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YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL RESUMO DE DIREITO PENAL I Funções da constituição: a) Limitar o poder punitivo do Estado b) Legitimar o poder do Estado c) Organizar o Estado A organização político-administrativo do Estado pode ser direta ou indireta: a) A administração Direta é composta pela União, Estados membros, Distrito Federal e Municípios. b) A administração indireta é composta pelas Autarquias, fundações e empresas estatais (podem ser empresas públicas ou sociedades de economia mista). OS TRES PODERES a) O Poder Legislativo não só elabora os atos normativos e fiscaliza (função típica), como também, administra e pacifica os conflitos através de julgamento (função atípica) • O Congresso nacional é composto pelo sistema bicameral que é composto pela Câmara dos deputados (representando o povo) e Senado Federal (representando as unidades da federação). • O Senado é composto por 81 senadores e os mandatos são de 8 anos, ou seja, duas legislaturas de 4 anos e 8 sessões legislativas. • No âmbito do Estado, o sistema é unicameral. E é composto pelas assembleias legislativas, deputados estaduais que fazem leis estaduais que são de interesse regional. • No âmbito municipal é composto pela câmara dos vereadores que produzem leis municipais e de interesse local. • O Distrito federal é composto pela câmara legislativa. Onde os deputados distritais legislam sob os interesses locais e regionais. • A Emenda constitucional é feita pelo Congresso Nacional (composto pelo senado e Câmara Federal) • A casa iniciadora é onde nasce a PEC (proposta de ementa constitucional). A PEC deve ter aprovação de 3/5 em dois turnos. • A casa Revisora (segunda casa): também é necessária a aprovação de 3/5 em dois turnos. Não conseguindo as aprovações, a PEC é rejeitada. • Recepção é quando a lei do antigo ordenamento é recebida em um novo ordenamento, desde que a mesma seja compatível com o novo ordenamento. • Não recepção é quando a lei do antigo ordenamento não é recebida no novo ordenamento jurídico por motivo de incompatibilidade com o novo ordenamento. b) O Poder Executivo não só administra a coisa pública (função típica), como também, legisla e julga (função atípica). YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL O Poder Executivo, no âmbito da União é representado pela Presidência da República, no âmbito Estadual é representado pelo governo do Estado, no âmbito Municipal é representado pela prefeitura e no âmbito distrital, é representado pelo governador do Distrito Federal. c) O Poder Judiciário não só prove a pacificação social (função típica), como também, administra e legisla (função atípica). O poder Judiciário, no âmbito da União é representado pela Justiça Federal, no âmbito Estadual é representado pela Justiça Estadual, no âmbito municipal não existe a representação do Poder Judiciário, e no âmbito distrital é representado peja justiça distrital e territórios. DIFERENÇA ENTRE NORMA E LEI: A norma é a interpretação que fazemos da lei. Por exemplo: “não mate”, quando a lei é “Art. 121, CP. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos.” a) Toda norma tem uma conduta. Ou seja, um preceito primário (é a conduta da norma) e uma sanção (pena). b) Lei penal incriminadora é a lei que descreve uma conduta (preceito primário). E para essa conduta estrita, ela impõe uma sanção (preceito secundário). c) Lei penal permissiva transforma uma conduta ilícita em uma conduta licita e valida para o sistema. Exemplo: art.125, CP. Legitima defesa. d) Lei penal explicativa esclarece o conteúdo a outra norma penal. Por exemplo, o art. 327. CP. Explica quem é o funcionário público. e) Normas penais em branco são normas incompletas e precisam de um complemento para que ela tenha eficácia. E se divide em: • Heterogênea – precisa de um complemento em um ato abaixo da lei (ato normativo diferente). Exemplo: art.33 da lei 11343/06. • Homogênea – precisa de um complemento em outra lei (ato normativo igual). E pode ser dividida em: homovitelinea – quando a lei é complementada por uma outra lei do mesmo ramo. e heteroviteliena – quando a lei é complementada por uma outra lei de um ramo diferente. Obs: o complemento deve ser feito no preceito primário (conduta). • Norma penal em branco ao avesso – Quando a norma penal em branco está incompleta no seu preceito secundário (sanção). Exemplo: art.304, Cp. Princípios do Direito Penal: São valores ora são dirigidos ao legislador, ora dirigidos ao operador do direito. a) Princípio da intervenção mínima: se os demais ramos do direito puderem solucionar o caso, o direito penal não solucionará. (ultima ratio). b) Princípio da fragmentariedade: Se preocupa em um universo de ilícitos apenas com a parte que fere o bem jurídico fundamental. c) Principio da ofensividade ou lesividade: Só é legitima a incriminação de condutas que lesem ou exponham a risco o bem jurídico fundamental YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL d) Princípio da alteridade: São condutas que só lesam o bem jurídico da pessoa não serão punidas. OBS: Salvo em caso de autolesão para recebimento de seguro ou para fugir do serviço militar. e) Princípio da Legalidade: Não haverá crime sem lei anterior que o defina nem pena sem previa cominação legal. f) Principio da taxatividade: A descrição do crime deve ser taxativa, ou seja, exata. Não podendo haver lacunas • Funções da lei penal: a) Limitar o poder punitivo do Estado b) Proteger os bens jurídicos mais importantes para a vida em sociedade. Art. 2, CP: • Abolito criminis: é a retirada da conduta criminosa do ordenamento jurídico • Continuidade normativo-típica: Quando a conduta criminosa é deslocada para outro tipo penal mesmo havendo revogação da letra da lei. • Novatio leges in melior: trata dos casos em que a nova lei beneficia o réu, sem excluir a tipificação do delito. • Conflitos de lei no tempo: ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixe de considerar crime, sessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Art.3, CP: • As leis autorevogáveis são ultrativas (podem produzir efeitos após a sua revogação) e autorrevogáveis. E se subdividem em duas espécies: a) Lei temporária: possui data de calendário para nascer e morrer. Os seus efeitos produzidos durante a sua vigência são ultrativos (continuam sendo produzidos mesmo após a data de sua morte). b) Lei excepcional: entra em vigor quando se inicia uma situação excepcional e termina quando se finaliza uma situação excepcional. Seus efeitos também são ultrativos. Art. 4, CP: • Tempo do crime e suas teorias a) Teoria da atividade: o tempo do crime se dá com ação ou omissão que gerou o resultado (ESSA É A TEORIA UTILIZADA PELO ORDENAMENTO JURIDICO) b) Teoria do resultado: o tempo do crime se dá com a produção do resultado. c) Teoria mista: o tempo do crime é o momento da ação ou omissão ou o momento do resultado. Soluções para conflitos de duas leis no tempo que tenham dispositivos bons e ruins: YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL Uma lei A que tenha dispositivos bons e ruins e, uma lei B que tenha dispositivos ruins e bons. Possíveis soluções: a) Solução não técnica: perguntar ao réu e ao defensor. b) Combinação de leis: os dispositivos melhores da lei A e os dispositivos melhores da lei B. Existem duas correntes doutrinarias com pensamentos distintos em relação a combinação de leis.A primeira corrente diz que não é possível pelo fato de o juiz não poder legislar, pois desta forma, ele estaria usurpando o poder do legislativo e estaria nesse caso, violado uma clausula pétrea (separação dos poderes). E a segunda corrente diz ser possível o juiz combinar as leis pois estaria cumprindo uma função legitima – que seria a integração das normas jurídicas. Conflito aparente entre normas: Se temos três leis para tipificar uma conduta, como resolvemos esse problema? R: é resolvido pelos princípios que solucionam o conflito aparente de normas. • Princípio da especialidade: quando a lei é geral e comporta condutas diferentes. Deve ser utilizado os elementos especializastes para chegar na lei especifica especial. Exemplo: art.121, CP – art.123, CP (lei especifica). • Principio da subsidiariedade: uma norma descreve um grau maior de violação ao bem jurídico é uma norma primária e uma norma que descreve um grau menor de violação ao bem jurídico, é uma norma subsidiaria. Essa é a norma utilizada quando não é possível tipificar a conduta da pessoa em uma norma primária. Exemplo: um agente efetua um disparo por arma de fogo, porém, este não atinge ninguém. Neste caso, 3 normas poderiam ser aplicadas a essa conduta. São elas: Colocar em risco a vida ou a saúde de outra pessoa (CP, art.132), disparo de arma de fogo (art. 15 da lei 10823/03), e homicídio tentado (CP, art.14). Se o agente teve intenção, cabe tentativa. • Princípio da consunção: O crime mais grave absorve o crime menos grave. Situações cabíveis a aplicação deste princípio: 1 – Quando o crime menos grave é meio para o crime mais grave. Exemplo: homicídio com lesão corporal. A lesão corporal é o meio para o crime mais grave. 2- Quando crime menos grave for exaurimento do crime mais grave. Ou seja, é uma ação que não vai interferir na tipificação do crime mais grave. Exemplo: Um agente rouba um automóvel e em seguida danifica o mesmo. • Principio da alternatividade: Ocorre quando há conflito interno entre os verbos de uma lei. YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL LUGAR DO CRIME (CP, art.6) A teoria utilizada é a da Ubiquidade ou mista – é considerado lugar do crime o local que se deu a ação ou omissão no todo ou em parte. Bem como se produziu o resultado. • Crime permanente: A consumação se prolonga no tempo. Exemplo: sequestro. • Crime instantâneo: A consumação se dá instantaneamente. Exemplo: homicídio. • Crime instantâneo de efeito permanente: o homicídio também pode possuir esta caracterização. Pois, o mesmo não pode retroagir. • Crime comum: É o crime que pode ser cometido por qualquer pessoa. Exemplo: furto. • Crime próprio: É o crime em que o sujeito ativo precisa de uma qualidade especifica. Exemplo: infanticídio. • Crime simples: é o crime que alcança apenas um bem jurídico. Exemplo: homicídio (vida). • Crime complexo: É a fusão de mais de um delito. Exemplo: latrocínio (vida e patrimônio). • Objeto de um crime: No sentido material, é a pessoa ou coisa ao qual recai a conduta do criminoso e no sentido jurídico, é o bem protegido por lei. PRAZO NO DIREITO PROCESSSUAL O prazo dentro do direito processual, sempre será iniciado e finalizado em dia útil. Exclui-se o dia inicio e inclui-se o dia fim. O prazo em direito penal material, pode ser contado a partir de qualquer dia e, não somente, em dia útil. Aproveita-se o dia início e exclui-se o dia fim. (arts. 10 e 11, CP) Teoria do delito • A infração penal possui duas espécies. São elas: crime ou delito e contravenção penal. • Pelo critério analítico, crime é todo fato típico + um fato antijurídico • Pela teoria finalista bipartida, os elementos que compõe o fato típico são: conduta, resultado, nexo de causalidade e tipicidade. • Conduta é a ação ou omissão humana, voluntaria e consciente, dirigida a uma finalidade. Obs: conduta é diferente de ato. Dentro de uma conduta, podem haver vários atos. • Ação é uma conduta comissiva, pratica de um delito de forma deliberada. • Omissão é uma conduta omissiva. YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL • O crime omissivo é um não fazer. E por este fato, caberá a responsabilização penal. (ar. 13, CP). Neste tipo de crime, deve-se ter o dever + poder de agir. A omissão é penalmente relevante quando o agente devia e podia agir para evitar o resultado. Crime omissivo próprio: É o dever de agir imposto a todas as pessoas. E responde por um tipo penal especifico. Crime omissivo improprio: O agente garantidor (garante) é quem a lei determina e responde pelo resultado que a omissão der causa. Resultado normativo ou jurídico: É a violação da própria norma Resultado naturalístico: é a mudança do mundo visível pela conduta omissiva ou comissiva do agente. TEORIA DO CRIME teorias evolutivas da responsabilização penal: Teoria naturalística ou causal: não é mais utilizada. O crime era toda a ação que gerava efeito – era uma relação de causa e efeito, independentemente da intenção. O que importa é o resultado gerado pela conduta. Nesta teoria a sua intenção não importa. Teoria finalista: É a teoria utilizada hoje. A conduta para ser valorada deve ter uma finalidade, intenção e vontade. Essa teoria se subdivide em: a) Tripartida considera os elementos: fato típico, antijurídico e culpabilidade. b) Teoria bipartida considera os elementos: fato típico e antijurídico. Nesta teoria, a culpabilidade é um pressuposto para a aplicação da pena. Teoria constitucional: Também é utilizada hoje. Deve-se usar as regras do direito penal com a ótica do direito constitucional. • Conduta é toda ação ou omissão humana • O crime que se pratica por ação é uma conduta comissiva e o crime que se pratica por omissão é uma conduta omissiva. O crime omissivo tem o dever de agir (o não fazer resultará em responsabilidade penal). Podendo ser omissivo próprio ou impróprio. Crime omissivo próprio: imposto a todas as pessoas (responder por um tipo penal específico). Crime omissivo impróprio (art.13, CP): agente garantidor ou garante (dever + poder). Responde pelo resultado que a omissão der causa. • Conduta é diferente de ato e em uma conduta pode haver vários atos (o crime que possui vários atos admite tentativa). NEXO CAUSAL • Nexo causal é a ligação entre a conduta e o resultado. YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL • Causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. • O código penal adota a teoria da equivalência Teoria da sinestesia: causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Exemplo: art.13, CP. Essa teoria é de 1850 e considera causa tudo aquilo que gerou um resultado. Teoria da equivalência dos antecedentes: tudo aquilo que chegar a um resultado e der causa por ação ou omissão é causa. Exemplo – a morte de uma pessoa: Um agente efetua um disparo na vítima. O agente é causa pois sem o disparo a vítima não teria morrido, os pais do agente também são causa pois sem eles o assassino não existiria, o fabricante da arma também é causa pois sem a fabricação a morte da vítima não teria ocorrido. A volta aos antecedentes é chamada de critério de eliminação hipotético. Em 1930, foi feito uma limitação ao regresso ao infinito. Desta forma, só responderá como causa do resultado quem agiu por dolo ou por culpa. Exemplo: Marcos empresta a sua arma para Alberto matar dona Lucia. Neste caso, Alberto é causa por matar a dona Lucia e oMarcos também é causa, pois, sem a arma emprestada o Alberto não poderia matar a mesma. Quando existem duas causas atuando para chegar a um resultado: Causas dependentes podem ser absoluta ou relativamente dependentes. As absolutamente dependentes não nascem da conduta do agente e podem ser preexistentes, concomitantes e supervenientes. Macete: Se a causa age antes é preexistente, se age durante é concomitante e se age depois é superveniente • Preexistente: são causas que vão chegar a um resultado que não nasce na conduta do agente, mas por si só ela produz o resultado Exemplo: uma pessoa coloca veneno de rato no café da sogra, mas na hora que a senhora começa a beber o café, a mesma tem um ataque e morre. A sogra não morreu por causa do chumbinho (causa B) e sim pelo infarto (causa A). O que matou foi a causa A (preexistente) não a causa B. • Concomitante: A causa não tem origem na conduta e precisa de um agente para chegar ao resultado Exemplo: o agente prepara um café com chumbinho para a sogra, mas na hora em que a senhora senta para beber o café, o lustre cai na cabeça da mesma a levando a óbito. Obs: na conduta preexistente e na concomitante não existe nexo causal. • Supervenientes: o agente coloca chumbinho no café da sogra às 06 da manhã, mas o veneno não agiu. A sogra passa o dia tranquilamente e quando chega à noite, a senhora vai tomar um banho de mar e morre afogada. O que matou a senhora foi uma causa que por si só produziu o resultado (afogamento) sem origem na conduta do agente. YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL As relativamente dependentes têm origem na conduta do agente (é o conteúdo que mais cai em provas) e podem ser preexistentes, concomitantes e supervenientes • Preexistente: A causa já existe antes da conduta e por si só produz o resultado. Exemplo: um agente corta o braço de uma pessoa hemofílica. O que vai matar o hemofílico não será o corte, e sim a hemofilia. Neste caso, a hemofilia é uma causa independente, porém, possui origem na conduta do agente. (possui nexo causal). Possuindo nexo causal, o agente responderá por homicídio consumado. Concomitante: O resultado é dado de modo conjunto. Exemplo: no momento em que um agente inicia um assalto, a vítima infarta e morre. Neste caso, a morte ocorreu por causa do infarto que foi originado pela conduta do agente. Possuindo nexo causal. O agente responderá por crime consumado. Supervenientes (art.13, CP): De fato, existe o nexo no mundo real. Porém, a lei determina que nos casos em que o resultado se der por uma causa posterior a conduta do agente, o mesmo só responderá pelos fatos até então praticados. Exemplo: A Sabrina da um soco na boca do Rogerio e o mesmo chama uma ambulância. No trajeto, uma carreta colide com a ambulância que o Rogerio está levando este a óbito. Existe nexo de causalidade entre a conduta dela e o resultado. Sabrina responderá apenas por lesão. Causa independente é aquela que por si só produziu o resultado. Podem ter ou não origem na conduta da pessoa. Tipicidade: Tipo penal é o molde da lei. Tipicidade é o encaixe da conduta no molde da lei. Subsunção é o exercício do encaixe. Exemplo: furto – subtrair para si coisa alheia móvel. Se o agente furtar, ele vai estar subtraindo para si coisa alheia móvel. Logo, a conduta se encaixará perfeitamente no tipo penal. • Tipicidade formal – é o perfeito encaixe da conduta no molde da lei. A tipicidade formal pode ser imediata/ direta e mediata/ indireta. Imediata ou direta: Mediata ou indireta: Ocorre quando a conduta está incompleta e é necessária uma norma de extensão (atr.14, 29 e 13 inciso II, § 2). • Tipicidade material – só é válida a incriminação de uma conduta se ela expor a lesão ou lesionar um bem jurídico tutelado (princípio da ofensividade). Não YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL basta a mera subsunção. Para que seja uma conduta típica é necessário a tipicidade formal + tipicidade material. Exemplo: um agente leva uma borracha de outra pessoa para a sua casa. Este subtraiu para si coisa alheia móvel e se subsumiu no tipo penal do furto. Porém, o crime de furto protege o patrimônio. Neste caso, o agente não lesionou, nem colocou o bem jurídico em risco de lesão. Apesar de o exemplo possuir a tipicidade formal, este não possui a tipicidade material. Tornando assim o caso em uma conduta atípica. Cabe a aplicação do princípio da bagatela. O principio da bagatela exclui a tipicidade material da conduta. TIPO PENAL Fases do tipo penal (“Inter criminis” – caminho do crime): A cogitação é a fase interna e a preparação são os planos. Geralmente, não cabe punição nestas duas primeiras fazes, salvo em alguns casos em que a punição poderá ser antecipada na fase da preparação (art.288, CP). Já a execução, começa quando é dado o início à agressão ao bem jurídico tutelado. Ato idôneo é o ato apto ao causar a consumação e o ato inequívoco é o ato que não gera duvida ao causar a consumação. Dentro do tipo penal existem os elementos. Por exemplo: matar alguém – são dois elementos. • Elementos objetivos: são os que dispensam interpretações. “Matar alguém”, por exemplo • Elemento normativo: são os elementos que precisam de um juízo de valor. Por exemplo: “Seduzir mulher honesta para fins libidinosos” – seduzir é elemento objetivo pois todos sabem o seu significado, já “mulher honesta” não é de fácil entendimento pois é difícil caracterizar. Logo, torna-se um elemento conformativo. • Elemento subjetivo: “Seduzir mulher honesta para fins libidinosos” – seduzir a mulher honesta para leva-la ao cinema não é crime. Pois, o molde da lei exige que seja para “fins libidinosos”. O verbo é “seduzir”, o núcleo do tipo penal é o verbo. Em regra, todo crime é doloso. Mas, se a lei falar, o crime poderá ser culposo. Tipo penal doloso (dolo = intenção): • Dolo direto: quer o resultado – teoria da vontade. • Dolo indireto eventual: assume o risco de causar o resultado. Resultado previsível – teoria do assentimento (art.188, CP). cogitação preparação execução consumação YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL • Dolo indireto alternativo: o agente não quer um resultado especifico, para ele basta um resultado. • Dolo eventual: sinônimo de elemento subjetivo do tipo. Tipo penal aberto: Fato típico: 1. Ausência de previsão do resultado. O resultado não desejado pode ser: • Culpa inconsciente: sem previsão do resultado • Culpa consciente: o agente prevê o resultado, mas não aceita a sua ocorrência 2. Quebra do dever de cuidado: imprudência, imperícia e negligencia. 3. Previsibilidade objetiva. Tanto do dolo eventual quanto na culpa consciente, o agente prevê o resultado. Todavia, a diferença é: no dolo eventual o agente prevê o resultado, mas não se importa com a sua ocorrência. Na culpa consciente, o agente prevê o resultado, mas não aceita a sua ocorrência. CULPABILIDADE para que seja provada a culpa é necessário: 1. Imputabilidade: é a capacidade de você entender o caráter ilícito da conduta. 2. Exigibilidade da conduta diversa 3. Potencial consciência da ilicitude: para que tenha culpabilidade é necessário verificar no caso concreto se a pessoa realmente sabia que a conduta era ilícita. TENTATIVA • Branca ou incruenta: o bem jurídico não é atingido • Vermelha ou cruenta: o bem jurídico é atingido • Perfeita (sinônimo de crime “falho”): o agente pratica todos os atos de execução, mas o crime não se consuma porcircunstancias alheias à vontade do indivíduo. • Imperfeita: interrupção dos atos de execução (art. 14, CP); crime culposo fato típico conduta resultado nexo causal tipicidade antijurídico YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL CRIME FATO TÍPICO Os crimes culposos, preterdolosos, habituais, empreendimento ou atentados, não cabem tentativa. Obs: só tem culpabilidade quem praticar uma conduta em que é possível exigir uma atitude diferente e mesmo assim não o faz. Existem 2 situações em que é possível excluir a exigibilidade de uma conduta diversa. São elas: 1. Coação moral irresistível: um agente coloca uma arma na cabeça da filha da Sabrina e obriga a mesma a furtar a coleção de bonecos do prof. Felipe Melo, pois caso o contrário, ele mataria a filha dela. 2. Obediência a uma ordem hierárquica não manifestamente ilegal: exclui-se a culpabilidade. Legitima defesa: é a legitima defesa um excesso doloso ou culposo. É uma repulsa a uma agressão injusta utilizando o meio menos lesivo (meio necessário) que deverá ser usado de maneira moderada. Exemplo: um agente invade uma residência e o proprietário usa a legitima defesa. Porém, se houver excesso por parte do dono do imóvel, o bandido poderá usar da legitima defesa. • Só cabe legitima defesa se a agressão for injusta • Pode ocorrer legitima defesa própria ou de terceiros ANTIJURIDICO (ILICITUDE) EXCLUDENTES LEGÍTIMA DEFESA ESTADO DE NECESSIDADE ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL EXERCÍCIO IRREGULAR DO DIREITO CONSENTIMENTO OFENDIDO ANTES OU DEPOIS DA CONDUTA CARATER INDICIÁRIO YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL Estado de necessidade: sacrifica um bem jurídico para salvar outro bem jurídico. Exemplo: matar a pessoa que tentava roubar o seu colete enquanto você se afogava Estrito cumprimento do dever legal: se existe uma ordem legal, exclui-se a ilicitude. Entretanto, se houver uma ordem visivelmente ilegal, o mandante e o executor respondem pelo crime. Exemplo: Se um funcionário público recebe de seu chefe uma ordem ilegal e resolve acatar, por exemplo, um juiz entrega um mandado de prisão aos oficiais visando a prisão de Sabrina. Os oficiais não cometem crime ao prender Sabrina pois estão em ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL. Porém, se os oficias chegarem à casa de Sabrina a noite e efetuarem prisão, estes estarão cometendo um crime, pois segundo a lei, só é possível cumprir o mandado de prisão até o pôr do sol (a lei só vale para a prisão na residência do agente. Na rua é possível efetuar a prisão a noite). Neste caso, os agentes e o juiz responderam pelo crime. Existe uma ordem no meio que pode ser facilmente confundida. Por exemplo: se o juiz determinar que os oficiais executem o mandado de prisão de Sabrina e quando os policiais chegaram ao local ainda estava de dia. Por este motivo, o juiz fala que no momento que começou a diligência ainda estava de dia e por isso os oficiais deveriam executar a prisão de Sabrina. Este é uma ordem ilegal, pois já estava a noite. Exercício regular do Direito: exercer o que está na lei (art.301, CP) Consentimento ofendido antes ou depois da conduta exclui o crime. Exemplo: um agente estupra uma mulher e durante o ato a mulher consente com a conduta do agente. Esse consentimento dado exclui a tipicidade. ERRO DE TIPO X ERRO DE PROIBIÇÃO Erro de tipo: erro está no fato. Exemplo: uma pessoa quer transportar talco e alguém troca o talco por cocaína. Neste caso, o crime praticado é o tráfico de drogas e a pessoa está em erro de tipo ( a pessoa sabe que está transportando talco. O erro dela está no fato). Erro de proibição: o erro incide em uma norma proibidora. O erro de proibição exclui a potencial consciencia da ilicitude. Exemplo: um agente planta a cana, moi a cana e faz açucar. Neste caso, o agente tem certeza que fez o açucar. Porém, sem autorização do Ministério da Agricultura, fazer açucar é crime. O erro incidiu em uma norma proibitiva. Delito putativo é um delito imaginário. As vezes o delito putativo pode estar tanto no erro de tipo quanto no erro d proibição. YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL • Delito putativo por erro de tipo: um agente pensa que esta transportando cocaina mas na verdade ele está transportando talco. Na cabeça dele, ele estava praticando um crime, mas na realidade não estava. • Delito putativo por erro de proibição: uma mãe que faz sexo com o seu filho acredita que está praticando um crime. Na realidade, não existe nenhuma norma proibidora para incesto no Brasil. Aqui o erro é em não saber que não existe uma norma proibitiva. Erro desculpavel ou invencivel: Se olhar a situaçãpo concreta, todos praticariam o mesmo crime. A consequência é a exclusão do dolo e da culpa. Exemplo: um agente invade a sua residencia a noite e voce mata o mesmo. Quando você chega perto, percebe que na realidade era a sua sogra. Esse erro de tipo é desculpavel. E como consequência exclui-se o dolo. Erro de tipo indesculpavel: Exclui-se o dolo. Exemplo: o professor Felipe Melo, ao sair da sala dos professores leva as chaves da professora Catarina. Ele não tinha a intençao de subitrair para si o objeto da professora, porém o fez. Neste caso, não existe furto culposo e o professor Felipe não irá responder pelo delito. Erro sobre a pessoa: a lei dá mais valor a sua intenção. Alberto quera matar o pai e na hora que o pai dele sai de casa, ele atira na cabeça do mesmo (homicídio com uma agravante de matar ascendente). Mas na hora que oalberto chega proximo ao corpo, ele constata que era o tio dele e não o pai. Como consequência , ele responderá pelas caracteristicas da pessoa que ele queria matar (pai) e não da pessoa que ele matou (tio). Logo, será um homicídio majorado pela cindição de ascendente Erro na execuçao (aberratio ictus): Exemplo: Alberto tenta matar a Sabrina mas a bala desvia e acerta Rogério. Neste caso, o erro é na execução. A consequência é a mesma do erro sobre a pessoa. O agente responde sobre a vítima virtual e não a vítima real. Erro sobre o crime (aberratio criminis): Exemlo: uma pessoa esta sentada em uma cadeira próxima a uma janela e alguém joga uma pedra nesta janela atingindo a pessoa. A intenção do infrator não era atingir a pessoa e sim, quebrar a janela. O agente praticou dois crimes: a titulo de dolo foi a quebra da vidraça, e a titulo de culpa foi a lesão corporal. Erro sobre o objeto: Exemplo: Alberto subtrai a caneta de ouro branco de Sabrina. Ao chegar em casa ele percebe que a caneta não era de ouro e sim de prata. O erro incide sobre o objeto e a consequência é inexistente. YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM CURSO DE DIREITO PENAL