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DisciplinaDireito Administrativo IV509 materiais1.728 seguidores
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DIREITO ADMINISTRATIVO: BENS 
PÚBLICOS E CONTRATOS 
ADMINISTRATIVOS
CAPÍTULO 4 - O QUE AINDA HÁ PARA 
APRENDER NO DIREITO ADMINISTRATIVO?
Laura Spyer Prates
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Introdução
Iniciamos com uma instigante indagação: o que ainda há para aprender no Direito Administrativo? Ora, o Direito
Administrativo como o temos hoje pode ser tomado como um ramo autônomo do Direito, que ganhou força a
partir do século XIX, como aquele que regulamenta as relações interna e externa do Estado. Como um premente
anseio do Estado de Direito, o Direito Administrativo começou a ganhar corpo, prestígio e espaço, afinal, ao
Estado, mesmo que guardião dos interesses públicos e titular das atividades administrativas, não se admite o
agir livre e arbitrário.
Entretanto, será que isso responde a nossa pergunta? Acredito que não, mas esclarece a grande importância do
Direito Administrativo que, enquanto ramo autônomo do Direito, não se limita a compilar regras e princípios
afins, muito pelo contrário. Como descobriremos mais adiante, além de se valer de conexões com outros ramos
da Ciência Social para contribuir com suas demandas, também se prestará a contribuir para a solução delas a
partir de seus conceitos.
Podemos dizer que a ciência jurídica abarca um emaranhado de conceitos, distribuídos em ramos de modo a
contribuir, sobremaneira, com seu ensino de maneira didática. Assim, resta-nos uma gama de conhecimentos
sobre o Direito Administrativo que precisamos \u201cdesbravar\u201d. Você está convencido disso?
Pois bem! Esse tópico te deixará convencido de que sempre teremos mais a aprender e o Direito, brilhantemente,
nos põe à prova essa capacidade. Não permita limitar sua cognição uma vez que podemos ir além e aprender a
cada dia um pouco mais. E quanto ao conteúdo, fique tranquilo! Vamos lá!
4.1 Responsabilidade civil do Estado por ato de terceiros
Ora, começamos esse capítulo com um tópico de suma importância, qual seja, até que ponto as normas
alcançarão o Poder Público para imputar-lhe uma sanção pela ação ou omissão de seus agentes. Para bem
compreender o ora disposto destacamos que para responsabilizar qualquer pessoa, natural ou jurídica, por
determinado fato, imprescindível a conexão deste com um ato ou omissão prévia. A responsabilidade está
intimamente ligada às consequências aplicadas pela realização ou não de determinado ato, pelo que pode ser
penal, civil e administrativa, conforme decorrem respectivamente de suas próprias normas especiais:
No que diz respeito ao fato gerador da responsabilidade, não está ele atrelado ao aspecto da licitude
ou ilicitude. Como regra, é verdade, o fato ilícito é que acarreta a responsabilidade, mas, em ocasiões
especiais, o ordenamento jurídico faz nascer a responsabilidade até mesmo de fatos lícitos. Nesse
ponto, a caracterização do fato como gerador da responsabilidade obedece ao que a lei estabelecer a
respeito. (CARVALHO FILHO, 2014, p. 569)
Dito isso, há que se destacar, como pressupostos imprescindíveis à responsabilização da pessoa natural ou
jurídica, a realização ou não de determinado ato ou omissão, bem como sua capacidade de responder (por esta
ação ou omissão), que nem sempre será revestida de ilicitude, deve-se destacar. A conduta está ligada ao que a
Lei determina e, portanto, à desobediência caberá o que chamamos de responsabilidade:
Para o exame do tema, é importante distinguir essas duas modalidades de responsabilidade. A
contratual é estudada na parte relativa aos contratos celebrados pela Administração, tema que já
examinamos anteriormente. A extracontratual é aquela que deriva das várias atividades estatais sem
qualquer conotação pactual. O estudo neste capítulo cingir-se-á especificamente a este último tipo.
(CARVALHO FILHO, 2014, p. 571)
Com destaque para estas breves considerações adentramos o tema, a fim de buscarmos uma melhor elucidação
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Com destaque para estas breves considerações adentramos o tema, a fim de buscarmos uma melhor elucidação
na matéria e demonstrando que ainda temos muito a aprender sobre o Direito Administrativo.
4.1.1 Ação de regresso
Para melhor estudo deste tema, é imperioso tratarmos do dano, também considerado como prejuízo, decorrente
daquela tal ação ou omissão realizada pela pessoa natural ou jurídica e que se amolda perfeitamente as
especificidades da legislação pátria.
O dano é o resultado da conduta comissiva ou omissiva do Estado, ou de seus agentes, considerado para fins de
aplicação do instituto da responsabilidade civil. Logo, mister elucidar que o dano não estará limitado ao
conteúdo material, podendo, muitas vezes, atingir a honra do indivíduo.
Desta forma, devemos considerar a existência do dano material, que alcançará o patrimônio daquele que fora
lesado e o dano moral, que de forma mais abstrata alcançará sua honra. Com a evolução das fontes do Direito, a
jurisprudência e a doutrina pátria cuidaram de trazer uma importante ramificação do dano moral, ao tratar do
dano estético. Bastante abordado na contemporaneidade, considera-se totalmente possível a cumulação de
indenizações do dano estético e do dano moral. Cumpre esclarecer que a toda responsabilidade cabe uma
sanção, aplicável conforme a natureza da norma a ela aplicada.
Logo, como sanção decorrente da responsabilidade civil temos a indenização, modalidade que traz em seu bojo o
caráter pecuniário a fim de atingir o patrimônio do agente para reparar os prejuízos causados por ele a outrem. 
Verdade é que sobrevindo o fato, automaticamente, surge o dever de reparação dos danos, cabendo, portanto, a
indenização pelos atos praticados ou não, necessariamente. Diante dos fatos e não sendo os danos reparados
automaticamente por quem deveria fazê-lo, eis que surgem as medidas administrativas e judiciais, esta última
com a distribuição de ação própria.
Assim, sendo o Estado, por meio de seus agentes, responsável pelo dando causado a terceiros, terá a lide a
seguinte composição: Estado, agente público e o lesado. Para o direito positivo esta divisão não retira do Estado
o dever de reparar os prejuízos causados por seus agentes, apenas mantém sua condição de intangibilidade.
Sobre o tema, Carvalho Filho (2014, p. 580) reitera:
Dispõe o art. 37, § 6º, da CF que o Estado é civilmente responsável pelos danos que seus agentes,
nessa qualidade, venham a causar a terceiros. Como pessoa jurídica que é, o Estado não pode causar
qualquer dano a ninguém. Sua atuação se consubstancia por seus agentes, pessoas físicas capazes de
manifestar vontade real. Todavia, como essa vontade é imputada ao Estado, cabe a este a
responsabilidade civil pelos danos causados por aqueles que o fazem presente no mundo jurídico.
Nesta senda, trazemos ao nosso estudo o direito de regresso, que se trata daquele assegurado ao Estado para
VOCÊ SABIA?
O Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 387 (BRASIL, 2011), uma vez que pacificado o
entendimento quanto a possibilidade de cumulação de indenização por dano estético e moral,
ainda que decorrentes do mesmo fato. Assim, presente no caso o dano moral e estético, deve a
vítima ser indenizada de forma ampla.
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Nesta senda, trazemos ao nosso estudo o direito de regresso, que se trata daquele assegurado ao Estado para
garantir que este possa intentar contra aquele agente responsável pelo dano, em caso de uma atuação ou
omissão pautada na culpa ou no dolo. Como ele responderá pelos danos de seus agentes, o referido direito surge
para garantir que ele tenha a possibilidade de se insurgir contra aqueles que atuem de forma indevida.
Há uma nítida divisão no campo da responsabilidade quando envolvido o Estado. Temos uma relação jurídica
entre o indivíduo lesado e o Estado e outra entre este e seu agente. Portanto, em se tratando do vínculo entre o
Estado e seu agente, caberá o direito de regresso, a ser exercido pela via administrativa, de forma pacífica, por
meio de acordo entre as partes, ou judicial, com a formação