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Direito	Civil	– II	– B
Obrigações
Turma	2º	semestre	de	2019
Prof.	Lucas	Alexandre	Barquette
lucas.barquette@prof.una.br
2019-2
1.	CONTEÚDO	- NOÇÃO	GERAL	DE	OBRIGAÇÃO
Importância	do	Direito	das	Obrigações
O direito das obrigações exerce GRANDE INFLUÊNCIA NA VIDA ECONÔMICA, em razão,
principalmente, da notável frequência das relações jurídicas obrigacionais no moderno
mundo consumerista.
Intervém ele na vida econômica, não só na produção, envolvendo aquisição de matéria-
prima e harmonização da relação capital-trabalho, mas também nas relações de consumo,
sob diversas modalidades (permuta, compra e venda, locação, arrendamento, alienação
fiduciária etc.) e na distribuição e circulação dos bens (contratos de transporte,
armazenagem, revenda, consignação etc.).
1.	CONTEÚDO	- NOÇÃO	GERAL	DE	OBRIGAÇÃO
Na fase da Antigüidade, o direito romano não conheceu o termo obrigação.
Esse período pode ser dividido em quatro momentos:
1 - nexum,
2 - contractus,
3 - pactum e
4 - as Constituições Imperiais
SÍNTESE HISTÓRICA
1.	CONTEÚDO	- NOÇÃO	GERAL	DE	OBRIGAÇÃO
1- O Nexum foi a primeira idéia de vínculo entre dois sujeitos. Por esta ligação contratual,
caso o devedor não cumprisse o convencionado, ele era convertido em escravo ou
respondia pela dívida com o seu próprio corpo.
2- Já os contractus surgiram com um teor de rigidez na sua estrutura. Tal acordo preocupava-
se apenas com os contratos reais ou formais, nos quais, em caso de inadimplemento, o
credor poderia se utilizar da actio (forma de preservação do direito utilizada pelos credores).
3- O pactum era o acordo em que as partes não poderiam responsabilizar o devedor em caso
de descumprimento do acordado. Tinham mero valor moral e não possuíam caráter
obrigatório. O pacto era desprovido da actio.
4- Por fim, com as constituições imperiais, o formalismo dos contractus foi atenuado,
criando-se, assim, uma teoria sobre contratos inominados e para os pactos mais simples.
SÍNTESE HISTÓRICA
1.	CONTEÚDO	- NOÇÃO	GERAL	DE	OBRIGAÇÃO
Na Idade Média, entre os Séculos V e XV, a teoria das obrigações, originária da Europa,
derivava dos costumes germânicos. A responsabilidade pelo descumprimento confundia-se
com a vingança privada e com a responsabilidade penal.
No Renascimento, a relação obrigacional passava a ser caracterizada por dar maior valor às
palavras previstas nos contratos.
No Século XIX, surgiu a regra da força obrigatória dos contratos, através do Código
Napoleônico, em que se procurou dar mais valor à autonomia da vontade.
SÍNTESE HISTÓRICA
1.	CONTEÚDO	- NOÇÃO	GERAL	DE	OBRIGAÇÃO
O	Código	Civil	brasileiro	de	1916	recebeu	forte	 influência	da	 legislação	francesa,	 inspirado	
no	liberalismo,	valorizando	o	indivíduo,	a	liberdade	e	a	propriedade.
A	 base	 contratual	 que	 se	 pautou	 o	 diploma	 civil	 de	 1916	 observou	 características	
individualistas,	observando	apenas	uma	igualdade	formal,	fazendo	lei	entre	as	partes	(pacta	
sunt	servanda).	
Com	 o	 CC	 ficou	 assegurada	 a	 imutabilidade	 contratual	 e	 os	 contraentes	 celebravam	
livremente	um	acordo	que	deveria	ser	absolutamente	respeitado.	
Já	 no	 CC2002	 veio	 regular	 as	 relações	 contratuais	 onde	 havia	 os	 desequilíbrios,	 cláusulas	
abusivas	e	má-fé.	
SÍNTESE HISTÓRICA
1.	CONTEÚDO	- NOÇÃO	GERAL	DE	OBRIGAÇÃO
ÂMBITO	DO	DIREITO	DAS	OBRIGAÇÕES
O direito pode ser dividido em dois grandes ramos:
o dos direitos NÃO PATRIMONIAIS, concernentes à pessoa humana, como os direitos da
personalidade e os de família,
e dos DIREITOS PATRIMONIAIS, que, por sua vez, se dividem em reais e obrigacionais.
Os Reais integram o direito das coisas.
Os obrigacionais, pessoais ou de crédito compõem o direito das obrigações, que será
objeto de nosso estudo.
Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais
Ramos	do	
Direito
Direitos não patrimoniais
(concernentes à pessoa humana: direitos
da personalidade, direitos de família)
Direitos
patrimoniais
Obrigacionais ou
pessoais (compõem o
direito das obrigações)
Reais
(integram o
direito das coisas)
Direito pessoal: consiste num vínculo jurídico pelo qual o sujeito ativo pode
exigir do sujeito passivo determinada prestação. Constitui uma relação de
pessoa a pessoa e tem como elementos o sujeito ativo, o sujeito passivo e a
prestação.
Direito real: pode ser definido como o poder jurídico, direto e imediato, do
titular sobre a coisa, com exclusividade e contra todos. Tem como
elementos essenciais: o sujeito ativo, a coisa e a relação ou poder do
sujeito ativo sobre a coisa, chamado domínio.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais
Os direitos obrigacionais (jus ad rem) diferem, em linhas gerais, dos reais (ius in
re):
a) quanto ao objeto, porque exigem o cumprimento de determinada prestação, ao
passo que os direitos reais incidem sobre uma coisa;
b) quanto ao sujeito, porque o sujeito passivo é determinado ou determinável,
enquanto nos direitos reais é indeterminado (são todas as pessoas do universo,
que devem abster-se de molestar o titular);
c) quanto à duração, porque são transitórios e se extinguem pelo cumprimento ou
por outros meios, enquanto os direitos reais são perpétuos, não se extinguindo pelo
não uso, e sim nos casos expressos em lei (desapropriação, usucapião em favor de
terceiro etc.);
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais
d) quanto à formação, pois podem resultar da vontade das partes, sendo
ilimitado o número de contratos inominados (numerus apertus), ao passo
que os direitos reais só podem ser criados pela lei, sendo seu número
limitado e regulado por esta (numerus clausus);
e) quanto ao exercício, porque exigem uma figura intermediária, que é o
devedor, enquanto os direitos reais são exercidos diretamente sobre a
coisa, sem necessidade da existência de um sujeito passivo; e
f) quanto à ação, que é dirigida somente contra quem figura na relação
jurídica como sujeito passivo (ação pessoal), ao passo que a ação real
pode ser exercida contra quem quer que detenha a coisa.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais
Em verdade, a despeito das diferenças apontadas, são muitos os pontos
de contato entre os direitos obrigacionais e os direitos reais, que se
entrelaçam.
Algumas vezes a obrigação tem por escopo justamente adquirir a
propriedade ou outro direito real, como sucede na compra e venda.
Em outras, os direitos reais atuam como acessórios dos direitos
obrigacionais, visando conferir segurança a estes (caso das garantias
reais de penhor e hipoteca, p. ex).
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Distinção entre Direitos Pessoais (Obrigacionais) e Direito Reais
CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
Pode-se dizer que o direito das obrigações consiste num complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial, as quais
têm por objeto prestações de um sujeito em proveito de outro.
Nesse ramo do direito o vínculo jurídico se estabelece entre credor e
devedor onde o primeiro tem o poder de exigir do outro uma
prestação ao passo que o segundo tem o dever jurídico de cumprir a
prestação.
O vínculo a que se infere é entre credor e devedor, sendo, portanto, de
caráter pessoal (direito pessoal), excluindo dessa órbita de direito os
vínculos entre o sujeito e a coisa (direitos reais).
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Para César Fiúza a palavra obrigação pode ser tomada em duas
acepções:
Latu sensu: qualquer dever jurídico.
Ex: dever de fidelidade no casamento, dever de respeito mútuo,
dever de obediência dos filhos.
Stricto sensu: dever jurídico patrimonial que são aqueles que
podem ser traduzidos em valores econômicos.Ex: pagar um empréstimo, entregar a coisa num contrato de
compra e venda.
No Direito das obrigações interessa os deveres jurídicos
patrimoniais.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
“Relação jurídica transitória, de cunho pecuniário, unindo
duas (ou mais) pessoas, devendo uma (o devedor) realizar
uma prestação à outra (o credor).” (VENOSA, 2006, p. 5)
“Relação jurídica, de caráter transitório, estabelecida entre
devedor e credor e cujo objeto consiste numa prestação
pessoal econômica, positiva ou negativa, devida pelo
primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento
através de seu patrimônio.” (Washington de Barros
Monteiro)
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
Obrigação é uma relação jurídica de caráter patrimonial,
pessoal e transitória, pessoal e patrimonial onde o devedor
tem o deve de cumprir uma prestação de dar, fazer ou não
fazer, sob pena de responsabilidade patrimonial.
É chamada por alguns autores (ex. Maria Helena Diniz)
como relação creditícia.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
Disciplina as RELAÇÕES JURÍDICAS DE NATUREZA
PESSOAL, visto que seu conteúdo é a prestação
patrimonial, ou seja, a ação ou omissão do devedor tendo
em vista o interesse do credor, o qual, por sua vez, tem o
direito de exigir o seu cumprimento, podendo, para tanto,
movimentar a máquina judiciária, se necessário.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
CONCEITO DE DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
Na verdade, as obrigações se caracterizam, não tanto como
um dever do obrigado, mas como um direito do credor.
A PRINCIPAL FINALIDADE do direito das obrigações
consiste exatamente em fornecer meios ao credor para
exigir do devedor o cumprimento da prestação.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
ELEMENTOS ESSENCIAIS DAS OBRIGAÇÕES
Modernamente, consideram-se três os seus elementos 
essenciais:
Os sujeitos (elemento subjetivo);
O objeto (elemento objetivo ou material); 
O vínculo jurídico ou conteúdo da relação (elemento 
imaterial).
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
ELEMENTOS ESSENCIAIS DAS OBRIGAÇÕES
Sujeitos da relação obrigacional
O elemento subjetivo da obrigação ostenta a peculiaridade de
ser duplo: sujeito ativo (credor) e sujeito passivo (devedor).
Os sujeitos da obrigação, tanto o ativo como o passivo, podem
ser pessoa natural ou jurídica, de qualquer natureza, bem
como as sociedades de fato. Devem ser, contudo,
determinados ou, ao menos, determináveis. Só não podem
ser absolutamente indetermináveis.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
ELEMENTOS ESSENCIAIS DAS OBRIGAÇÕES
Algumas vezes o sujeito da obrigação, ativo ou passivo, não é
desde logo determinado. No entanto, a fonte da obrigação
deve fornecer os elementos ou dados necessários para a sua
determinação.
Assim, por exemplo, no contrato de doação, o donatário pode
não ser desde logo determinado, mas deverá ser determinável
no momento de seu cumprimento (quando se oferece, p. ex.,
um troféu ao vencedor de um concurso ou ao melhor aluno de
uma classe).
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
ELEMENTOS ESSENCIAIS DAS OBRIGAÇÕES
Outros Exemplos: (Ex: título ao portador; quem estiver portando o
título é quem se beneficiará da prestação. Promessa de
Recompensa: divulga no jornal quem achar o cachorro de estimação
receberá recompensa em dinheiro; quem cumprir a prestação será
recompensado).
Se não estiver individualizado quando do adimplemento da obrigação
poderá o devedor exonerar-se dela por meio da consignação em
pagamento.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Sujeito Ativo (credor)
É chamado na relação obrigacional de CREDOR.
É aquele que tem interesse pelo cumprimento da obrigação.
Ele quem receberá a prestação devida tendo direito, por conseguinte, de cobrá-la
caso não haja o cumprimento.
Pode ser único ou coletivo tendo direito respectivamente a toda prestação ou à quota
parte dela.
Poder ser qualquer pessoa, maior ou menor, capaz ou incapaz, tem qualidade para
figurar no polo ativo da relação obrigacional, inexistindo, de um modo geral,
restrição a esse respeito. Se não for capaz, será representada ou assistida por seu
representante legal, dependendo ainda, em alguns casos, de autorização judicial.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Sujeito Ativo (credor)
Também as pessoas jurídicas, de qualquer natureza, de direito público
ou privado, de fins econômicos ou não, de existência legal ou de fato,
podem legitimamente figurar como sujeito ativo de um direito
obrigacional.
Pode a obrigação também existir em favor de pessoas ou entidades
futuras ou, ainda, não existentes, como nascituros e pessoas jurídicas
em formação.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Sujeito Passivo (devedor)
O devedor é o sujeito passivo da relação obrigacional, a
pessoa sobre a qual recai o dever de cumprir a prestação
jurídica convencionada.
É dele que o credor tem o poder de exigir o adimplemento
da prestação, destinada a satisfazer o seu interesse, por
estar adstrito ao seu cumprimento.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Objeto da relação obrigacional
Objeto da obrigação é sempre uma conduta ou ato
humano: dar, fazer ou não fazer.
E se chama prestação, que pode ser positiva (dar e fazer)
ou negativa (não fazer).
O objeto da relação obrigacional é, pois, a prestação
debitória. É a ação ou omissão a que o devedor fica
adstrito e que o credor tem o direito de exigir.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Objeto da relação obrigacional
É a atividade ou abstenção a ser cumprida pelo devedor. Ex:
prestação de um serviço, não construir muito próximo do outro imóvel.
Maria Helena Diniz e Silvio de Salvo Venosa lecionam que o objeto da
obrigação pode ser mediato ou imediato.
O objeto imediato consiste na atividade ou abstenção do devedor.
O objeto mediato é o objeto material (coisa) ou imaterial que recaí a
prestação.
Ex: obrigação de entregar uma jóia.
Objeto imediato: entregar a jóia. Objeto mediato: jóia.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Qualquer que seja a obrigação assumida pelo devedor, ela se subsumirá sempre a
uma prestação:
a) de dar, que pode ser de dar coisa certa ou incerta e consiste em entregá-la ou
restituí-la; ou
b) de fazer, que pode ser infungível ou fungível e de emitir declaração de vontade;
ou, ainda,
c) de não fazer.
A prestação (dar, fazer e não fazer) é o objeto imediato da obrigação.
Objeto mediato ou objeto da prestação é, pois, na obrigação de dar, a própria coisa,
e, na de fazer, a obra ou serviço encomendado (obrigação do empreiteiro e do
transportador, p. ex.).
Não se confunde, pois, o ato da prestação, a que o obrigado se encontra vinculado,
com a coisa material sobre o qual aquele ato incide.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Objeto
imediato da
obrigação
Prestação
Fazer
(positiva)
Conduta humana
Dar, fazer ou não
fazer o quê: objeto
da prestação ou
objeto mediato
da obrigação
Dar
(positiva)
Não Fazer
(negativa)
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Requisitos do objeto imediato (prestação) da obrigação
A prestação ou objeto imediato deve obedecer a certos
requisitos para que a obrigação se constitua validamente.
Assim, deve ser:
. Lícito;
. Possível;
. Determinado ou determinável; e
. Economicamente apreciável.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Requisitos do objeto imediato (prestação) da obrigação
. Lícito: a prestação deve ser em conformidade com o direito: normas,
bons costumes, moral e à ordem pública, sob pena de nulidade. Ex:
fabricar notas falsas, negociar um homicídio.
. Possível: a prestação deve ser física ou juridicamente possível, ou seja,
pode ser realizada fisicamente e nãopode ser proibida por lei. Ex:
transportar o mar para Minas Gerais, vender um terreno na lua, alienar
bens públicos, vender herança de pessoa viva. A impossibilidade absoluta
do objeto torna nula a obrigação. A impossibilidade relativa, uma vez que
o cumprimento da parte possível pode ser útil ao credor. Ex: contrato de
prestação de serviço em que se negocia o transporte do mar da Bahia
para Minas Gerais e o transporte de mercadorias (caixas de frutas).
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE 
OBRIGAÇÃO
Requisitos do objeto imediato (prestação) da obrigação
. Determinado ou determinável: a prestação será determinada quando
perfeitamente individualizado o objeto. Ex: compro um automóvel X, da
marca Y, do ano 2006, com número de chassi ZZZZ. Será determinável
quando sua individuação ocorrer no momento do adimplemento da
obrigação. Indica-se o gênero e a quantidade. Ex: compra e venda de
toda produção de café dada do mês tal a tal.
. Economicamente apreciável (Patrimonial): a prestação deve ser
suscetível de se mensurar economicamente sob pena de não constitui
uma obrigação jurídica. Se não houve valor econômico não há como
verificar os danos.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE 
OBRIGAÇÃO
Vínculo jurídico da relação obrigacional
Vínculo jurídico da relação obrigacional é o liame existente entre o
sujeito ativo e o sujeito passivo e que confere ao primeiro o direito de
exigir do segundo o cumprimento da prestação. Nasce de diversas
fontes, quais sejam, os contratos, as declarações unilaterais da
vontade e os atos ilícitos.
O vínculo jurídico compõe-se de dois elementos: débito e
responsabilidade.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
O primeiro (débito) é também chamado de vínculo espiritual, abstrato ou
imaterial, devido ao comportamento que a lei sugere ao devedor, como um
dever ínsito em sua consciência, no sentido de honrar seus compromissos. Une
o devedor ao credor, exigindo, pois, que aquele cumpra pontualmente a
obrigação. Subordinação Jurídica devendo o devedor praticar ou deixar de
praticar algo em favor do credor. Ex: obrigação de entregar dinheiro do aluguel.
O segundo elemento (responsabilidade), também denominado vínculo
material confere ao credor não satisfeito o direito de exigir judicialmente o
cumprimento da obrigação, submetendo àquele os bens do devedor. Ex: como
não cumpriu espontaneamente a obrigação entregando o dinheiro terá
responsabilidade no sentido de responder com o seu patrimônio.
O vínculo jurídico abrange tanto o poder conferido ao credor de exigir a
prestação como o correlativo dever de prestar imposto ao devedor,
estabelecendo o liame entre um e outro.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL DE OBRIGAÇÃO
Distinção entre Obrigação e Responsabilidade
.Obrigação
Como vimos, a relação jurídica obrigacional resulta da vontade
humana ou da vontade do Estado, por intermédio da lei, e deve ser
cumprida espontânea e voluntariamente.
Quando tal fato não acontece, surge a responsabilidade. Esta,
portanto, não chega a despontar quando se dá o que normalmente
acontece: o cumprimento da prestação. Cumprida, a obrigação se
extingue. Não cumprida, nasce a responsabilidade, que tem
como garantia o patrimônio geral do devedor.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Responsabilidade
A responsabilidade é, assim, a consequência jurídica
patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. Pode-
se, pois, afirmar que a relação obrigacional tem por fim precípuo
a prestação devida e, secundariamente, a sujeição do patrimônio
do devedor que não a satisfaz.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Arnoldo Wald, depois de dizer que o dever de prestar surge do débito e
que a ação judicial sobre o patrimônio surge da responsabilidade ou
garantia, lembra que a distinção entre obrigação e responsabilidade foi
feita por Brinz, na Alemanha, que discriminou, na relação obrigacional,
dois momentos distintos:
a) o do débito (Schuld), consistindo na obrigação de realizar a prestação
e dependente de ação ou omissão do devedor;
b) o da responsabilidade (Haftung), na qual se faculta ao credor atacar e
executar o patrimônio do devedor a fim de obter o pagamento devido ou
indenização pelos prejuízos causados em virtude do inadimplemento da
obrigação originária na forma previamente estabelecida.
O Shuld, portanto, consiste no dever legal, imposto ao devedor, de
cumprir a obrigação. Uma vez cumprida, ela se extingue, não dando
oportunidade a que surja a responsabilidade, isto é, o Haftung.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Caio Mário da Silva Pereira observa que, embora os dois elementos,
Schuld e Haftung, coexistam na obrigação normalmente, o segundo
(Haftung) habitualmente aparece no seu inadimplemento:
deixando de cumpri-la o sujeito passivo, pode o credor valer-se do
princípio da responsabilidade.
Mas se normalmente andam de parelha, “às vezes podem estar
separados, como no caso da fiança, em que a Haftung é do fiador,
enquanto o debitum é do afiançado”.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Também os autores alemães que se dedicaram ao estudo da matéria
reconhecem, que, embora os dois conceitos — obrigação e
responsabilidade — estejam normalmente ligados, nada impede que
haja uma obrigação sem responsabilidade ou uma
responsabilidade sem obrigação.
Como exemplo do primeiro caso, costumam-se citar as obrigações
naturais, que não são exigíveis judicialmente, mas que, uma vez
pagas, não dão margem à repetição do indébito, como ocorre em
relação às dívidas de jogo e aos débitos prescritos pagos após o
decurso do prazo prescricional.
Há, ao contrário, responsabilidade sem obrigação no caso de fiança,
em que o fiador é responsável, sem ter dívida, surgindo o seu dever
jurídico com o inadimplemento do afiançado em relação à obrigação
originária por ele assumida.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Obrigação
Cumprimento (Shuld): extinção
Inadimplemento: responsabilidade (Haftung)
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Fontes das Obrigações
O Código Civil não disciplina as fontes das obrigações em dispositivo 
específico, deixando a cargo da doutrina e da jurisprudência o seu estudo.
É o nascedouro, ou seja, de onde surge a obrigação, tem como origem os 
seguintes elementos:
a) Contrato
b) Atos Unilaterais
c) Atos Ilícitos
d) Abuso de Direito
e) Lei
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Fontes das Obrigações
a) Contrato: é o negócio jurídico bilateral ou plurilateral que cria, modifica ou 
extingue relações jurídicas de caráter patrimonial. O contrato pode ser típico se 
regulamentado por lei ou atípico se decorrer da autonomia privada (art. 425, do 
CC). Como exemplo de contrato atípico denominado Time Sharing (tempo 
dividido) ou multipropriedade, significa aquisição do bem por meio de cotas em 
que o tempo de utilização é fracionado e previamente estipulado.
b) Atos Unilaterais: são atos humanos lícitos em que uma declaração de vontades 
gera obrigação. Como exemplo a promessa de recompensa, gestão de negócios, 
pagamento indevido e enriquecimento sem causa.
c) Atos Ilícitos e Abuso de Direito: são aqueles que causam danos e sendo 
assim, importantíssimos para o direito obrigacional.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Fontes das Obrigações
d) Título de crédito: trata-se de documento de caráter autônomo, bem como de 
natureza obrigacional privada, porém de interesse maior do direito empresarial.
e) Lei: tal ponto é polêmico, pois há quem pergunte se a lei é fonte da obrigação ou 
não, sendo duas correntes: a primeira de Washington de Barros Monteiro: sim, a lei é 
fonte primária da obrigação (francês que defendeu essa tese é o Pothien). Como 
exemplo direito a alimentos; já em um segundo momento Orlando Gomes e Fernando 
Noronha: a lei é abstrata e por si só não gera a obrigação, porém acompanhada de 
um fato jurídico ela passaa ser fonte. E exemplifica que a lei autoriza a elaboração 
do título de crédito, porém este nunca será criado sozinho.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO
Fontes das Obrigações
A obrigação resulta:
a) da vontade do Estado, por intermédio da lei;
b) da vontade humana, manifestada no contrato, na declaração unilateral ou
na prática de um ato ilícito ou abuso de direito.
No primeiro caso, a lei é a fonte imediata da obrigação; no segundo, a
mediata.
Por estar sempre presente, mediata ou imediatamente, alguns a consideram a
única fonte das obrigações.
1. CONTEÚDO - NOÇÃO GERAL 
DE OBRIGAÇÃO

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