PROJETO DE INTERVENÇÃO DO ESTAGIO
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PROJETO DE INTERVENÇÃO DO ESTAGIO


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FACULDADE BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO LTDA ME
 CONSTRUINDO O PROTAGONISMO E FORTALECIMENTO DA AUTONOMIA COM A POPULAÇÃO USUÁRIA DO AUXÍLIO MORADIA EM DECORRÊNCIA DA VULNERABILIDADE E RISCO SOCIAL A LUZ DO PAIF
Márcia Lima Santos
Jacqueline Luana do Santos
Susana Rezende Lima
APRESENTAÇÃO
O presente projeto foi pensado a partir do Estágio Supervisionado em Serviço Social como proposta de intervenção junto a população usuária contemplada com o Benefício Eventual \u2013 Lei nº 8.742/ 1993 artigo 22 LOAS \u2013 \u201cde caráter suplementar e provisório, prestados aos cidadãos e as famílias com impossibilidade de arcar por conta própria com o enfrentamento de contingências sociais, decorrentes de nascimento, morte, situações de vulnerabilidade temporária e de calamidade pública\u201d (BRASÍLIA 2018).
O exposto refere-se ao programa auxílio moradia transitória no âmbito da Proteção e Atendimento Integral a Família (PAIF) com foco no protagonismo e autonomia das famílias usuárias materializando o caráter proativo; protetivo e preventivo do PAIF. 
Aspirando excitar a reflexão, aprimorar a atuação profissional, qualificar o PAIF, fortalecer a rede de proteção social nos territórios colaborando com o acesso das famílias a direitos e alimentar um projeto societário mais igualitário e justo, será realizada uma intervenção que ocorrerá por meio da ação de Oficina com Famílias abrangendo temáticas a priori como: Cidadania; Direitos Humanos; Democracia; Solidariedade; Ecologia e a Ética, com criação de espaços para reflexão, discussão com intuito não somente de repassar informações, mas proporcionar um momento de escuta para identificação de novas demandas, incitando a sociabilidade e a socialização para alcançar como resultados finalísticos para a compreensão do cenário atual de vulnerabilidade pertencente a uma conjuntura neoliberal e extremamente conservadora, bem como a identificação enquanto sujeito de direitos protagonistas de sua própria história e não apenas objetos ilustrando a sociedade capitalista. 
A origem da palavra cidadania vem do latim "civitas", que quer dizer cidade. Foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que ela tinha ou podia exercer, uma vez que:
A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social (DALLARI, 2006, p.34). 
De acordo com a Carta Magna de 1988, cidadão é aquele indivíduo a quem a mesma confere direitos e garantias \u2013 individuais, políticos, sociais, econômicos e culturais \u2013, e lhe dá o poder de seu efetivo exercício, além de meios processuais eficientes contra a violação de seu gozo ou fruição por parte do Poder Público. O conteúdo de cidadania, em âmbito constitucional, é mais amplo do que o simples fato de possuir um título eleitoral para votar e ser votado, ela não se restringe ao voto, o qual é apenas uma etapa do processo de cidadania. 
Portanto, cidadania é a participação efetiva no destino de um Estado por meios que façam com que os representantes do povo, eleitos para cargos políticos, cumpram as funções a eles atribuídas. A própria Constituição permite, por exemplo, o exercício da Ação Popular, uma garantia individual (Art. 5º, inciso LXXIII), visando à tutela de interesses de toda a sociedade, os quais não devem ser superados por interesse particular.
Por esta razão, as oficinas com famílias propiciam a problematização e reflexão crítica das situações vividas em seu território, além de questões muitas vezes naturalizadas e individualizadas. Buscam, ainda, contextualizar situações de vulnerabilidade e risco e assegurar a reflexão sobre direitos sociais, proporcionando uma nova compreensão, bem como a interação com a realidade vivida, negando-se a condição de passividade, além de favorecer processos de mudança e de desenvolvimento do protagonismo e da autonomia, prevenindo a ocorrência de situações de risco social.
Nessa direção, constituem escopo das oficinas com famílias no PAIF de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Secretaria Nacional de Assistência Social e Sistema Único de Assistência Social: 
\u2192 Na esfera familiar: 
 Fomentar vivências que questionem padrões estabelecidos e estruturas desiguais, estimulando o desenvolvimento de autoestima positiva dos membros das famílias; Estimular a socialização e a discussão de projetos de vida, a partir de potencialidades coletivamente identificadas; Possibilitar a discussão sobre as situações vivenciadas pelas famílias e as diferentes formas de lidar com tais situações, por meio da reflexão sobre os direitos, os papéis desempenhados e os interesses dos membros das famílias (BRASÍLIA, 2012, p.25).
 
 \u2192 Na esfera comunitária/territorial:
Promover espaços de vivência que contribuam para a autocompreensão, ou seja, que possibilitem aos membros das famílias apreenderem-se como resultado das interações entre os contextos familiar, comunitário, econômico, cultural, ambiental entre outros nos quais estão inseridos, assumindo-se como sujeitos capazes de realizar mudanças, pois \u201cquanto mais sabemos por que agimos como agimos (...) provavelmente seremos mais capazes de influenciar nossos próprios futuros\u201d; Fomentar a reflexão sobre a importância e os meios de participação social, inclusive por meio do estímulo à participação nas atividades de planejamento do PAIF, bem como em espaços públicos de consulta popular e/ou deliberativos (comitês, conselhos, associações) para a garantia dos direitos e o exercício da cidadania (BRASÍLIA, 2012,p.25).
A oficina objetiva contribuir para o desenvolvimento de projetos coletivos e o empoderamento dos usuários, assim como para a conquista do protagonismo e da autonomia de cada um dos membros das famílias do território trabalhando o responsável de cada membro no enfrentamento das suas vulnerabilidades incentivando a autonomia financeira com as ofertas de minicursos com o apoio de instituições parceiras.
A Lei Orgânica do Município Nossa Senhora do Socorro nº 839 em seu artigo primeiro, trata da concessão, pela administração pública, de benefício financeiro destinado a subsidiar o pagamento de aluguel de imóvel às pessoas ou às famílias que se encontrem em situação de vulnerabilidade e ou risco pessoal e social em que será concedida a quantia de até $300,00 para cada família beneficiada. Entre outros aspectos, considera-se:
IV - Eventos de risco: as ocorrências de efeitos indesejados e inesperados, tais como moradias destruídas ou interditadas em função de deslizamentos, inundações, incêndios, insalubridade habitacional ou outras condições que impeçam o uso seguro da moradia, a serem definidas por laudo dos técnicos da Defesa Civil (Redação dada pela Lei nº 839, de 2010).
1.1 Breve contextualização da Assistência Social no Brasil e do setor de Serviço Social em que será executado o projeto
	
Um dos principais marcos para efetivação da Assistência Social no Brasil foi a Carta Magna de 1988 regulamentando como política pública juntamente com a saúde e previdência social formando o tripé da seguridade social. Formalizando os direitos sociais reconhecendo como um direito do cidadão e dever do Estado, defini-se esta política como sendo:
A assistência social, direito de cidadão e dever do Estado, é política de seguridade social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizados através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento as necessidades básica (BRASIL/MPAS/SEAS,1993, p.09).
 
A Secretaria Municipal de Assistência Social e do Trabalho (SEMAS) foi criada em 10 de dezembro de 2004, tendo como base legal a Lei nº 614, com a finalidade de estreitar a relação da prefeitura com a população em vulnerabilidade social tendo