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Filosofia da
Educação
Gledson Ferreira
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
EAD
FACULDADE do MACIÇO de BATURITÉ
FMB
Filosofia da
Educação
Faculdade do Maciço de Baturité
Gledson Ferreira
Faculdade do Maciço de Baturité
Sumário
1
“A FILOSOFIA É O
DESENVOLVIMENTO
E USO DO SABER
EM BENEFÍCIO DO HOMEM”
Página 06
Página 15
2
“EDUCAI AS CRIANÇAS
E NÃO SERÁ PRECISO
CASTIGAR OS HOMENS”
Faculdade do Maciço de Baturité
04
APRESENTAÇÃO
Filosoa da educação é uma disciplina que faz parte do campo da 
losoa que se ocupa com o conhecimento, a reexão sobre os processos 
educativos. Procura entender os sistemas educativos e sua sistematização, 
levando em consideração seus métodos didáticos, entre outros saberes 
relacionados com a pedagogia.
Para esta disciplina, foram desenvolvidas três unidades, com conteúdo 
especíco, atividades a serem realizadas, sugestões de leituras 
complementares e lmes.
Faculdade do Maciço de Baturité
05
INTRODUÇÃO
O conhecimento losóco sempre esteve presente na vida do homem. 
Pensar a vida de maneira racional, crítica, frente a natureza, sempre foi 
uma experiência única. A Grécia antiga, berço da cultura ocidental, foi 
fundamental nesse exercício, exatamente pelo fato dela ter trabalhado 
junto a sociedade um modo de ser cidadão, de ser político, de ver as coisas 
com um outro olhar. 
As lições advindas dos grandes pensadores, como por exemplo: 
Sócrates, Platão e Aristóteles, foi um marco para o conhecimento, assim 
como para a estruturação, organização das futuras civilizações e do modo 
de ser indivíduo.
O Brasil, assim como outras sociedades modernas, aos poucos vai se 
rendendo aos conhecimentos losócos, pois há inúmeras correntes do 
saber atual que vai ressaltar a relevância da criticidade, da reexão que a 
losoa tem, permitindo uma melhor compreensão dos diferentes 
contextos, e consequentemente, proporcionando um novo olhar para a 
sociedade. 
Na verdade, há um interesse relevante de diferentes públicos por 
losoa, que vai desde do pesquisador cientíco, do aluno do ensino 
básico, chegando até ao público leigo. 
Podemos perceber que ao contrário do que se pensava anteriormente, 
ou seja, de que losoa era algo exclusivo dos intelectuais, dos acadêmicos, 
estudo para alguns e outros não, nessa atual conjectura, cai por terra. 
Hoje a imagem que estar sendo construída da losoa, é de que ela é 
uma disciplina fundamental para as ciências humanas, e que pode estar 
sim presente na pedagogia, na realidade da escola, assim como na 
educação como um todo. Anal não é à toa que a losoa é considerada a 
mãe de todas as ciências. 
Nesse sentido, entender que o exercício do losofar, do estudo da 
losoa é de fato um pensamento que estar diretamente atrelado ao 
espanto, a provocação e a contemplação, passa ser uma bandeira, que 
fundamentalmente deve ser elevada, uma vez que transforma sujeitos, 
assim como toda uma sociedade. 
http://elinformantebcs.mx/los-sudcalifornianos-no-estan-pensando-filosofo/
Faculdade do Maciço de Baturité
06
1
“A FILOSOFIA É O
DESENVOLVIMENTO
E USO DO SABER
EM BENEFÍCIO DO HOMEM”
A palavra losoa tem origem grega, deriva-se de dois termos gregos: Filo (Philía): amizade, e 
Soa (sophía): sabedoria. Portanto, originalmente a palavra losoa signica “amigo, amizade 
pelo saber, pela sabedoria” ou “amor ao saber” (Chalita, 2005). 
Pode-se atribuir ao lósofo grego Pitágoras de Samos a invenção da palavra losoa. Ele teria 
armado que a losoa estava atribuída aos deuses, a sabedoria plena e completa pertencia a eles, 
mas que os homens podem amá-la, e assim, tornarem-se lósofos (Chauí, 2010). 
Uma vez que esse homem começou a pensar losocamente, possibilitou novos caminhos, 
necessidades de explorar novos conhecimentos, ao ponto da losoa se dividir em cinco campos: 
Lógica (estudo da estrutura, da forma do próprio pensamento, do método de raciocínio que melhor 
colabora para a pesquisa, para análise), Ética (estudo de valores, de atos dos seres humanos, de 
princípios e condutas), Estética (estudo das formas de representação, sobre o belo, as artes e das 
demais formas de expressão de cultura), Política (estudo da organização social, das formas como o 
homem se organiza no espaço público) e Metafísica (estudo da realidade última das coisas, do 
conhecimento, da mente humana, dos sentidos, da natureza do ser) ou seja, da ontologia (Chalita, 
2005).
1. Filosofia
1.1 A palavra filosofia.
(Platão)
(Edmund Husserl)
"A META IDEAL DA FILOSOFIA CONTINUA SENDO PURAMENTE
A CONCEPÇÃO DE MUNDO, QUE PRECISAMENTE, EM VIRTUDE
DE SUA ESSÊNCIA, NÃO É CIÊNCIA. 
A CIÊNCIA NÃO É NADA MAIS DO QUE UM VALOR ENTRE OUTROS”
1.2 A Origem da Filosofia
 A história do pensamento ocidental, ou seja, do nascimento da losoa, nasce na Grécia entre os 
séculos VII e VI a.C., promovendo a passagem da consciência mítica (alegórica), para a consciência 
racional e losóca (Cotrim, 2010).
Durante um bom tempo, esses dois tipos de consciência coexistiram no mundo grego. Na 
verdade, a sociedade grega com esses dois saberes, acabou desenvolvendo o seu processo de 
http://philosophia-ensinomedio.blogspot.com.br/
2014/05/losofos-presocraticos.html
(Escola de Atenas de Raphael)
Faculdade do Maciço de Baturité
07
urbanização e a organização política das suas cidades. O saber losóco tornou-se assim, algo 
essencial, colaborador da regulamentação das atividades dos indivíduos, sua racionalidade, ações 
e pensamentos (Aranha, 1992).
Em meio a essa transição (mito - razão), houveram experiências signicativas para a sociedade, de 
um lado a lógica histórica do mito, e por outra, uma nova maneira de saber, pensar com a losoa. 
Para a mitologia grega, podia ser caracterizada por uma força, capacidade de sensibilizar 
estruturas profundas, inconscientes do psiquismo humano. Os cultos aos deuses (Zeus, Hera, Ares, 
Atenas) ou de heróis/semideuses (Teseu, Hércules, Perseu etc.), eram expressões marcantes para 
época, pois traziam lendas, crenças, elementos simbólicos que contribuíram e muito para 
determinadas explicações da realidade universal (Cotrim, 2010).
Já no que dene o pensamento da losoa, podemos perceber que desde de sempre houve um 
esforço, uma forma peculiar de compreender o espírito humano, o entendimento das coisas. Para 
muitos, pode ser denida em um primeiro momento, como um grau de diculdade de ser 
justicada quanto se analisa a homem e todas as coisas. Mas por outro lado, não há dúvida de que a 
atividade da consciência desenvolvido pelo conhecimento losóco é de um valor inigualável, pois 
traz uma valorização do sentido que termina em si mesmo, valorizando a busca da compreensão 
pela compreensão, do conhecimento pelo conhecimento. E assim o homem se realizaria, desde de 
que seu desejo de compressão da realidade aumentasse cada vez mais (Severino, 2007).
1.3 Os Pré-socráticos
De acordo com a história, o que vai inaugurar a losoa grega é o período pré-socrático, isto é, 
anterior a Sócrates. Nesse período, foi bastante abrangente o conjunto de reexões losócas, 
tendo como o seu principal nome, Tales de Mileto, por volta do século VII a. C., até o surgimento de 
Sócrates, já no século V. a.C. (Cotrim, 2010).
Nesse período vale destacar que os objetivos desses primeiros lósofos que viviam na cidade de 
Mileto, era desenvolver uma losoa a partir de um estudo cosmológico, ou seja, que se 
desenvolve embasado em uma explicação racional e sistemática das características do universo, 
substituindo a antiga teoria da cosmogonia (explicação sobre a origem do universo através dos 
mitos (Cotrim, 2010). 
Assim, podemos denir os primeiroslósofos, chamados de pré-socráticos, conhecidos 
também como siólogos (aqueles que procuram as razões para os acontecimentos naturais no 
próprio mundo físico), como pensadores naturalistas, por ter a natureza como objeto de estudo. A 
Física para nesse período, vai estar junto a Filosoa, são do mesmo ramo do saber. Não havia 
distinção como há entre elas hoje. A pesquisa losóca estava voltada as causas dos eventos da 
natureza para o entendimento da matéria. Os primeiros lósofos desejavam descobrir o princípio 
de todas as coisas (em grego, arkhé) a partir de elementos naturais como a água, o fogo e o ar 
(Agostini, 2012). 
Nomes como Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Pitágoras, Parmênides, 
Zenão, Empédocles, Demócrito, foram destaques nesse processo investigativo. A preocupação 
desses primeiros lósofos era na verdade, concentrar na indagação básica de Tales de Mileto: “Do 
que é feito o mundo? ” “Qual a matéria-prima básica do cosmos? ” 
Faculdade do Maciço de Baturité
08
Sócrates (c. 470-399 a. C.) lho de Atenas, apesar de ser considerado um homem sábio, e de ser 
considerado o pai da losoa, tomou certos cuidados com o modo de lhe dar com o conhecimento. 
O próprio Sócrates fazia questão de ser entendido como um sujeito ignorante nos mais distintos 
temas que as pessoas acreditavam conhecer. Daí a o surgimento da frase: “Só sei que nada sei”. Pai 
do método dialógico, sua arte na losoa estava voltada essencialmente a pergunta. Para esse 
pensador, o ato de perguntar, a conversação, é algo extremamente necessário, verdadeiro para lhe 
dar com as coisas da vida, do mundo (Cotrim, 2010).
Para o lósofo Sócrates, ter esse conhecimento no mundo do saber, é a melhor estratégia para 
lidar com os adversários. Pois ter uma certa dedicação para desenvolver um conhecimento 
losóco, um saber reexivo, é antes de mais nada, o primeiro passo para buscar o entendimento 
dos problemas e das indagações humanas – a exemplo de “O que é o homem?; “O que é o amor? ”; 
“O que é a virtude? ” (Agostini, 2012).
Quanto a Platão (c. 427-347 a.C.), lósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, 
fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo 
ocidental. Teve como seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles. Platão ajudou a construir os 
alicerces da losoa natural, da ciência e da losoa ocidental. Entusiasmou-se com a losoa de 
Crátilo, um seguidor de Heráclito. No entanto, por volta dos 20 anos, encontrou o lósofo Sócrates 
e tornou-se seu discípulo até a morte deste. Como Sócrates se recusava a escrever, é sobretudo por 
meio da obra de Platão que temos ideia desse pensador. Ao registrar conversas entre o mestre e as 
pessoas, seus escritos foram sendo conhecidos como diálogos platônicos e constituem grandes 
obras tanto de literatura quanto de losoa (Warburton, 2013).
O que vai diferenciar o pensamento de Platão do seu mestre Sócrates, é que ele acreditava que o 
mundo não é o que realmente parece ser. Há uma grande diferença entre aparência e realidade. A 
maioria das pessoas confundem essas duas coisas. Na verdade, pensamos que entendemos, mas no 
fundo estamos sendo enganados. 
Na reexão losóca de Platão, somente os lósofos são capazes de entenderem o mundo 
verdadeiramente como ele é. Para esse pensador, o lósofo não se deixa levar pelos sentidos, eles 
vão em busca de descobrir a natureza da realidade pelo pensamento que a losoa essencialmente 
exige. Para defender essa ideia, Platão o mito da caverna (Warburton, 2013).
A alegoria da caverna, no livro VII de A República, criado por Platão, o lósofo vai ressaltar uma 
ideia de aprisionamento do homem – ou dos homens – que se encontrava em uma caverna escura 
amarrado consigo mesmo. Homens que estavam acostumados a viverem distante do mundo real, 
luminoso. Suas vidas se restringiam somente as sobras, longe da liberdade e da sabedoria, viviam a 
ilusão na ilustração (Cotrim, 2010).
Partindo desse princípio, dessa ilustração, o lósofo traz uma dimensão até então inovadora no 
1.4 Sócrates, Platão e Aristóteles
(http://slideplayer.com.br/slide/351387/)
Faculdade do Maciço de Baturité
09
pensamento, pois vai profundamente distinguir o mundo sensível, dos fenômenos, do mundo 
inteligível, das ideias. Para Platão, o homem estava em contato com dois tipos de realidade. A 
primeira não muda. A segunda são todas as coisas que nos afetam os sentidos. Para esse lósofo, 
suas ideias estão voltadas as coisas como o ser humano, o bem ou a justiça. Platão passou a ideia de 
que as pessoas têm características diferentes, tamanho, peso, cor, pensamento e tudo, mas todos 
são seres humanos.
Outro lósofo que vai marcar a história da losoa é Aristóteles (384-322 a.C.), que nasceu na 
cidade grega de Estagira e só saiu de lá quando Platão morreu, ou seja, o seu mestre. Muito embora 
ter sido discípulo de Platão, Aristóteles construiu sua própria losoa, ou seja, de uma teoria do 
conhecimento que é possível conhecer o mundo por meio da experiência sensorial, descobrindo 
assim, a essência das coisas. Segundo Aristóteles, o conhecimento é a abstração da natureza dos 
objetos e dos seres, isso resultaria num conceito, num pensamento, e, portanto, se diferenciando da 
losoa de Platão (Chalita, 2005).
Na losoa aristotélica, cada ser ou objeto tem uma substancia própria, que é na verdade o 
conjunto de todas as características fundamentais, como suas dimensões, qualidades, matéria de 
que é feito, etc. Nesse sentido, a abstração tem um papel essencial, pois o homem conseguiria 
analisar esses atributos separadamente, mas que são inseparáveis no ser ou objeto em si (Chalita, 
2005).
Durante boa parte de sua vida, Aristóteles dedicou-se ao estudo de como o ser humano pode ser 
feliz vivendo em sociedade. Sua visão a felicidade não é só uma questão de como nos sentimos, 
mas sobretudo uma realização global na vida, que pode ou não acontecer, pode ou não ser afetada 
pelos eventos que não temos controle (Warburton, 2013).
Ao escrever sobre política, armou que somos um animal político, somos participantes da pólis 
(cidade), e por isso precisamos viver agregados as outras pessoas. Em outras palavras, para 
Aristóteles um indivíduo vivendo sozinho é inconcebível, deixaria de ser homem. Seria um sujeito 
sem ética, sem caráter, sem conduta (Chalita, 2005).
O pensamento de Aristóteles diferencia as ciências conforme seus objetos e nalidades, seja 
atividades produtivas, éticas e políticas ou simplesmente intelectuais, que tem somente o interesse 
pelo conhecimento em si, sem nenhuma preocupação prática (Chauí, 2010).
Portanto, Sócrates, Platão e Aristóteles, a partir do saber losóco, da construção do 
pensamento, cada um vai trilhar o seu caminho. Fazerem suas próprias escolas. Cada um vai 
construir uma abordagem original. Sócrates com um excelente diálogo, Platão com um olhar de 
escritor fenomenal e Aristóteles interessado por todas as coisas, fascinado pelos detalhes de tudo o 
que cercava (Warburton, 2013).
1.5 Antropologia Filosófica
O aparecimento da antropologia, segundo alguns autores, remonta à Grécia antiga. Os gregos 
teriam sido os principais povos a reunir informações sobre sua cultura, sobre seu povo. Ainda que 
os chineses, egípcios e romanos tenham feito importantes contribuições para o estudo do homem, 
foi um lósofo grego do século V a. C., chamado Heródoto que para alguns estudiosos é 
considerado “o pai da losoa”. Evidentemente que essa coroação não é unânime, pois há um 
outro grupo de pesquisadores que não concordam com essa escolha, e, portanto, colocando 
dúvida tal escolha (DAMATTA, 1981).
Faculdade do Maciço de Baturité
10
Independentemente de quem foio primeiro descobridor dessa disciplina, dessa área de estudo, 
vale ressaltar que Antropologia Filosóca ainda que seja um estudo novo, já tem o seu espaço, o 
seu valor para o conhecimento humano. Anal seu objeto de estudo (o homem) pode ser visto por 
todo o percurso histórico, por vários ângulos, indo desde a Grécia Antiga com a losoa, passando 
pela Idade Média, mundo moderno e contemporâneo. 
Como já vimos anteriormente, na Grécia Antiga o homem foi analisado a partir de uma 
experiência cosmocêntrica, enquanto na Idade Média, com o estudo da losoa cristã, o olhar se 
voltou para uma perspectiva teocêntrica. 
Com a chegada da modernidade, o estudo já foi sendo trabalhado numa perspectiva 
antropocêntrica. Isto é, esse homem da modernidade foi partindo de pressupostos que vão estar 
presente na investigação crítica, fundamentado na reexão losóca. Ou seja, esse homem 
moderno na verdade, vai ser construído a partir de um racionalismo laico, sem interversões da 
religião, mas de fato com uma tendência social muito mais presente, otimista em relação à 
capacidade da razão de intervir no mundo, organizando e aperfeiçoando a sociedade como um 
todo (Cotrim; Fernandes, 2011).
Nesse sentido, o pensamento da Filosoa Antropológica ganhará novos horizontes. Terá a 
ciência como ferramenta essencial para buscar a investigação do homem, do outro e de mim. 
Entendendo que tudo se deduz a partir do homem, pois é a partir dele que se tornam acessíveis um 
estudo profundo das realidades que o dene, que o transcendem, levando em consideração a sua 
essência, a sua existência (Costa, 2005). Tais estudos vão de fato desenvolver um saber voltado a 
estrutura essencial do homem, encarando-o agora metasicamente, e, portanto, fazendo uma 
interpretação ontológica do homem, na medida em que seremos conduzidos a reetir sobre a 
questão do signicado do ser.
Nos últimos anos, podemos observar que na sociedade atual, estudar o homem passou a ser 
algo absolutamente necessário. As mudanças, as diferentes formas como as sociedades na 
atualidade vêm se comportando, pensando, precisam de profundas reexões, e por isso uma 
notoriedade mais denunciativa, responsável para que se possa de alguma maneira mudar o 
cenário. Pois está mais do evidente que a chegada do capitalismo, sistema que criou a 
individualidade a partir do século XVI com a Reforma Protestante, mais do que nunca está 
trazendo danos signicativos ao homem moderno. O suporte do pensamento liberal, que se 
resume em bens materiais, ideia de consumo, agora também pode ser traduzida como violência a 
natureza, assim como ao próprio homem (Tomazi, 2011).
 
Faculdade do Maciço de Baturité
11
Sócrates não fundou uma escola como diversos outros lósofos. Era um pregador que ensinava 
em locais públicos e não escreveu nada de seus pensamentos. Suas ideias chegaram até nós através 
dos escritos dos seus discípulos, principalmente Platão que faz de Sócrates porta voz de muitas de 
suas ideias, sendo difícil separar o pensamento dos dois. O mesmo ocorre com os outros autores 
que escreveram sobre Sócrates.
TEXTO COMPLEMENTAR I
(https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Metropolitan_David_Socrates_3.jpg) – (A Morte de Sócrates)
Sócrates (470 - 399 a.C.) 
Ele acreditava na imortalidade da alma e que ele próprio recebeu em sua vida uma missão do 
deus Apolo para que ele defendesse o Conhece-te a Ti Mesmo. Dessa forma a losoa torna-se um 
incessante exame de si e dos outros colocando o homem e os seus problemas como centro dos 
interesses da losoa. A sabedoria passa a ter como objeto de pesquisa o homem. A Sabedoria 
Humana é o quanto o homem pode saber sobre o próprio homem. Sócrates busca responder à 
questão de qual é o ser, a natureza última, a essência do homem. A essa pergunta Sócrates 
responde que o homem é a sua alma, e a alma do homem é a sua razão. A alma do homem é a sua 
consciência. A alma é o que dá ao homem a sua personalidade intelectual e moral. Cuidar de si 
mesmo é cuidar da própria alma mais do que do corpo. O educador tem assim por tarefa ensinar os 
homens a cuidar da própria alma. Sócrates considerava-se um educador e como tal tinha por tarefa 
ensinar as pessoas a cuidar da alma mais do que do corpo e das riquezas. Ele buscava a virtude e a 
virtude não nasce da riqueza nem do culto ao corpo, tão próprio dos atenienses da época. O corpo 
tem que ser um instrumento da alma, da sabedoria. Conhecer a si mesmo é conhecer a própria 
alma.
 
A missão de Sócrates é conhecer a realidade humana, investigar o homem e a sua alma. A 
losoa deve levar o homem a conhecer a si mesmo, conhecer os seus limites, as suas 
possibilidades. Busca a justiça e a solidariedade. A relação do homem com ele e com os outros e a 
relação dos outros com ele. Para ele o limite de sua sabedoria era a sua própria ignorância? Só sei 
que nada sei. Os erros que cometemos em nossa vida são culpa da nossa ignorância. Não se 
proclamava sábio e tentava fazer com que as pessoas se sentissem ignorantes e que admitissem a 
sua ignorância e fazia isso através do perguntar e do questionar, Sócrates tanto fez isso que 
conquistou diversas inimizades.
O Conhecimento do Homem
Faculdade do Maciço de Baturité
12
Para Sócrates as pessoas deveriam concentrar os seus esforços em serem virtuosos, para si 
mesmos, para seus amigos e para a comunidade a que pertencem, pois, a virtude deve ser 
conquistada também pelo grupo humano, pela polis. Esse é um dos motivos pelo qual não fugiu da 
sua sentença de morte, acreditava que fugir da sua comunidade e da sentença que ela lhe impôs era 
deixar de ser virtuoso e isso era ir contra todos os seus princípios.
Para os gregos a virtude era a qualidade essencial que faz do ser o que ele é, assim é virtuoso o 
homem que tenta ser bom e perfeito utilizando a razão e o conhecimento para atingir esse objetivo 
porque essas qualidades são próprias do homem. O contrário da virtude é o vício que é 
caracterizado basicamente pela ignorância que é a ausência da razão e do conhecimento.
O melhor modo do homem virtuoso viver segundo Sócrates é buscando o desenvolvimento da 
sua razão e do seu conhecimento e não buscando riquezas materiais que geralmente desviam o 
homem do caminho da virtude. A virtude é o bem mais precioso que a pessoa pode ter. Os reais 
valores não estão ligados ao que é exterior ao homem como a fama o poder e a riqueza, nem aos 
atributos do corpo como a beleza e o vigor físico mas nos atributos da alma que são caracterizados 
principalmente pelo conhecimento. Os outros valores quando estiverem ligados ao conhecimento 
também podem ser virtuosos.
O homem para ser virtuoso não precisa renunciar aos prazeres, a virtude deve levar o homem a 
uma vida perfeita não a negação dessa vida.
A Virtude
É a forma encontrada por Sócrates para fazer com que as pessoas através da interrogação feita 
de forma organizada e direcionada cheguem ao conhecimento. A Maiêutica é um estímulo para a 
pesquisa, através dela ele buscava fazer "parir" nas pessoas as ideias, os conhecimentos. Ele 
próprio se declarava sem sabedoria e não criou nenhuma organização metodológica e doutrinal. 
Era o parteiro das ideias nos outros e não podia parir conhecimentos em si mesmo.
Através da Maiêutica a pessoa que parece ignorante pode achar em si conhecimentos que 
desconhecia ter, Sócrates somente ajuda a pessoa nessa pesquisa, mas não lhe ensina nada.
A Maiêutica
Sócrates era contrário a aristocracia democrática, defendia que a república deveria ser 
governada por lósofos. Pensava também que em algumas situações os tiranos podem até ser mais 
legítimos que a democracia. Os lósofos seriam os perfeitos governadores do estado pois somente 
eles têm a capacidade de entenderos mais profundos conhecimentos.
Política
Ele não era ateu mas armava que acreditava em uma divindade particular, lha dos deuses 
tradicionais que ele chamava daimonion que era um ser inferior aos deuses, mas superior aos 
homens. Mesmo assim ele era contra os deuses nos quais a cidade acreditava.
Sócrates se dizia atormentado por essa voz divina interior que ele ouvia não tanto para o indicar 
a pensar e agir, mas para o dissuadir de fazer determinada ação.
Religião
Faculdade do Maciço de Baturité
13
- Eu digo cidadãos que me haveis matado, que uma vingança recairá sobre vós, logo depois da 
minha morte, bem mais grave do que aquela pela qual vos vingastes de mim, matando-me. Hoje, 
vós zestes isso na esperança de que vos tereis libertado de ter que prestar contas de vossa vida. No 
entanto, vos acontecerá inteiramente o contrário: eu vo-lo predigo. Não serei mais somente eu, mas 
muitos a vos pedir contas.
- Você sabe onde se vende peixe? Sim, no mercado. E sabe aonde os homens se tornam 
virtuosos? Não. Então me siga.
Fonte: http://www.losoa.com.br/historia_show.php?id=23 – Texto do Curso Só Filosoa - Filosoa a 
distância, responsável - Arildo Luiz Marconatto. 
Sentenças
Para ele os cultos religiosos devem fazer parte da vida de todos os cidadãos. Aconselha as 
pessoas a que sigam os cultos e aos costumes da sua cidade. Os deuses são a expressão do princípio 
divino. Esse princípio divino pode trazer aos homens o supremo bem que é a virtude. A religião pra 
Sócrates é a sua losoa. Seu Deus é a inteligência que pode conhecer todas as coisas e que pode 
também ordenar essas coisas.
TEXTO COMPLEMENTAR II
(http://www.loinfo.net/taxonomy/term/231) – (Os Pensadores)
“Na antiguidade grega inicialmente vamos encontrar a força propulsora de tudo que desaa o 
homem a produzir mitos, o mistério, que envolve a vida e o ser. O homem sente-se como que 
jogado na existência, em meio à multiplicidade de fenômenos, que o desaam e que ele tem de 
ordenar ou organizar, dando signicado, em função de um viver. Não só em função da 
sobrevivência física ou biológica, como todo animal, mas também em função da sobrevivência 
psicológica e social; o que é próprio do ser humano. Há uma relação estreita entre homem e 
cosmos. Nesse passo temos uma antropologia cosmocêntrica. Nesse link estão, por exemplo, 
Homero e Hesíodo, apesar de neles já aorarem alguns elementos de um humanismo que 
procurava e buscava denir um ideal humano de vida que, partindo embora dos limites da 
situação existencial do homem, dele depende e por ele é criado.
Passando para a antiguidade clássica vamos encontrar Protágoras (485-411 a.C) que por 
primeiro formulou, numa expressão clássica, a necessidade do homem de avaliar tudo, o que em 
termos amplos signica a necessidade de tudo mundanizar. Disse ele: “Pánton chremáton métron 
estin ánthropos (De todas as coisas, sobretudo as de uso e costume, o homem é a medida) ”.
Visão segundo Platão e Aristóteles na Antropologia Filosófica
Faculdade do Maciço de Baturité
14
Surge nesse momento a passagem de uma antropologia cosmocêntrica para uma antropologia 
antropocêntrica. Nesse contexto vamos perceber a atuação dos autores pré-Socráticos (a corrente 
sofística), Sócrates, Platão, Aristóteles e as correntes posteriores (epicurismo, estóicos e os 
neoplatônicos).
Platão realmente estabelece uma antropologia centrada no dualismo cosmológico e antropológico, 
concebendo a vida humana, em força da sua própria estrutura, como sendo tensão a resolver-se. Tensão 
que não se exaure no horizonte da vida pessoal. Ela continua vigente na vida da polis. A sociedade 
repete, no nível macroscópico-social, aquilo que cada pessoa é no nível individual.
No plano individual o homem é composto por corpo e alma, ou seja, o humano só pode ser completo 
se for dual. Assim, Platão inaugurou o que cou conhecido como dualismo. Para ele, o homem não pode 
ser compreendido apenas pelo corpo ou pela alma. O corpo segundo ele é a morada da alma. A alma é a 
que dá vida à mente, e, esta permite o intelecto e por m o conhecimento. Assim sendo, o homem é tem 
duas moradas: a concepção do corpo em antítese ontológica com a alma. Assim ele nos diz no Fédon 67 
A: “Além disso, por todo o tempo que durar nossa vida, estaremos mais próximos do saber, parece-me, 
quando nos afastarmos o mais possível da sociedade e união com o corpo, salvo em situações de 
necessidade premente, quando, sobretudo, não estivermos mais contaminados por sua natureza, mas, 
pelo contrário, nos acharmos puros de seu contato...”
Segundo Platão, o homem tem uma centelha do divino. O que mais aproxima da essência divina é o 
amor que deve ser naturalmente algo que vem da alma, pois esse sentimento vai impulsionar a alma à 
verdade. (FEDRO). O Dualismo corpo-alma, a imortalidade da alma, a transcendência, são temas 
importatíssimos em Platão. ”
Passando ao nosso querido Aristóteles, inicialmente podemos destacar que ele é tido por alguns como 
sendo o primeiro a conceber a antropologia enquanto ciência, buscando também realizar uma 
sistematização losóco-cientíca no que se refere ao debate sobre o homem. Ele responderá ao 
questionamento de “quem é homem? ”, apontando para uma interpretação da vida do ser humano, no 
contexto da vida em geral. Nasce aqui a vinculação de uma pertença política porque na origem o homem 
é social. Entra nesse contexto o debate sobre a ética e a vida prática. Assim sendo, a concepção aristotélica 
de homem centra-se em suas capacidades racional e discursiva, ambas intimamente ligadas à 
capacidade social. Dada a sua natureza racional, o homem atinge a plenitude de seu ser na posse do 
conhecimento. A atividade reexiva permite ao homem afastar-se de sua condição nita e aproximar-se 
da natureza divina, pois a losoa primeira é conhecer as causas, que são produzidas por Deus e objeto 
do conhecimento divino. Assim sendo, para nosso Estagirita o homem realmente é especial e foi tratado 
por ele com tanta maestria, que podemos dizer que a sua antropologia alcança até hoje os fundamentos 
da concepção ocidental do homem.
Fonte: http://olhar-losoco.blogspot.com.br/2012/03/visao-segundo-platao-e-aristoteles-na.html - Texto do Prof. 
Vicente Sergio Brasil Fernandes, da disciplina “Tópicos de Antropologia Filosóca” do curso de Pós-graduação em 
Filosoa da Existência – Universidade Católica de Brasília – Polo: São Paulo (março/2012)
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2
“EDUCAI AS CRIANÇAS
E NÃO SERÁ PRECISO
CASTIGAR OS HOMENS” 
Quando falamos do ensino da Filosoa, por consequência também estamos falando de uma 
Filosoa da Educação. A relação da losoa com a educação, como bem sabemos, já é antiga, existe 
desde o mundo grego. Os primeiros lósofos sempre buscaram a arete (conhecimento), foram eles 
os que deram início às discussões sobre a losoa da educação e seu sentido no mundo. 
Para esses pensadores a educação era um meio necessário para o alcance de uma cultura ideal, 
capaz de elevar o homem ao conhecimento inteligível. A educação junto a losoa para esses 
vultos, é antes de mais nada uma orientação, um conhecimento do mundo das ideias, para 
encontrar de fato a essência, a verdade como pensava Platão (Teixeira, 1999).
Nesse sentido, a losoa da educação deseja reetir, investigar sobre o que é formação, valores 
emergentes que se contrapõem a ignorância. Se a losoa é de fato reexão radical, rigorosa, então 
é inevitável um desejo de profundidade do nosso existir e de conhecimentos sobre todas as coisas. 
Ela deve ser sim, crítica a ação pedagógica de modo que promova um nível de consciência losóca 
relevante, e não só de um conhecimento guiado pelo senso comum (Aranha, 2006).
Para o lósofo, a análisedo contexto vivido é o que vai de fato possibilitar profundas indagações 
sobre o ser humano, permitindo uma melhor compreensão do mesmo, e assim, levando-o a uma 
formação desejada, comprometida com a verdade. Avaliar, orientar os currículos, as técnicas e os 
métodos para que a ação pedagógica não esteja comprometida, é sem dúvida alguma, papel da 
losoa (Aranha, 2006). Anal, losoa e educação formam um processo, bases, fundamentos 
para o projeto pedagógico, e é através dessa consequência que a educação se consolida, assume a 
tarefa crítica e reexiva relativamente às teorias e às ações educacionais (Dalbosco, 2008). 
Mas a pesar desse valor essencial, signicativo no campo das ciências humanas, ca claro que 
até hoje, a losoa da educação ainda vem sofrendo bastante restrições. O que na verdade acaba 
trazendo danos irreparáveis, perdas importantes em relação ao conhecimento. Porque a losoa 
nas sociedades civilizadas, é determinante frente aos processos educacionais. Ela contribui e muito 
para a formação da imagem do homem e do mundo. Não se pode olhar para a história, para a 
sociedade sobretudo ocidental, sem levar em conta os mais variados períodos do conhecimento 
losóco (Dalbosco, 2008). 
Portanto, se voltar para si e para o outro, ser um processo de crítica e de autocrítica, é o que 
denir a educação. O ato de aprender não pode está fundamentado em memorização de 
conhecimentos, mas de absorvê-los de maneira racional e criticamente, estando apto para aplica-
los em sua vivência diária, e esse é o papel da educação, e no caso aqui especíco, da losoa da 
educação, cujo o valor encontra-se no exercício, no prazer do losofar (Dalbosco, 2008). 
2. Filosofia Da Educação
(Pitágoras)
(https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The
Cr%C3%A8che.jpg?uselang=pt-br) – (A Creche)
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A autentica avaliação losóca se identica com a autoavaliação. É através dela que consiste o 
desejo em mergulhar no seu próprio eu, am de ele mesmo perceber os próprios sentimentos e 
desejos, buscando assim, clareza dos seus próprios conhecimentos. Assim sendo, a educação 
losóca será profunda, consistente, por capacitar sujeitos para elevar, criar nele mesmo, 
condições necessárias para o seu livre pensamento (Sousa, 2011).
2.1 Filosofia da Educação no Brasil
(http://www.covenantlegacy.com/the-importance-of-catechism/) – ( A importância do Catecismo)
A inuência da losoa em terras brasileiras não produziu uma losoa da educação. Muito 
pelo contrário. Na verdade, desde o início desenvolveu-se um pensamento sistematizado, uma 
educação apenas com uma simples reexão da losóca. 
No país, a construção disciplinar da Filosoa da educação, fez o mesmo percurso europeu, ou 
seja, se apresentou como um saber conjugado com a Pedagogia Geral, e só depois foi se tornando 
autônoma. 
 
Para compreendermos melhor esse processo histórico da construção disciplinar da Filosoa da 
Educação, é importante entendermos três importantes momentos que colaboraram para sua 
consolidação, são eles: a institucionalização na universidade com os estudos de losoa da 
educação com a Escola Nova, predominância da relação entre história e losoa, e a 
problematização da identidade da losoa da educação (Marinho, 2014).
Somente a partir dos anos de 1940 e 1960, é que a losoa da educação vai ter uma repercussão 
como disciplina desvinculada da pedagogia, ou seja, autônoma e institucionalizada no cenário 
acadêmico universitário. Mas essa inserção, deve-se um forte compromisso com a formação de 
professores (Pagni, 2008). 
A obra de Ruy de Ayres Bello, intitulada de “Filosoa Pedagógica”, escrita no Rio de janeiro em 
1946, tem como principais objetivos, trabalhar os problemas da educação do ponto de vista 
losóco. Tendo a losoa da educação como exame crítico das conclusões das ciências 
pedagógicas. Priorizava-se apenas à experimentação, a prática e, por meio da losoa, examinar 
de maneira crítica as várias ciências pedagógicas. Pois para o período, a ideia principal é que a 
educação fosse, antes de tudo, uma ajuda para o homem formar-se a si mesmo. Fizesse com que o 
valor da formação de caráter moral no sentido de ter convicções e vontade própria, tivesse uma 
adequação entre o que se pensa e o que se faz (Bello, 1946).
Um dos maiores colaboradores desse processo foi educador Anízio Teixeira. Ele foi quem de 
fato construiu uma identidade a losoa da educação, trazendo propostas, pensamentos até então 
inovadores. Entendia que a losoa e a losoa da educação tinham o papel de reetir sobre o tipo 
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2.2 Filosofia da Educação e Lei de Diretrizes
 e bases da Educação - LDB
Nesse presente tópico, procuramos direcionar nosso estudo a partir do texto legal da LDB – Lei 
n° 9394/96 nos títulos I e II, que consequentemente fará uma relação com a Filosoa da Educação.
de educação que melhor conduziria a uma sociedade democrática e sobre quais seriam os valores 
necessários à construção dessa sociedade (Tomazetti, 2003).
Para que Anízio Teixeira chegasse a essas fundamentações no campo da losoa da educação, 
teve como inspiração do lósofo e pedagogo John Dewey, marcando a sua conduta de educador, 
escritor e administrador. Na sua concepção, a ciência moderna representou um grande salto de 
desenvolvimento humano, ao conciliar saber prático ou empírico, no entanto, sabe-se também que 
a ciência não corresponde com temas que julgamos ser necessário na construção do homem e da 
sociedade, como: liberdade, fraternidade, felicidade pessoal e coletiva. Para ele o único saber capaz 
de unir essas duas dimensões, seria a losoa do pragmatismo (Marinho, 2014).
TÍTULO I – Da Educação
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na 
convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e 
organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do 
ensino, em instituições próprias.
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.
TÍTULO II – Dos princípios e Fins da Educação Nacional
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos 
ideais de solidariedade humana, tem por nalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu 
preparo para o exercício da cidadania e sua qualicação para o trabalho.
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TEXTO COMPLEMENTAR I
(https://hackernoon.com/21-things-i-wish-someone-told-me-as-a-young-founder-b5dc6bb92d49) – (Escola de Rafael)
O homem é um ser que necessita de relação, pois vive em sociedade, precisando, então, 
construir culturas, formas políticas, leis e governos para garantir a sua vida em comunidade 
(TEIXEIRA, 1999). Por consequência, ele consegue construir conotações de pluralidade, de 
criticidade, de transcendência e de temporalidade. Anal, o homem nca suas relações no mundo e 
com o mundo, o que o torna distante de outra esfera animal (FREIRE, 1983), graças à sua dimensão 
dialogal, que estabelece uma relação de consciência do sentido do sentimento (MARCEL, 1953). 
Em outras palavras, o homem é um ser que não caminha sozinho, ele precisa do outro e, 
portanto, necessita buscar um eu que faz emergir o outro, o qual, por consequência, faz emergir o 
eu. Isso lhe torna possível ser conhecido, bem como encontrar e experimentar sua essência. Nesse 
sentido, o homem não pode ser só de contatos, como observamos nas outras espécies, mas um ser 
que se dene não só por um estar no mundo, mas com o mundo. Signica possibilitar a sua 
abertura à realidade queo cerca, que o faz ser o ente de relações que é (FREIRE, 1983).
Podemos ressaltar que uma das principais contribuições das ciências humanas, essencialmente 
da losoa, para o desenvolvimento desse tema, é, na verdade, o valor que se dá e que se deve ter 
do homem que vive em sociedade e para a sociedade. Portanto, devemos ver o outro em sua 
essência, visto que não somos somente corpos, objeto entre objetos (MOUNIER, 1963), mas algo 
ligado inteiramente. Enquanto um ser realiza uma unidade que, por denição, nunca se consolida, 
nunca pode apreender-se a si próprio (MARCEL, 1953). 
 Como propõem os ensinamentos de Sócrates (c. 470-399 a.C.), patrono da losoa, o 
homem, antes de querer conhecer a natureza e antes de qualquer persuasão aos outros, deveria 
procurar, antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. 
 Sócrates nasceu em Atenas, cidade grega onde passou toda a sua vida. Tinha uma vida 
simples, era lho de um escultor de nome Sofronisco e de uma parteira de nome Fenareta, os quais, 
segundo alguns especialistas, inuenciaram-lhe simbolicamente a buscar esculpir uma 
representação autêntica do ser humano, fazendo-o dar à luz as ideias que iriam se tornar um marco 
divisório da história da losoa ocidental (COTRIM, 2010). Como deniu o seu amigo Quefonte, 
vindo do oráculo de Delfos, “Sócrates era o sábio dos sábios, o mais sábio dos homens” (CHALITA, 
2005).
 Entretanto, para Sócrates ter esse reconhecimento no mundo do saber, teve que desenvolver 
um trabalho contrário aos adversários de seu tempo, ou seja, teve que se expor, dedicar-se a um 
conhecimento losóco que procurasse buscar entender os problemas e as indagações humanas – a 
exemplo de “O que é o homem? ”; “O que é o amor? ”; “O que é a virtude?; “O que é a amizade? ” – 
O homem, a filosofia e a educação: a essencialidade de um
conhecimento reflexivo, mediador e transformador 
Prof. Gledson Ferreira
Faculdade do Maciço de Baturité
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Como sendo algo essencial para a vida (AGOSTINI, 2012). 
 Evidentemente que esse pensamento veio a contrariar muitos de seus antecessores, lósofos 
que achavam mais importante se dedicar à pesquisa da natureza, como a construção de uma 
cosmologia, explicação sistemática e racional do universo que viria a substituir a antiga 
cosmogonia, que explicava a origem do universo somente por meio dos mitos. Mas, apesar desse 
contexto contrário a suas ideias, Sócrates mostrou-se seguro, valorizando suas reexões até em seu 
leito de morte. De acordo com a tradição histórica da losoa ocidental, foi exatamente com essa 
postura e dedicação que a sua compreensão ganhou relevância e notoriedade na história da 
losoa, ao ser iniciado com os pré-socráticos, que abrange todas as reexões losócas 
desenvolvidas desde Tales de Mileto, no século VII a.C., até o aparecimento do próprio Sócrates, no 
século V a.C. (COTRIM, 2010).
Ainda nessa perspectiva do saber, percebeu-se que Sócrates trouxe alguns impactos no universo 
interpretativo, no conhecimento, por ser ele o descobridor da essência do homem, como a psyché. 
Através de Platão, que fez dele o protagonista de seus principais diálogos, tornou-se o símbolo da 
própria losoa (REALE, 1990). 
Em outra situação, fez interrogações incisivas, profundamente questionadoras, ao chamar a 
atenção dos sostas, dos poetas e dos educadores da sociedade de seu tempo. Avaliando desde a 
preservação do guerreiro belo e bom às concepções dos lósofos cosmologistas, que defendiam 
ideias tão contrárias entre si que já não traziam uma fonte segura para os cidadãos gregos. Anal, 
para Sócrates, a losoa, de fato, deve ser profundamente questionadora, deve ser caminho para o 
saber, consolidando-se no autoconhecimento, ou no conhecimento, que vai abrir precedentes para 
uma reexão antropológica, isto é, voltada para um conhecimento do espírito do homem e do seu 
conhecimento com a verdade. O homem deve dar prioridade à essência, ao conceito, e não a uma 
mera opinião, a algo sem maiores signicados, a respeito das coisas, das ideias e dos valores. 
Muitas vezes, boa parte dos indivíduos age erradamente conforme essa última atitude (CHAUÍ, 
2010). Como bem ressalta Severino (2007, p. 57):
Sócrates é um ‘educador de homens’ e acredita que a verdade existe e pode ser conhecida desde 
que se proceda a uma interrogação metódica, através do processo que chama maiêutica, arte de 
partejar idéias verdadeiras. E o homem, conhecendo a verdade, pode agir moralmente bem se 
estiver de acordo com ela. Essa sua posição é chamada ‘intelectualismo moral’, de acordo com o 
qual basta o homem conhecer o bem para praticá-lo. 
Algum tempo depois, evidentemente, diferentes visões foram sendo desenvolvidas com relação 
às imagens do homem. Outras antropologias, com expressões signicativas, ganharam novas 
perspectivas, novos cenários. Filósofos como Platão e Aristóteles trabalharam pensamentos já 
voltados para uma perspectiva cosmocêntrica (MONDIN, 1980). 
Platão (428-347 a.C.), cidadão ateniense, maior seguidor de Sócrates, já desenvolvia um 
conhecimento segundo o qual o homem é essencialmente alma, a qual é imortal e precisa se libertar 
da prisão do corpo. Esse lósofo desenvolvia uma losoa a partir do mundo das ideias, ou seja, de 
um plano que não diz respeito às simples cogitações presentes na mente dos homens, mas às 
realidades que existem em si mesmas, independentes do pensamento e de todas as coisas materiais 
que se consolidam no próprio homem (CHALITA, 2005).
Quando Platão ilustra a alegoria da caverna, no livro VII de A República, ele deseja ressaltar, na 
verdade, o aprisionamento do homem – ou dos homens – que se encontrava em uma caverna 
escura, amarrado consigo mesmo, distante do mundo luminoso da verdade, acostumado a viver 
somente às sombras, em ilusões, longe da liberdade e da sabedoria (COTRIM, 2010). Com essa 
ilustração, Platão nos traz uma dimensão epistêmica e inovadora para a história da losoa, 
Faculdade do Maciço de Baturité
20
decidindo seguramente distinguir o mundo sensível, dos fenômenos, do mundo inteligível, das 
ideias (ARANHA, 1997). 
Um outro lósofo que também colaborou e muito para essa compreensão do homem foi 
Aristóteles (384-322 a.C.). Aristóteles nasceu na Estagira, localizada na Calcídica, uma região da 
Macedônia. Fundou sua própria escola, localizada em Atenas, chamada de Liceu. Lá procurou 
desenvolver estudos que explorassem a realidade, a que somos convocados a experimentar por 
meio dos sentidos. A partir de declarações do próprio Aristóteles, sabe-se que ele desenvolveu dois 
tipos de estudos: um endereçado ao grande público, apresentado de forma dialética, utilizando 
exemplos, demonstrações, e um outro com características mais losócas ou cientícas, destinado 
aos alunos do Liceu (ARISTÓTELES, 1978). Sua losoa estava embasada na existência da 
natureza, pois entendia que os seres humanos essencialmente têm uma função, a qual pode ser um 
atrativo para melhor compreendermos a vida, fundamentada evidentemente nos poderes da razão 
(WARBURTON, 2013).
Aristóteles, sábio como era, não acreditava que a melhor maneira de o homem viver seria 
buscando o prazer a qualquer custo. Para ele, isso não seria, de fato, uma boa ideia para a vida. Na 
verdade, entendia que a “prosperidade” ou o “sucesso”, ou seja, a eudaimonia era o caminho que 
os indivíduos deveriam buscar (WARBURTON, 2013). No entanto, para isso, seria necessário que 
os seres humanos reconhecessem o seu valor político, a sua relação com a sociedade. Anal, a 
política, para Aristóteles, está essencialmente associada à moral. Na obra A política, Aristóteles 
(1997, p. 249-250) deixa claro que:
[...] o objetivo de todos é alcançar uma vida melhor e a felicidade. Para ele, a felicidade é oresultado e uso perfeito das qualidades morais, não por ser necessário, mas sim por ser um bem em 
si mesmo. A pessoa virtuosa é aquela para quem as coisas são boas pelo fato de ela ter qualidades 
morais. Essas qualidades morais decorrem de três fatores: a natureza, o hábito e a razão. 
Assim se consolidava um dos principais pontos da losoa aristotélica: analisar o homem como 
sendo o único animal que possui a razão, a qual nos serve como fonte indicadora para entendermos 
o que é útil e pernicioso, justo e injusto, bom ou mal, ético ou antiético. O homem, consoante 
Aristóteles, deve ser compreendido como “participante da pólis”, sendo-lhe uma característica 
essencial o fato de viver agregado a outros homens. Na visão do lósofo, é inconcebível um 
indivíduo viver sozinho, sendo absolutamente solitário ou autossuciente. Nessa perspectiva, ele 
não seria um homem, mas um deus ou uma fera. O homem de Aristóteles é um homem que procura 
a prosperidade fundamentado na virtude, o qual constantemente procura aperfeiçoar seu caráter 
para sua vida e para a vida de outros (CHALITA, 2005), colocando em prática seus virtuosos 
atributos, como o pensamento e o intelecto, anal temos a alma racional.
A partir desses questionamentos e teorias desenvolvidos pelo pensamento clássico de Sócrates, 
Platão e Aristóteles a respeito do homem, pode-se entender o quanto é relevante o estudo da 
losoa. Conforme deniu Aristóteles, a losoa é algo essencial, ela tem esse papel primordial de 
aprofundar-se no conhecimento de todo o ser existente, ou seja, ela vai trabalhar o homem como ser 
pensante, que adquire consciência de sua existência e de tudo o que está à sua volta condicionando 
o seu existir. Isso signica mergulhar profundamente no conhecimento do eu, da cultura e do 
mundo. Assim, o ato de losofar pode ser exercido em qualquer circunstância, por qualquer pessoa 
curiosa que tenha o interesse pela verdade (SOUSA, 2011).
Diante desse olhar, pode-se dizer que a losoa é um esforço que o homem faz para perceber a 
Faculdade do Maciço de Baturité
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realidade de maneira aprofundada ao lado de outros conhecimentos, como o senso comum, a 
religião, o mito, a ciência e a arte. Conforme esse homem interage com esse conhecimento, com essa 
consciência, faz a losoa emergir e se desenvolver como estratégia na vida (SEVERINO, 2007). É 
uma forma com a qual o homem sentiu-se seguro de sua essência. Antes de qualquer antropologia, 
metasicamente, identicou-se como um ser possuidor do dom da palavra, de uma reexão 
(HAAR, 2012). Entretanto, foi necessário um aprofundamento, uma correlação existente entre 
sujeito cognoscente e objeto a ser conhecido, procurando esclarecer temas como a possibilidade, a 
origem, a essência e o valor do conhecimento humano (VANNUCCHI, 2004).
Feito isso, pode-se entender que um diálogo foi construído com o universo físico, no qual tudo se 
reduz ao homem e à própria razão. E esse homem se constitui como um organismo vivo, regido 
pelas leis da natureza, tanto no âmbito individual como também no social, que serão 
determinantes no seu modo de ser e de agir. Nesse sentido, a losoa não pode ser, em nenhuma 
hipótese, uma simples abstração independente da vida. Muito pelo contrário, ela é a própria 
manifestação da vida humana em sua mais profunda expressão. Pode ser através de uma simples 
atividade prática ou de um pensamento metafísico profundo e existencial, mas sempre dentro da 
atividade humana, física ou espiritual (BASBAUM, 1978). 
Partindo desse princípio, podemos entender que o estudo do homem dentro da losoa é algo 
de extremo valor para os processos educacionais, pois tanto a losoa como a educação sempre 
caminharam lado a lado. Na história da Grécia Antiga, era muito comum haver lósofo educador. 
Era algo já absolutamente intrínseco, de identidade consolidada. Nos poemas de Hesíodo e 
Homero, nos sostas e nos pensadores clássicos, Sócrates, Platão e Aristóteles, isso já cava claro. 
Evidentemente que esse reconhecimento do lósofo educador só vai ganhar maiores proporções 
com a institucionalização do conhecimento, como ressaltam Dalbosco et al. (2008, p. 6):
[...] paralelamente a isso, nesse processo histórico, a visão de mundo mítico-estética deixa 
espaço para o surgimento de uma concepção racional da realidade, até alcançar, em nossa época, 
múltiplas formas de racionalidade [...]. Os pré-socráticos, os sostas, Sócrates, Platão e Aristóteles 
contribuem para a formação das instituições públicas e ajudam a formar o político, o cientista e o 
historiador. Os sostas apresentam-se como mestres e a gura de Sócrates é, no sentido exemplar, a 
de um educador. Platão e Aristóteles tornam-se guias da civilização ocidental, seu pensamento 
ganha presença nas manifestações socioculturais, nas instituições e nos eventos econômicos, 
políticos, jurídicos e religiosos da estrutura básica da sociedade.
Nesse contexto, a losoa e a educação são dois fenômenos que estão presentes em todas as 
sociedades, em todas as civilizações da história da humanidade, mostrando-nos o quanto elas são 
necessárias para o ser humano. Enquanto uma vai trilhar pela interpretação teórica das aspirações, 
desejos e anseios de um grupo humano, a outra vai trilhar pelo instrumento de veiculação dessa 
interpretação. E, nessa perspectiva, a losoa vai trazer para a educação discussões essenciais para 
a história, para as mais distintas civilizações, possibilitando, consoante Luckesi (1990), ao 
educando e ao educador conhecimentos transformadores.
Nas relações entre losoa e educação só existem realmente duas opções: ou se pensa e se reete 
sobre o que se faz e assim se realiza uma ação educativa consciente, ou não se reete criticamente e 
se executa uma ação pedagógica a partir de uma concepção mais ou menos obscura e opaca 
existente na cultura vivida do dia-a-dia, e assim se realiza uma ação educativa com baixo nível de 
consciência. (LUCKESI, 1990, p. 32). 
Como não poderia ser diferente, losoa e educação consistem em uma combinação na qual se 
Faculdade do Maciço de Baturité
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investiga o ser humano com a intenção de formá-lo, de deixá-lo consciente por meio de um saber. 
Logo, a pedagogia, assim como as demais ciências, mostra o quão intimamente está ligada à 
losoa, a qual expressivamente eleva o conhecimento do homem. Dessa forma, a losoa, entre 
tantas outras responsabilidades que lhe foram atribuídas, vai desenvolver uma concepção de 
humanidade orientada pela ação pedagógica (ARANHA, 2006).
Nesse sentido, é preciso reconhecer que tanto a losoa como o lósofo são sinônimos de 
atualização, em que o homem sempre se situa nos interesses, necessitando, de fato, compreender o 
mundo no qual vive. O saber, o homem e a sociedade, em maior ou menor grau, são uma realização 
prática de sua representação teórica. Esse fato nos indica, então, que a relação entre teoria e prática 
é constitutiva da losoa (LUCKESI, 1990). 
À medida que nosso educando vai experimentando essa sabedoria, esse instrumental, 
consequentemente irá constituir, enriquecer e ampliar a possibilidade de releitura da realidade, ou 
seja, quando a consciência losóca se consolida na vida dos indivíduos, pode-se, como já 
ressaltamos anteriormente, ter uma concepção mais bem articulada e coerente de mundo (CHAUÍ, 
2010). Uma vez que isso acontece, a losoa da educação torna-se uma estrutura diáfana, paralela a 
um esclarecimento signicativo da losoa política como suporte teórico de extrema necessidade 
(MILLER, 1979). Na verdade, o seu objeto de estudo, como não poderia ser diferente, volta-se aos 
problemas cotidianos, sejam eles quais forem, e ao lugar em que estão situados (RIOS, 2001). Nessa 
perspectiva, na compreensão do lósofo alemãoHeidegger (1973, p. 219):
Os pensadores gregos, Platão e Aristóteles, chamaram a atenção para o fato de que a losoa e o 
losofar fazem parte de uma dimensão do homem que designamos de dis-posição. [...] Seria muito 
supercial e sobretudo uma atitude mental pouco grega se quiséssemos pensar que Platão e 
Aristóteles apenas constatam que o espanto é a causa do losofar. Se esta fosse a opinião deles, 
então diriam: um belo dia os homens se espantaram, a saber, sobre o ente e o fato de ele ser e de que 
ele seja. Impelidos por este espanto, começaram eles a losofar.
 
Assim, pode-se entender que o losofar é uma tarefa profundamente pessoal, porque cada 
homem, cada indivíduo, tem a sua própria experiência, algo bem particular e que se constitui na 
forma suprema como cada um vai se relacionar, levar em consideração a sua consciência, buscando 
dar conta da totalidade de sua experiência, no espaço e no tempo. Desse modo, faz-se necessário, 
em caráter de urgência, trabalhar a sociedade em todo o seu aspecto educativo, porque 
entendemos que a melhor vivência do homem ocorre pela condição de uma boa educação. O 
homem é um ser inacabado quando vem ao mundo, por isso precisa trabalhar e se organizar 
através de um aprender e de um ensinar, para melhor agir e pensar, construindo o que chamamos 
de cultura (KRUPPA, 1994).
O homem, a losoa e a educação, na contemporaneidade, precisam colocar o pensamento e o 
agir sábio consoante os preceitos trabalhados na cultura grega. Precisamos valorizar a vida, as 
relações que a losoa tanto deseja, haja vista que, em nossa atual sociedade, experimentamos 
situações que nos pedem muito mais do que constatações, descrições superciais. Nossa sociedade 
nos exige posicionamentos muito mais amplos e signicativos, que nos revelem e ofereçam, como 
indivíduos que nela vivemos, novos sentidos: “É uma necessidade, profundamente humana, não 
apenas estarmos enredados com essas/nessas questões, mas também atentos e examinativos em 
relação às ‘respostas’ que lhes são dadas no ambiente cultural de que sempre fazemos parte” 
(LORIERI, 2002, p. 35).
Faculdade do Maciço de Baturité
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Portanto, losoa e educação têm o objetivo de ir ao encontro da condição de senso comum das 
práticas pedagógicas e elevá-la ao nível da consciência, a m de, dessa forma, pensar para 
transformá-la, consolidando-se, assim, no devido espaço. Para isso, Severino (2011) sugere três 
relevantes esferas: pessoa, sociedade e desenvolvimento. O referido autor entende que a educação, 
de fato, torna-se fundamental para a constituição do humano, bem como as inferências reexivas 
que se fazem sobre a mesma, pois ela diz respeito aos aspectos do processo de humanização, 
colaborando para uma pedagogia que permite um processo de ação e reexão. A educação, 
conforme Carvalho (2011, p. 57), é transformadora da luz do homem losóco, a qual “[...] poderá 
delinear uma via autônoma capaz de renovar a esperança, libertando e responsabilizando”. 
Livro: Junior, Roberto da Silva: Educação brasileira e suas interfaces. Fortaleza: Ed. UECE, 2016. 
TEXTO COMPLEMENTAR II
(https://www.theodysseyonline.com/
self-made-man) – (O homem em Construção)
A Filosoa é um estudo relacionado à existência, ao conhecimento, a verdade, aos valores 
morais e estéticos, a mente e a linguagem. Seus métodos estão caracterizados pela argumentação.
Sua importância para a compreensão da sociedade e do mundo é para quebrar barreiras para 
que o indivíduo através de seu esforço obtenha um estado pleno de satisfação, ocasionando um 
momento de felicidade.
Através da argumentação podemos quebrar as barreiras dos nossos preconceitos, ideias 
erradas, de nossa realidade que não queremos mudar. Melhoramos nossas ideias, decisões e 
agimos melhor, já que nossas ações se baseiam naquilo que pensamos. 
Já os problemas que a losoa apresenta ajudam-nos a compreender melhor o mundo, fazendo-
nos ter uma atitude crítica em relação às respostas e soluções apresentadas para os problemas da 
sociedade, com o objetivo de termos um mundo cada vez melhor para todos.
Mas enfrentamos grandes diculdades para implementar esta disciplina no currículo escolar 
por diversos motivos.
Fundamentos Filosófico
da Educação 
Profª. Fernanda Moliterno
Faculdade do Maciço de Baturité
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Por parecer ser uma disciplina de resultados substancias, por acreditar ser uma disciplina 
especulativa, que lida com problemas que ninguém sabe resolver. Então o que ensinar? Como lidar 
com a diversidade de teorias defendidas? Qual a competência e conteúdo central?
Temos também a cultura autoritária, onde encontramos diculdade em questionar os grandes 
lósofos do passado, onde apenas poderemos estudar e expor as ideias de tal losofo, sendo assim, 
estaremos estudando a história da losoa.
Filosofar não é fazer relatórios sobre o que os lósofos pensam, e sim, fazer o que os lósofos 
fazem. 
O contexto da Educação no século XXI e as desigualdades sociais
A educação no século XXI tem como objetivo a transformação social, onde o educador provocará 
no educando a busca pela descoberta, pela pesquisa, por solucionar problemas.
Mas essa realidade ainda está longe do alcance de todos os alunos. Percebemos claramente a 
desigualdade na educação entre os que têm um poder aquisitivo maior e os que dependem de uma 
educação custeada pelo governo.
Já temos salas de aulas interativas, onde o aluno é um descobridor, um solucionador de 
problemas, um pesquisador e crítico.
Enquanto em outros lugares, a realidade é que muitas escolas nem tem carteiras e cadeiras 
escolares adequadas, salas de aula equipadas, livros didáticos, professores preparados.
Essa desigualdade absurda é reexo de um governo que não tem princípios com a educação. 
Vem de uma cultura onde o governo é favorecido com a ignorância de seu povo. Onde a educação 
acaba por fazer o que a classe dominante lhes impõe.
A Indústria Cultural e sua interferência na realidade da Educação contemporânea
A educação brasileira tem seus pontos altos e baixos, infelizmente a educação não é de 
qualidade para todo o indivíduo, pois a realidade social em que cada indivíduo se insere é 
diferente, a desigualdade social faz com que uns tenham uma educação de nível e outros não, ou 
seja, educação de qualidade é para poucos.
Segundo Otaíza de O. Romanelli (1986, p. 23), a educação no Brasil é profundamente marcada 
por desníveis e, por isso, a ação educativa se processa de acordo com a compreensão que se tem da 
realidade social em que se está submerso. Nesse processo, dois aspectos se distinguem: o gesto 
criador – que resulta do fato de o homem “estar-no-mundo e com ele relacionar-se” 
transformando-o e transformando-se; e o gesto comunicador– que o homem executa e, assim, 
transmite a outros os resultados de sua experiência.
Como podemos ver a educação brasileira sofre muitos impactos, dentre eles o da política, onde 
quem quer entender a educação não poderá jamais ignorar tais questões, pois estão diretamente 
envolvidas no processo educativo, já que se apresenta como um jogo que mostra uma realidade 
deturpada, colocando-se assim acima de prioridades educativas, pois os interesses dos poderosos 
menosprezam o que realmente tem valor no contexto social em que o homem é inserido.
Faculdade do Maciço de Baturité
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Outro fator não menos importante e cada dia mais real no meio educativo que deve ser levado 
em conta, mas ainda não é reconhecido é a indústria Cultural que a cada dia que passa com a 
globalização vem sendo inserida em várias áreas sociais, invadindo também o contexto escolar e 
não percebemos tal inuência por que também já fomos dominados pela indústria cultural.
Indústria Cultural é um termo concebido pelosteóricos Adorno e Horkheimer.
Segundo Adorno e Horkheimer o produto cultural perde seu brilho, sua unicidade, sua 
especicidade de valor de uso quando se transforma em valor de troca, assim dissolvendo a 
verdadeira arte ou cultura, portanto acaba por cegar os homens da modernidade de massa, 
ocupando assim o espaço vazio que cou deixado para o lazer, fazendo-nos ser irracionais e não 
percebermos a injustiça do sistema capitalista. Para que a população tenha fácil acesso a Indústria 
Cultural tem-se a televisão, ela chega ás escolas quer através de programas do governo ou levada 
pelos próprios gestores, professores, alunos e funcionários escolares.
Em m a Indústria Cultural já está inserida no cotidiano do ser humano, e este não cosegue mais 
viver sem consumir tudo que lhe é oferecido através da mídia.
Com isso a própria escola acaba criando pequenos consumidores, fazendo-os querer cadernos, 
agendas de marcas renomadas, Hello Kit, Xuxa, Justin Beaber entre outros, isso quando a própria 
escola, no caso, os particulares adotam o uso obrigatório de agendas.
Com tudo isso esquecemo-nos de fazer uso da Filosoa da Educação que aprendemos nos 
cursos de formação, esquecemo-nos de colocar em prática os ensinamentos aprendidos nos 
tornando pessoas manipuláveis sem que saibamos dialogar com aquilo que lemos e fazemos 
deixando de reetir e analisar profundamente nosso comportamento.
A teoria de Pierre Boudieu vem mostrar a realidade da educação no Brasil
Até que ponto a teoria do autor se aplica à nossa realidade?
A desigualdade na educação cada vez mais vem se destacando a olhos vistos, devido a vários 
motivos descritos por Pierre Boudieu, realmente sendo o papel da escola não transformar, e sim, 
reproduzir e reforçar as desigualdades sociais.
Sem incentivo e investimento por parte do governo, as escolas e educadores enfrentam a 
realidade de cada aluno e comunidade onde está localizada a escola, fazendo com que o 
conhecimento, postura e habilidades que o aluno traz da vida sejam reproduzidos na sala de aula, 
ao invés da escola começar do zero e superar as deciências de conhecimento de cada aluno.
Temos salas de aulas superlotadas, poucos professores e professores com muitas disciplinas, 
sem tempo ou condição de investirem melhor em suas atuações em sala de aula.
Hoje em dia temos ONGs e movimentos de pessoas com poder aquisição melhor, para 
incentivar pequena parte de crianças a terem aulas de reforço e complementação curricular, para 
diminuir a desigualdade, lembrando que a parte atingida é muito pequena.
Vemos que a cada dia as famílias que tem condições nanceiras estáveis, transferirem seus lhos 
para escolas particulares, para terem uma educação melhor. 
Realmente o pessimismo de Bourdieu tem fundamentos concretos de que a competição escolar 
tomou âmbito incontornável, sem perspectivas de superação, por motivos culturais e 
governamentais.
Faculdade do Maciço de Baturité
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Fonte:https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/fundamentos-losocos-da-
educacao/19104. Texto da Professora Fernanda, do tema: Fundamentos Filosócos da Educação. Data: 11/10/12.
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