa sobre a qual recai o dever de cumprir a prestação jurídica convencionada. É dele que o credor tem o poder de exigir o adimplemento da prestação, destinada a satisfazer o seu interesse, por estar adstrito ao seu cumprimento. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Objeto da relação obrigacional Objeto da obrigação é sempre uma conduta ou ato humano: dar, fazer ou não fazer. E se chama prestação, que pode ser positiva (dar e fazer) ou negativa (não fazer). O objeto da relação obrigacional é, pois, a prestação debitória. É a ação ou omissão a que o devedor fica adstrito e que o credor tem o direito de exigir. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Objeto da relação obrigacional É a atividade ou abstenção a ser cumprida pelo devedor. Ex: prestação de um serviço, não construir muito próximo do outro imóvel. Maria Helena Diniz e Silvio de Salvo Venosa lecionam que o objeto da obrigação pode ser mediato ou imediato. O objeto imediato consiste na atividade ou abstenção do devedor. O objeto mediato é o objeto material (coisa) ou imaterial que recaí a prestação. Ex: obrigação de entregar uma jóia. Objeto imediato: entregar a jóia. Objeto mediato: jóia. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Qualquer que seja a obrigação assumida pelo devedor, ela se subsumirá sempre a uma prestação: a) de dar, que pode ser de dar coisa certa ou incerta e consiste em entregá-la ou restituí-la; ou b) de fazer, que pode ser infungível ou fungível e de emitir declaração de vontade; ou, ainda, c) de não fazer. A prestação (dar, fazer e não fazer) é o objeto imediato da obrigação. Objeto mediato ou objeto da prestação é, pois, na obrigação de dar, a própria coisa, e, na de fazer, a obra ou serviço encomendado (obrigação do empreiteiro e do transportador, p. ex.). Não se confunde, pois, o ato da prestação, a que o obrigado se encontra vinculado, com a coisa material sobre o qual aquele ato incide. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Objeto imediato da obrigação Prestação Fazer (positiva) Conduta humana Dar, fazer ou não fazer o quê: objeto da prestação ou objeto mediato da obrigação Dar (positiva) Não Fazer (negativa) 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Requisitos do objeto imediato (prestação) da obrigação A prestação ou objeto imediato deve obedecer a certos requisitos para que a obrigação se constitua validamente. Assim, deve ser: . Lícito; . Possível; . Determinado ou determinável; e . Economicamente apreciável. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Requisitos do objeto imediato (prestação) da obrigação . Lícito: a prestação deve ser em conformidade com o direito: normas, bons costumes, moral e à ordem pública, sob pena de nulidade. Ex: fabricar notas falsas, negociar um homicídio. . Possível: a prestação deve ser física ou juridicamente possível, ou seja, pode ser realizada fisicamente e nãopode ser proibida por lei. Ex: transportar o mar para Minas Gerais, vender um terreno na lua, alienar bens públicos, vender herança de pessoa viva. A impossibilidade absoluta do objeto torna nula a obrigação. A impossibilidade relativa, uma vez que o cumprimento da parte possível pode ser útil ao credor. Ex: contrato de prestação de serviço em que se negocia o transporte do mar da Bahia para Minas Gerais e o transporte de mercadorias (caixas de frutas). 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Requisitos do objeto imediato (prestação) da obrigação . Determinado ou determinável: a prestação será determinada quando perfeitamente individualizado o objeto. Ex: compro um automóvel X, da marca Y, do ano 2006, com número de chassi ZZZZ. Será determinável quando sua individuação ocorrer no momento do adimplemento da obrigação. Indica-se o gênero e a quantidade. Ex: compra e venda de toda produção de café dada do mês tal a tal. . Economicamente apreciável (Patrimonial): a prestação deve ser suscetível de se mensurar economicamente sob pena de não constitui uma obrigação jurídica. Se não houve valor econômico não há como verificar os danos. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Vínculo jurídico da relação obrigacional Vínculo jurídico da relação obrigacional é o liame existente entre o sujeito ativo e o sujeito passivo e que confere ao primeiro o direito de exigir do segundo o cumprimento da prestação. Nasce de diversas fontes, quais sejam, os contratos, as declarações unilaterais da vontade e os atos ilícitos. O vínculo jurídico compõe-se de dois elementos: débito e responsabilidade. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO O primeiro (débito) é também chamado de vínculo espiritual, abstrato ou imaterial, devido ao comportamento que a lei sugere ao devedor, como um dever ínsito em sua consciência, no sentido de honrar seus compromissos. Une o devedor ao credor, exigindo, pois, que aquele cumpra pontualmente a obrigação. Subordinação Jurídica devendo o devedor praticar ou deixar de praticar algo em favor do credor. Ex: obrigação de entregar dinheiro do aluguel. O segundo elemento (responsabilidade), também denominado vínculo material confere ao credor não satisfeito o direito de exigir judicialmente o cumprimento da obrigação, submetendo àquele os bens do devedor. Ex: como não cumpriu espontaneamente a obrigação entregando o dinheiro terá responsabilidade no sentido de responder com o seu patrimônio. O vínculo jurídico abrange tanto o poder conferido ao credor de exigir a prestação como o correlativo dever de prestar imposto ao devedor, estabelecendo o liame entre um e outro. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Distinção entre Obrigação e Responsabilidade .Obrigação Como vimos, a relação jurídica obrigacional resulta da vontade humana ou da vontade do Estado, por intermédio da lei, e deve ser cumprida espontânea e voluntariamente. Quando tal fato não acontece, surge a responsabilidade. Esta, portanto, não chega a despontar quando se dá o que normalmente acontece: o cumprimento da prestação. Cumprida, a obrigação se extingue. Não cumprida, nasce a responsabilidade, que tem como garantia o patrimônio geral do devedor. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Responsabilidade A responsabilidade é, assim, a consequência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. Pode- se, pois, afirmar que a relação obrigacional tem por fim precípuo a prestação devida e, secundariamente, a sujeição do patrimônio do devedor que não a satisfaz. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Arnoldo Wald, depois de dizer que o dever de prestar surge do débito e que a ação judicial sobre o patrimônio surge da responsabilidade ou garantia, lembra que a distinção entre obrigação e responsabilidade foi feita por Brinz, na Alemanha, que discriminou, na relação obrigacional, dois momentos distintos: a) o do débito (Schuld), consistindo na obrigação de realizar a prestação e dependente de ação ou omissão do devedor; b) o da responsabilidade (Haftung), na qual se faculta ao credor atacar e executar o patrimônio do devedor a fim de obter o pagamento devido ou indenização pelos prejuízos causados em virtude do inadimplemento da obrigação originária na forma previamente estabelecida. O Shuld, portanto, consiste no dever legal, imposto ao devedor, de cumprir a obrigação. Uma vez cumprida, ela se extingue, não dando oportunidade a que surja a responsabilidade, isto é, o Haftung. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Caio Mário da Silva Pereira observa que, embora os dois elementos, Schuld e Haftung, coexistam na obrigação normalmente, o segundo (Haftung) habitualmente aparece no seu inadimplemento: deixando de cumpri-la o sujeito passivo, pode o credor valer-se do princípio da responsabilidade. Mas se normalmente andam de parelha, “às vezes podem estar separados, como no caso da fiança, em que a Haftung é do fiador, enquanto o debitum é do afiançado”. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Também os autores alemães que se dedicaram ao estudo da matéria reconhecem, que, embora os dois conceitos — obrigação e responsabilidade — estejam normalmente ligados, nada impede que haja uma obrigação sem responsabilidade ou uma responsabilidade sem obrigação. Como exemplo do primeiro caso, costumam-se citar as obrigações naturais, que não são exigíveis judicialmente, mas que, uma vez pagas, não dão margem à repetição do indébito, como ocorre em relação às dívidas de jogo e aos débitos prescritos pagos após o decurso do prazo prescricional. Há, ao contrário, responsabilidade sem obrigação no caso de fiança, em que o fiador é responsável, sem ter dívida, surgindo o seu dever jurídico com o inadimplemento do afiançado em relação à obrigação originária por ele assumida. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Obrigação Cumprimento (Shuld): extinção Inadimplemento: responsabilidade (Haftung) 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Fontes das Obrigações O Código Civil não disciplina as fontes das obrigações em dispositivo específico, deixando a cargo da doutrina e da jurisprudência o seu estudo. É o nascedouro, ou seja, de onde surge a obrigação, tem como origem os seguintes elementos: a) Contrato b) Atos Unilaterais c) Atos Ilícitos d) Abuso de Direito e) Lei 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Fontes das Obrigações a) Contrato: é o negócio jurídico bilateral ou plurilateral que cria, modifica ou extingue relações jurídicas de caráter patrimonial. O contrato pode ser típico se regulamentado por lei ou atípico se decorrer da autonomia privada (art. 425, do CC). Como exemplo de contrato atípico denominado Time Sharing (tempo dividido) ou multipropriedade, significa aquisição do bem por meio de cotas em que o tempo de utilização é fracionado e previamente estipulado. b) Atos Unilaterais: são atos humanos lícitos em que uma declaração de vontades gera obrigação. Como exemplo a promessa de recompensa, gestão de negócios, pagamento indevido e enriquecimento sem causa. c) Atos Ilícitos e Abuso de Direito: são aqueles que causam danos e sendo assim, importantíssimos para o direito obrigacional. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Fontes das Obrigações d) Título de crédito: trata-se de documento de caráter autônomo, bem como de natureza obrigacional privada, porém de interesse maior do direito empresarial. e) Lei: tal ponto é polêmico, pois há quem pergunte se a lei é fonte da obrigação ou não, sendo duas correntes: a primeira de Washington de Barros Monteiro: sim, a lei é fonte primária da obrigação (francês que defendeu essa tese é o Pothien). Como exemplo direito a alimentos; já em um segundo momento Orlando Gomes e Fernando Noronha: a lei é abstrata e por si só não gera a obrigação, porém acompanhada de um fato jurídico ela passaa ser fonte. E exemplifica que a lei autoriza a elaboração do título de crédito, porém este nunca será criado sozinho. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO Fontes das Obrigações A obrigação resulta: a) da vontade do Estado, por intermédio da lei; b) da vontade humana, manifestada no contrato, na declaração unilateral ou na prática de um ato ilícito ou abuso de direito. No primeiro caso, a lei é a fonte imediata da obrigação; no segundo, a mediata. Por estar sempre presente, mediata ou imediatamente, alguns a consideram a única fonte das obrigações. 1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO