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Metafísica Aristotélica

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Filosofia 
Filosofia geral: problemas metafísicos 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 2 
 
 
Professor Rui Valese 
 
 
 
 
 
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Conversa Inicial 
Bem-vindo novamente! Você está na segunda aula de Filosofia Geral: 
Problemas Metafísicos. 
Já tem alguma ideia do que vamos estudar hoje? Vou dar uma dica: 
Aristóteles está para a Metafísica assim como Sócrates está para a Filosofia. 
Conseguiu descobrir? O pensamento de Aristóteles! Ele é de fundamental 
importância para o estudo da metafísica! Na aula de hoje, veremos a metafísica 
aristotélica. Porém, abordaremos alguns dos principais aspectos de seu 
pensamento, que serão de fundamental importância para a compreensão de 
outras dimensões dele, como a ética, a política e a estética. 
 
Bons estudos! 
 
Acompanhe a primeira videoaula, no material online, com o professor Rui 
apresentando os conteúdos que serão discutidos hoje. 
 
Contextualizando 
Junto com Sócrates e Platão, Aristóteles é considerado um dos pilares 
da Filosofia. Apesar de ser discípulo de Platão, irá elaborar uma filosofia 
completamente oposta à do mestre. Opondo-se à Teoria das Ideias (vista no Mito 
da Caverna na aula anterior), de Platão, defenderá a importância dos sentidos 
no processo de conhecimento. 
“Nada está no intelecto sem antes ter passado pelos sentidos.” 
Diferente do mestre, para quem os sentidos eram uma fonte enganadora 
de conhecimento. Para Aristóteles, o conhecimento começa com a experiência 
sensível, é a partir das experiências sensíveis que a razão conhece. 
 
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Entretanto, para entender isto é necessário um método; em oposição à 
dialética platônica apresenta-se a Lógica como instrumento para a constituição 
da ciência. 
Tendo seu pensamento sido “cristianizado” por Tomás de Aquino durante 
o século XIII, Aristóteles tornou-se a principal referência filosófica na Europa 
Medieval, principalmente durante a Baixa Idade Média (XIII ao XV), não só para 
a Igreja Católica, mas também para o pensamento laico. Se Platão é a referência 
para os racionalistas, Aristóteles o é para os empiristas. Mas, a influência de seu 
pensamento não se restringe somente a esse ramo da Filosofia. 
Conheça um pouco mais sobre a vida desse filósofo acessando: 
https://www.youtube.com/watch?v=kkHJce9-oLE 
 
Assista, no material online, a contextualização com o professor Rui 
Valese. 
 
Pesquise 
TEMA 1: Aplicação das quatro causas 
 
Para compreendermos a teoria das quatro causas de Aristóteles, é 
necessário estudarmos antes o que diz respeito ao Ser, bem como o significado 
do estudo da Metafísica. Para o estagirita, o objetivo da Metafísica é estudar os 
princípios primeiros e as primeiras causas de todas as coisas. Além disso, 
investigar “o Ser enquanto Ser”, isto é, procurar compreender sua essência e 
sua substância. Da mesma forma, dada à diversidade de seres, procura-se 
explicar as transformações existentes na realidade. 
 
 
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Para alcançar esse objetivo, partiremos de dois pressupostos: 
 
Os seres materiais são “Ser” 
A esta ideia, podemos acrescente ar que, ao observarmos o Ser das 
coisas, observamos que o mundo da natureza não é uma aparência, uma ilusão 
– pelo contrário – esse mundo é real e se caracteriza pela multiplicidade de 
seres, ao mesmo tempo em que observamos os mesmos em um processo de 
mudança incessante. 
 
Nossos sentidos captam a realidade tal qual ela é 
Porém, é o intelecto responsável por compreender o Ser das coisas, dos 
entes. É necessário dizer que os sentidos captam casos, situações particulares. 
Mas é a partir da apreensão desses casos particulares, que se pode 
compreender que outros entes também se assemelham aos anteriores e, a partir 
dessas situações e seres repetitivos, chegamos à formulação de um conceito 
universal. 
 
Aristóteles afirma: 
“O Ser se exprime de muitos modos, mas nenhum modo exprime o Ser. 
O Ser se diz em vários sentidos.” 
 
Para entender melhor, vamos a um exemplo. Observamos, na natureza, 
diferentes exemplares de cavalos: pretos, brancos, marrons, malhados, grandes, 
pequenos, mais velozes, mais fortes, etc. Tais características se repetem em 
alguns, mas não em outros. Mas, existem características específicas em todos 
eles: quatro patas, mamíferos, cauda vertebral curta e alongada por pelos, 
orelhas eretas e crina pendente em cima do pescoço, casco ao final das pernas, 
herbívoros, etc. 
Estas características delimitarão o Ser do cavalo. 
 
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Assim, quando ouvimos ou lemos a palavra “cavalo”, imediatamente 
buscamos em nossas memórias as características tanto particulares quanto 
outras desse animal. Na tela a seguir vamos entender o que os filósofos pensam 
sobre isso... 
Para Aristóteles, o conceito de “cavalo” está presente no mundo real e 
não no Mundo das Ideias, como afirmava Platão. O mesmo não é a 
representação de material de um modelo ideal. 
“Dizer que as ideias são ‘modelos’ (dos seres materiais) e que os outros 
seres delas ‘participam’ é jogar com palavras ocas e com metáforas poéticas” 
(Metafísica, Livro IX). 
 
O Ser das coisas, sua essência, não está separado das coisas, num 
mundo inteligível como diria Platão, o Ser está nas próprias coisas, bem como 
sua essência. Assim, para conhecer a essência das coisas é preciso partir das 
sensações captadas pelos sentidos para se chegar à intelecção, ou seja, captar 
as coisas pelo intelecto e não somente pelos sentidos. Agindo assim, estaremos 
conhecendo a essência das coisas, suas propriedades internas e necessárias. 
Veja: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://vmfilosofia.blogspot.com.br/2013/02/5-o-intelecto.html 
 
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Segundo Aristóteles, compete à metafísica o estudo de três coisas 
 do ser divino; 
 dos primeiros princípios e causas de todos os entes; 
 de suas propriedades ou atributos. 
 
 
Quanto ao ser divino, chamado por Aristóteles de Primeiro Motor Imóvel, 
podemos afirmar dele que é perfeito e imutável. E procurando aperfeiçoar-se a 
natureza busca imitá-lo, desejando-o. Dessa forma, conseguimos explicar o 
movimento das coisas, o devir que almeja a perfeição, não precisando mais 
mudar. 
O segundo estudo diz respeito à compreensão e explicação dos primeiros 
princípios, as causas primeiras de todas as coisas; que são três, conheça-as no 
quadro a seguir. 
 
Primeiro Princípio 
O primeiro princípio do Ser é o de identidade: um Ser não pode ser um 
Ser e outro Ser ao mesmo tempo, ou seja, não posso afirmar que Pedro é ser 
humano e pássaro ao mesmo tempo. Se digo que Pedro é ser humano, estou 
afirmando sua essência e não posso afirmar outra essência dele. Em termos 
lógicos: A = A, não pode ser B. 
 
Segundo Princípio 
O segundo princípio é o da não contradição: por este princípio, 
entende-se que uma proposição verdadeira não pode ser falsa e vice-versa, será 
verdadeira ou falsa. Se digo que determinado animal é branco – e ele é branco 
– não posso dizer que ele não é branco, mesmo que eu queira. Caso contrário, 
estaria caindo em contradição. 
 
 
 
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Terceiro Princípio 
O terceiro princípio é do terceiro excluído: de uma proposição 
qualquer, só podemos afirmar se ela