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Filosofia da Educação Gledson Ferreira EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA EAD FACULDADE do MACIÇO de BATURITÉ FMB Filosofia da Educação Faculdade do Maciço de Baturité Gledson Ferreira Faculdade do Maciço de Baturité Sumário 1 “A FILOSOFIA É O DESENVOLVIMENTO E USO DO SABER EM BENEFÍCIO DO HOMEM” Página 06 Página 15 2 “EDUCAI AS CRIANÇAS E NÃO SERÁ PRECISO CASTIGAR OS HOMENS” Faculdade do Maciço de Baturité 04 APRESENTAÇÃO Filosoa da educação é uma disciplina que faz parte do campo da losoa que se ocupa com o conhecimento, a reexão sobre os processos educativos. Procura entender os sistemas educativos e sua sistematização, levando em consideração seus métodos didáticos, entre outros saberes relacionados com a pedagogia. Para esta disciplina, foram desenvolvidas três unidades, com conteúdo especíco, atividades a serem realizadas, sugestões de leituras complementares e lmes. Faculdade do Maciço de Baturité 05 INTRODUÇÃO O conhecimento losóco sempre esteve presente na vida do homem. Pensar a vida de maneira racional, crítica, frente a natureza, sempre foi uma experiência única. A Grécia antiga, berço da cultura ocidental, foi fundamental nesse exercício, exatamente pelo fato dela ter trabalhado junto a sociedade um modo de ser cidadão, de ser político, de ver as coisas com um outro olhar. As lições advindas dos grandes pensadores, como por exemplo: Sócrates, Platão e Aristóteles, foi um marco para o conhecimento, assim como para a estruturação, organização das futuras civilizações e do modo de ser indivíduo. O Brasil, assim como outras sociedades modernas, aos poucos vai se rendendo aos conhecimentos losócos, pois há inúmeras correntes do saber atual que vai ressaltar a relevância da criticidade, da reexão que a losoa tem, permitindo uma melhor compreensão dos diferentes contextos, e consequentemente, proporcionando um novo olhar para a sociedade. Na verdade, há um interesse relevante de diferentes públicos por losoa, que vai desde do pesquisador cientíco, do aluno do ensino básico, chegando até ao público leigo. Podemos perceber que ao contrário do que se pensava anteriormente, ou seja, de que losoa era algo exclusivo dos intelectuais, dos acadêmicos, estudo para alguns e outros não, nessa atual conjectura, cai por terra. Hoje a imagem que estar sendo construída da losoa, é de que ela é uma disciplina fundamental para as ciências humanas, e que pode estar sim presente na pedagogia, na realidade da escola, assim como na educação como um todo. Anal não é à toa que a losoa é considerada a mãe de todas as ciências. Nesse sentido, entender que o exercício do losofar, do estudo da losoa é de fato um pensamento que estar diretamente atrelado ao espanto, a provocação e a contemplação, passa ser uma bandeira, que fundamentalmente deve ser elevada, uma vez que transforma sujeitos, assim como toda uma sociedade. http://elinformantebcs.mx/los-sudcalifornianos-no-estan-pensando-filosofo/ Faculdade do Maciço de Baturité 06 1 “A FILOSOFIA É O DESENVOLVIMENTO E USO DO SABER EM BENEFÍCIO DO HOMEM” A palavra losoa tem origem grega, deriva-se de dois termos gregos: Filo (Philía): amizade, e Soa (sophía): sabedoria. Portanto, originalmente a palavra losoa signica “amigo, amizade pelo saber, pela sabedoria” ou “amor ao saber” (Chalita, 2005). Pode-se atribuir ao lósofo grego Pitágoras de Samos a invenção da palavra losoa. Ele teria armado que a losoa estava atribuída aos deuses, a sabedoria plena e completa pertencia a eles, mas que os homens podem amá-la, e assim, tornarem-se lósofos (Chauí, 2010). Uma vez que esse homem começou a pensar losocamente, possibilitou novos caminhos, necessidades de explorar novos conhecimentos, ao ponto da losoa se dividir em cinco campos: Lógica (estudo da estrutura, da forma do próprio pensamento, do método de raciocínio que melhor colabora para a pesquisa, para análise), Ética (estudo de valores, de atos dos seres humanos, de princípios e condutas), Estética (estudo das formas de representação, sobre o belo, as artes e das demais formas de expressão de cultura), Política (estudo da organização social, das formas como o homem se organiza no espaço público) e Metafísica (estudo da realidade última das coisas, do conhecimento, da mente humana, dos sentidos, da natureza do ser) ou seja, da ontologia (Chalita, 2005). 1. Filosofia 1.1 A palavra filosofia. (Platão) (Edmund Husserl) "A META IDEAL DA FILOSOFIA CONTINUA SENDO PURAMENTE A CONCEPÇÃO DE MUNDO, QUE PRECISAMENTE, EM VIRTUDE DE SUA ESSÊNCIA, NÃO É CIÊNCIA. A CIÊNCIA NÃO É NADA MAIS DO QUE UM VALOR ENTRE OUTROS” 1.2 A Origem da Filosofia A história do pensamento ocidental, ou seja, do nascimento da losoa, nasce na Grécia entre os séculos VII e VI a.C., promovendo a passagem da consciência mítica (alegórica), para a consciência racional e losóca (Cotrim, 2010). Durante um bom tempo, esses dois tipos de consciência coexistiram no mundo grego. Na verdade, a sociedade grega com esses dois saberes, acabou desenvolvendo o seu processo de http://philosophia-ensinomedio.blogspot.com.br/ 2014/05/losofos-presocraticos.html (Escola de Atenas de Raphael) Faculdade do Maciço de Baturité 07 urbanização e a organização política das suas cidades. O saber losóco tornou-se assim, algo essencial, colaborador da regulamentação das atividades dos indivíduos, sua racionalidade, ações e pensamentos (Aranha, 1992). Em meio a essa transição (mito - razão), houveram experiências signicativas para a sociedade, de um lado a lógica histórica do mito, e por outra, uma nova maneira de saber, pensar com a losoa. Para a mitologia grega, podia ser caracterizada por uma força, capacidade de sensibilizar estruturas profundas, inconscientes do psiquismo humano. Os cultos aos deuses (Zeus, Hera, Ares, Atenas) ou de heróis/semideuses (Teseu, Hércules, Perseu etc.), eram expressões marcantes para época, pois traziam lendas, crenças, elementos simbólicos que contribuíram e muito para determinadas explicações da realidade universal (Cotrim, 2010). Já no que dene o pensamento da losoa, podemos perceber que desde de sempre houve um esforço, uma forma peculiar de compreender o espírito humano, o entendimento das coisas. Para muitos, pode ser denida em um primeiro momento, como um grau de diculdade de ser justicada quanto se analisa a homem e todas as coisas. Mas por outro lado, não há dúvida de que a atividade da consciência desenvolvido pelo conhecimento losóco é de um valor inigualável, pois traz uma valorização do sentido que termina em si mesmo, valorizando a busca da compreensão pela compreensão, do conhecimento pelo conhecimento. E assim o homem se realizaria, desde de que seu desejo de compressão da realidade aumentasse cada vez mais (Severino, 2007). 1.3 Os Pré-socráticos De acordo com a história, o que vai inaugurar a losoa grega é o período pré-socrático, isto é, anterior a Sócrates. Nesse período, foi bastante abrangente o conjunto de reexões losócas, tendo como o seu principal nome, Tales de Mileto, por volta do século VII a. C., até o surgimento de Sócrates, já no século V. a.C. (Cotrim, 2010). Nesse período vale destacar que os objetivos desses primeiros lósofos que viviam na cidade de Mileto, era desenvolver uma losoa a partir de um estudo cosmológico, ou seja, que se desenvolve embasado em uma explicação racional e sistemática das características do universo, substituindo a antiga teoria da cosmogonia (explicação sobre a origem do universo através dos mitos (Cotrim, 2010). Assim, podemos denir os primeiroslósofos, chamados de pré-socráticos, conhecidos também como siólogos (aqueles que procuram as razões para os acontecimentos naturais no próprio mundo físico), como pensadores naturalistas, por ter a natureza como objeto de estudo. A Física para nesse período, vai estar junto a Filosoa, são do mesmo ramo do saber. Não havia distinção como há entre elas hoje. A pesquisa losóca estava voltada as causas dos eventos da natureza para o entendimento da matéria. Os primeiros lósofos desejavam descobrir o princípio de todas as coisas (em grego, arkhé) a partir de elementos naturais como a água, o fogo e o ar (Agostini, 2012). Nomes como Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Pitágoras, Parmênides, Zenão, Empédocles, Demócrito, foram destaques nesse processo investigativo. A preocupação desses primeiros lósofos era na verdade, concentrar na indagação básica de Tales de Mileto: “Do que é feito o mundo? ” “Qual a matéria-prima básica do cosmos? ” Faculdade do Maciço de Baturité 08 Sócrates (c. 470-399 a. C.) lho de Atenas, apesar de ser considerado um homem sábio, e de ser considerado o pai da losoa, tomou certos cuidados com o modo de lhe dar com o conhecimento. O próprio Sócrates fazia questão de ser entendido como um sujeito ignorante nos mais distintos temas que as pessoas acreditavam conhecer. Daí a o surgimento da frase: “Só sei que nada sei”. Pai do método dialógico, sua arte na losoa estava voltada essencialmente a pergunta. Para esse pensador, o ato de perguntar, a conversação, é algo extremamente necessário, verdadeiro para lhe dar com as coisas da vida, do mundo (Cotrim, 2010). Para o lósofo Sócrates, ter esse conhecimento no mundo do saber, é a melhor estratégia para lidar com os adversários. Pois ter uma certa dedicação para desenvolver um conhecimento losóco, um saber reexivo, é antes de mais nada, o primeiro passo para buscar o entendimento dos problemas e das indagações humanas – a exemplo de “O que é o homem?; “O que é o amor? ”; “O que é a virtude? ” (Agostini, 2012). Quanto a Platão (c. 427-347 a.C.), lósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Teve como seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles. Platão ajudou a construir os alicerces da losoa natural, da ciência e da losoa ocidental. Entusiasmou-se com a losoa de Crátilo, um seguidor de Heráclito. No entanto, por volta dos 20 anos, encontrou o lósofo Sócrates e tornou-se seu discípulo até a morte deste. Como Sócrates se recusava a escrever, é sobretudo por meio da obra de Platão que temos ideia desse pensador. Ao registrar conversas entre o mestre e as pessoas, seus escritos foram sendo conhecidos como diálogos platônicos e constituem grandes obras tanto de literatura quanto de losoa (Warburton, 2013). O que vai diferenciar o pensamento de Platão do seu mestre Sócrates, é que ele acreditava que o mundo não é o que realmente parece ser. Há uma grande diferença entre aparência e realidade. A maioria das pessoas confundem essas duas coisas. Na verdade, pensamos que entendemos, mas no fundo estamos sendo enganados. Na reexão losóca de Platão, somente os lósofos são capazes de entenderem o mundo verdadeiramente como ele é. Para esse pensador, o lósofo não se deixa levar pelos sentidos, eles vão em busca de descobrir a natureza da realidade pelo pensamento que a losoa essencialmente exige. Para defender essa ideia, Platão o mito da caverna (Warburton, 2013). A alegoria da caverna, no livro VII de A República, criado por Platão, o lósofo vai ressaltar uma ideia de aprisionamento do homem – ou dos homens – que se encontrava em uma caverna escura amarrado consigo mesmo. Homens que estavam acostumados a viverem distante do mundo real, luminoso. Suas vidas se restringiam somente as sobras, longe da liberdade e da sabedoria, viviam a ilusão na ilustração (Cotrim, 2010). Partindo desse princípio, dessa ilustração, o lósofo traz uma dimensão até então inovadora no 1.4 Sócrates, Platão e Aristóteles (http://slideplayer.com.br/slide/351387/) Faculdade do Maciço de Baturité 09 pensamento, pois vai profundamente distinguir o mundo sensível, dos fenômenos, do mundo inteligível, das ideias. Para Platão, o homem estava em contato com dois tipos de realidade. A primeira não muda. A segunda são todas as coisas que nos afetam os sentidos. Para esse lósofo, suas ideias estão voltadas as coisas como o ser humano, o bem ou a justiça. Platão passou a ideia de que as pessoas têm características diferentes, tamanho, peso, cor, pensamento e tudo, mas todos são seres humanos. Outro lósofo que vai marcar a história da losoa é Aristóteles (384-322 a.C.), que nasceu na cidade grega de Estagira e só saiu de lá quando Platão morreu, ou seja, o seu mestre. Muito embora ter sido discípulo de Platão, Aristóteles construiu sua própria losoa, ou seja, de uma teoria do conhecimento que é possível conhecer o mundo por meio da experiência sensorial, descobrindo assim, a essência das coisas. Segundo Aristóteles, o conhecimento é a abstração da natureza dos objetos e dos seres, isso resultaria num conceito, num pensamento, e, portanto, se diferenciando da losoa de Platão (Chalita, 2005). Na losoa aristotélica, cada ser ou objeto tem uma substancia própria, que é na verdade o conjunto de todas as características fundamentais, como suas dimensões, qualidades, matéria de que é feito, etc. Nesse sentido, a abstração tem um papel essencial, pois o homem conseguiria analisar esses atributos separadamente, mas que são inseparáveis no ser ou objeto em si (Chalita, 2005). Durante boa parte de sua vida, Aristóteles dedicou-se ao estudo de como o ser humano pode ser feliz vivendo em sociedade. Sua visão a felicidade não é só uma questão de como nos sentimos, mas sobretudo uma realização global na vida, que pode ou não acontecer, pode ou não ser afetada pelos eventos que não temos controle (Warburton, 2013). Ao escrever sobre política, armou que somos um animal político, somos participantes da pólis (cidade), e por isso precisamos viver agregados as outras pessoas. Em outras palavras, para Aristóteles um indivíduo vivendo sozinho é inconcebível, deixaria de ser homem. Seria um sujeito sem ética, sem caráter, sem conduta (Chalita, 2005). O pensamento de Aristóteles diferencia as ciências conforme seus objetos e nalidades, seja atividades produtivas, éticas e políticas ou simplesmente intelectuais, que tem somente o interesse pelo conhecimento em si, sem nenhuma preocupação prática (Chauí, 2010). Portanto, Sócrates, Platão e Aristóteles, a partir do saber losóco, da construção do pensamento, cada um vai trilhar o seu caminho. Fazerem suas próprias escolas. Cada um vai construir uma abordagem original. Sócrates com um excelente diálogo, Platão com um olhar de escritor fenomenal e Aristóteles interessado por todas as coisas, fascinado pelos detalhes de tudo o que cercava (Warburton, 2013). 1.5 Antropologia Filosófica O aparecimento da antropologia, segundo alguns autores, remonta à Grécia antiga. Os gregos teriam sido os principais povos a reunir informações sobre sua cultura, sobre seu povo. Ainda que os chineses, egípcios e romanos tenham feito importantes contribuições para o estudo do homem, foi um lósofo grego do século V a. C., chamado Heródoto que para alguns estudiosos é considerado “o pai da losoa”. Evidentemente que essa coroação não é unânime, pois há um outro grupo de pesquisadores que não concordam com essa escolha, e, portanto, colocando dúvida tal escolha (DAMATTA, 1981). Faculdade do Maciço de Baturité 10 Independentemente de quem foio primeiro descobridor dessa disciplina, dessa área de estudo, vale ressaltar que Antropologia Filosóca ainda que seja um estudo novo, já tem o seu espaço, o seu valor para o conhecimento humano. Anal seu objeto de estudo (o homem) pode ser visto por todo o percurso histórico, por vários ângulos, indo desde a Grécia Antiga com a losoa, passando pela Idade Média, mundo moderno e contemporâneo. Como já vimos anteriormente, na Grécia Antiga o homem foi analisado a partir de uma experiência cosmocêntrica, enquanto na Idade Média, com o estudo da losoa cristã, o olhar se voltou para uma perspectiva teocêntrica. Com a chegada da modernidade, o estudo já foi sendo trabalhado numa perspectiva antropocêntrica. Isto é, esse homem da modernidade foi partindo de pressupostos que vão estar presente na investigação crítica, fundamentado na reexão losóca. Ou seja, esse homem moderno na verdade, vai ser construído a partir de um racionalismo laico, sem interversões da religião, mas de fato com uma tendência social muito mais presente, otimista em relação à capacidade da razão de intervir no mundo, organizando e aperfeiçoando a sociedade como um todo (Cotrim; Fernandes, 2011). Nesse sentido, o pensamento da Filosoa Antropológica ganhará novos horizontes. Terá a ciência como ferramenta essencial para buscar a investigação do homem, do outro e de mim. Entendendo que tudo se deduz a partir do homem, pois é a partir dele que se tornam acessíveis um estudo profundo das realidades que o dene, que o transcendem, levando em consideração a sua essência, a sua existência (Costa, 2005). Tais estudos vão de fato desenvolver um saber voltado a estrutura essencial do homem, encarando-o agora metasicamente, e, portanto, fazendo uma interpretação ontológica do homem, na medida em que seremos conduzidos a reetir sobre a questão do signicado do ser. Nos últimos anos, podemos observar que na sociedade atual, estudar o homem passou a ser algo absolutamente necessário. As mudanças, as diferentes formas como as sociedades na atualidade vêm se comportando, pensando, precisam de profundas reexões, e por isso uma notoriedade mais denunciativa, responsável para que se possa de alguma maneira mudar o cenário. Pois está mais do evidente que a chegada do capitalismo, sistema que criou a individualidade a partir do século XVI com a Reforma Protestante, mais do que nunca está trazendo danos signicativos ao homem moderno. O suporte do pensamento liberal, que se resume em bens materiais, ideia de consumo, agora também pode ser traduzida como violência a natureza, assim como ao próprio homem (Tomazi, 2011). Faculdade do Maciço de Baturité 11 Sócrates não fundou uma escola como diversos outros lósofos. Era um pregador que ensinava em locais públicos e não escreveu nada de seus pensamentos. Suas ideias chegaram até nós através dos escritos dos seus discípulos, principalmente Platão que faz de Sócrates porta voz de muitas de suas ideias, sendo difícil separar o pensamento dos dois. O mesmo ocorre com os outros autores que escreveram sobre Sócrates. TEXTO COMPLEMENTAR I (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Metropolitan_David_Socrates_3.jpg) – (A Morte de Sócrates) Sócrates (470 - 399 a.C.) Ele acreditava na imortalidade da alma e que ele próprio recebeu em sua vida uma missão do deus Apolo para que ele defendesse o Conhece-te a Ti Mesmo. Dessa forma a losoa torna-se um incessante exame de si e dos outros colocando o homem e os seus problemas como centro dos interesses da losoa. A sabedoria passa a ter como objeto de pesquisa o homem. A Sabedoria Humana é o quanto o homem pode saber sobre o próprio homem. Sócrates busca responder à questão de qual é o ser, a natureza última, a essência do homem. A essa pergunta Sócrates responde que o homem é a sua alma, e a alma do homem é a sua razão. A alma do homem é a sua consciência. A alma é o que dá ao homem a sua personalidade intelectual e moral. Cuidar de si mesmo é cuidar da própria alma mais do que do corpo. O educador tem assim por tarefa ensinar os homens a cuidar da própria alma. Sócrates considerava-se um educador e como tal tinha por tarefa ensinar as pessoas a cuidar da alma mais do que do corpo e das riquezas. Ele buscava a virtude e a virtude não nasce da riqueza nem do culto ao corpo, tão próprio dos atenienses da época. O corpo tem que ser um instrumento da alma, da sabedoria. Conhecer a si mesmo é conhecer a própria alma. A missão de Sócrates é conhecer a realidade humana, investigar o homem e a sua alma. A losoa deve levar o homem a conhecer a si mesmo, conhecer os seus limites, as suas possibilidades. Busca a justiça e a solidariedade. A relação do homem com ele e com os outros e a relação dos outros com ele. Para ele o limite de sua sabedoria era a sua própria ignorância? Só sei que nada sei. Os erros que cometemos em nossa vida são culpa da nossa ignorância. Não se proclamava sábio e tentava fazer com que as pessoas se sentissem ignorantes e que admitissem a sua ignorância e fazia isso através do perguntar e do questionar, Sócrates tanto fez isso que conquistou diversas inimizades. O Conhecimento do Homem Faculdade do Maciço de Baturité 12 Para Sócrates as pessoas deveriam concentrar os seus esforços em serem virtuosos, para si mesmos, para seus amigos e para a comunidade a que pertencem, pois, a virtude deve ser conquistada também pelo grupo humano, pela polis. Esse é um dos motivos pelo qual não fugiu da sua sentença de morte, acreditava que fugir da sua comunidade e da sentença que ela lhe impôs era deixar de ser virtuoso e isso era ir contra todos os seus princípios. Para os gregos a virtude era a qualidade essencial que faz do ser o que ele é, assim é virtuoso o homem que tenta ser bom e perfeito utilizando a razão e o conhecimento para atingir esse objetivo porque essas qualidades são próprias do homem. O contrário da virtude é o vício que é caracterizado basicamente pela ignorância que é a ausência da razão e do conhecimento. O melhor modo do homem virtuoso viver segundo Sócrates é buscando o desenvolvimento da sua razão e do seu conhecimento e não buscando riquezas materiais que geralmente desviam o homem do caminho da virtude. A virtude é o bem mais precioso que a pessoa pode ter. Os reais valores não estão ligados ao que é exterior ao homem como a fama o poder e a riqueza, nem aos atributos do corpo como a beleza e o vigor físico mas nos atributos da alma que são caracterizados principalmente pelo conhecimento. Os outros valores quando estiverem ligados ao conhecimento também podem ser virtuosos. O homem para ser virtuoso não precisa renunciar aos prazeres, a virtude deve levar o homem a uma vida perfeita não a negação dessa vida. A Virtude É a forma encontrada por Sócrates para fazer com que as pessoas através da interrogação feita de forma organizada e direcionada cheguem ao conhecimento. A Maiêutica é um estímulo para a pesquisa, através dela ele buscava fazer "parir" nas pessoas as ideias, os conhecimentos. Ele próprio se declarava sem sabedoria e não criou nenhuma organização metodológica e doutrinal. Era o parteiro das ideias nos outros e não podia parir conhecimentos em si mesmo. Através da Maiêutica a pessoa que parece ignorante pode achar em si conhecimentos que desconhecia ter, Sócrates somente ajuda a pessoa nessa pesquisa, mas não lhe ensina nada. A Maiêutica Sócrates era contrário a aristocracia democrática, defendia que a república deveria ser governada por lósofos. Pensava também que em algumas situações os tiranos podem até ser mais legítimos que a democracia. Os lósofos seriam os perfeitos governadores do estado pois somente eles têm a capacidade de entenderos mais profundos conhecimentos. Política Ele não era ateu mas armava que acreditava em uma divindade particular, lha dos deuses tradicionais que ele chamava daimonion que era um ser inferior aos deuses, mas superior aos homens. Mesmo assim ele era contra os deuses nos quais a cidade acreditava. Sócrates se dizia atormentado por essa voz divina interior que ele ouvia não tanto para o indicar a pensar e agir, mas para o dissuadir de fazer determinada ação. Religião Faculdade do Maciço de Baturité 13 - Eu digo cidadãos que me haveis matado, que uma vingança recairá sobre vós, logo depois da minha morte, bem mais grave do que aquela pela qual vos vingastes de mim, matando-me. Hoje, vós zestes isso na esperança de que vos tereis libertado de ter que prestar contas de vossa vida. No entanto, vos acontecerá inteiramente o contrário: eu vo-lo predigo. Não serei mais somente eu, mas muitos a vos pedir contas. - Você sabe onde se vende peixe? Sim, no mercado. E sabe aonde os homens se tornam virtuosos? Não. Então me siga. Fonte: http://www.losoa.com.br/historia_show.php?id=23 – Texto do Curso Só Filosoa - Filosoa a distância, responsável - Arildo Luiz Marconatto. Sentenças Para ele os cultos religiosos devem fazer parte da vida de todos os cidadãos. Aconselha as pessoas a que sigam os cultos e aos costumes da sua cidade. Os deuses são a expressão do princípio divino. Esse princípio divino pode trazer aos homens o supremo bem que é a virtude. A religião pra Sócrates é a sua losoa. Seu Deus é a inteligência que pode conhecer todas as coisas e que pode também ordenar essas coisas. TEXTO COMPLEMENTAR II (http://www.loinfo.net/taxonomy/term/231) – (Os Pensadores) “Na antiguidade grega inicialmente vamos encontrar a força propulsora de tudo que desaa o homem a produzir mitos, o mistério, que envolve a vida e o ser. O homem sente-se como que jogado na existência, em meio à multiplicidade de fenômenos, que o desaam e que ele tem de ordenar ou organizar, dando signicado, em função de um viver. Não só em função da sobrevivência física ou biológica, como todo animal, mas também em função da sobrevivência psicológica e social; o que é próprio do ser humano. Há uma relação estreita entre homem e cosmos. Nesse passo temos uma antropologia cosmocêntrica. Nesse link estão, por exemplo, Homero e Hesíodo, apesar de neles já aorarem alguns elementos de um humanismo que procurava e buscava denir um ideal humano de vida que, partindo embora dos limites da situação existencial do homem, dele depende e por ele é criado. Passando para a antiguidade clássica vamos encontrar Protágoras (485-411 a.C) que por primeiro formulou, numa expressão clássica, a necessidade do homem de avaliar tudo, o que em termos amplos signica a necessidade de tudo mundanizar. Disse ele: “Pánton chremáton métron estin ánthropos (De todas as coisas, sobretudo as de uso e costume, o homem é a medida) ”. Visão segundo Platão e Aristóteles na Antropologia Filosófica Faculdade do Maciço de Baturité 14 Surge nesse momento a passagem de uma antropologia cosmocêntrica para uma antropologia antropocêntrica. Nesse contexto vamos perceber a atuação dos autores pré-Socráticos (a corrente sofística), Sócrates, Platão, Aristóteles e as correntes posteriores (epicurismo, estóicos e os neoplatônicos). Platão realmente estabelece uma antropologia centrada no dualismo cosmológico e antropológico, concebendo a vida humana, em força da sua própria estrutura, como sendo tensão a resolver-se. Tensão que não se exaure no horizonte da vida pessoal. Ela continua vigente na vida da polis. A sociedade repete, no nível macroscópico-social, aquilo que cada pessoa é no nível individual. No plano individual o homem é composto por corpo e alma, ou seja, o humano só pode ser completo se for dual. Assim, Platão inaugurou o que cou conhecido como dualismo. Para ele, o homem não pode ser compreendido apenas pelo corpo ou pela alma. O corpo segundo ele é a morada da alma. A alma é a que dá vida à mente, e, esta permite o intelecto e por m o conhecimento. Assim sendo, o homem é tem duas moradas: a concepção do corpo em antítese ontológica com a alma. Assim ele nos diz no Fédon 67 A: “Além disso, por todo o tempo que durar nossa vida, estaremos mais próximos do saber, parece-me, quando nos afastarmos o mais possível da sociedade e união com o corpo, salvo em situações de necessidade premente, quando, sobretudo, não estivermos mais contaminados por sua natureza, mas, pelo contrário, nos acharmos puros de seu contato...” Segundo Platão, o homem tem uma centelha do divino. O que mais aproxima da essência divina é o amor que deve ser naturalmente algo que vem da alma, pois esse sentimento vai impulsionar a alma à verdade. (FEDRO). O Dualismo corpo-alma, a imortalidade da alma, a transcendência, são temas importatíssimos em Platão. ” Passando ao nosso querido Aristóteles, inicialmente podemos destacar que ele é tido por alguns como sendo o primeiro a conceber a antropologia enquanto ciência, buscando também realizar uma sistematização losóco-cientíca no que se refere ao debate sobre o homem. Ele responderá ao questionamento de “quem é homem? ”, apontando para uma interpretação da vida do ser humano, no contexto da vida em geral. Nasce aqui a vinculação de uma pertença política porque na origem o homem é social. Entra nesse contexto o debate sobre a ética e a vida prática. Assim sendo, a concepção aristotélica de homem centra-se em suas capacidades racional e discursiva, ambas intimamente ligadas à capacidade social. Dada a sua natureza racional, o homem atinge a plenitude de seu ser na posse do conhecimento. A atividade reexiva permite ao homem afastar-se de sua condição nita e aproximar-se da natureza divina, pois a losoa primeira é conhecer as causas, que são produzidas por Deus e objeto do conhecimento divino. Assim sendo, para nosso Estagirita o homem realmente é especial e foi tratado por ele com tanta maestria, que podemos dizer que a sua antropologia alcança até hoje os fundamentos da concepção ocidental do homem. Fonte: http://olhar-losoco.blogspot.com.br/2012/03/visao-segundo-platao-e-aristoteles-na.html - Texto do Prof. Vicente Sergio Brasil Fernandes, da disciplina “Tópicos de Antropologia Filosóca” do curso de Pós-graduação em Filosoa da Existência – Universidade Católica de Brasília – Polo: São Paulo (março/2012) Faculdade do Maciço de Baturité 15 2 “EDUCAI AS CRIANÇAS E NÃO SERÁ PRECISO CASTIGAR OS HOMENS” Quando falamos do ensino da Filosoa, por consequência também estamos falando de uma Filosoa da Educação. A relação da losoa com a educação, como bem sabemos, já é antiga, existe desde o mundo grego. Os primeiros lósofos sempre buscaram a arete (conhecimento), foram eles os que deram início às discussões sobre a losoa da educação e seu sentido no mundo. Para esses pensadores a educação era um meio necessário para o alcance de uma cultura ideal, capaz de elevar o homem ao conhecimento inteligível. A educação junto a losoa para esses vultos, é antes de mais nada uma orientação, um conhecimento do mundo das ideias, para encontrar de fato a essência, a verdade como pensava Platão (Teixeira, 1999). Nesse sentido, a losoa da educação deseja reetir, investigar sobre o que é formação, valores emergentes que se contrapõem a ignorância. Se a losoa é de fato reexão radical, rigorosa, então é inevitável um desejo de profundidade do nosso existir e de conhecimentos sobre todas as coisas. Ela deve ser sim, crítica a ação pedagógica de modo que promova um nível de consciência losóca relevante, e não só de um conhecimento guiado pelo senso comum (Aranha, 2006). Para o lósofo, a análisedo contexto vivido é o que vai de fato possibilitar profundas indagações sobre o ser humano, permitindo uma melhor compreensão do mesmo, e assim, levando-o a uma formação desejada, comprometida com a verdade. Avaliar, orientar os currículos, as técnicas e os métodos para que a ação pedagógica não esteja comprometida, é sem dúvida alguma, papel da losoa (Aranha, 2006). Anal, losoa e educação formam um processo, bases, fundamentos para o projeto pedagógico, e é através dessa consequência que a educação se consolida, assume a tarefa crítica e reexiva relativamente às teorias e às ações educacionais (Dalbosco, 2008). Mas a pesar desse valor essencial, signicativo no campo das ciências humanas, ca claro que até hoje, a losoa da educação ainda vem sofrendo bastante restrições. O que na verdade acaba trazendo danos irreparáveis, perdas importantes em relação ao conhecimento. Porque a losoa nas sociedades civilizadas, é determinante frente aos processos educacionais. Ela contribui e muito para a formação da imagem do homem e do mundo. Não se pode olhar para a história, para a sociedade sobretudo ocidental, sem levar em conta os mais variados períodos do conhecimento losóco (Dalbosco, 2008). Portanto, se voltar para si e para o outro, ser um processo de crítica e de autocrítica, é o que denir a educação. O ato de aprender não pode está fundamentado em memorização de conhecimentos, mas de absorvê-los de maneira racional e criticamente, estando apto para aplica- los em sua vivência diária, e esse é o papel da educação, e no caso aqui especíco, da losoa da educação, cujo o valor encontra-se no exercício, no prazer do losofar (Dalbosco, 2008). 2. Filosofia Da Educação (Pitágoras) (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The Cr%C3%A8che.jpg?uselang=pt-br) – (A Creche) Faculdade do Maciço de Baturité 16 A autentica avaliação losóca se identica com a autoavaliação. É através dela que consiste o desejo em mergulhar no seu próprio eu, am de ele mesmo perceber os próprios sentimentos e desejos, buscando assim, clareza dos seus próprios conhecimentos. Assim sendo, a educação losóca será profunda, consistente, por capacitar sujeitos para elevar, criar nele mesmo, condições necessárias para o seu livre pensamento (Sousa, 2011). 2.1 Filosofia da Educação no Brasil (http://www.covenantlegacy.com/the-importance-of-catechism/) – ( A importância do Catecismo) A inuência da losoa em terras brasileiras não produziu uma losoa da educação. Muito pelo contrário. Na verdade, desde o início desenvolveu-se um pensamento sistematizado, uma educação apenas com uma simples reexão da losóca. No país, a construção disciplinar da Filosoa da educação, fez o mesmo percurso europeu, ou seja, se apresentou como um saber conjugado com a Pedagogia Geral, e só depois foi se tornando autônoma. Para compreendermos melhor esse processo histórico da construção disciplinar da Filosoa da Educação, é importante entendermos três importantes momentos que colaboraram para sua consolidação, são eles: a institucionalização na universidade com os estudos de losoa da educação com a Escola Nova, predominância da relação entre história e losoa, e a problematização da identidade da losoa da educação (Marinho, 2014). Somente a partir dos anos de 1940 e 1960, é que a losoa da educação vai ter uma repercussão como disciplina desvinculada da pedagogia, ou seja, autônoma e institucionalizada no cenário acadêmico universitário. Mas essa inserção, deve-se um forte compromisso com a formação de professores (Pagni, 2008). A obra de Ruy de Ayres Bello, intitulada de “Filosoa Pedagógica”, escrita no Rio de janeiro em 1946, tem como principais objetivos, trabalhar os problemas da educação do ponto de vista losóco. Tendo a losoa da educação como exame crítico das conclusões das ciências pedagógicas. Priorizava-se apenas à experimentação, a prática e, por meio da losoa, examinar de maneira crítica as várias ciências pedagógicas. Pois para o período, a ideia principal é que a educação fosse, antes de tudo, uma ajuda para o homem formar-se a si mesmo. Fizesse com que o valor da formação de caráter moral no sentido de ter convicções e vontade própria, tivesse uma adequação entre o que se pensa e o que se faz (Bello, 1946). Um dos maiores colaboradores desse processo foi educador Anízio Teixeira. Ele foi quem de fato construiu uma identidade a losoa da educação, trazendo propostas, pensamentos até então inovadores. Entendia que a losoa e a losoa da educação tinham o papel de reetir sobre o tipo Faculdade do Maciço de Baturité 17 2.2 Filosofia da Educação e Lei de Diretrizes e bases da Educação - LDB Nesse presente tópico, procuramos direcionar nosso estudo a partir do texto legal da LDB – Lei n° 9394/96 nos títulos I e II, que consequentemente fará uma relação com a Filosoa da Educação. de educação que melhor conduziria a uma sociedade democrática e sobre quais seriam os valores necessários à construção dessa sociedade (Tomazetti, 2003). Para que Anízio Teixeira chegasse a essas fundamentações no campo da losoa da educação, teve como inspiração do lósofo e pedagogo John Dewey, marcando a sua conduta de educador, escritor e administrador. Na sua concepção, a ciência moderna representou um grande salto de desenvolvimento humano, ao conciliar saber prático ou empírico, no entanto, sabe-se também que a ciência não corresponde com temas que julgamos ser necessário na construção do homem e da sociedade, como: liberdade, fraternidade, felicidade pessoal e coletiva. Para ele o único saber capaz de unir essas duas dimensões, seria a losoa do pragmatismo (Marinho, 2014). TÍTULO I – Da Educação Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. TÍTULO II – Dos princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por nalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualicação para o trabalho. Faculdade do Maciço de Baturité 18 TEXTO COMPLEMENTAR I (https://hackernoon.com/21-things-i-wish-someone-told-me-as-a-young-founder-b5dc6bb92d49) – (Escola de Rafael) O homem é um ser que necessita de relação, pois vive em sociedade, precisando, então, construir culturas, formas políticas, leis e governos para garantir a sua vida em comunidade (TEIXEIRA, 1999). Por consequência, ele consegue construir conotações de pluralidade, de criticidade, de transcendência e de temporalidade. Anal, o homem nca suas relações no mundo e com o mundo, o que o torna distante de outra esfera animal (FREIRE, 1983), graças à sua dimensão dialogal, que estabelece uma relação de consciência do sentido do sentimento (MARCEL, 1953). Em outras palavras, o homem é um ser que não caminha sozinho, ele precisa do outro e, portanto, necessita buscar um eu que faz emergir o outro, o qual, por consequência, faz emergir o eu. Isso lhe torna possível ser conhecido, bem como encontrar e experimentar sua essência. Nesse sentido, o homem não pode ser só de contatos, como observamos nas outras espécies, mas um ser que se dene não só por um estar no mundo, mas com o mundo. Signica possibilitar a sua abertura à realidade queo cerca, que o faz ser o ente de relações que é (FREIRE, 1983). Podemos ressaltar que uma das principais contribuições das ciências humanas, essencialmente da losoa, para o desenvolvimento desse tema, é, na verdade, o valor que se dá e que se deve ter do homem que vive em sociedade e para a sociedade. Portanto, devemos ver o outro em sua essência, visto que não somos somente corpos, objeto entre objetos (MOUNIER, 1963), mas algo ligado inteiramente. Enquanto um ser realiza uma unidade que, por denição, nunca se consolida, nunca pode apreender-se a si próprio (MARCEL, 1953). Como propõem os ensinamentos de Sócrates (c. 470-399 a.C.), patrono da losoa, o homem, antes de querer conhecer a natureza e antes de qualquer persuasão aos outros, deveria procurar, antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. Sócrates nasceu em Atenas, cidade grega onde passou toda a sua vida. Tinha uma vida simples, era lho de um escultor de nome Sofronisco e de uma parteira de nome Fenareta, os quais, segundo alguns especialistas, inuenciaram-lhe simbolicamente a buscar esculpir uma representação autêntica do ser humano, fazendo-o dar à luz as ideias que iriam se tornar um marco divisório da história da losoa ocidental (COTRIM, 2010). Como deniu o seu amigo Quefonte, vindo do oráculo de Delfos, “Sócrates era o sábio dos sábios, o mais sábio dos homens” (CHALITA, 2005). Entretanto, para Sócrates ter esse reconhecimento no mundo do saber, teve que desenvolver um trabalho contrário aos adversários de seu tempo, ou seja, teve que se expor, dedicar-se a um conhecimento losóco que procurasse buscar entender os problemas e as indagações humanas – a exemplo de “O que é o homem? ”; “O que é o amor? ”; “O que é a virtude?; “O que é a amizade? ” – O homem, a filosofia e a educação: a essencialidade de um conhecimento reflexivo, mediador e transformador Prof. Gledson Ferreira Faculdade do Maciço de Baturité 19 Como sendo algo essencial para a vida (AGOSTINI, 2012). Evidentemente que esse pensamento veio a contrariar muitos de seus antecessores, lósofos que achavam mais importante se dedicar à pesquisa da natureza, como a construção de uma cosmologia, explicação sistemática e racional do universo que viria a substituir a antiga cosmogonia, que explicava a origem do universo somente por meio dos mitos. Mas, apesar desse contexto contrário a suas ideias, Sócrates mostrou-se seguro, valorizando suas reexões até em seu leito de morte. De acordo com a tradição histórica da losoa ocidental, foi exatamente com essa postura e dedicação que a sua compreensão ganhou relevância e notoriedade na história da losoa, ao ser iniciado com os pré-socráticos, que abrange todas as reexões losócas desenvolvidas desde Tales de Mileto, no século VII a.C., até o aparecimento do próprio Sócrates, no século V a.C. (COTRIM, 2010). Ainda nessa perspectiva do saber, percebeu-se que Sócrates trouxe alguns impactos no universo interpretativo, no conhecimento, por ser ele o descobridor da essência do homem, como a psyché. Através de Platão, que fez dele o protagonista de seus principais diálogos, tornou-se o símbolo da própria losoa (REALE, 1990). Em outra situação, fez interrogações incisivas, profundamente questionadoras, ao chamar a atenção dos sostas, dos poetas e dos educadores da sociedade de seu tempo. Avaliando desde a preservação do guerreiro belo e bom às concepções dos lósofos cosmologistas, que defendiam ideias tão contrárias entre si que já não traziam uma fonte segura para os cidadãos gregos. Anal, para Sócrates, a losoa, de fato, deve ser profundamente questionadora, deve ser caminho para o saber, consolidando-se no autoconhecimento, ou no conhecimento, que vai abrir precedentes para uma reexão antropológica, isto é, voltada para um conhecimento do espírito do homem e do seu conhecimento com a verdade. O homem deve dar prioridade à essência, ao conceito, e não a uma mera opinião, a algo sem maiores signicados, a respeito das coisas, das ideias e dos valores. Muitas vezes, boa parte dos indivíduos age erradamente conforme essa última atitude (CHAUÍ, 2010). Como bem ressalta Severino (2007, p. 57): Sócrates é um ‘educador de homens’ e acredita que a verdade existe e pode ser conhecida desde que se proceda a uma interrogação metódica, através do processo que chama maiêutica, arte de partejar idéias verdadeiras. E o homem, conhecendo a verdade, pode agir moralmente bem se estiver de acordo com ela. Essa sua posição é chamada ‘intelectualismo moral’, de acordo com o qual basta o homem conhecer o bem para praticá-lo. Algum tempo depois, evidentemente, diferentes visões foram sendo desenvolvidas com relação às imagens do homem. Outras antropologias, com expressões signicativas, ganharam novas perspectivas, novos cenários. Filósofos como Platão e Aristóteles trabalharam pensamentos já voltados para uma perspectiva cosmocêntrica (MONDIN, 1980). Platão (428-347 a.C.), cidadão ateniense, maior seguidor de Sócrates, já desenvolvia um conhecimento segundo o qual o homem é essencialmente alma, a qual é imortal e precisa se libertar da prisão do corpo. Esse lósofo desenvolvia uma losoa a partir do mundo das ideias, ou seja, de um plano que não diz respeito às simples cogitações presentes na mente dos homens, mas às realidades que existem em si mesmas, independentes do pensamento e de todas as coisas materiais que se consolidam no próprio homem (CHALITA, 2005). Quando Platão ilustra a alegoria da caverna, no livro VII de A República, ele deseja ressaltar, na verdade, o aprisionamento do homem – ou dos homens – que se encontrava em uma caverna escura, amarrado consigo mesmo, distante do mundo luminoso da verdade, acostumado a viver somente às sombras, em ilusões, longe da liberdade e da sabedoria (COTRIM, 2010). Com essa ilustração, Platão nos traz uma dimensão epistêmica e inovadora para a história da losoa, Faculdade do Maciço de Baturité 20 decidindo seguramente distinguir o mundo sensível, dos fenômenos, do mundo inteligível, das ideias (ARANHA, 1997). Um outro lósofo que também colaborou e muito para essa compreensão do homem foi Aristóteles (384-322 a.C.). Aristóteles nasceu na Estagira, localizada na Calcídica, uma região da Macedônia. Fundou sua própria escola, localizada em Atenas, chamada de Liceu. Lá procurou desenvolver estudos que explorassem a realidade, a que somos convocados a experimentar por meio dos sentidos. A partir de declarações do próprio Aristóteles, sabe-se que ele desenvolveu dois tipos de estudos: um endereçado ao grande público, apresentado de forma dialética, utilizando exemplos, demonstrações, e um outro com características mais losócas ou cientícas, destinado aos alunos do Liceu (ARISTÓTELES, 1978). Sua losoa estava embasada na existência da natureza, pois entendia que os seres humanos essencialmente têm uma função, a qual pode ser um atrativo para melhor compreendermos a vida, fundamentada evidentemente nos poderes da razão (WARBURTON, 2013). Aristóteles, sábio como era, não acreditava que a melhor maneira de o homem viver seria buscando o prazer a qualquer custo. Para ele, isso não seria, de fato, uma boa ideia para a vida. Na verdade, entendia que a “prosperidade” ou o “sucesso”, ou seja, a eudaimonia era o caminho que os indivíduos deveriam buscar (WARBURTON, 2013). No entanto, para isso, seria necessário que os seres humanos reconhecessem o seu valor político, a sua relação com a sociedade. Anal, a política, para Aristóteles, está essencialmente associada à moral. Na obra A política, Aristóteles (1997, p. 249-250) deixa claro que: [...] o objetivo de todos é alcançar uma vida melhor e a felicidade. Para ele, a felicidade é oresultado e uso perfeito das qualidades morais, não por ser necessário, mas sim por ser um bem em si mesmo. A pessoa virtuosa é aquela para quem as coisas são boas pelo fato de ela ter qualidades morais. Essas qualidades morais decorrem de três fatores: a natureza, o hábito e a razão. Assim se consolidava um dos principais pontos da losoa aristotélica: analisar o homem como sendo o único animal que possui a razão, a qual nos serve como fonte indicadora para entendermos o que é útil e pernicioso, justo e injusto, bom ou mal, ético ou antiético. O homem, consoante Aristóteles, deve ser compreendido como “participante da pólis”, sendo-lhe uma característica essencial o fato de viver agregado a outros homens. Na visão do lósofo, é inconcebível um indivíduo viver sozinho, sendo absolutamente solitário ou autossuciente. Nessa perspectiva, ele não seria um homem, mas um deus ou uma fera. O homem de Aristóteles é um homem que procura a prosperidade fundamentado na virtude, o qual constantemente procura aperfeiçoar seu caráter para sua vida e para a vida de outros (CHALITA, 2005), colocando em prática seus virtuosos atributos, como o pensamento e o intelecto, anal temos a alma racional. A partir desses questionamentos e teorias desenvolvidos pelo pensamento clássico de Sócrates, Platão e Aristóteles a respeito do homem, pode-se entender o quanto é relevante o estudo da losoa. Conforme deniu Aristóteles, a losoa é algo essencial, ela tem esse papel primordial de aprofundar-se no conhecimento de todo o ser existente, ou seja, ela vai trabalhar o homem como ser pensante, que adquire consciência de sua existência e de tudo o que está à sua volta condicionando o seu existir. Isso signica mergulhar profundamente no conhecimento do eu, da cultura e do mundo. Assim, o ato de losofar pode ser exercido em qualquer circunstância, por qualquer pessoa curiosa que tenha o interesse pela verdade (SOUSA, 2011). Diante desse olhar, pode-se dizer que a losoa é um esforço que o homem faz para perceber a Faculdade do Maciço de Baturité 21 realidade de maneira aprofundada ao lado de outros conhecimentos, como o senso comum, a religião, o mito, a ciência e a arte. Conforme esse homem interage com esse conhecimento, com essa consciência, faz a losoa emergir e se desenvolver como estratégia na vida (SEVERINO, 2007). É uma forma com a qual o homem sentiu-se seguro de sua essência. Antes de qualquer antropologia, metasicamente, identicou-se como um ser possuidor do dom da palavra, de uma reexão (HAAR, 2012). Entretanto, foi necessário um aprofundamento, uma correlação existente entre sujeito cognoscente e objeto a ser conhecido, procurando esclarecer temas como a possibilidade, a origem, a essência e o valor do conhecimento humano (VANNUCCHI, 2004). Feito isso, pode-se entender que um diálogo foi construído com o universo físico, no qual tudo se reduz ao homem e à própria razão. E esse homem se constitui como um organismo vivo, regido pelas leis da natureza, tanto no âmbito individual como também no social, que serão determinantes no seu modo de ser e de agir. Nesse sentido, a losoa não pode ser, em nenhuma hipótese, uma simples abstração independente da vida. Muito pelo contrário, ela é a própria manifestação da vida humana em sua mais profunda expressão. Pode ser através de uma simples atividade prática ou de um pensamento metafísico profundo e existencial, mas sempre dentro da atividade humana, física ou espiritual (BASBAUM, 1978). Partindo desse princípio, podemos entender que o estudo do homem dentro da losoa é algo de extremo valor para os processos educacionais, pois tanto a losoa como a educação sempre caminharam lado a lado. Na história da Grécia Antiga, era muito comum haver lósofo educador. Era algo já absolutamente intrínseco, de identidade consolidada. Nos poemas de Hesíodo e Homero, nos sostas e nos pensadores clássicos, Sócrates, Platão e Aristóteles, isso já cava claro. Evidentemente que esse reconhecimento do lósofo educador só vai ganhar maiores proporções com a institucionalização do conhecimento, como ressaltam Dalbosco et al. (2008, p. 6): [...] paralelamente a isso, nesse processo histórico, a visão de mundo mítico-estética deixa espaço para o surgimento de uma concepção racional da realidade, até alcançar, em nossa época, múltiplas formas de racionalidade [...]. Os pré-socráticos, os sostas, Sócrates, Platão e Aristóteles contribuem para a formação das instituições públicas e ajudam a formar o político, o cientista e o historiador. Os sostas apresentam-se como mestres e a gura de Sócrates é, no sentido exemplar, a de um educador. Platão e Aristóteles tornam-se guias da civilização ocidental, seu pensamento ganha presença nas manifestações socioculturais, nas instituições e nos eventos econômicos, políticos, jurídicos e religiosos da estrutura básica da sociedade. Nesse contexto, a losoa e a educação são dois fenômenos que estão presentes em todas as sociedades, em todas as civilizações da história da humanidade, mostrando-nos o quanto elas são necessárias para o ser humano. Enquanto uma vai trilhar pela interpretação teórica das aspirações, desejos e anseios de um grupo humano, a outra vai trilhar pelo instrumento de veiculação dessa interpretação. E, nessa perspectiva, a losoa vai trazer para a educação discussões essenciais para a história, para as mais distintas civilizações, possibilitando, consoante Luckesi (1990), ao educando e ao educador conhecimentos transformadores. Nas relações entre losoa e educação só existem realmente duas opções: ou se pensa e se reete sobre o que se faz e assim se realiza uma ação educativa consciente, ou não se reete criticamente e se executa uma ação pedagógica a partir de uma concepção mais ou menos obscura e opaca existente na cultura vivida do dia-a-dia, e assim se realiza uma ação educativa com baixo nível de consciência. (LUCKESI, 1990, p. 32). Como não poderia ser diferente, losoa e educação consistem em uma combinação na qual se Faculdade do Maciço de Baturité 22 investiga o ser humano com a intenção de formá-lo, de deixá-lo consciente por meio de um saber. Logo, a pedagogia, assim como as demais ciências, mostra o quão intimamente está ligada à losoa, a qual expressivamente eleva o conhecimento do homem. Dessa forma, a losoa, entre tantas outras responsabilidades que lhe foram atribuídas, vai desenvolver uma concepção de humanidade orientada pela ação pedagógica (ARANHA, 2006). Nesse sentido, é preciso reconhecer que tanto a losoa como o lósofo são sinônimos de atualização, em que o homem sempre se situa nos interesses, necessitando, de fato, compreender o mundo no qual vive. O saber, o homem e a sociedade, em maior ou menor grau, são uma realização prática de sua representação teórica. Esse fato nos indica, então, que a relação entre teoria e prática é constitutiva da losoa (LUCKESI, 1990). À medida que nosso educando vai experimentando essa sabedoria, esse instrumental, consequentemente irá constituir, enriquecer e ampliar a possibilidade de releitura da realidade, ou seja, quando a consciência losóca se consolida na vida dos indivíduos, pode-se, como já ressaltamos anteriormente, ter uma concepção mais bem articulada e coerente de mundo (CHAUÍ, 2010). Uma vez que isso acontece, a losoa da educação torna-se uma estrutura diáfana, paralela a um esclarecimento signicativo da losoa política como suporte teórico de extrema necessidade (MILLER, 1979). Na verdade, o seu objeto de estudo, como não poderia ser diferente, volta-se aos problemas cotidianos, sejam eles quais forem, e ao lugar em que estão situados (RIOS, 2001). Nessa perspectiva, na compreensão do lósofo alemãoHeidegger (1973, p. 219): Os pensadores gregos, Platão e Aristóteles, chamaram a atenção para o fato de que a losoa e o losofar fazem parte de uma dimensão do homem que designamos de dis-posição. [...] Seria muito supercial e sobretudo uma atitude mental pouco grega se quiséssemos pensar que Platão e Aristóteles apenas constatam que o espanto é a causa do losofar. Se esta fosse a opinião deles, então diriam: um belo dia os homens se espantaram, a saber, sobre o ente e o fato de ele ser e de que ele seja. Impelidos por este espanto, começaram eles a losofar. Assim, pode-se entender que o losofar é uma tarefa profundamente pessoal, porque cada homem, cada indivíduo, tem a sua própria experiência, algo bem particular e que se constitui na forma suprema como cada um vai se relacionar, levar em consideração a sua consciência, buscando dar conta da totalidade de sua experiência, no espaço e no tempo. Desse modo, faz-se necessário, em caráter de urgência, trabalhar a sociedade em todo o seu aspecto educativo, porque entendemos que a melhor vivência do homem ocorre pela condição de uma boa educação. O homem é um ser inacabado quando vem ao mundo, por isso precisa trabalhar e se organizar através de um aprender e de um ensinar, para melhor agir e pensar, construindo o que chamamos de cultura (KRUPPA, 1994). O homem, a losoa e a educação, na contemporaneidade, precisam colocar o pensamento e o agir sábio consoante os preceitos trabalhados na cultura grega. Precisamos valorizar a vida, as relações que a losoa tanto deseja, haja vista que, em nossa atual sociedade, experimentamos situações que nos pedem muito mais do que constatações, descrições superciais. Nossa sociedade nos exige posicionamentos muito mais amplos e signicativos, que nos revelem e ofereçam, como indivíduos que nela vivemos, novos sentidos: “É uma necessidade, profundamente humana, não apenas estarmos enredados com essas/nessas questões, mas também atentos e examinativos em relação às ‘respostas’ que lhes são dadas no ambiente cultural de que sempre fazemos parte” (LORIERI, 2002, p. 35). Faculdade do Maciço de Baturité 23 Portanto, losoa e educação têm o objetivo de ir ao encontro da condição de senso comum das práticas pedagógicas e elevá-la ao nível da consciência, a m de, dessa forma, pensar para transformá-la, consolidando-se, assim, no devido espaço. Para isso, Severino (2011) sugere três relevantes esferas: pessoa, sociedade e desenvolvimento. O referido autor entende que a educação, de fato, torna-se fundamental para a constituição do humano, bem como as inferências reexivas que se fazem sobre a mesma, pois ela diz respeito aos aspectos do processo de humanização, colaborando para uma pedagogia que permite um processo de ação e reexão. A educação, conforme Carvalho (2011, p. 57), é transformadora da luz do homem losóco, a qual “[...] poderá delinear uma via autônoma capaz de renovar a esperança, libertando e responsabilizando”. Livro: Junior, Roberto da Silva: Educação brasileira e suas interfaces. Fortaleza: Ed. UECE, 2016. TEXTO COMPLEMENTAR II (https://www.theodysseyonline.com/ self-made-man) – (O homem em Construção) A Filosoa é um estudo relacionado à existência, ao conhecimento, a verdade, aos valores morais e estéticos, a mente e a linguagem. Seus métodos estão caracterizados pela argumentação. Sua importância para a compreensão da sociedade e do mundo é para quebrar barreiras para que o indivíduo através de seu esforço obtenha um estado pleno de satisfação, ocasionando um momento de felicidade. Através da argumentação podemos quebrar as barreiras dos nossos preconceitos, ideias erradas, de nossa realidade que não queremos mudar. Melhoramos nossas ideias, decisões e agimos melhor, já que nossas ações se baseiam naquilo que pensamos. Já os problemas que a losoa apresenta ajudam-nos a compreender melhor o mundo, fazendo- nos ter uma atitude crítica em relação às respostas e soluções apresentadas para os problemas da sociedade, com o objetivo de termos um mundo cada vez melhor para todos. Mas enfrentamos grandes diculdades para implementar esta disciplina no currículo escolar por diversos motivos. Fundamentos Filosófico da Educação Profª. Fernanda Moliterno Faculdade do Maciço de Baturité 24 Por parecer ser uma disciplina de resultados substancias, por acreditar ser uma disciplina especulativa, que lida com problemas que ninguém sabe resolver. Então o que ensinar? Como lidar com a diversidade de teorias defendidas? Qual a competência e conteúdo central? Temos também a cultura autoritária, onde encontramos diculdade em questionar os grandes lósofos do passado, onde apenas poderemos estudar e expor as ideias de tal losofo, sendo assim, estaremos estudando a história da losoa. Filosofar não é fazer relatórios sobre o que os lósofos pensam, e sim, fazer o que os lósofos fazem. O contexto da Educação no século XXI e as desigualdades sociais A educação no século XXI tem como objetivo a transformação social, onde o educador provocará no educando a busca pela descoberta, pela pesquisa, por solucionar problemas. Mas essa realidade ainda está longe do alcance de todos os alunos. Percebemos claramente a desigualdade na educação entre os que têm um poder aquisitivo maior e os que dependem de uma educação custeada pelo governo. Já temos salas de aulas interativas, onde o aluno é um descobridor, um solucionador de problemas, um pesquisador e crítico. Enquanto em outros lugares, a realidade é que muitas escolas nem tem carteiras e cadeiras escolares adequadas, salas de aula equipadas, livros didáticos, professores preparados. Essa desigualdade absurda é reexo de um governo que não tem princípios com a educação. Vem de uma cultura onde o governo é favorecido com a ignorância de seu povo. Onde a educação acaba por fazer o que a classe dominante lhes impõe. A Indústria Cultural e sua interferência na realidade da Educação contemporânea A educação brasileira tem seus pontos altos e baixos, infelizmente a educação não é de qualidade para todo o indivíduo, pois a realidade social em que cada indivíduo se insere é diferente, a desigualdade social faz com que uns tenham uma educação de nível e outros não, ou seja, educação de qualidade é para poucos. Segundo Otaíza de O. Romanelli (1986, p. 23), a educação no Brasil é profundamente marcada por desníveis e, por isso, a ação educativa se processa de acordo com a compreensão que se tem da realidade social em que se está submerso. Nesse processo, dois aspectos se distinguem: o gesto criador – que resulta do fato de o homem “estar-no-mundo e com ele relacionar-se” transformando-o e transformando-se; e o gesto comunicador– que o homem executa e, assim, transmite a outros os resultados de sua experiência. Como podemos ver a educação brasileira sofre muitos impactos, dentre eles o da política, onde quem quer entender a educação não poderá jamais ignorar tais questões, pois estão diretamente envolvidas no processo educativo, já que se apresenta como um jogo que mostra uma realidade deturpada, colocando-se assim acima de prioridades educativas, pois os interesses dos poderosos menosprezam o que realmente tem valor no contexto social em que o homem é inserido. Faculdade do Maciço de Baturité 25 Outro fator não menos importante e cada dia mais real no meio educativo que deve ser levado em conta, mas ainda não é reconhecido é a indústria Cultural que a cada dia que passa com a globalização vem sendo inserida em várias áreas sociais, invadindo também o contexto escolar e não percebemos tal inuência por que também já fomos dominados pela indústria cultural. Indústria Cultural é um termo concebido pelosteóricos Adorno e Horkheimer. Segundo Adorno e Horkheimer o produto cultural perde seu brilho, sua unicidade, sua especicidade de valor de uso quando se transforma em valor de troca, assim dissolvendo a verdadeira arte ou cultura, portanto acaba por cegar os homens da modernidade de massa, ocupando assim o espaço vazio que cou deixado para o lazer, fazendo-nos ser irracionais e não percebermos a injustiça do sistema capitalista. Para que a população tenha fácil acesso a Indústria Cultural tem-se a televisão, ela chega ás escolas quer através de programas do governo ou levada pelos próprios gestores, professores, alunos e funcionários escolares. Em m a Indústria Cultural já está inserida no cotidiano do ser humano, e este não cosegue mais viver sem consumir tudo que lhe é oferecido através da mídia. Com isso a própria escola acaba criando pequenos consumidores, fazendo-os querer cadernos, agendas de marcas renomadas, Hello Kit, Xuxa, Justin Beaber entre outros, isso quando a própria escola, no caso, os particulares adotam o uso obrigatório de agendas. Com tudo isso esquecemo-nos de fazer uso da Filosoa da Educação que aprendemos nos cursos de formação, esquecemo-nos de colocar em prática os ensinamentos aprendidos nos tornando pessoas manipuláveis sem que saibamos dialogar com aquilo que lemos e fazemos deixando de reetir e analisar profundamente nosso comportamento. A teoria de Pierre Boudieu vem mostrar a realidade da educação no Brasil Até que ponto a teoria do autor se aplica à nossa realidade? A desigualdade na educação cada vez mais vem se destacando a olhos vistos, devido a vários motivos descritos por Pierre Boudieu, realmente sendo o papel da escola não transformar, e sim, reproduzir e reforçar as desigualdades sociais. Sem incentivo e investimento por parte do governo, as escolas e educadores enfrentam a realidade de cada aluno e comunidade onde está localizada a escola, fazendo com que o conhecimento, postura e habilidades que o aluno traz da vida sejam reproduzidos na sala de aula, ao invés da escola começar do zero e superar as deciências de conhecimento de cada aluno. Temos salas de aulas superlotadas, poucos professores e professores com muitas disciplinas, sem tempo ou condição de investirem melhor em suas atuações em sala de aula. Hoje em dia temos ONGs e movimentos de pessoas com poder aquisição melhor, para incentivar pequena parte de crianças a terem aulas de reforço e complementação curricular, para diminuir a desigualdade, lembrando que a parte atingida é muito pequena. Vemos que a cada dia as famílias que tem condições nanceiras estáveis, transferirem seus lhos para escolas particulares, para terem uma educação melhor. Realmente o pessimismo de Bourdieu tem fundamentos concretos de que a competição escolar tomou âmbito incontornável, sem perspectivas de superação, por motivos culturais e governamentais. Faculdade do Maciço de Baturité 26 Fonte:https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/fundamentos-losocos-da- educacao/19104. Texto da Professora Fernanda, do tema: Fundamentos Filosócos da Educação. Data: 11/10/12. Bibliograa: ARANHA, M. L. A. Temas de losoa. São Paulo: Moderna, 1992. _______. M. L. A. Filosoa da Educação. São Paulo: Moderna, 2006. AGOSTINI, Cristina S. Como ler os pré-socráticos. São Paulo: Paulus, 2012. BELLO, R. de A. Filosoa Pedagógica. Rio de janeiro - Porto Alegre - São Paulo: Globo, 1946. v.8. CHAUÍ, Marilena. Convite a losoa. São Paulo: Ática, 2010. CHALITA, Gabriel. Vivendo a losoa. São Paulo: Ática, 2006. COSTA, Cristina. Sociologia: Introdução à ciência da Sociedade. São Paulo: Moderna, 2005. COTRIM, G. Filosofar. São Paulo: Saraiva, 2010. DALBOSCO, A. C. 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Filosofia da Educação Rua Edmundo Bastos . s/n Sanharão . Baturité . Ceará 85 3347 2774 www.faculdadefmb.edu.br @fmbce