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YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
RESUMO DE DIREITO PENAL I 
 
Funções da constituição: 
a) Limitar o poder punitivo do Estado 
b) Legitimar o poder do Estado 
c) Organizar o Estado 
 
A organização político-administrativo do Estado pode ser direta ou 
indireta: 
a) A administração Direta é composta pela União, Estados membros, Distrito 
Federal e Municípios. 
b) A administração indireta é composta pelas Autarquias, fundações e empresas 
estatais (podem ser empresas públicas ou sociedades de economia mista). 
 
OS TRES PODERES 
 
a) O Poder Legislativo não só elabora os atos normativos e fiscaliza (função 
típica), como também, administra e pacifica os conflitos através de julgamento 
(função atípica) 
• O Congresso nacional é composto pelo sistema bicameral que é composto 
pela Câmara dos deputados (representando o povo) e Senado Federal 
(representando as unidades da federação). 
• O Senado é composto por 81 senadores e os mandatos são de 8 anos, ou 
seja, duas legislaturas de 4 anos e 8 sessões legislativas. 
• No âmbito do Estado, o sistema é unicameral. E é composto pelas 
assembleias legislativas, deputados estaduais que fazem leis estaduais que 
são de interesse regional. 
• No âmbito municipal é composto pela câmara dos vereadores que produzem 
leis municipais e de interesse local. 
• O Distrito federal é composto pela câmara legislativa. Onde os deputados 
distritais legislam sob os interesses locais e regionais. 
• A Emenda constitucional é feita pelo Congresso Nacional (composto pelo 
senado e Câmara Federal) 
• A casa iniciadora é onde nasce a PEC (proposta de ementa constitucional). A 
PEC deve ter aprovação de 3/5 em dois turnos. 
• A casa Revisora (segunda casa): também é necessária a aprovação de 3/5 em 
dois turnos. Não conseguindo as aprovações, a PEC é rejeitada. 
• Recepção é quando a lei do antigo ordenamento é recebida em um novo 
ordenamento, desde que a mesma seja compatível com o novo ordenamento. 
• Não recepção é quando a lei do antigo ordenamento não é recebida no novo 
ordenamento jurídico por motivo de incompatibilidade com o novo 
ordenamento. 
 
b) O Poder Executivo não só administra a coisa pública (função típica), como 
também, legisla e julga (função atípica). 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
O Poder Executivo, no âmbito da União é representado pela Presidência da 
República, no âmbito Estadual é representado pelo governo do Estado, no 
âmbito Municipal é representado pela prefeitura e no âmbito distrital, é 
representado pelo governador do Distrito Federal. 
 
c) O Poder Judiciário não só prove a pacificação social (função típica), como 
também, administra e legisla (função atípica). 
O poder Judiciário, no âmbito da União é representado pela Justiça Federal, 
no âmbito Estadual é representado pela Justiça Estadual, no âmbito municipal 
não existe a representação do Poder Judiciário, e no âmbito distrital é 
representado peja justiça distrital e territórios. 
 
DIFERENÇA ENTRE NORMA E LEI: 
A norma é a interpretação que fazemos da lei. Por exemplo: “não mate”, quando a 
lei é “Art. 121, CP. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos.” 
a) Toda norma tem uma conduta. Ou seja, um preceito primário (é a conduta da 
norma) e uma sanção (pena). 
b) Lei penal incriminadora é a lei que descreve uma conduta (preceito primário). E 
para essa conduta estrita, ela impõe uma sanção (preceito secundário). 
c) Lei penal permissiva transforma uma conduta ilícita em uma conduta licita e valida 
para o sistema. Exemplo: art.125, CP. Legitima defesa. 
d) Lei penal explicativa esclarece o conteúdo a outra norma penal. Por exemplo, o art. 
327. CP. Explica quem é o funcionário público. 
e) Normas penais em branco são normas incompletas e precisam de um 
complemento para que ela tenha eficácia. E se divide em: 
• Heterogênea – precisa de um complemento em um ato abaixo da lei (ato 
normativo diferente). Exemplo: art.33 da lei 11343/06. 
• Homogênea – precisa de um complemento em outra lei (ato normativo igual). E 
pode ser dividida em: homovitelinea – quando a lei é complementada por uma 
outra lei do mesmo ramo. e heteroviteliena – quando a lei é complementada por 
uma outra lei de um ramo diferente. 
Obs: o complemento deve ser feito no preceito primário (conduta). 
• Norma penal em branco ao avesso – Quando a norma penal em branco está 
incompleta no seu preceito secundário (sanção). Exemplo: art.304, Cp. 
 
Princípios do Direito Penal: 
São valores ora são dirigidos ao legislador, ora dirigidos ao operador do direito. 
a) Princípio da intervenção mínima: se os demais ramos do direito puderem 
solucionar o caso, o direito penal não solucionará. (ultima ratio). 
b) Princípio da fragmentariedade: Se preocupa em um universo de ilícitos 
apenas com a parte que fere o bem jurídico fundamental. 
c) Principio da ofensividade ou lesividade: Só é legitima a incriminação de 
condutas que lesem ou exponham a risco o bem jurídico fundamental 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
d) Princípio da alteridade: São condutas que só lesam o bem jurídico da 
pessoa não serão punidas. 
OBS: Salvo em caso de autolesão para recebimento de seguro ou para fugir 
do serviço militar. 
e) Princípio da Legalidade: Não haverá crime sem lei anterior que o defina nem 
pena sem previa cominação legal. 
f) Principio da taxatividade: A descrição do crime deve ser taxativa, ou seja, 
exata. Não podendo haver lacunas 
 
• Funções da lei penal: 
a) Limitar o poder punitivo do Estado 
b) Proteger os bens jurídicos mais importantes para a vida em sociedade. 
 
Art. 2, CP: 
• Abolito criminis: é a retirada da conduta criminosa do ordenamento jurídico 
• Continuidade normativo-típica: Quando a conduta criminosa é deslocada 
para outro tipo penal mesmo havendo revogação da letra da lei. 
• Novatio leges in melior: trata dos casos em que a nova lei beneficia o réu, 
sem excluir a tipificação do delito. 
• Conflitos de lei no tempo: ninguém pode ser punido por fato que lei posterior 
deixe de considerar crime, sessando em virtude dela a execução e os efeitos 
penais da sentença condenatória. 
 
Art.3, CP: 
• As leis autorevogáveis são ultrativas (podem produzir efeitos após a sua 
revogação) e autorrevogáveis. E se subdividem em duas espécies: 
a) Lei temporária: possui data de calendário para nascer e morrer. Os seus 
efeitos produzidos durante a sua vigência são ultrativos (continuam sendo 
produzidos mesmo após a data de sua morte). 
b) Lei excepcional: entra em vigor quando se inicia uma situação excepcional e 
termina quando se finaliza uma situação excepcional. Seus efeitos também 
são ultrativos. 
 
Art. 4, CP: 
• Tempo do crime e suas teorias 
a) Teoria da atividade: o tempo do crime se dá com ação ou omissão que gerou 
o resultado (ESSA É A TEORIA UTILIZADA PELO ORDENAMENTO 
JURIDICO) 
b) Teoria do resultado: o tempo do crime se dá com a produção do resultado. 
c) Teoria mista: o tempo do crime é o momento da ação ou omissão ou o 
momento do resultado. 
 
 
Soluções para conflitos de duas leis no tempo que tenham dispositivos 
bons e ruins: 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
Uma lei A que tenha dispositivos bons e ruins e, uma lei B que tenha dispositivos 
ruins e bons. Possíveis soluções: 
a) Solução não técnica: perguntar ao réu e ao defensor. 
b) Combinação de leis: os dispositivos melhores da lei A e os dispositivos 
melhores da lei B. Existem duas correntes doutrinarias com pensamentos 
distintos em relação a combinação de leis.A primeira corrente diz que não é possível pelo fato de o juiz não poder 
legislar, pois desta forma, ele estaria usurpando o poder do legislativo e estaria 
nesse caso, violado uma clausula pétrea (separação dos poderes). E a 
segunda corrente diz ser possível o juiz combinar as leis pois estaria 
cumprindo uma função legitima – que seria a integração das normas jurídicas. 
 
Conflito aparente entre normas: 
Se temos três leis para tipificar uma conduta, como resolvemos esse 
problema? 
R: é resolvido pelos princípios que solucionam o conflito aparente de normas. 
 
• Princípio da especialidade: quando a lei é geral e comporta condutas 
diferentes. Deve ser utilizado os elementos especializastes para chegar na lei 
especifica especial. Exemplo: art.121, CP – art.123, CP (lei especifica). 
• Principio da subsidiariedade: uma norma descreve um grau maior de 
violação ao bem jurídico é uma norma primária e uma norma que descreve um 
grau menor de violação ao bem jurídico, é uma norma subsidiaria. Essa é a 
norma utilizada quando não é possível tipificar a conduta da pessoa em uma 
norma primária. 
Exemplo: um agente efetua um disparo por arma de fogo, porém, este não 
atinge ninguém. Neste caso, 3 normas poderiam ser aplicadas a essa conduta. 
São elas: 
Colocar em risco a vida ou a saúde de outra pessoa (CP, art.132), disparo 
de arma de fogo (art. 15 da lei 10823/03), e homicídio tentado (CP, art.14). 
Se o agente teve intenção, cabe tentativa. 
• Princípio da consunção: O crime mais grave absorve o crime menos grave. 
Situações cabíveis a aplicação deste princípio: 
1 – Quando o crime menos grave é meio para o crime mais grave. Exemplo: 
homicídio com lesão corporal. A lesão corporal é o meio para o crime mais 
grave. 
2- Quando crime menos grave for exaurimento do crime mais grave. Ou seja, é 
uma ação que não vai interferir na tipificação do crime mais grave. Exemplo: 
Um agente rouba um automóvel e em seguida danifica o mesmo. 
• Principio da alternatividade: Ocorre quando há conflito interno entre os 
verbos de uma lei. 
 
 
 
 
 
 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
LUGAR DO CRIME (CP, art.6) 
A teoria utilizada é a da Ubiquidade ou mista – é considerado lugar do crime o local 
que se deu a ação ou omissão no todo ou em parte. Bem como se produziu o 
resultado. 
• Crime permanente: A consumação se prolonga no tempo. 
Exemplo: sequestro. 
• Crime instantâneo: A consumação se dá instantaneamente. 
Exemplo: homicídio. 
• Crime instantâneo de efeito permanente: o homicídio também pode possuir 
esta caracterização. Pois, o mesmo não pode retroagir. 
• Crime comum: É o crime que pode ser cometido por qualquer pessoa. 
Exemplo: furto. 
• Crime próprio: É o crime em que o sujeito ativo precisa de uma qualidade 
especifica. 
Exemplo: infanticídio. 
• Crime simples: é o crime que alcança apenas um bem jurídico. 
Exemplo: homicídio (vida). 
• Crime complexo: É a fusão de mais de um delito. 
Exemplo: latrocínio (vida e patrimônio). 
• Objeto de um crime: No sentido material, é a pessoa ou coisa ao qual recai a 
conduta do criminoso e no sentido jurídico, é o bem protegido por lei. 
 
PRAZO NO DIREITO PROCESSSUAL 
O prazo dentro do direito processual, sempre será iniciado e finalizado em dia útil. 
Exclui-se o dia inicio e inclui-se o dia fim. 
O prazo em direito penal material, pode ser contado a partir de qualquer dia e, não 
somente, em dia útil. Aproveita-se o dia início e exclui-se o dia fim. 
(arts. 10 e 11, CP) 
 
Teoria do delito 
 
• A infração penal possui duas espécies. São elas: crime ou delito e 
contravenção penal. 
• Pelo critério analítico, crime é todo fato típico + um fato antijurídico 
• Pela teoria finalista bipartida, os elementos que compõe o fato típico são: 
conduta, resultado, nexo de causalidade e tipicidade. 
• Conduta é a ação ou omissão humana, voluntaria e consciente, dirigida a uma 
finalidade. 
Obs: conduta é diferente de ato. Dentro de uma conduta, podem haver vários 
atos. 
• Ação é uma conduta comissiva, pratica de um delito de forma deliberada. 
• Omissão é uma conduta omissiva. 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
• O crime omissivo é um não fazer. E por este fato, caberá a responsabilização 
penal. (ar. 13, CP). Neste tipo de crime, deve-se ter o dever + poder de agir. 
A omissão é penalmente relevante quando o agente devia e podia agir para 
evitar o resultado. 
Crime omissivo próprio: É o dever de agir imposto a todas as pessoas. E 
responde por um tipo penal especifico. 
Crime omissivo improprio: O agente garantidor (garante) é quem a lei 
determina e responde pelo resultado que a omissão der causa. 
Resultado normativo ou jurídico: É a violação da própria norma 
Resultado naturalístico: é a mudança do mundo visível pela conduta 
omissiva ou comissiva do agente. 
 
TEORIA DO CRIME 
teorias evolutivas da responsabilização penal: 
 
Teoria naturalística ou causal: não é mais utilizada. 
O crime era toda a ação que gerava efeito – era uma relação de causa e efeito, 
independentemente da intenção. O que importa é o resultado gerado pela 
conduta. Nesta teoria a sua intenção não importa. 
 
Teoria finalista: É a teoria utilizada hoje. 
A conduta para ser valorada deve ter uma finalidade, intenção e vontade. Essa 
teoria se subdivide em: 
a) Tripartida considera os elementos: fato típico, antijurídico e 
culpabilidade. 
b) Teoria bipartida considera os elementos: fato típico e antijurídico. 
Nesta teoria, a culpabilidade é um pressuposto para a aplicação da 
pena. 
 
Teoria constitucional: Também é utilizada hoje. 
Deve-se usar as regras do direito penal com a ótica do direito constitucional. 
• Conduta é toda ação ou omissão humana 
• O crime que se pratica por ação é uma conduta comissiva e o crime que se 
pratica por omissão é uma conduta omissiva. O crime omissivo tem o dever de 
agir (o não fazer resultará em responsabilidade penal). Podendo ser omissivo 
próprio ou impróprio. 
Crime omissivo próprio: imposto a todas as pessoas (responder por um tipo 
penal específico). 
Crime omissivo impróprio (art.13, CP): agente garantidor ou garante (dever 
+ poder). Responde pelo resultado que a omissão der causa. 
• Conduta é diferente de ato e em uma conduta pode haver vários atos (o crime 
que possui vários atos admite tentativa). 
 
NEXO CAUSAL 
 
• Nexo causal é a ligação entre a conduta e o resultado. 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
• Causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. 
• O código penal adota a teoria da equivalência 
 
Teoria da sinestesia: causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado 
não teria ocorrido. Exemplo: art.13, CP. Essa teoria é de 1850 e considera 
causa tudo aquilo que gerou um resultado. 
Teoria da equivalência dos antecedentes: tudo aquilo que chegar a um 
resultado e der causa por ação ou omissão é causa. 
Exemplo – a morte de uma pessoa: Um agente efetua um disparo na vítima. O 
agente é causa pois sem o disparo a vítima não teria morrido, os pais do 
agente também são causa pois sem eles o assassino não existiria, o fabricante 
da arma também é causa pois sem a fabricação a morte da vítima não teria 
ocorrido. 
A volta aos antecedentes é chamada de critério de eliminação hipotético. 
Em 1930, foi feito uma limitação ao regresso ao infinito. Desta forma, só 
responderá como causa do resultado quem agiu por dolo ou por culpa. 
Exemplo: Marcos empresta a sua arma para Alberto matar dona Lucia. Neste 
caso, Alberto é causa por matar a dona Lucia e oMarcos também é causa, 
pois, sem a arma emprestada o Alberto não poderia matar a mesma. 
Quando existem duas causas atuando para chegar a um resultado: 
Causas dependentes podem ser absoluta ou relativamente dependentes. 
As absolutamente dependentes não nascem da conduta do agente e podem ser 
preexistentes, concomitantes e supervenientes. 
Macete: Se a causa age antes é preexistente, se age durante é 
concomitante e se age depois é superveniente 
 
• Preexistente: são causas que vão chegar a um resultado que não nasce na 
conduta do agente, mas por si só ela produz o resultado 
Exemplo: uma pessoa coloca veneno de rato no café da sogra, mas na hora 
que a senhora começa a beber o café, a mesma tem um ataque e morre. A 
sogra não morreu por causa do chumbinho (causa B) e sim pelo infarto (causa 
A). O que matou foi a causa A (preexistente) não a causa B. 
 
• Concomitante: A causa não tem origem na conduta e precisa de um agente 
para chegar ao resultado 
Exemplo: o agente prepara um café com chumbinho para a sogra, mas na hora 
em que a senhora senta para beber o café, o lustre cai na cabeça da mesma a 
levando a óbito. 
 
Obs: na conduta preexistente e na concomitante não existe nexo causal. 
 
• Supervenientes: o agente coloca chumbinho no café da sogra às 06 da 
manhã, mas o veneno não agiu. A sogra passa o dia tranquilamente e quando 
chega à noite, a senhora vai tomar um banho de mar e morre afogada. 
O que matou a senhora foi uma causa que por si só produziu o resultado 
(afogamento) sem origem na conduta do agente. 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
As relativamente dependentes têm origem na conduta do agente (é o conteúdo 
que mais cai em provas) e podem ser preexistentes, concomitantes e supervenientes 
• Preexistente: A causa já existe antes da conduta e por si só produz o 
resultado. 
Exemplo: um agente corta o braço de uma pessoa hemofílica. O que vai matar 
o hemofílico não será o corte, e sim a hemofilia. Neste caso, a hemofilia é uma 
causa independente, porém, possui origem na conduta do agente. (possui nexo 
causal). 
Possuindo nexo causal, o agente responderá por homicídio consumado. 
 
Concomitante: O resultado é dado de modo conjunto. 
Exemplo: no momento em que um agente inicia um assalto, a vítima infarta e 
morre. Neste caso, a morte ocorreu por causa do infarto que foi originado pela 
conduta do agente. 
Possuindo nexo causal. O agente responderá por crime consumado. 
 
Supervenientes (art.13, CP): De fato, existe o nexo no mundo real. Porém, a 
lei determina que nos casos em que o resultado se der por uma causa 
posterior a conduta do agente, o mesmo só responderá pelos fatos até então 
praticados. 
Exemplo: A Sabrina da um soco na boca do Rogerio e o mesmo chama uma 
ambulância. No trajeto, uma carreta colide com a ambulância que o Rogerio 
está levando este a óbito. 
Existe nexo de causalidade entre a conduta dela e o resultado. Sabrina 
responderá apenas por lesão. 
Causa independente é aquela que por si só produziu o resultado. Podem ter ou 
não origem na conduta da pessoa. 
Tipicidade: 
Tipo penal é o molde da lei. Tipicidade é o encaixe da conduta no molde da lei. 
Subsunção é o exercício do encaixe. 
Exemplo: furto – subtrair para si coisa alheia móvel. Se o agente furtar, ele vai estar 
subtraindo para si coisa alheia móvel. Logo, a conduta se encaixará perfeitamente no 
tipo penal. 
• Tipicidade formal – é o perfeito encaixe da conduta no molde da lei. A 
tipicidade formal pode ser imediata/ direta e mediata/ indireta. 
 
Imediata ou direta: 
 
Mediata ou indireta: Ocorre quando a conduta está incompleta e é necessária 
uma norma de extensão (atr.14, 29 e 13 inciso II, § 2). 
 
• Tipicidade material – só é válida a incriminação de uma conduta se ela expor 
a lesão ou lesionar um bem jurídico tutelado (princípio da ofensividade). Não 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
basta a mera subsunção. Para que seja uma conduta típica é necessário a 
tipicidade formal + tipicidade material. 
Exemplo: um agente leva uma borracha de outra pessoa para a sua casa. Este 
subtraiu para si coisa alheia móvel e se subsumiu no tipo penal do furto. 
Porém, o crime de furto protege o patrimônio. Neste caso, o agente não 
lesionou, nem colocou o bem jurídico em risco de lesão. 
Apesar de o exemplo possuir a tipicidade formal, este não possui a tipicidade 
material. Tornando assim o caso em uma conduta atípica. Cabe a aplicação do 
princípio da bagatela. 
O principio da bagatela exclui a tipicidade material da conduta. 
 
TIPO PENAL 
Fases do tipo penal (“Inter criminis” – caminho do crime): 
A cogitação é a fase interna e a preparação são os planos. Geralmente, não cabe 
punição nestas duas primeiras fazes, salvo em alguns casos em que a punição poderá 
ser antecipada na fase da preparação (art.288, CP). Já a execução, começa quando é 
dado o início à agressão ao bem jurídico tutelado. 
Ato idôneo é o ato apto ao causar a consumação e o ato inequívoco é o ato que não 
gera duvida ao causar a consumação. 
Dentro do tipo penal existem os elementos. Por exemplo: matar alguém – são dois 
elementos. 
• Elementos objetivos: são os que dispensam interpretações. “Matar alguém”, 
por exemplo 
• Elemento normativo: são os elementos que precisam de um juízo de valor. 
Por exemplo: “Seduzir mulher honesta para fins libidinosos” – seduzir é 
elemento objetivo pois todos sabem o seu significado, já “mulher honesta” não 
é de fácil entendimento pois é difícil caracterizar. Logo, torna-se um elemento 
conformativo. 
• Elemento subjetivo: “Seduzir mulher honesta para fins libidinosos” – seduzir a 
mulher honesta para leva-la ao cinema não é crime. Pois, o molde da lei exige 
que seja para “fins libidinosos”. O verbo é “seduzir”, o núcleo do tipo penal é o 
verbo. 
Em regra, todo crime é doloso. Mas, se a lei falar, o crime poderá ser culposo. 
Tipo penal doloso (dolo = intenção): 
• Dolo direto: quer o resultado – teoria da vontade. 
• Dolo indireto eventual: assume o risco de causar o resultado. Resultado 
previsível – teoria do assentimento (art.188, CP). 
cogitação preparação execução consumação
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
• Dolo indireto alternativo: o agente não quer um resultado especifico, para ele 
basta um resultado. 
• Dolo eventual: sinônimo de elemento subjetivo do tipo. 
Tipo penal aberto: 
 
Fato típico: 
1. Ausência de previsão do resultado. O resultado não desejado pode ser: 
• Culpa inconsciente: sem previsão do resultado 
• Culpa consciente: o agente prevê o resultado, mas não aceita a sua ocorrência 
2. Quebra do dever de cuidado: imprudência, imperícia e negligencia. 
3. Previsibilidade objetiva. 
Tanto do dolo eventual quanto na culpa consciente, o agente prevê o resultado. 
Todavia, a diferença é: no dolo eventual o agente prevê o resultado, mas não se 
importa com a sua ocorrência. Na culpa consciente, o agente prevê o resultado, mas 
não aceita a sua ocorrência. 
CULPABILIDADE 
para que seja provada a culpa é necessário: 
1. Imputabilidade: é a capacidade de você entender o caráter ilícito da 
conduta. 
2. Exigibilidade da conduta diversa 
3. Potencial consciência da ilicitude: para que tenha culpabilidade é necessário 
verificar no caso concreto se a pessoa realmente sabia que a conduta era 
ilícita. 
TENTATIVA 
• Branca ou incruenta: o bem jurídico não é atingido 
• Vermelha ou cruenta: o bem jurídico é atingido 
• Perfeita (sinônimo de crime “falho”): o agente pratica todos os atos de 
execução, mas o crime não se consuma porcircunstancias alheias à vontade do 
indivíduo. 
• Imperfeita: interrupção dos atos de execução (art. 14, CP); 
crime 
culposo
fato típico 
conduta
resultado
nexo causal 
tipicidade 
antijurídico
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
CRIME FATO TÍPICO
Os crimes culposos, preterdolosos, habituais, empreendimento ou atentados, não 
cabem tentativa. 
Obs: só tem culpabilidade quem praticar uma conduta em que é possível exigir 
uma atitude diferente e mesmo assim não o faz. 
Existem 2 situações em que é possível excluir a exigibilidade de uma conduta 
diversa. São elas: 
1. Coação moral irresistível: um agente coloca uma arma na cabeça da filha 
da Sabrina e obriga a mesma a furtar a coleção de bonecos do prof. 
Felipe Melo, pois caso o contrário, ele mataria a filha dela. 
2. Obediência a uma ordem hierárquica não manifestamente ilegal: exclui-se 
a culpabilidade. 
 
Legitima defesa: é a legitima defesa um excesso doloso ou culposo. 
É uma repulsa a uma agressão injusta utilizando o meio menos lesivo (meio 
necessário) que deverá ser usado de maneira moderada. 
Exemplo: um agente invade uma residência e o proprietário usa a legitima defesa. 
Porém, se houver excesso por parte do dono do imóvel, o bandido poderá usar da 
legitima defesa. 
• Só cabe legitima defesa se a agressão for injusta 
• Pode ocorrer legitima defesa própria ou de terceiros 
 
 
 
 
ANTIJURIDICO
(ILICITUDE)
EXCLUDENTES 
LEGÍTIMA DEFESA
ESTADO DE 
NECESSIDADE 
ESTRITO 
CUMPRIMENTO 
DO DEVER LEGAL 
EXERCÍCIO 
IRREGULAR DO 
DIREITO 
CONSENTIMENTO 
OFENDIDO ANTES 
OU DEPOIS DA 
CONDUTA 
CARATER 
INDICIÁRIO
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
Estado de necessidade: sacrifica um bem jurídico para salvar outro bem jurídico. 
Exemplo: matar a pessoa que tentava roubar o seu colete enquanto você se afogava 
Estrito cumprimento do dever legal: se existe uma ordem legal, exclui-se a ilicitude. 
Entretanto, se houver uma ordem visivelmente ilegal, o mandante e o executor 
respondem pelo crime. 
Exemplo: Se um funcionário público recebe de seu chefe uma ordem ilegal e resolve 
acatar, por exemplo, um juiz entrega um mandado de prisão aos oficiais visando a 
prisão de Sabrina. Os oficiais não cometem crime ao prender Sabrina pois estão em 
ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL. Porém, se os oficias chegarem à 
casa de Sabrina a noite e efetuarem prisão, estes estarão cometendo um crime, pois 
segundo a lei, só é possível cumprir o mandado de prisão até o pôr do sol (a lei só 
vale para a prisão na residência do agente. Na rua é possível efetuar a prisão a noite). 
Neste caso, os agentes e o juiz responderam pelo crime. 
Existe uma ordem no meio que pode ser facilmente confundida. Por exemplo: se o juiz 
determinar que os oficiais executem o mandado de prisão de Sabrina e quando os 
policiais chegaram ao local ainda estava de dia. Por este motivo, o juiz fala que no 
momento que começou a diligência ainda estava de dia e por isso os oficiais deveriam 
executar a prisão de Sabrina. Este é uma ordem ilegal, pois já estava a noite. 
Exercício regular do Direito: exercer o que está na lei (art.301, CP) 
Consentimento ofendido antes ou depois da conduta exclui o crime. 
Exemplo: um agente estupra uma mulher e durante o ato a mulher consente com a 
conduta do agente. Esse consentimento dado exclui a tipicidade. 
 
ERRO DE TIPO X ERRO DE PROIBIÇÃO 
 
Erro de tipo: erro está no fato. 
Exemplo: uma pessoa quer transportar talco e alguém troca o talco por cocaína. Neste 
caso, o crime praticado é o tráfico de drogas e a pessoa está em erro de tipo ( a 
pessoa sabe que está transportando talco. O erro dela está no fato). 
Erro de proibição: o erro incide em uma norma proibidora. 
O erro de proibição exclui a potencial consciencia da ilicitude. 
Exemplo: um agente planta a cana, moi a cana e faz açucar. Neste caso, o agente tem 
certeza que fez o açucar. Porém, sem autorização do Ministério da Agricultura, fazer 
açucar é crime. O erro incidiu em uma norma proibitiva. 
Delito putativo é um delito imaginário. 
As vezes o delito putativo pode estar tanto no erro de tipo quanto no erro d proibição. 
 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL 
• Delito putativo por erro de tipo: um agente pensa que esta transportando 
cocaina mas na verdade ele está transportando talco. Na cabeça dele, ele 
estava praticando um crime, mas na realidade não estava. 
• Delito putativo por erro de proibição: uma mãe que faz sexo com o seu filho 
acredita que está praticando um crime. Na realidade, não existe nenhuma 
norma proibidora para incesto no Brasil. Aqui o erro é em não saber que não 
existe uma norma proibitiva. 
Erro desculpavel ou invencivel: Se olhar a situaçãpo concreta, todos praticariam o 
mesmo crime. A consequência é a exclusão do dolo e da culpa. 
Exemplo: um agente invade a sua residencia a noite e voce mata o mesmo. Quando 
você chega perto, percebe que na realidade era a sua sogra. Esse erro de tipo é 
desculpavel. E como consequência exclui-se o dolo. 
Erro de tipo indesculpavel: Exclui-se o dolo. 
Exemplo: o professor Felipe Melo, ao sair da sala dos professores leva as chaves da 
professora Catarina. Ele não tinha a intençao de subitrair para si o objeto da 
professora, porém o fez. Neste caso, não existe furto culposo e o professor Felipe não 
irá responder pelo delito. 
Erro sobre a pessoa: a lei dá mais valor a sua intenção. 
Alberto quera matar o pai e na hora que o pai dele sai de casa, ele atira na cabeça do 
mesmo (homicídio com uma agravante de matar ascendente). Mas na hora que 
oalberto chega proximo ao corpo, ele constata que era o tio dele e não o pai. Como 
consequência , ele responderá pelas caracteristicas da pessoa que ele queria matar 
(pai) e não da pessoa que ele matou (tio). Logo, será um homicídio majorado pela 
cindição de ascendente 
Erro na execuçao (aberratio ictus): 
Exemplo: Alberto tenta matar a Sabrina mas a bala desvia e acerta Rogério. Neste 
caso, o erro é na execução. A consequência é a mesma do erro sobre a pessoa. O 
agente responde sobre a vítima virtual e não a vítima real. 
Erro sobre o crime (aberratio criminis): 
Exemlo: uma pessoa esta sentada em uma cadeira próxima a uma janela e alguém 
joga uma pedra nesta janela atingindo a pessoa. A intenção do infrator não era atingir 
a pessoa e sim, quebrar a janela. O agente praticou dois crimes: a titulo de dolo foi a 
quebra da vidraça, e a titulo de culpa foi a lesão corporal. 
Erro sobre o objeto: 
Exemplo: Alberto subtrai a caneta de ouro branco de Sabrina. Ao chegar em casa ele 
percebe que a caneta não era de ouro e sim de prata. O erro incide sobre o objeto e a 
consequência é inexistente. 
 
YASMIM COZZI SANTIAGO VENTURINI CHEIM 
CURSO DE DIREITO PENAL

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