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18/06/2019 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Poderes Administrativos
 
Modernamente tem sido utilizada a expressão deveres administrativos ou ainda
poderes-deveres, deveres-poderes para deixar claro que a administração só é
dotada de poderes porque tem o dever de atuar, de exercer a função
administrativa para o fim de atender ao interesse público.
Os poderes-deveres são verdadeiros instrumentais para a defesa do interesse
público.
 
Os poderes administrativos são:
 
- poder normativo
- poder hierárquico
- poder disciplinar e
- poder de polícia
 OBS: A doutrina tradicional ainda menciona o poder vinculado e o poder
discricionário. Todavia, entendemos que não existe um poder totalmente vinculado
ou discricionário, mas sim atos vinculados e atos discricionários praticados com
fundamento nos outros poderes, daí, não iremos seguir tal abordagem.
 a) Poder Normativo
Alguns autores mencionam poder regulamentar em vez de poder normativo. É
preferível falar em poder normativo porque o regulamento é apenas uma espécie
de ato normativo já que convive com outros atos normativos, como resoluções,
portarias, regimentos, instruções etc. De modo que, a expressão poder normativo
é mais abrangente e adequada.
O poder normativo é o destinado a prática dos atos normativos. Os atos
normativos instituem regras gerais e abstratas, aliás nesse ponto assemelham-se
às leis. No entanto, os atos normativos diferenciam-se das leis porque não inovam
inicialmente no mundo jurídico já que nos termos do art. 5º, II da CF, são as leis
que criam direitos e obrigações.
 O regulamento é o ato normativo mais importante porque é de
competência exclusiva dos chefes do poder executivo nas diversas esferas de
governo (Presidente da República, governadores e prefeitos).
O regulamento é veiculado pelo decreto, quer dizer, o regulamento é o conteúdo
do ato e o decreto é a forma do ato. A propósito, decreto é a forma pela qual são
veiculados, exteriorizados os atos praticados pelos chefes do poder executivo,
sejam normativos ou concretos. Exs.: decreto regulamentar (ato normativo),
decreto de desapropriação (ato concreto).
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Em doutrina, costuma-se classificar o regulamento em:
 1º) regulamento autônomo ou independente;
2º) regulamento executivo ou para fiel execução das leis.
 O regulamento autônomo ou independente não se fundamenta em lei
prévia e, por isso, inova inicialmente a ordem jurídica. O regulamento executivo
ou para fiel execução das leis fundamenta-se em lei anterior e é destinado a
explicitá-la.
Nos países em que se admite o regulamento autônomo ou independente, ele só
pode tratar de matéria organizativa ou de supremacia especial, quer dizer, ele
pode dispor sobre a organização da administração pública ou então estabelecer
regras a quem tem um vínculo diferenciado com a Administração Pública, tal como
ocorre com os contratados, ou seja, o regulamento autônomo não poderá dispor
sobre matéria de supremacia geral submetendo todos os cidadãos.
No Brasil, apesar das divergências, tem prevalecido o entendimento de que o
regulamento existente é o executivo ou para fiel execução das leis, conforme art.
84, IV da CF.[1]
A partir da EC/32 de 2001, alguns autores (Maria Sylvia Zanella di Pietro)
passaram a defender a existência de regulamento autônomo no direito brasileiro,
em matéria organizativa já que o Presidente da República passou a ter
competência para dispor mediante decreto sobre organização e
funcionamento da Administração Federal quando não implicar aumento
de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos (art. 84, VI, a da
CF).[2]
Diante do exposto, conclui-se que o regulamento regra no Brasil é o executivo,
então é preciso entender o que significa explicitar a lei, que é a função do
regulamento executivo. 
b) Poder Hierárquico
 Os órgãos e os agentes públicos estão estruturados de modo a ensejar
uma relação de coordenação e subordinação entre eles num relacionamento de
superior a subalterno. Para Celso Antonio Bandeira de Melo “a hierarquia pode ser
definida como o vínculo de autoridade que une órgãos e agentes, através de
escalões sucessivos, numa relação de autoridade, de superior a inferior, de
hierarca a subalterno”.
 Da hierarquia decorrem alguns poderes para o superior hierárquico:
 1) de editar atos normativos de efeitos apenas internos, tais como
resoluções, portarias, instruções;
2) de dar ordens e ser obedecido pelos subordinados, salvo as ordens
manifestamente ilegais, como por exemplo, a ordem dada a carcereiro para
torturar preso.
 3) de fiscalizar os atos do subordinado, podendo anular os atos ilegais e
revogar os atos legais por razões de conveniência e oportunidade.
4) de punir o subordinado que pratique infração administrativa.
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A hierarquia não existe no poder legislativo e no poder judiciário no que se refere
às funções típicas de tais poderes que são, respectivamente, a de legislar e a de
julgar. Não obstante a partir da EC 45/04 alguns, como MSZDP, passaram a
admitir a existência e hierarquia parcial na função jurisdicional porque, nos termo
do art.103-A e §3º[3] da CF, caso o magistrado decida contrariamente a súmula
vinculante ou indevidamente a aplique cabe reclamação no STF que julgando-a
procedente cassará a decisão judicial e determinará que outra seja proferida com
ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso.
 A propósito, a súmula vinculante não obriga só o poder judiciário a sua
observância, mas também a administração pública direta e indireta em todas as
esferas de governo, cabendo reclamação para atacar ato administrativo que
contrariar a súmula ou que indevidamente a aplicar e o STF julgando-a
procedente anulará o ato administrativo, nos termos do art. 103-A e §3º da CF.
 c) Poder disciplinar
 É o que credencia a administração a apurar as infrações cometidas pelos
agentes públicos e por demais pessoas submetidas a disciplina administrativa, tal
como ocorre com os contratados. No que se refere aos agentes públicos,
notadamente os servidores públicos, o poder disciplinar decorre do hierárquico.
 Eventual punição de alguém não submetido a disciplina administrativa
tem fundamento no poder de polícia. Ex.: imposição de multa ao estabelecimento
poluente, ao motorista infrator etc.
 Costuma-se dizer que o poder disciplinar é discricionário o que deve ser
entendido nos seus exatos termos. Primeiramente é preciso saber o que isso não
significa. Dizer que o poder disciplinar é discricionário não significa que exista
liberdade para a autoridade escolher entre agir ou deixar de agir para apurar a
infração cometida diante da noticia de infração a autoridade deve agir sob pena de
praticar condescendência criminosa prevista no art. 320 do CP.[4]
 d) Poder de polícia
 Neste tema é possível constatar facilmente, a presença do binômio ou da
bipolaridade do regime jurídico administrativo envolvendo as prerrogativas e
sujeições.
 O conceito para Hely Lopes Meireles de “poder de policia é a faculdade de
que dispõe administração publica para condicionar e restringir o uso e gozo de
bens, atividades e direitos individuais, em beneficio da coletividade ou do próprio
estado”.
 Para Celso Antonio Bandeira de Melo: “O poder de policia condiciona a
liberdade e propriedade em prol do interesse público”, o autor entende ainda,