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Direito e Globalização 1 (Direito UNIP)

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e da melhoria das condições econômicas. 
Frise-se que esse dogma da busca constante da evolução não esta presente nas 
sociedades pré-industriais cujo imaginário social é preenchido pela repetição constante dos 
eventos sociais. O símbolo que melhor representaria as sociedades anteriores à revolução 
industrial seria o círculo, eis que do ponto de vista do imaginário daquelas sociedades os 
eventos deveriam apenas se repetir gerando desse modo segurança social e não haveria uma 
busca pela inovação que despertaria insegurança social. 
Já na sociedade industrial, na qual atualmente encontramos inseridos, o símbolo que 
melhor representaria o nosso imaginário social seria a linha reta rumo ao infinito. Esse dogma 
da necessidade perpétua de evolução, foi construído através dos mecanismos intrínsecos ao 
18 ​Id., ibid.,​ p. 120. 
capitalismo que é considerado um sistema econômico aberto e que, desse modo, estimula seu 
próprio desenvolvimento continuamente. 
Na área econômica esse dogma da evolução se manifesta de maneira muito forte. 
Assim rapidamente os economistas criaram mecanismos para aferir o tamanho de uma 
economia e também para medir sua expansão. Os economistas não estavam preocupados em 
avaliar a qualidade desse crescimento, se ele estaria beneficiando o conjunto da sociedade ou 
se ele estaria permitindo a melhoria real das condições de vida da maioria. 
Como assevera Capra ​“ a luta universal pelo crescimento e pela expansão tornou-se 
mais forte do que todas as outras ideologias; para usar uma idéia de Marx, tornou-se o ópio do 
povo.​” 19
Assim, a forma de medir o crescimento econômico proposta pelos economistas foi 
através da mensuração do PIB ​per capita​. Por esse método não haveria qualquer diferenciação 
entre crescimento e desenvolvimento econômico. 20
A partir desse mero cálculo aritmético criou-se uma classificação para os países. Os 
países centrais, de industrialização consolidada, por possuírem uma expansão mais dinâmica 
de suas economias, logo foram rotulados como desenvolvidos. Os países muito pobres, muitos 
deles recém saídos das possessões colônias e que não conheceram qualquer tendência à 
industrialização, foram classificados como pobres e aqueles inseridos parcialmente no sistema 
de capitalismo industrial foram tidos como países em desenvolvimentos. 
No entanto, esse critério como sinônimo de grandeza sócio-econômica conheceu 
inúmeras críticas a partir de meados do século XX. Ele rapidamente revelou-se insuficiente 
para apreciar todas as complexidades da diversa das sociedades que surgiram naquele século 
que conheciam graus distintos de inserção ao capitalismo. A pobreza extrema, a grande 
concentração de renda, a grande assimetria social, eram apenas alguns dos sintomas mais 
visíveis da necessidade de se buscar outros critérios para medir, com relativa profundidade, os 
graus de evolução de determinada sociedade. 
Ademais, a renda ​per capita falseava as condições reais do países. Tome-se, por 
exemplo, alguns países produtores que tinham índices de PIB ​per capita elevados, mas as 
suas sociedades não gozavam de grandes benefícios. 
19 CAPRA, Fritjof. ​op. cit​. p. 205. 
20 VEIGA, José Elli. ​Desenvolvimento sustentável: ​o desafio do século XXI. 2. ed. Rio de Janeiro; Garamond, 2006, p. 
17. 
Por outro lado, a ONU continuou a perseguir um índice que pudesse refletir melhor a 
complexidade de uma determinada sociedade e privilegiasse fatores sociais em detrimento de 
grandezas meramente econômicas. Assim, em 1990 o programa das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento ( PNUD) lançou o índice de desenvolvimento humano ( IDH) . Esse índice 21
leva em conta inúmeros outros fatores para medir a qualidade da evolução econômica e não 
somente o PIB ​per capita​. Toma em consideração essencialmente três informações essenciais: 
escolaridade, renda e longevidade das populações. Por intermédio desse novo houve uma 22
mudança na classificação entre os países. Os países industrializados embora continuassem a 
figurar entre os mais bem posicionados, não se encontravam classificados automaticamente 
segundo sua produção industrial. 
Outro índice proposto foi o GINI que estipula o grau de concentração de renda de 
determinada sociedade. Por esse índice mais importante do que aferir a quantidade de 
riquezas distribuídas é verificar a capacidade de distribuição delas. 
Destarte, a busca por um índice que melhor diagnosticasse a qualidade de vida de uma 
determinada sociedade foi o primeiro passo para estabelecer uma divisão entre o crescimento 
e o desenvolvimento econômico. Em decorrência desses novos índices e os debates que o 
cercaram foi ficando claro que o desenvolvimento econômico não era um mero acaso, mas 
podia ser atingido através de políticas públicas patrocinadas pelo Estado. Afinal os países 
europeus recém saídos do conflito mundial eram um exemplo claro, mas não o único do 
sucesso dessa assertiva. 
Não demorou muito para se estabelecer o raciocínio de que uma vez sendo possível se 
alcançar o pleno desenvolvimento econômico, essa meta deixaria o campo da política pública 
para tornar-se um direito juridicamente tutelável. 
Com efeito, a idéia de que o desenvolvimento econômico não era simplesmente mais 
uma meta a ser alcançada mais sim um direito, surgiu no plano doutrinário em artigo do jurista 
africano Keba M’ Baye publicado em 1972 . 23
Essa concepção de direito foi positivada, ao menos no nível internacional, pela primeira 
vez na Carta africana dos Direitos Humanos e dos Direitos dos Povos, aprovada em 1981. 24
21 VEIGA, José Eli. op. cit., p. 18 
22 Ibidem, idem, p. 88 
23 Cf. RISTER, Carla Abrantkoski. op. cit. p. 55 
24 Cf. ​Id., Ibid​. p. 53 
Esse documento assegura e afirma os direitos dos povos à existência enquanto tal, à 
livre disposição de sua riqueza e recursos naturais, e principalmente o direito ao 
desenvolvimento, ​in verbis: 
 
Artigo 22 
1. Todos os povos têm direito ao desenvolvimento econômico, social e cultural, no devido 
respeito à sua liberdade e identidade, e na igual fruição da herança comum da 
humanidade. 
2. Os Estados têm o dever de assegurar, individual ou coletivamente, o exercício do direito 
ao desenvolvimento. 
 
A partir desse documento, embora o conceito de desenvolvimento se mantivesse vago, 
ele começava a despertar interesse para o direito que buscaria normas de conferir-lhe 
conteúdo normativo. 
Os Estados nacionais começaram a incluir esses ordenamentos a concepção de que o 
desenvolvimento seria um tutelável do ponto de vista jurídico. Entre nós, essa preocupação 
também se mostrou presente, notadamente após a Constituição de 1988. 
 ​2.5 Do desenvolvimento sustentável no plano internacional 
Em 1971, o economista Georgescu-roegen foi pioneiro ao estabelecer uma relação 
direta entre avanço econômico e degradação ambiental. Em seu artigo ​a lei da entropia e o 
processo econômico ele demonstra o vínculo entre o processo econômico e a segunda lei da

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